Eram três e quarenta e quatro da madrugada. Os números do relógio digital encaravam Santiago como se pudesse dizer: “Se fudeu, otário!”. O garoto não havia pregado o olho à noite inteira e não foi por falta de tentativa. Em poucas horas, ele e o resto da escola realizariam uma prova de extrema importância. Santiago precisava se dar bem nessa prova, para provar a seus pais que ele não era um completo vagabundo que só servia de mau exemplo. Havia tentado seguir todas as recomendações de sua mãe. Precisava dormir pelo menos oito horas antes da prova, mas, acabou fracassando miseravelmente. O moreno se levantou e começou a caminhar pelo quarto. Pensou em pegar seus livros e estudar, pois isso sempre lhe trazia sono. Ele andou até a cadeira e abriu sua mochila, pegando seu caderno de anotações e passando as folhas rapidamente. Santiago bufou e lançou o caderno novamente na mochila. O moreno abriu um bolso pequeno em sua mochila, retirando seu celular.

— Se eu não vou dormir, aquelas pragas também não vão! — Disse Santiago em voz baixa, enquanto digitava mensagens para seus amigos Quinton e Brett.

Santiago se sentou na cama, ainda com o celular na mão, aguardando por uma resposta revoltada de seus amigos. Ele pegou o controle remoto e ligou a televisão. Tentou manter a televisão no volume mais baixo possível, na esperança de que seus pais não descobrissem que ele estava acordado. A programação era uma verdadeira merda durante a madrugada. Entre filmes de terror idiotas e programas sobre educação e ioga, Santiago preferiu colocar em um canal de desenhos, desistindo rapidamente da ideia e ligando seu vídeo-game. Enquanto escolhia um jogo, o celular o alertou de que havia uma nova mensagem. O garoto deu um pulo até o celular, tentando abafar o barulho que o mesmo havia feito.

“Mas que merda, Lopez! O que diabos você quer, cara? Eu tenho prova amanhã, eu preciso dormir e você devia fazer o mesmo. Mas você é o demônio mesmo!”

Santiago não pode conter um riso ao ler a mensagem. Quinton odiava ter seu sono interrompido. Ele estava digitando sua mensagem quando mudou de ideia e resolveu ligar para Quinton. Quando o sono não vem e você fica sem esperanças de recuperar a noite perdida, nada melhor do que fazer um amigo se sentir como você. Santiago ligou e caminhou até o banheiro, fechando a porta em seguida. Sabia que a conversa não seria nada silenciosa e precisava manter seus pais dormindo, ou então fazê-los pensar que ele estava descansando. O telefone chamava e não demorou muito para Quinton atender.

— Eu tô com uma vontade muito grande de te dar um soco. É melhor a razão das mensagens e da ligação ser boa. Não me faça ir até aí e te matar. — Disse Quinton do outro lado da linha.

— Cara, eu não estou conseguindo dormir! Eu fui me deitar sete horas da noite por causa da minha mãe. Eu estou com muito sono e não sei mais o que fazer. Eu apelei até para os carneirinhos e eles não funcionam. Só me ajudou a ficar mais acordado, porque eu perdi as contas, me revoltei e comecei a contar tudo de novo, anotando num bloquinho os carneiros que eu já tinha contado. — Disse Santiago, gesticulando em frente ao espelho do banheiro.

— Hey, eu sei um jeito bom pra te fazer dormir! — Falou Quinton num tom de animação.

— O que? — Perguntou Santiago.

— Eu vou até a sua casa, pego um martelo e bato na sua cabeça até ter certeza de que você está morto! — Sugeriu Quinton, irritado, quase gritando ao telefone. — Eu não ligo se você está com sono e não está conseguindo dormir. Isso não é problema meu!

— O que é isso, Quinton? Pra que tanto ódio nesse seu coração? — Perguntou Santiago, soltando um pequeno riso.

— Ah, eu vou dormir antes que eu cometa um assassinato. Tenha uma boa noite, mané! — Disse Quinton, desligando o celular em seguida.

Santiago saiu do banheiro, caminhando até a cômoda ao lado da cama, depositando o celular em cima dela. Ele voltou à atenção ao vídeo-game, sentando-se no chão e escorando as costas na cama. Estralou os dedos, o pescoço e todos os outros ossos que se pudesse estralar. Fez um pequeno alongamento antes de começar seu amistoso de futebol.

Já eram seis e meia da manhã. Santiago havia adormecido enquanto jogava. O despertador já havia tocado dezenas de vezes, mas o sono era tão profundo que se um vulcão entrasse em erupção, Santiago não ouviria nada. Só havia um vulcão que seria capaz de acordar Santiago, e esse vulcão era a Sra. Lopez. Enquanto o garoto dormia, sua mãe entrou silenciosamente no quarto, observando a situação do filho. O vídeo-game ligado, a partida perdida, Santiago com a boca aberta, babando sobre a camiseta.

— É assim que você se prepara para a prova? — Perguntou a Sra. Lopez em voz baixam, despertando Santiago de imediato.

Santiago olhou ao redor e encontrou sua mãe o encarando. Ele se esticou todo para desligar o vídeo-game, guardando os controles e enfim se levantando, passando as mãos sobre os olhos e limpando a boca babada.

— Eu estava estudando. — Respondeu Santiago. — Eu achei que o estudo de ontem não foi suficiente, então eu acordei de madrugada pra estudar.

— É mesmo? — Sua mãe o perguntou, encarando Santiago com muita desconfiança.

Santiago balançou a cabeça positivamente.

— Quem descobriu a América? — Ela perguntou, colocando as mãos na cintura. — Qual é a raiz quadrada de 64? Como se transforma quilometro em metro por segundo? — Sra. Lopez andava em círculos em volta de Santiago.

— Ah mãe, eu não tenho tempo pra isso! Eu tenho que tomar banho e ir para a escola. — Santiago caminhou apressadamente até o guarda roupa, pegando uma calça jeans e uma camiseta preta, jogando as peças na cama.

— É melhor você ir bem nessa prova, Santiago. — Disse a Sra. Lopez com um olhar de irritação, retirando-se do quarto.

O moreno caminhou até a porta, fechando e a trancando em seguida. Foi em direção ao banheiro, retirando sua roupa e entrando no chuveiro. Santiago abriu o chuveiro, deixando as gotas quentes caírem sob seu corpo, fazendo seus músculos relaxarem. Perdeu as contas de quantos bocejos havia dado durante o banho. Santiago pegou seu shampoo, colocando um pouco sob a mão e colocando em sua cabeça, espalhando o produto nos cabelos. Santiago aproveitou o cabelo ensaboado e fez um pequeno moicano nos cabelos curtos. O moreno pegou um pequeno pente e colocou na direção de sua boca, fingindo que o mesmo era um microfone.

— Olha só como se tira o nó, olha só como se tira o nó. Primeiro faz o nó, juba de leão, lá lá lá lá. — Cantarolou Santiago. — Yô, esse é o rap do chuveiro e agora eu vou te ensinar, como ensaboar o seu cabelo e macio ele ficar. Você pega o shampoo e passa na cabeça, depois joga água nele e ele fica uma beleza!

Santiago deu uma pequena gargalhada, orgulhoso da própria criação. Ele tirou o shampoo dos cabelos e desligou o chuveiro. Não sabia ao certo quantos minutos havia ficado no banho, mas sabia que devia estar atrasado. O moreno enrolou-se em sua toalha e saiu do banheiro, retornando ao quarto, terminando de se secar e vestindo a roupa escolhida. Ao terminar, Santiago desceu as escadas, caminhando apressadamente até a cozinha. O moreno foi até a geladeira, pegando apenas um pequeno pedaço de bolo de chocolate. Faltava apenas vinte minutos para o início da aula e ele precisava se apressar. Colocou o pedaço inteiro na boca, mastigando com dificuldade.

— Tchau mãe! — Disse ele com a boca cheia, caminhando até a porta, colocando a mochila nas costas.

Santiago andou até a garagem, pegando o carro que seu pai havia lhe dado há poucos meses. A escola não era longe, portanto, não precisaria se preocupar em correr. Ao se aproximar da escola, o moreno pôde ver diversos alunos caminhando devagar até a escola. Santiago reduziu a velocidade, olhando com calma para cada aluno, na esperança de encontrar seu amigo Brett, que insistia em ir a pé todos os dias para a escola. Santiago já conversara com ele várias e várias vezes, dizendo que poderia leva-lo para a escola, mas Brett sempre recusava, dizendo que Santiago poderia fazer isso, caso estivesse chovendo. Desistindo de encontrar Brett, Santiago dirigiu até o estacionamento, parando seu carro em uma vaga próxima. O garoto caminha até a entrada da escola, encarando cada um dos alunos, e como sempre, os mesmos abriam passagem para que ele passasse.

Enquanto andava pelos corredores, o moreno avistou Quinton parado em frente ao armário com um livro na mão, folheando algumas páginas. Com passos largos, Santiago caminhou até o amigo, lhe dando um pequeno tapa nas costas.

— Hey! — Cumprimentou Santiago, estendendo a mão para o amigo, fazendo o típico aperto de mão deles.

— Eu só não te mato porque eu consegui dormir depois que você ligou. — Disse Quinton, ainda segurando a mão do moreno.

— Droga, não funcionou! — Sussurrou Santiago, dando um pequeno soco no armário de Quinton.

— Sant, eu já venho. — Disse Quinton, sorrindo e dando um leve tapa no ombro de Santiago.

— Aonde você vai? — Perguntou o moreno, segurando Quinton pela jaqueta do time.

— Eu vou falar com a Fiona. — Respondeu Quinton.

— Cara, desiste dela. — Sugeriu Santiago, segurando o amigo pelo ombro.

— Não, eu não vou desistir, Santiago. Eu vou fazer a Fiona largar o Ray e quando ela fizer isso, nós vamos ficar juntos e nos tornarmos rei e rainha no baile. — Disse Quinton, cruzando os braços, olhando para Fiona que agora estava ao lado de Ray.

— Ô Pequeno Príncipe, primeiro: eu vou ser o rei daquela merda. Segundo: Fiona não quer mais saber de você. Cara, tem um monte de garotas por aí. Você não precisa ficar correndo atrás dela. — Falou Santiago, na esperança de fazer Quinton desistir da garota.

— Tem razão. Eu vou lá falar isso pra ela. — Disse Quinton, andando em direção à Fiona e Ray.

Enquanto caminhava, Quinton parou em frente à máquina de raspadinhas, pegando um copo e o enchendo. Com o copo na mão, o loiro continuava a caminhar. Quando Ray o avista com o copo na mão, retira a mochila das costas e coloca sobre o rosto. Quinton se aproxima mais, ficando a frente de Fiona. Fiona encara Ray sem entender direito sua reação.

— Qual é o seu problema? — Perguntou Quinton, retirando a mochila do rosto de Ray.

— Esse suéter é novo e eu não quero que você o estrague. Foi um presente comprado no mesmo shopping onde Barba faz compras. Infelizmente, Barba não estava no dia em que ele foi comprado. Ele poderia estar autografado por ela agora e — Falava Ray, sendo interrompido por Quinton.

— Eu não quero saber. Eu só vim entregar isso pra você. — Disse Quinton, entregando o copo com raspadinha para Ray.

— E por que você está me dando isso? — Perguntou Ray, confuso com o ato de Quinton. Na maior parte do tempo, Ray e Quinton estão brigando.

— Por nada, cara. — Respondeu Quinton, dando um leve tapa no ombro de Ray.

Quinton se virou e caminhou na direção de Santiago, que agora estava acompanhado de Brett. Ray e Fiona ficaram extremamente confusos com a atitude de Quinton.

— Eu não vou beber isso. Deve estar envenenado! — Disse Ray enquanto analisava a raspadinha.

— Eu não duvido disso. — Comentou Fiona, cheirando o copo de raspadinha.

O sinal havia tocado. Os alunos já se dirigiam às salas. Santiago adentrava na sala, sendo seguido por Quinton e Brett. O moreno tentava improvisar uma cola, que tentara fazer minutos atrás. O resto dos alunos já se encontrava na sala.

— Sant, joga isso fora, não vai servir pra nada. É mais fácil você fingir um ataque epilético. — Sugeriu Quinton.

— Boa ideia, Quinton! — Disse Santiago, parando no caminho, sorrindo com a sugestão do loiro.

Eles se sentaram. A prova já estava sendo entregue e Santiago sentiu seu nervosismo aumentar. Ele não sabia de nada e estava morrendo de sono. Talvez Quinton estivesse certo. A prova de Santiago já estava em sua carteira. Era hora de aderir à sugestão de Quinton. Enquanto a professora falava, Santiago simulou um desmaio, deixando seu corpo ir ao chão, batendo a cabeça em uma das carteiras. Santiago se arrependeu por não ter planejado sua queda. Todos os alunos tiraram a atenção de sua prova para olhar o moreno caído. Quinton revirou os olhos e levou as mãos ao rosto. Santiago tentou ao máximo não se mover e nem abrir os olhos.

Santiago havia sido levado para a diretoria, onde passou a maior parte do tempo comendo biscoitos e mexendo em seu celular. Faltavam apenas alguns minutos para o horário da prova terminar e as aulas começarem. Por fingir o desmaio, Santiago livrou-se do treino extra que Sam Sylvester havia dado como castigo.

Finalmente o moreno podia sair da sala. A diretora não se preocupou muito com sua saúde. Sabia que Santiago estava completamente bem e que tudo não passou de uma escapatória para não fazer a prova. Santiago caminhava pelos corredores, que já estavam muito tumultuados. Parou em frente a sala do clube do coral. Fiona estava na bateria, Ray estava conversando com a Sra. Schuester e o resto do coral estava sentado, aguardando a conversa de Ray e Willow terminar. O moreno adentrou na sala, sentando-se na última fileira, ao lado de Norah.

— Eu devia ter fingido um desmaio também, ou então ter uma falsa possessão demoníaca. — Disse Norah, cruzando os braços, com os olhos fixos em Ray e Willow. — O que ficou fazendo?

— Fiquei na sala da Figgins comendo biscoitos. — Respondeu Santiago.

— Sortudo. — Norah revirou os olhos.

A conversa de Ray e Willow finalmente havia terminado. Mas, para a infelicidade de todos, Willow havia se sentado e Ray continuaria com seus discursos.

— Meus caros amigos do coral, eu tenho um comunicado a fazer! — Disse Ray, elevando a voz, para que todos os membros prestassem atenção nele.

— Oh Deus, por favor, me livre disso! — Disse Abbie, erguendo as mãos, olhando para a o teto, o que acabou arrancando risos de alguns alunos.

Ignorando Abbie, Ray posicionou-se no centro da sala, arrumando as vestimentas.

— Como vocês já sabem, as Seccionais está se aproximando e eu queria livrar vocês, meus caros amigos, do estresse dos treinos vocais e de dança, por isso, eu vou fazer uma festa na minha casa. — Disse Ray, dando um pequeno aplauso, fazendo Fiona batucar algum som sem sentido na bateria.

— Oh, alguma coisa decente saindo da boca de Ray Berry. — Falou Marcus, dando um pequeno riso.

— Ô Billie Ocean, calado! — Ordenou Santiago, arrancando um olhar furioso de Marcus. — Antes de você continuar com esse seu papinho de festa, precisamos saber se você vai fazer uma daquelas suas festas chatas com refrigerantes e balinhas de hortelã, porque se for, eu me recuso a ir. — O moreno cruzou os braços, sendo acompanhado por Quinton e Brett.

— Vai ser uma festa divertida, Santiago! — Falou Ray, encarando o moreno.

— Divertida quer dizer que você vai levar bebidas? — Perguntou Brett.

— Não! — Respondeu Willow, interrompendo a resposta de Ray. — Vocês não podem ficar fazendo esses tipos de festas. Não com as Seccionais chegando.

Enquanto a Sra. Schuester falava, Ray balançou a cabeça positivamente, fazendo os alunos do clube do coral sorrirem. As festas de Ray Berry tornam-se divertidas quando ele trás bebidas. Ninguém aguenta ficar mais de uma hora numa festa de Ray quando ele diz não à alguma coisa.

— Ok, Ray, agora você pode se sentar. Fiona... — Disse Willow, fazendo sinal para que Ray e Fiona se juntassem aos outros alunos. — Essa semana eu tenho um desafio pra vocês. Eu vou sortear duplas e cada dupla deve fazer uma apresentação aqui na frente, cantando uma música pronta ou até mesmo criando a sua própria. A dupla vencedora terá sua música cantada nas Seccionais! — Completou Willow, arrancando gritos de empolgação de seus alunos.

— E quem vai ser o jurado? — Perguntou Quinton, fazendo o resto dos alunos se silenciarem para ouvir a resposta da professora.

— Vai ser um convidado especial! — Respondeu Willow, fazendo os alunos se questionarem sobre quem seria o tal convidado. — Então, Ray, venha aqui.

Ray caminhou até o piano, onde Willow estava escorada, segurando uma cartola com diversos pedaços de papel dentro. Ray colocou a mão dentro da cartola e remexeu os pequenos papeis, na esperança da escolhida ser Fiona. O Menino Talento sabia que se sua namorada fosse a sorteada, o desafio já estava ganho. Ray finalmente retirou um pequeno papel de dentro da cartola e o abriu. Seu animo desapareceu quando ele leu o nome de Norah em voz alta. Norah bufou e revirou os olhos.

— Tudo bem, eu não queria ganhar isso mesmo. — Disse Norah.

— Querida Norah, você vai cantar comigo. Essa competição já era. Mesmo que você não seja uma excelente cantora como a Fiona, ainda sim nós somos a dupla com mais chances de ganhar. — Retrucou Ray, voltando ao seu antigo lugar, fazendo o resto do clube fazer caretas de reprovação pelo seu comentário.

— “Mesmo que você não seja tão boa quanto Fiona, nós ainda vamos ganhar” — Santiago o imitou, fazendo uma voz fina, arrancando um riso baixo de Norah.

— Ótimo, agora é a sua vez, Quinton. — Willow apontava para Quinton, fazendo o mesmo se levantar e ir até a cartola.

Quinton colocou sua mão no chapéu e retirou rapidamente um papel.

— Fiona! — Disse Quinton em voz alta, fazendo Fiona lhe dar um sorriso amigável.

Antes que Willow começasse com a chamada, Santiago se levantou e caminhou até o piano, colocando a mão na cartola e retirando um papel amassado. Ele abriu com dificuldade e revirou os olhos ao ler o nome de seu parceiro.

— Billie Ocean! — Disse ele num tom de desanimo.

— Sra. Schue, não tem como eu fazer dupla com o cachorro? Vai ser mais agradável do que fazer com o demônio. — Perguntou Marcus, cruzando os braços.

— Não, isso é um sorteio, e se o destino quis que vocês fizessem o dueto juntos, não devemos contrariar o destino. — Willow respondeu, deixando seus alunos confusos pela filosofia feita. — Ok, Brett, venha.

Brett se levantou num pulo, dando uma breve corrida até o piano. Ele retirou rapidamente o nome da cartola.

— Abbie! — Informou Brett, dando um enorme sorriso.

— É isso aí, homem! — Comemorou Abbie.

— Eu vou. — Disse Tim em voz baixa, levantando-se devagar e caminhando até o piano. Ele colocou a mão na cartola e retirou um pedaço de papel com dificuldade. — Kate!

Kate continuou calada, recebendo alguns cutucões de Ray, sorrindo, finalmente. Tim voltou ao seu lugar, passando a mão nos cabelos de Kate, tendo sua mão segurada pela mesma, recebendo uma breve carícia de Kate.

— Agora só sobrou Mikayla e Samantha. — Informou Willow.

Samantha deu um pequeno tapa na perna de Mikayla, arrancando um riso das duas.

O resto da aula passou tranquilo, os alunos apenas ficaram conversando sobre a festa de Ray e o dueto que realizariam essa semana. Ainda havia mais duas aulas, antes das aulas finalmente terminarem. Para a sorte de Santiago, ele não precisaria frequentar essas aulas, pois para os jogares, era o treino de Sam Sylvester. Mesmo assim, ele resolveu que iria assistir o treino, para poder admirar a raiva no rosto de Quinton. O sinal bateu e os alunos começaram a sair da sala. Quinton caminhou até seu armário, sendo parado por Fiona.

— Oi, hum, sobre esse dueto, será que a gente podia se encontrar depois para combinar ensaios e ver o que a gente vai fazer? — Perguntou Fiona, tímida por ter que conversar com e passar um tempo com Quinton. Desde que terminaram, eles não se falaram direito.

— Ah, tudo bem. — Respondeu Quinton. — A gente se vê depois. — Quinton depositou um beijo na bochecha de Fiona, fazendo a menina corar.

Santiago e Brett caminhavam até o campo de futebol, sendo seguidos por Quinton, que saltou sobre as costas de Santiago.

— Faz isso de novo e eu te arrebento, entendeu? — Disse Santiago, sorrindo para o amigo.

— Mas então, como eu estava dizendo, Counter Strike é um bom jogo, mas eu acho que o Cross Fire está melhor. — Disse Brett.

— Tá falando sério? Cross não é melhor que Counter nunca! — Contrariou Quinton.

— Ah, vocês dois são uns otários. Combat Arms é o melhor até agora. Counter já deu o tinha que dar e Cross tem um nome que já faz você imaginar que o jogo é ruim. — Disse Santiago, fazendo a discussão dos garotos aumentar.

— Santiago Lopez, sabe o que é bom pra desmaios? — Perguntou Sam Sylvester, parando na frente dos três alunos.

— Ficar sentado na arquibancada olhando os outros correndo. — Santiago respondeu, fazendo Sam o encará-lo.

— Pobre Santiago, o homem só chegou à Lua porque um dia eu estava com raiva. Eu acho bom você estar completamente bem, porque você não quer me ver com raiva, certo? Eu te dou uma passagem só de ida para o espaço. — Disse Sam, intimidando Santiago.

— Quer saber? Eu acho que era só um mal estar. Eu estou bem melhor e pra falar a verdade, nem sei por que diabos eu fiquei daquele jeito. Deve ser o clima, não é? — Santiago se questionava. — Eu já vou me aprontar para o treino, Sr. Sylvester.

— Que ótimo, Lopez! Você tem 3 segundos para estar naquela pista correndo e o mesmo vale para as dondocas loiras. — Sam apontava para Brett e Quinton, que logo trataram de se aprontar para o treino, junto com Santiago.

— Otário! — Sussurrou Quinton.

— Se ele escutar você falando isso, ele arranca sua cabeça e pendura na porta do escritório. — Disse Brett.

— Eu não disse isso pro treinador, eu disse pro Santiago. — Ele completou, recebendo um tapa de Santiago.

O treino havia sido cansativo, como todos os outros. Os três garotos caminharam até o vestiário, onde tomaram um banho rápido e se arrumaram para ir para casa. Brett havia concordado em ser levado por Santiago, e Quinton retornaria sozinho com seu carro. Quinton, Brett e Santiago foram até o estacionamento, pegar seus veículos. Por terem saído mais tarde, havia poucos alunos na escola. Alguns jogadores e algumas líderes de torcida que ficavam para ver o treino dos jogadores.

— Hey, Quinton, quer ir lá em casa hoje jogar vídeo-game? — Santiago perguntou.

— Ah, claro. Tudo o que eu quero é passar o resto da tarde com vocês. — Quinton revirou os olhos.

— Eu esqueci de que você ia se encontrar com a sua namorada... Opa, você não tem uma! — Disse Santiago num tom de zombaria.

— Pro seu governo, eu vou me encontrar com a Fiona. Ela me chamou pra sair. — Informou Quinton.

— Ô otário, ela não é sua namorada, ela namora o Ray e ela não te chamou pra sair, seu idiota. Ela só vai encontrar você por causa dessa merda da dupla, que para a minha infelicidade, eu vou ter que fazer com o Marcus. — Santiago cruzou os braços, revirando os olhos.

— Você falou e eu só entendi um “blá, blá, blá”. Se a Fiona quisesse resolver essas coisas da dupla, ela teria falado comigo na escola, e não marcado em outro lugar pra conversar comigo. — Disse Quinton, vitorioso. — E cara, você teve sorte em pegar o Marcus. Você irrita ele o tempo todo, mas ele é um cara bem legal, muito legal, pra falar a verdade. Quando eu tive meus problemas com a Norah, ele me ajudou muito.

— Ah, vai à merda! — Disse Santiago irritado. — Mas então, você vai ou não?

— Ok, eu vou, mas eu vou levar meus jogos. Você não tem nenhum legal lá, e os legais a gente já jogou. — Respondeu Quinton.

— Eu vou levar meu Harvest Moon. — Disse Brett, com um sorriso de orelha a orelha.

— Ninguém quer jogar um jogo de fazendinha, Brett. — Quinton falou, fazendo o sorriso de Brett desaparecer. — É brincadeira, leva ele. Mas a gente não vai ficar jogando isso o tempo todo.

— Ok! — Disse Brett, empolgado.

Após marcarem o encontro para jogos, Quinton entrou em seu carro. Santiago e Brett caminharam até o carro do moreno, entrando logo em seguida. Quinton estava indo para casa, o corpo doía bastante, por causa do treinamento. Demorou uns quinze minutos até chegar em casa. Quinton parou o carro em sua garagem, entrando em casa em seguida. Largou a mochila sob a mesa e caminhou até a sala, onde encontrou seu pai falando ao telefone. Ele se aproximou dele e colocou a mão em seu ombro, dando sinal de que já estava em casa. Jude, seu pai, gesticulou para que Quinton não fosse ao seu quarto. Quinton sentou-se no sofá e aguardou seu pai finalizar o telefonema.

— Filho, você não vai acreditar! — Disse Jude, não conseguindo conter a empolgação.

— O que foi, pai? O que aconteceu? — Quinton perguntou, morrendo de curiosidade.

— Ela está voltando para Lima! — Respondendo Jude, correndo par abraçar o filho.

Quinton ficou sem reação. Ele realmente não esperava por essa.

Notas finais
Oh meu Deus, quem será que está vindo? ~tchan tchan tchan~
Comentem e vocês vão descubrir! É muito simpla! Q
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.