Notas iniciais
Agredeço pelos comentários. Finalmente o capítulo do casamento, pessoal esse pode não ser o melhor capítulo da fic, mas foi o que eu dei o meu melhor, li e fiz tudo da melhor maneira possível para não deixar nenhuma ponta solta, por isso a demora, a qual eu ja peço desculpas! Faltam 2 capítulos para terminar a fic, mas relaxem que muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte! Eu não gosto de perdir q comentem, mas esse em especial eu vou pedir, porque deu MUITO TRABALHO!!! Sem mais delongas, boa leitura! Divirtam-se.

O carro fez uma curva brusca na manhã ensolarada de Lima. Estava a toda a velocidade, atravessando as ruas como se não houvesse placas ou sinais de transito. Esse veículo desgovernado era guiado por Santana Lopez, a qual tinha como carona uma aflita Rachel Berry.

_ Eu disse para colocar o cinto, Berry!

A morena passou a mão na cabeça que havia acabado de bater contra a lataria durante a curva. Provavelmente ganharia um galo para completar sua coleção interminável de machucados.

Filha de Satã!

_ Podia ter me dito antes de bancar o papa-léguas!

_ Eu disse!_ retrucou debochada._ Você é que não houve o que eu falo!

Respire fundo, Rachel! Assim, relaxa, mantenha o foco!

_ Você ainda não me contou toda a história!_ falou tentando se acalmar._ Russel e Finn tem roubado dinheiro das igrejas para quitar as dívidas...

_ Vejo que seu lento cérebro acordou disposto essa manhã, Berry!_ isso foi um elogio, acreditem._ Muito bem, agora vou te contar o porque de Russel estar casando Finn com a Quinn.

Respire fundo! Não perca o controle! Ela está do seu lado, não vai ganhar nada matando ela agora!

_ Russel tem uma sociedade com Finn, são cúmplices nos “negócios”. E quem melhor para ser cúmplice do que um membro da família? Então Russel prometeu dar a herança dos Fabray para Finn se ele se casar com Quinn. Russel ganha um aliado que estará sobre seu controle e Finn dinheiro para o resto da vida! Ridículos...

_ O QUÊ?_ A face morena era um poço de descrença._ MAS ISSO É RIDÍCULO!

_ Você repetir o que acabei de dizer não torna o fato mais absurdo!

Puxe o ar, solte, puxe e solte!

Rachel estava fazendo o possível para seguir o raciocínio da latina, e o impossível para não voar no pescoço dela toda vez que ganhava um fora. Era incrível como elas não conseguiam ter uma conversa sem agressão verbal.

_ Espera um pouco!_ o cérebro de Rachel começou a encher-se de dúvidas._ Mas hoje em dia, não é preciso se casar para deixar os bens para os outros, é só fazer um testamento e pronto!

_ Sim, por incrível que pareça você está certa! Porém estamos falando de Russel Fabray! Um homem que vive de imagem! Imagine o que as pessoas pensariam se ele deixasse sua pobre filha sem nada e desse a herança para Finn? Perguntas iriam começar a surgir. As pessoas questionariam e poderiam suspeitar de alguma coisa...

_ E investigar e chegar até todas as sujeiras deles dois!_ Rachel completou o raciocínio._ O casamento é uma fachada para encobrir o acordo deles dois!

_ Aleluia você entendeu tudo!

A latina riu satisfeita e retirou um estojo com giz de cera do porta-luvas.

_ Para que isso?

_ Pensei que teria que desenhar para você entender! Agora não sei bem o que fazer com eles!_ falou olhando despreocupada para a estrada.

Vou lhe mostrar onde enfiá-los...

_ CUIDADO COM O CACHORRO!_ gritou Rachel.

Um pobre vira-lata vinha passando distraído, quando o carro fez um desvio ligeiro, errando-o por pouco.

_ Eu não difiro cachorros de quebra-molas, Berry!

E eu achava que eu era do mal!

_ Por que a Quinn não me disse?_ Rachel perguntou mais para si mesma do que para a latina._ Por que ela me afastou?

Uma pergunta sem resolução que estava atormentando a morena.

_ Isso é o que você vai descobrir assim que falar com ela!

_ E como vou entrar na igreja?

_ Não se preocupe! Eu já dei um jeito!

Rachel não sabia o porque, mas depois de ouvir isso, ficou realmente preocupada.

___________x____________

A estação de trem estava lotada de pessoas apressadas, era sempre assim. O tempo funcionava como uma espécie de patrão que obrigava as pessoas daquele lugar a segui-lo. Muitas pessoas, muitos passos, pouco tempo. Shelby estava parada de frente para a plataforma, olhando o relógio de dois em dois segundos.

_ Shelby!

Ela se virou. O coração relaxou e reluziu. O amor é um sentimento ardiloso, levam-se anos para você esquecer uma pessoa e apenas segundos para reavivar o que sente por ela.

_ Adam!

O abraço acolhedor se seguiu depois desse curto cumprimento.

_ É bom ver você!_ disse ele, se afastando para olhá-la._ Mesmo em uma situação como essa!

_ Também fico feliz em vê-lo!_ ela não percebeu o certo tom de rubor que lhe manchou a face.

_ Onde está a Rachel?

_ Foi na frente com uma amiga! Tem um taxi nos esperando do lado de fora da estação!

_ Como vamos entrar na igreja?_ falou preocupado._ Creio que não será tão fácil!

A morena sorriu, confortando-lhe.

_ Já resolvi esse problema!

E lado a lado, saíram apressados rumo a igreja.

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_ Você só pode ta me zoando!_ indignou-se Rachel ao ver a “ entrada” que a latina havia arrumado para ela.

_ É perfeita! Pare de reclamar!

Perfeita, perfeita para eu cair e morrer!

Elas estavam na lateral direita da igreja. Santana havia parado o carro bem abaixo de uma escada de madeira que dava acesso a base da cúpula, local onde se encontrava um vitral quebrado, o buraco formado era grande o suficiente para Rachel se esgueirar e passar sem problemas, caindo na sacada do segundo andar no interior da igreja.

_ É um plano infalível!_ falou a latina, orgulhosa._ Eu mesma o bolei!

Rachel semi-cerrou os olhos. Ou Santana não sabia sobre sua coordenação motora, ou sabia e simplesmente queria matá-la.

_ Deve ter uns 10 metros! Eu não vou subir!

_ Russel colocou seguranças ao redor da igreja para conferir a lista de convidados! É o único lugar que você terá acesso!

A morena bufou. Era isso ou Quinn estaria perdida. Seu estômago embrulhou. A fobia da altura atiçou seus nervos.

_ Ok! E quando chegar lá dentro? O que faço?

_ Você espera a cerimônia começar e quando o padre disser: “Alguém tem alguma coisa a dizer que possa impedir a união desses dois?” Você entra em cena!

_ Não tinha nada mais clichê para eu fazer não?_ debochou.

_ Não é questão de ser clichê ou não! Isso é uma regra religiosa, se o casamento for parado nesse exato momento, ninguém poderá fazer nada contra você, até que você diga tudo! Nem mesmo Russel ousará te expulsar!

_ Certo! E como você sabe disso tudo?

_ Porque sou esperta, inteligente e bem informada! Mas não me inveje, um dia você chega lá!

Em outra situação Rachel teria enfiado um soco na cara de Santana, porém, se aturá-la fosse o único meio de salvar Quinn, ela aturaria.

_ Vou subir!

A morena chupou o ar pelos dentes e subiu em cima do carro de Santana para alcançar a escada.

_ Cuidado com a pintura!_ A latina alerto-a.

Claro, minha querida!

Ela não poderia deixar passar uma oportunidade dessas, arrastou a bota na lataria, fazendo um barulho ensurdecedor de metal lascado.

_ BERRY!

_ Desculpe-me!_ ironizou rindo e deu início a escalada.

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O espelho sorria para a imagem da bela jovem de branco, mas ela não poderia fazer o mesmo. Quinn estava em uma sala vazia terminando de ajeitar a tiara que usaria no casamento, ela estava encantadora, mas só por fora.

Isso é por você!

Esse “você” não era a imagem que refletia no espelho, era na verdade por uma pessoa menor, mais morena e de olhos chocolate. A loira não estava feliz com isso, mas também não tinha mais medo, assumiu sua forma de gelo e respirou fundo.

É agora!

Já estava a caminho da porta quando foi barrada e empurrada para dentro.

_ Você não vai a lugar nenhum!

_ Puck?

O garoto de moicano fechou a porta e voltou-se para a noiva.

_ Você não pode fazer isso, Quinn!

_ Do que você está falando?_ ela estava tentando manter a postura.

_ Não se case com o Finn! Eu sei de você e da Rachel!

_ Noah!_ os olhos verdes já começavam a marejar._ Eu tenho que fazer isso!

_ Quinn! Pelo amor de Deus! Antes de conhecer a Rachel você vivia tentando sobreviver a sua vida infeliz, sorrindo sem vontade, fazendo tudo que os outros queriam que você fizesse! E não adianta mentir ou fingir porque eu te conheço!

_ Eu sei!_ Quinn fechou os olhos para tentar conter as lágrimas.

_ Eu sou seu irmão de coração!_ ele se aproximou dela e segurou delicadamente seu rosto._ Eu sei diferir quando você está feliz ou não! E você era quando estava perto dela.

_ Noah...

_ Você a ama?_ foi uma pergunta dura, mas tinha que ser feita.

Eu não poderia mentir para você!

_ Sim!_ Uma lágrima brilhou no canto do seu olho._ E é por isso que eu tenho que fazer isso!

_ Eu não compreendo!_ ele abaixou a cabeça desamparado.

_ Você disse que é meu irmão de coração, certo?_ agora ela pegou a mão dele e colocou sobre seu próprio coração._ Então eu lhe imploro, confie em mim! Estou fazendo isso para o bem dela!

Ele assentiu deixando algumas lágrimas lhe escaparem dos olhos. Secou-as com as palmas das mãos e encarou a imensidão avelã com pena, angústia.

_ Eu nunca te vi tão feliz, como quando você estava com ela. Eu não sou um cara muito religioso, mas tenho que admitir que nunca pensei em presenciar um milagre!

_ Como assim?_ perguntou sorrindo para ele.

_ A Rachel!_ ele deu aquele sorriso maroto e acolhedor._ Ela é o seu milagre, Quinn!

Eu bem que estou precisando de um agora!

Não se preocupe Quinn Fabray o seu milagre está a aminho. Literalmente.

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A alguns metros mais acima de Quinn, se encontrava a silhueta de Rachel Berry, tremendo de medo. O vento, na altura que alcançara, era forte e chegava com violência aos seus ouvidos.

Estou quase no topo! É só não olhar para baixo!

Porque quando a gente fala: “Não olhe para baixo, a pessoa olha?”

Jesus, Maria e José!

Ela mesma se traiu e deu uma espiada, se arrependendo logo depois. Se caísse dali, sem dúvida alguma iria de encontro a São Pedro. Ela estacou e agarrou-se a escada com tudo.

Respira, puxa o ar, puxa o ar, cadê o maldito ar?

O medo estava se apoderando dela. Com muita dificuldade ela colocou um pé no próximo degrau, porém envelhecido pelo tempo o degrau de madeira se partiu, assim como todos os outros abaixo. A menina se viu pendurada, segura somente pelas mãos.

EU VOU MORRER!

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_ Nervoso, Finn?

O garoto olhava entediado para os convidados enquanto cochichava com Russel ao lado de um vaso de porcelana no altar.

_ Claro!_ mentiu._ Hoje é o dia mais importante da minha vida!

Ambos riram debochados. Tudo que ganhariam com o casamento seria uma parceria sólida em suas pilantragens.

_ Não tem porque ficar!_ riu Russel._ Depois de ameaçar a vida daquela aberração de preto a Quinn não vai passar por cima da minha autoridade, disso estou certo!

Os idiotas continuaram com o papo descontraído no altar, mas eles não contavam com os ouvidos aguçados de Kurt Hummel que estava perplexo escondido próximo a eles.

Preciso encontrar a Rachel!

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Os braços da baixinha já estavam começando a ficar vermelhos pelo esforço sobrenatural de sustentar todo o seu corpo. O suor estava encharcando as palmas das mãos enquanto ela mantinha os dentes trincados.

Acho melhor começar a pedir perdão por todos os meus pecados!

Rachel não era uma pessoa religiosa, mas também não estava muito ansiosa para conhecer o inferno, iria rezar só para garantir.

Bom, Senhor é...eu peço desculpas por: Roubar meu pai, enfiar a cabeça da minha prima na privada, ascender uma bombinha no rabo do gato da minha avó...

A lista era imensa, com certeza não daria tempo de pedir perdão por tudo. Uma mão escorregou. E seu coração quase pulou pela boca.

Ai, CACETE! Pare de xingar Rachel, é para se livrar dos pecados não para cometer mais!

Era chegada a hora. A outra mão ia escorregar dentro de segundos. A menina fechou os olhos e na sua cabeça só uma pessoa lhe apareceu.

Quinn...

Ela havia chegado tão longe. Seria covarde de se entregar ali? Isso não combinava com Rachel Berry, pedir perdão e esperar a morte vir buscá-la? A menina rebelde de Nova York mandaria a morte pastar e iria atrás da sua garota.

O que estou fazendo? Ache uma solução, Berry!

Com muito esforço e uma força de vontade inigualável ela recolocou as duas mãos no degrau e amarrou-as lá, precisava dar um forte impulso para subir, e não podia errar porque usaria toda sua energia de sobra para realizar essa façanha.

Preciso de uma descarga de adrenalina! Tenho que ficar com raiva!

Ela imaginou a sua querida moto destroçada por ela mesma. Sua preciosa, seu bebê, morta pelas mãos de sua própria criadora. A química ativou seu cérebro e reintegrou seus músculos, num grito alto de ódio ela se içou para cima e prendeu os braços e pernas nos degraus superiores.

Ufa!

Inspirou uma generosa lufada de ar e voltou a subir. Chegou ao topo e olhou o buraco do vitral, era grande o suficiente, porém estava interditado por um pombo.

_ Cho!_ fez para tocar o bicho.

Ele nem se mexeu.

_ Saia daí seu otário!_ tampou uma pedrinha nele.

O bicho voou para o alto e no susto fez o que todos os animais faziam para cumprimentar Rachel Berry, cagou em sua jaqueta.

PUTA MERDA!

Ela se limpou o melhor que pode e pulou para dentro, caiu com um baque surdo na sacada superior, estava vazia, possuía duas escadas de acesso para as laterais da igreja e permitia uma visão amplificada do andar de baixo abarrotado de gente.

Agora é só esperar!

Rachel olhava para o altar enojada com a cena de Finn e Russel se vangloriando, mais ao lado, se encontrava Judy com uma expressão aflita, os membros do Glee estavam sentados na primeira fila( só a própria Rachel não fora convidada). A marcha nupcial tocou logo em seguida. Russel foi ao encontro de Quinn que entrou no salão de cabeça erguida e olhar penetrante e mesmo naquela situação tensa a morena não pode deixar de reparar no quanto ela estava bonita.

_ Pare de babar, Rachel! Vai acabar respingando nos convidados e chamando atenção de todos!

_ Kurt!

Os dois se abraçaram. O garoto sorriu para ela.

_ Como você sabia que eu estava aqui?

_ Falei com a Santana, ela me contou o plano! Puck também já sabe!

_ Isso é ótimo, porque vamos precisar de toda ajuda possível!

Eles se debruçaram na sacada e observaram o padre iniciar a cerimônia.

_ Não entendo uma coisa!_ começou a morena._ Porque ela não me contou que estava sendo forçada a se casar?

_ Não é obvio?_ falou ele._ Eles te ameaçaram, disseram que senão se casasse com ele você sairia machucada...

_ Eu não iria ligar para ameaças, Kurt!

_ Exatamente por isso! Quinn sabia que você não daria ouvidos e Russel cumpriria com a promessa de te liquidar.

_ Ela está se sacrificando por mim?

O garoto assentiu. Rachel olhou para baixou, desamparada.

_ Ela disse que não me amava!_ falou a morena com a voz rasgada.

_ Para te proteger! Caso você não tenha reparado ela está indo para o altar, casar com a orca do meu irmão por você!_ ele pegou as mãos dela e falou olhando-a no fundo dos olhos._ Você ainda acha que ela não te ama?

Aquele sorriso capaz de iluminar um breu tomou conta de seus lábios. O quebra- cabeça estava montado, tudo se encaixava, agora era chegada a hora do xeque-mate. E a rainha Rachel estava pronta.

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Finn e Quinn já haviam trocado as alianças e feito seus votos. Estavam de mãos dadas de frente um para o outro, enquanto o padre falava Finn aproveitou para sussurrar a sua deixa.

_ Hoje será a noite mais inesquecível da sua vida!_ a malícia escorria feito veneno.

_ Com certeza!_ retrucou ela._ Sabe aqueles morangos de que você é alérgico? Eu comprei um hidratante, sabonete, shampoo e até mesmo um perfume feito deles! Usarei todos de uma vez!_ sorriu vitoriosa.

O padre fechou a bíblia e se virou para os convidados.

_ “Se alguém aqui tiver alguma coisa contra a união desse homem e dessa mulher que fale agora ou cale-se para sempre!”

O silêncio se seguiu e rapidamente foi quebrado por um baque alto de um corpo rolando pela escada. Uma entrada não muito triunfal.

_ EU TENHO!_ gritou a morena massageando o bumbum para aliviar a dor do tombo e entrando furiosa pelo salão.

_ Rachel?_ Quinn estava incrédula.

_ Você?_ rosnou Finn.

_ HUDSON! TIRE AS MÃOS DA MINHA MULHER!

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Olhares esbugalhados, cochichos e queixos caídos se desenharam na face de todos os convidados. Mas quem poderia culpá-los? Uma doida de um metro e meio havia atrapalhado o casamento pela noiva. É muita informação.

_ SAIA DAQUI!_ Russel gritou a plenos pulmões na direção da baixinha. Ela nem se mexeu.

_ Senhor Fabray!_ começou o padre._ Não pode expulsá-la, são as regras, se ela tiver alguma coisa para dizer que implique na união desses dois, essa é a hora de dizer.

Russel fechou os punhos e fitou-a. Todos voltaram seus rostos para ela. E o silêncio tomou conta da multidão.

_ Seu pastor..._ começou a morena.

_ Padre!_ corrigiu-a o homem de bata.

_ É! Bom... Esse casamento é uma farsa, estão obrigando a noiva a se casar para formarem uma sociedade mais firme e darem continuidade aos roubos e fraudes aos quais estão encobrindo um do outro.

_ Quem está fazendo isso minha jovem?_ perguntou o padre, assombrado.

_ Russel Fabray e Finn Hudson!_ disse com muita substância.

_ CALUNIAS! MENTIRAS!_ riu Russel._ Você por um acaso tem alguma prova do que diz?

A morena andou mais alguns passos em direção ao altar. Quinn permanecia estática, olhava do pai para a morena e vice-versa. Temia pelo pior.

_ Quinn, você é testemunha! Diga a todos o que eles fizeram!

_ Rachel...

_ Isso é asneira!_ Finn andou de encontro a Rachel com um descontrole perigoso._ Você entra no meu casamento para estragar tudo e explana essas mentiras sobre mim e o Russel!

O garoto fechou os punhos e se preparou para lançar um soco na morena, porém recebeu um na boca do estômago, que o impediu de continuar.

_ PUCK!

_ FIQUE BEM LONGE DELA, FINN!_ o garoto de moicano se postou ao lado da menina impedindo que o gigante prosseguisse.

_ Finn ponha-se no seu lugar!_ mandou Russel, tomando o controle da situação._ E você sua imunda, não vai estragar o dia mais feliz da vida de minha filha! Seguranças, tirem essa aberração daqui!

_ Ninguém vai encostar um dedo na minha filha!_ anunciou Shelby que estava escondida num canto escuro e rapidamente se pôs ao lado de Rachel.

A carranca de Russel foi crescendo cada vez mais diante da cena incomum que se tornara o casamento.

_ ALGUÈM PODE ME EXPLICAR O QUE ESTÁ MULHER ESTÀ FAZENDO AQUI?_ O homem gritou furioso._ Quem te deixou entrar?

_ Fui eu!

E como se não pudesse ficar mais estranho, sua própria mulher saiu do altar e se interpôs entre ele e Shelby. Judy Fabray encarou-o como nunca ousou, tinha nos olhos um brilho diferente, uma força indistinta.

_ Você?_ O marido não podia acreditar.

_ Mãe?_ Quinn também estava incrédula.

A mãe da Quinn ajudou a Shelby? Ótimo, já não estou entendendo mais nada!

Rachel já estava ficando irritada com aquela situação, parecia tão alienada quanto a própria Quinn.

_ PORQUÊ?_ foi a pergunta que Russel fez e ecoou por todo o canto.

Os olhos de Judy encararam o chão e seus pulmões absorveram uma lufada de ar, antes de voltar a encarar o marido.

_ Eu...

Flashback On

A pequena e tranqüila cidade de Lima amanheceu extremamente ensolarada no verão de 1972. Uma menininha, por volta de seus 4 anos, de pele cor de giz e cabelos lisos e loiros brincava de andar de bicicleta( de rodinhas) na calçada, quando uma pedra apareceu em seu caminho e ela não pode evitar a colisão.

_ Aaaaah!

Caiu e ralou o joelho, não demorou muito para abrir o berreiro.

_ Hei!

Outra menina apareceu, essa tinha os cabelos curtos lisos da mesma cor dos olhos chocolate. Agachou perto da outra para analisar o machucado.

_ Dói?_ perguntou para a loirinha.

Ela assentiu, prendendo o choro.

_ Isso aqui vai ajudar!_ enfiou as mãos no bolso e retirou um bandeide, colocando logo depois com todo o cuidado sobre o machucado._ Melhor?

_ Uhum!

A morena esticou a mãozinha para a loira que segurou e deu um impulso para se levantar.

_ Judy!_ gritou seu pai que havia acabado de chegar.

_ Oi, pai!

_ O que aconteceu?_ perguntou olhando da morena para a loira e vice-versa.

_ Eu cai, e a...

Judy olhou para a morena como quem diz “ Qual o seu nome mesmo?”

_ Shelby!_ respondeu sorrindo.

_ Shelby me ajudou com o machucado!

O pai olhou para a pequena morena e pronunciou um breve “ obrigado”, depois chamou a filha para ir embora.

_ Então, tchau!_ falou Judy.

_ Espera._ pediu a morena._ Você quer andar de bicicleta comigo amanhã?

E assim elas passaram de vizinhas para amigas, ficaram o verão inteiro revezando de casa para brincar, conhecendo-se. Crescerem e como boas amigas foram para a mesma escola.

Shelby sempre fora a mais alta e passou a ter a necessidade de ser a protetora de Judy, ninguém ousava implicar com a loira na escola e quando resolviam a morena dava um jeito.

_ Judy, passe a grana!

Uma menina muito maior do Judy a encurralou e pediu o dinheiro do lanche. A pequena negou veemente.

_ Não, não é certo roubar!_ retrucou.

A menina fez que ia partir para cima dela, porém foi parada e empurrada contra a grade por uma Shelby Corcoran adolescente.

_ Deixe ela em paz senão quiser apanhar!_ ameaçou.

Com medo e quase borrando as calças a outra assentiu, passou a primeira e sumiu.

_ Você está bem?_ perguntou para Judy.

A única reação da pequena foi jogar os braços ao redor de Shelby, um agradecimento silencioso e muito melhor que o verbal. Naquela noite elas foram para a casa da árvore de Judy olhar as estrelas como de costume.

_ Qual o seu sonho, Shelby?

A loira descansava a cabeça no seu colo.

_ Ser cantora!_ respondeu simples._ E o seu?

_ Hum... um dia eu te conto!

_ Hei!_ começou uma série de cosquinhas na loira._ Isso não é justo! Me fala!

Sentou-se para fugir das cócegas.

_ Não! Você vai saber, mas não vai ser hoje!

_ Que maldade!_ fez um biquinho._ Eu te contei o meu, mereço alguma coisa em troca.

_ Qualquer coisa?

_ Não!_ entoou Shelby._ Tem que ser algo tão bom quanto um sonho!

_ Ta bom!

De repente Judy se debruçou sobre ela, e delicadamente encostou os lábios nos dela. Shelby arregalou os olhos, mas não se afastou. Permaneceram assim por alguns segundos e muitas batidas desenfreadas de corações.

_ Então?_ Judy olhava para frente, totalmente corada, sem acreditar no que acabara de fazer._ Você acha que isso valeu o sonho?

_ Não sei ao certo!_ falou ficando vermelha._ Mas se você fizer de novo eu posso chegar a um julgamento.

E assim começou o que seria um belo primeiro romance. Claro que com o passar dos anos elas foram crescendo e entendendo como o mundo “funcionava”. Uma mulher não tinha permissão para ficar com outra, mas elas não davam ouvidos, não conseguiam ficar longe uma da outra. Começaram a namorar escondido.

_ Judy, eu tenho uma surpresa para você!

_ Que surpresa?_ perguntou se levantando da cama de Shelby.

Estavam deitadas, aproveitando a oportunidade rara que tinham de ficar sozinhas. O povo não era tão avançado naquela época, como alguns podem pensar, elas não tinha feito nada luxurioso e nem pensavam nisso ainda.

_ Se eu disser não vai ser surpresa!_ brincou a morena.

Judy pulou em cima dela e começou a torturá-la fazendo as habituais cócegas.

_ Você se rende?

_ TA BOM! EU ME RENDO!_ a morena se deu por vencida, porque também já estava ficando sem ar de tanto rir.

_ Então me fala o que é!

Ela se pendurou na beirada da cama e tirou lá de baixo uma caixinha média com um laçinho roxo e entregou a Judy.

_ Feliz aniversário de 15 anos!

Os dedos de giz abriram o papel delicadamente até que os olhos avelã pudessem observar estagnados o objeto.

_ Uma caixinha de música!_ falou com a voz embargada.

_ Sim e com uma bailarina! Que é o seu sonho, não é?

_ Mas...como você descobriu?

_ Simples, vi você babando na apresentação do lago dos cisnes, juntei um mais um e descobri!

A cordinha foi virada cinco vezes, o lago dos cisnes começou a ressoar e foi seguido pelos giros graciosos da bailarina.

_ Eu amei!

_ Então eu mereço um beijo!

A morena foi jogada para trás e atacada com vários beijos na face.

_ Merece todos do mundo!

Mais tarde naquela mesma noite, Shelby levou Judy até a porta de casa e a abraçou para se despedir.

_ Até amanhã, linda!

Fez que ia se afastar, mas a loira a segurou pelo colarinho da camisa.

_ Espera... eu quero um beijo!

_ Judy! Aqui é perigoso e se seus pais virem?

_ Eles já estão dormindo a essa hora! Hoje é meu aniversário, eu mereço isso.

Sem ter muita força de vontade para discutir, a morena juntou seus lábios e a puxou pela cintura, colando seus corpos, Judy se agarrou aos cabelos morenos e sugou o lábio inferior dela. O beijo foi de tirar o fôlego, o mais intenso de todos.

Parece até que elas sabiam que esse ia ser o último.

_ Te vejo amanhã!_ acenou para a loira e voltou para casa.

Judy entrou no cômodo com a caixinha nas mãos e um sorriso bobo na face. Uma luz foi acessa na sala, apagando a alegria da pobre menina.

_ Pai, mãe?

Seus pais estavam sentados no sofá, suas feições eram de puro desapontamento.

_ Onde você estava?_ questionou o pai.

_ Na casa da Shelby!_ falou tentando conter o nervosismo._ Ela me deu um presente...

_ Você está proibida de vê-la!_ ordenou a mãe.

_ O quê? Mas, por quê?

_ As pessoas tentaram abrir nossos olhos e mesmo desconfiando eu achei que você nunca pudesse me fazer passar por uma vergonha dessas, isso já foi longe demais!

_ Eu não estou entendendo!_ Judy estava com o coração na boca, sem saída para contornar a situação.

_ Eu vi vocês se beijando na varanda!_ a mãe falou e foi como se uma faca atingisse o peito da loira.

As palavras dos pais são as armas mais dolorosas do mundo, pois elas não destroem o corpo como as armas de fogo, elas matam a alma.

_ Eu...eu..._ as lágrimas e soluços deram o ar de sua graça._ Eu gosto dela de verdade! Eu...

_ Você o quê?_ seu pai se levantou e ficou a centímetros de seu rosto.

_ Eu a amo!

Uma bofetada marcou o rosto delicado da menina. Ela viveria com essa marca para sempre.

_ Você nunca mais irá vê-la ou lhe dirigir a palavra novamente, entendeu?

No dia seguinte, Shelby foi até a casa de Judy, recebeu uma porta na cara. Ligou diversas vezes e a ligação sempre caia. Os pais de Judy mandaram a menina para um internato na Filadélfia. Nunca mais Shelby teve notícias dela.

Com o tempo Shelby decidiu que mesmo sendo difícil ela precisava seguir em frente, com 20 anos se mudou para Nova York a procura de seus sonhos e conheceu Adam, namoraram por cinco anos e tiveram uma filha. O amor se desgastou e Shelby voltou para Lima, abandonando a filha de 10 anos.

Já Judy, volto para Lima, casou-se com o importante Russel Fabray e teve também uma filha.

E como que por capricho do destino elas se conheceram anos depois e se apaixonaram, assim como suas mães. Alguns amores se perdem no tempo, pelas variações e barreiras da vida, mas o que deve ficar junto, ficará, pois o tempo é só um detalhe irrelevante perto do incomensurável poder do amor.

Flashback Off

Você pode imaginar a quantidade de rostos em estado de choque quando Judy contou ao marido e consequentemente a todos do casamento que tivera um relacionamento com Shelby, que a mulher as suas costas havia sido seu primeiro amor.

Ok, para o mundo aí! A minha “mãe” namorou com a mãe da minha namorada? Puta que pariu, que bagunça!

Rachel tinha o queixo caído, assim como todos os convidados, ela encarava a silhueta de olhos arregalados de Quinn, tentando passar um silencioso: “ Eu também não sabia.”

_ VOCÊ! SUA VADIA IMUNDA!_ gritou enfurecido o pai de Quinn._ COMO PODE FAZER ISSO? VOCÊ ME TRAIU!

_ Alto lá, Russel!_ falou Judy._ Eu nunca lhe trai, mesmo que você não merecesse minha lealdade!

_ Não mereço?

_ Não! Você tem roubado da igreja para encobrir dívidas de jogos! Se este foi o homem com quem me casei, não poderia estar mais arrependida!

Os olhos do senhor Fabray viraram duas bolas de fogo.

_ ISSO SÃO MENTIRAS QUE ESSAS DUAS INVENTARAM!_ apontou para Rachel e Shelby._ ALGUÉM POR UM ACASO TEM ALGUMA PROVA?

O homem fez a última pergunta para todos os convidados.

_ Não seja por isso, Fabray!_ falou Ricardo Lopez._ Eu tenho!

O pai de Santana sacou um celular do bolso do terno e sibilou um: “Santana, pode ligar.” Nesse mesmo instante a voz embriagada de Russel saiu pelas caixas de som espalhadas pela igreja, toda a conversa gravada entre ele e Finn. Toda a confissão.

_ Isso não é verdade..._ Russel se virou para Quinn._ Filha, diga para eles!

_ Não acredito que você fez isso tudo!_ A loira tinha uma expressão de extrema decepção._ Eu tenho nojo de você!

O homem avançou em cima dela, mas logo foi parado por um soco bem dado na cara vindo das mãos de Adam Berry.

_ O senhor está preso por fraude e desvio de verbas! Tem o direito de ficar calado!

_ NÃO!

Russel se contorcia no chão enquanto Adam algemava suas mãos. Quinn correu do altar em direção a Rachel que a acolheu num abraço de urso e girou-a no ar, ficando agora de costas para o altar.

_ Rach, eu..._ os soluços e lágrimas estavam atropelando as palavras.

_ Calma, está tudo bem agora!

Pobre Rachel, como ela estava enganada, infelizmente. Faltava uma peça nesse tabuleiro, não? Sim, Finn Hudson continuava parado no altar, olhando para os policiais que carregavam algemas em sua direção. Não tinha saída, ele perdera. Mas não queria sair perdendo sozinho e não iria.

Você também não vai vencer!

Ele podia ser tudo de ruim, mas era um excelente jogador de futebol. Usando sua habilidade de lançador e força ele conseguiu tempo para pegar um vaso imensamente pesado de porcelana que estava ao seu lado e lançar na direção de Rachel. Não houve tempo para desvio. O vaso colidiu na nuca da menina. Ela caiu inerte e bateu a cabeça de encontro a um banco.

_ RACHEL!

O mundo apagou.

Notas finais
Sim, sim, todos odeiam o Hudson e querem matá-lo...caros leitores, o fim do meu queridinho Finn ja esta pronto e só posso adiantar que irá condizer com a história, sua personalidade e será pior do que a morte!!! Ah, e o segredo em???kkkk, a maioria ja havia acertado sobre a relação Judy/Shelby, essa relação me ajudara a dar um sentido mais profundo na relação quinn/rachel, a fora q esse amores impossíveis sempre me fascinam, espero que tenham gostado da história delas. Usei e abusei da santana nesse capítulo, pq eu amoooooo essa latina, vai ser bitch e fofa assim lá na... Esse acontecimento trágico do final era necessário para a base do próximo capítulo que será o das nacionais, me explicarei melhor lá... bjus e até o próximo.