Glória Eterna
11 Garret Angot
Notas iniciais
A casa de pedra tinha dois andares e em uma discreta placa onde se podia ler: Aubergue Nicolas Flamel.
–Nicolau Flamel?! O cara já não bateu as botas, há uns... 3 anos atrás?!
–Para nós, bruxos. Para os trouxas, ele morreu em 1418... – Claire falava com Louis enquanto inspecionava cada canto das portas.
–Para os trouxas?!
–Oui. Ele interagia com os trouxas...Bastante. Inclusive, fez muita caridade para a sociedade não-bruxa. Até seu trabalho sobre alquimia foi publicado para eles também. Só não sei se ele podem interpretar muito bem...n– Ela continuava tocando em todas as pedras ao redor da porta até que um cedeu ao toque. — Ahá!
Uma nova porta surgiu. Idêntica às outras duas.
–Vamos logo. – Apressou Claire.
No colo de Louis, Fleur parecia ter parado de se contorcer, seu rosto estava lívido, sua expressão estava calma e seu sono mais profundo, bem mais profundo.
Assim que Claire fechou a porta, teve que desviar de um copo de cerveja que quebrou na superfície da entrada logo atrás.
–O que é isso?! – perguntou Louis espantado.
–É o Albergue Nicolas Flamel... Dos bruxos. – Claire respondeu com um sorriso nos lábios.
Em volta deles, homens e mulheres faziam festa, bebiam e conversavam em grandes mesas redondas de madeira maciça. O salão era escuro e com aparência medieval, com vigas de madeira aparentes e paredes de pedras brutas.
–Temos que encontrar Garret Angot.
–Quem?!
–Um amigo do meu pai. Me espere aqui! – Claire saiu apresada, usando os cotovelos para se locomover na multidão animada, logo ele não conseguia ver mais ver a amiga.
– Monsieur Angot está? – Claire perguntou para o balconista que enxugava alguns copos com um pano velho e engordurado.
O homem apontou para uma das ultimas mesas, onde três grandes figuras conversavam animados e barulhentos.
Com um pouco de esforço, ela finalmente chegou na mesa. Assim que a avistou, um dos senhores levantou-se e abriu um grande sorriso.
–Mon petit Claire! O que a trás aqui junto do seu tio Angot?
–Garret! — Claire correu e abraçou o homem.
Garret Angot era gordo, vestia-se sempre com grandes casacos que mais pareciam tapeçarias antigas, tinha um grande nariz que terminava em um formato de bola, olhos grandes, expressivos e ralos cabelos pretos.
Claire exibia um grande sorriso, mas que não durou muito tempo, logo ela estava novamente séria.
– O que você tem, mon petit?
–Oh, Garret! Eu preciso de sua ajuda, uma amiga minha está precisando de cuidados! — Os olhos de Claire faziam transparecer sua tristeza e angústia.
O simpático senhor notou e logo ficou sério.
–Me mostre onde ela está, chérie. – Ele falou se dirigindo para Claire. E, em seguida, para os outros senhores da mesa que o olhava com expressões preocupadas — Meus amigos, preciso deixa-los, peço licença.
Com Claire na frente abrindo caminho, os dois chegaram rapidamente na entrada do albergue, onde Louis esperava ansiosamente.
–A menina é esta?
– Oui.
Monsieur Angot tocou o rosto de Fleur e sentiu sua temperatura.
–Vamos leva-la para dentro.
Os três carregaram Fleur até um dos quartos do albergue. O mais longe possível do barulho.
– O que a fez ficar neste estado?
–Uma picada de cobra. – Louis respondeu.
–Que tipo de cobra?
Desta vez, Claire que respondeu:
– Eu não conheço. Era verde esmeralda, não muito grande, olhos amarelos, escamas...
–Grandes e brilhantes? – M. Angot completou.
– Oui! Exactement!
–Eu posso ajuda-la. Mas pode demorar alguns dias para que ela fique completamente bem.
Louis e Claire entreolharam. Garret correu para um outro quarto e voltou com uma grande maleta com várias poções e ingredientes mágicos.
–Vamos ver... – Ele murmurou. – Isto vai servir.
Ele pegou o conteúdo de alguns vidros, misturou com dois ou três ingredientes e moeu tudo em um pequeno almofariz de ferro. Lançou alguns feitiços que os jovens bruxos não conheciam e, com cuidado, derramou o preparo final em um pequeno frasco. A velocidade com que Garret preparava a poção era surpreendente.
–Eu acho que está pronto. — Ele disse.
E derramou a poção na boca da enferma.
–Ela vai ficar mesmo bem, não é? – Perguntou Louis preocupado.
–Vai sim. Mas primeiro ela precisa recuperar forças. Assim que acordar, já vai estar novinha em folha. Até melhor do que antes, sem querer me gabar. – Ele disse de bom humor. — Mas ela pode demorar pra abrir os olhos novamente, não fiquem preocupados se isso só acontecer na próxima lua.
Clair e Louis se entreolharam.
–Que tipo de cobra era aquela?
–Uma espécie rara, mas não particularmente fatal. Chama-se Emerald, um bichinho agressivo.
Angot olhou para os meninos e andou para a porta.
–Voltarei para meus colegas. Mas vou falar com o proprietário deste local para que ele ceda este quarto para vocês. Por minha conta. Amanhã, venho ver como a mocinha está. E vou querer saber porque os três estão aqui e não em Beauxbatons... – Garret piscou para os jovens. – Não que eu me importe. Eu mesmo já fugi algumas vezes de lá, na minha época. – Deu uma boa gargalhada e completou: – Boa noite, crianças.
Por fim, ele deixou o quarto.
–Quem é ele? – Louis perguntou, ainda tonto devido a rapidez dos acontecimentos.
–Garret Angot. – Respondeu Claire. – Um grande amigo dos meus pais. É como um tio para mim.
– E o Nicolau Flameu?
–Era amigo dele também.
–Okay (Sério?!)... mas não é isso! Eu ainda não entendi esse tal alquimista... Ele criou a pedra filosofal, podia transformar qualquer metal em ouro, mas morava em um albergue?!
– Ele não morava em um albergue! – Claire revirou os olhos. – depois que ele “morreu” em 1418, ele transformou o subterrâneo da casa onde morava com sua esposa Perenelle em um albergue. Alguns séculos depois, os trouxas tiveram a mesma ideia e transformaram os andares de cima (os únicos que eles tem conhecimento) em uma espécie de pub, em homenagem ao alquimista. Mas, de qualquer forma, a maior parte do dinheiro dele ia para caridade ou para pesquisas.
Os dois amigos conversavam sentados na beirada da cama onde Fleur dormia.
–E Garret? – Louis perguntou.
–O que tem? Eu já falei. Ele é um amig...
–Não é isso... Ele a tal pessoa que a gente viria encontrar?
– Na verdade não. Mas ele pode nos ajudar a acha-la.
–Acha-la?
–Oui. Ela não é exatamente uma pessoa fácil. — Claire abriu em grande bocejo.
–Mas como...? – muitas perguntas fervilhavam na cabeça do garoto
–Louis! — Claire o repreendeu.
–Parei. — Louis murmurou constrangido. Deixaria as perguntas para depois.
Cada um foi para uma cama. Dormiram em segundos.
O dia seguinte guardava algumas surpresas.
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