Glória Eterna
4 Glória Eterna
Notas iniciais
O dia nasceu cinza, porém, bonito. Quando Fleur saiu da barraca, Claire e Louis já estavam lá fora conversando. A menina comia um pouco da “torta da negociação”.
– Bonjour!... Quer um pouco? – Disse Claire quando Fleur se aproximou com cara de sono e cabelos desengrenhados.
– Não, obrigada, não estou com fome. – Disse Fleur, bocejando logo em seguida. – Aliás, por que nós estamos no meio da floresta mesmo? Vamos voltar! Foi uma aventura e tanto passar um dia na floresta… Mas já deu.
– Você pode voltar, se quiser. Eu vou ficar. – Disse Claire.
– Deixe de brincadeira! Vamos Louis, me ajude a convencê-la! – Louis e Claire trocaram olhares cúmplices.
– Vocês estão escondendo muita coisa de mim. —Fleur começou a notar que tinha algo mais ali. – Falem logo o que é que nós estamos fazendo aqui.
– Está certo. —Disse Claire – Você sabe sobre minha família… Sabe que eu evito ao máximo falar deles…
Fleur acenou positivamente com a cabeça e Claire continuou:
– Quase 14 anos atrás, meus pais se libertaram de uma prisão. Uma prisão de medo e ameaças. Quando Vol... Você-Sabe-Quem foi derrotado, os seus aliados não tinham mais o seu mestre e tudo foi desfeito. O que foi ruim para uns, foi um alívio para meus pais. Nem todos os comensais exerciam esta função pelo poder e por pura maldade... – Claire deu uma pausa respirou fundo e continuou – Alguns o seguiam por medo. Meus pais faziam pesquisas sobre a arte das trevas e isso era muito útil para Você-Sabe-Quem. Eles poderiam ter lutado contra o Lorde das trevas, mas eles preferiram servi-lo, em troca de paz para mim, que naquela época era apenas uma criancinha. – Duas roliças lágrimas rolavam pelo rosto de Claire e ela continuou. – Mas tem alguma coisa acontecendo, as trevas estão se juntando novamente... E meus pais estão em perigo mais uma vez. Por causa da covardia deles nós não somos bem-vistos entre os bruxos da luz, ninguém irá nos dar proteção. E não vamos voltar para as trevas.
– Mas, o que exatamente você está procurando? – disse Fleur.
– A “Glória Eterna”. – Respondeu Claire.
Fleur ficou um tempo olhando para Claire paralisada.
– Glória eterna? Como assim, Claire?!
–O que você sabe sobre o Torneio Tribruxo? – perguntou Claire.
– É um torneio que junta as três maiores escolas de Magia em jogos e desafios, mas não é praticado há muito tempo. Devido à... à mortalidade dos concorrentes.
– Campeões – disse Louis
– O quê? – disse Fleur.
– Campeões. É como são chamados os “concorrentes”. – Ele corrigiu.
– Ah... – Fleur falou olhando para Louis. Ela não sabia qual era a importância de tudo isso, afinal.
Louis percebeu a expressão confusa de Fleur e esclareceu:
– O vencedor do Torneio ganha mil galeões e...
– Glória Eterna — completou Claire séria. – Só o fato de participar já é uma grande honra... E uma preciosa chance de demonstrar coragem. Participar dele pode trazer respeito à minha família, o que já seria ótimo, e ganhá-lo faria todos se esquecerem do nosso passado.
E então Fleur entendeu: O tal evento que aconteceria no próximo ano seria o famoso Torneio. Depois de tantos anos…
Fleur olhou para Claire. Ela estava mudada… Suas expressões estavam mais duras, ela tinha um olhar preocupado e parecia determinada a fazer qualquer coisa.
– Mas o que tudo isso tem a ver com nós estarmos na floresta? – Perguntou Fleur.
– Bem, eu tenho que encontrar uma pessoa, que está devendo um favor aos meus pais, vou cobrá-lo.
– O que vai pedir?
– Quero que ele me coloque no Torneio.
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