Glee-Hands All Over- Faberry
16 Crazy Little Thing Called Love
Notas iniciais
O último dia de aula é sem dúvidas o dia mais feliz do ano, quando os alunos percebem que acabou o sofrimento e retiram um caminhão feito de concreto e carregado de chumbo das costas.
_ Muito bem, senhores._ começou a professora de matemática._ Estamos a minutos do fim de mais um ano e eu gostaria de parabenizar a todos que passaram.
Muitos vivas foram proferidos dos alunos que passaram, já os que não passaram mandaram vários dedos médios para a professora que, para a sorte deles, enxergava muito mal para diferir um dedo de um lápis.
_ Gostaria de parabenizar em especial a aluna que obteve as maiores notas do semestre._ e levantou a prancheta com o nome dos alunos._ Senhorita Britanny S. Pierce!
Não, você não está louco, foi isso mesmo que você leu. Brittany que tantas vezes fora subjugada pelos seus colegas estava se dirigindo a frente da sala para receber uma plaquinha de mérito pelos seus valiosos esforços.
_ Muito bem, Brittany!_ Rachel fez uma cruz com os dedos e assobiou, congratulando-a.
_ Menos empolgação, Berry!_ sentenciou Santana._ A garota é minha!
Quinn revirou os olhos.
_ Ela só está dando os parabéns!
_ Como eu já disse, Fabray! A garota é minha, se alguém tem parabenizá-la sou eu! E coloque uma coleira na Berry, antes que ela comece a babar!
_ Você está me chamando de cachorra?
_ Se a carapuça serviu!
E o caos se fez. Rachel e Santana se atracaram vorazmente no chão. Quinn nem se deu ao trabalho de separá-las porque daria muito trabalho fazer isso.
_ SENHORITAS! Comportem-se ou iram para a secretária no ultimo dia de aula!_ gritou a professora.
As meninas se separaram a muito contragosto. Queriam terminar de exterminar uma a outra. Era uma espécie de amizade estranha, violenta, mas verdadeira a maneira delas.
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Rachel estava esvaziando seu armário, muito ocupada se livrando de pó-de-mico, bombinhas, potes de amendoins e outras coisas que ela tinha guardado o ano todo e usado contra aquele-que-não-deve-mais-ser-nomeado, quando Kurt chegou.
_ Então, Rachel!_ abriu aquele sorriso amigável._ Fiquei sabendo que você vai para NYADA!
A morena deu muxoxo cansado.
_ A Quinn te disse isso?_ ela já sabia a resposta.
_ Foi!_ ele bateu palminhas._ Estou tão ansioso, eu também fui aceito! Vamos juntos para a mesma universidade! Imagina só o que...
_ Kurt!_ estendeu a mão pedindo calma._ Para, respira! Eu não sei se vou para NYADA!
O canto do lábio inferior dele tremeu em desapontamento.
_ Mas é uma das melhores universidades do país!_ o garoto começou a falar tudo muito rápido, ela temeu que ele engolisse a língua e morresse sufocado._ Eu estou precisando de no mínimo quatro pessoas para dividir um apartamento e pensei que você poderia vir comigo!
A baixinha fechou o armário e bagunçou os cabelos, visivelmente incomodada.
_ Eu vou pensar no assunto! Mas não prometo nada!
O menino sorriu. Começou a fazer uma dança que a morena não conseguiu diferir entre o tango ou balé. Ou será que era os dois juntos?
_ Me avise se concordar! Ainda tenho que arrumar mais três pessoas!
_ Ok!
Rachel Berry simpatizava com Kurt Hummel de uma maneira quase fraternal, era difícil decepcioná-lo. Ela considerava menos pior se vestir de Barbra Stransand e cantar Don’t Rain on my Parade em uma parada Gay do que deixá-lo na mão.
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Existia uma variável em seus planos. Como ela poderia deixá-la para trás? Às vezes as pessoas nos mudam de maneira que já não imaginamos nossas vidas mais sem ela, não fazemos planos sem incluí-la, não existimos a distância.
Eu queria que tivesse um jeito de mudar essa situação a nosso favor!
Ela se apaixonou por ela e nunca mais se recuperaria disso.
Rachel caminhou a passos preguiçosos ao encontro de Quinn que arrumava seu armário cantando alguma coisa que a morena julgava ser mais uma poluição sonora, por isso não reconheceu.
_ Agora você mandou o Kurt me persuadir a ir para a faculdade?_ perguntou encostando de lado no armário.
A loira deu um sorriso cúmplice.
_ Cada um usa as armas que tem!_ fechou o armário e se virou para ela._ Ele conseguiu?
_ Não!
_ Parece que tenho que me esforçar um pouco mais!_ falou brincando com uma mexa dos cabelos chocolate.
_ Não perca seu tempo! Eu não vou a lugar algum sem você!
Quinn deu um sorriso triste.
_ Existem outros meios, Rachel Berry!
Ela puxou a morena pelo colarinho da camisa e prensou-a no armário. O corredor estava deserto, não havia problema em fazer uma demonstração inocente de carinho.
_ E eu vou usar todos os meios possíveis para fazer com que você vá!
Sua voz estava extremamente rouca e a morena se perdeu nos primeiros segundos, depois recobrou uma parte mínima da consciência.
_ Boa sorte!_ sorriu em desafio.
Elas se beijaram e começaram uma série de carícias nada recomendáveis para se praticar em público. O dia prometia.
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O dia da formatura chegou. Rachel já estava pronta no volante a meia-hora ao lado de Shelby esperando “pacientemente” por Quinn.
_ Sinceramente, se um dia eu pedi-la em casamento vou tirar um cochilo de 24 horas quando ela começar a se arrumar!_ olhou impaciente para o relógio._ Vamos nos atrasar!
_ Você reclama demais!_ criticou a morena maior, que olhou em direção a casa, por onde acabava de sair uma Quinn magnífica._ E acho que o atraso valeu a pena!
O queixo de Rachel foi parar no tapete do carro. Sua namorada estava deslumbrante, mas linda do que já era. A morena se pegou perguntando como era possível a perfeição ficar ainda mais perfeita?
_ Olá, Shelby!_ cumprimentou-a._ Oi, amor!
Deu um beijo estalado no rosto de Rachel que continuava boquiaberta correndo risco de engolir uma mosca e engasgar pela próxima meia-hora. A loira se ajeitou no banco de trás e deu um sorriso contido para a namorada.
_ Rachel!_ Sua mãe a chamou.
_ Ah?_ a morena juntou as sombrancelhas e piscou uma dúzia de vezes para sair do país das maravilhas.
_ Achei que estávamos atrasadas!_ entoou Shelby._ Precisa de um pote para guardar essa baba?
Estou sendo zoada por uma velha! Quer por um acaso é minha mãe! Eu mereço!
A mulher riu da própria piada. Quinn ficou vermelha cor de sangue tamanho era a sua vergonha. Rachel coçou a garganta se recompondo e fingindo indiferença ao comentário.
_ Você está bonita, Quinn!_ elogiou Shelby._ Você não acha, Rachel?
Bonita é um eufemismo carinhoso! Ela está perfeita! Eu namoro a menina mais linda do planeta! Puta que pariu!
_ Uhum!_ olhou para a estrada tentando disfarçar o vermelho contorno de suas bochechas.
_ Obrigada!_ era difícil saber quem estava mais vermelha Rachel ou Quinn.
_ A Judy não vem?
Quinn se mexeu incomodada no banco do carona. Soltou um suspiro pesaroso.
_ Acho que ela vem mais tarde!_ deu de ombros._ Não sei, não estamos nos falando!
_ Ok!_ falou Shelby lhe dando um sorriso acolhedor._ Vou ligar para ela, se ela precisar de uma carona eu volto para buscá-la.
Rachel serrou os olhos para aquela sentença.
Não deixa escapar uma oportunidade!
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Santana estava pulando na sua cama com um matador de moscas na mão, se deslocando de um lado para o outro atrás do pobre animal. Ela dava pancadas na parede tentando acertar a pobre mosca e amaldiçoando o bicho todas as vezes que fracassava.
_ Sant!
A latina perdeu o equilíbrio e no susto caiu de bunda no chão. A região da pancada começou a latejar de imediato.
_ Britt! Você quase me matou do coração! O que está...
Mas ela não teve tempo de terminar a pergunta, pois sua namorada voou em seus lábios lhe aplicando um longo de demorado beijo. Ela até se esqueceu da dor.
_ Sant! Sant! Sant!
Brittany pulava de um lado para o outros batendo palminhas e dando gritinhos.
_ O que foi? Porque essa felicidade toda?
A loira empurrou uma carta nas mãos da latina que correu os olhos pelas linhas. Ela abriu um sorriso gigantesco, pegou a namorada pela cintura e girou-a no ar.
_ Parabéns, amor! Mas isso não é surpresa eu sempre soube que você iria conseguir!
_ E sua carta?
Santana se levantou e pegou um papel ligeiramente amassado que jazia solitário ao lado da cama. Deu umas batidinhas para alisá-lo e entregou a ela.
_ Eu estava lendo quando uma mosca cagou encima do papel, eu parei de ler para tentar matá-la pela a audácia!_ ela arregalou os olhos por ter se distraído por algo tão bobo._ Bom, o que diz aí?
_Que..._ A loira abaixou a cabeça e deu um sorriso triste.
_ EU NÃO ACREDITO!_ a latina levou as mãos a cabeça e começou a andar descontrolada ao redor do quarto._ EU NÃO PASSEI, NÉ? MINHA MÃE VAI ME DESERDAR! VOU TER QUE VENDER TAPIOCA E MORAR DEBAIXO DA PONTE! OH DEUS.
Quanto drama. A loira sorriu e revirou os olhos antes de calá-la com um beijo.
_ Você passou, Sant!
O UFA que saiu dos pulmões da latina foi audível do outro lado da cidade. Santana abraçou a namorada e a trouxe de encontro a cama. Segurou as pernas dela, uma de cada lado do corpo.
_ Então nós somos duas universitárias agora!_ a latina disse orgulhosa.
_ Sim! Indo para a mesma universidade!
_ E ficando no mesmo quarto!_ sorriu maliciosa.
_ Isso eu não tenho certeza!
_ Eu te dou a minha palavra de que vou ser bem “persuasiva” ao conversar com sua colega de quarto para que ela troque de lugar comigo!
Quando a palavras “persuasiva” saia da boca de Santana Lopez você pode começar a imaginar uma centena de objetos cortantes, bombas e impropérios que estará certo em todos os casos.
_ NYADA que nos aguarde!_ exclamou Brittany.
_ Com certeza!
E voltaram a seus afazeres.
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Os diplomas estavam sendo entregues a medida que os alunos se agrupavam no palco. Brittany foi a oradora e fez um discurso memorável, cheio de lembranças com uma pitada de bom humor e saudade.
Essa beca preta está me fritando!
Rachel estava de pé, esperando sua vez e soprando o vale dos seus por debaixo da beca desde o início da cerimônia. Não era fácil ser pequena e carregar um monte de pano.
_ Rach! Tudo bem?_ Quinn perguntou preocupada.
Claro, tirando que eu pareço uma sauna ambulante!
_ Estou bem, loira!
_ Você está suando muito!
Deve ser por causa da seda que eu to usando!
_ Relaxa, eu vou pegar o diploma e arrancar isso!_ deu um sorriso pouco convincente.
_ Ok!_ A loira beijou discretamente o topo da sua cabeça._ Cuidado na hora de subir a escada!
A morena olhou para a escada mortífera a sua frente. Só tinham quatro degraus.
_ Já subi em coisas piores! E o que você acha que eu vou fazer? Tropeçar num degrau e cair de cara no chão?
_ É.
A baixinha deu tapa de leve no braço da loira para que as implicâncias cessassem, ela precisava se concentrar. O diretor anunciou seu nome e ela seguiu cuidadosamente até a escada.
Primeiro degrau.
Foi fácil!
Segundo degrau.
Isso é moleza para mim.
Terceiro degrau.
Posso subir isso de olhos fechados, dançando e cantando!
Deus. Ela chegou ao quarto degrau sem cair. Um verdadeiro milagre.
UUUUUUU eu sou genial, mané!
Genial a ponte de dançar em comemoração por ter subido sem cair, tropeçar na beca e ir de encontro ao chão com tudo que tinha direito. Coordenação motora miserável.
_ Rachel!
Quinn veio ao seu encontro com uma latina roxa de tanto dar risada.
_ Que bela entrada, Berry! Essa vai para o livro de entradas banais da escola!
Existe um livro sobre isso?Um livro? Pelo amor de Deus! O povo de Lima é retardado!
_ Não pedi sua opinião, Satã!
_ Para burro eu dou ela de graça!
Ela fez que ia atacar a latina, mas uma barreira loira e os berros do diretor a impediram. Ela se levantou, encarou a multidão e gritou um “foda-se” só no pensamento.
Tirou a beca e ficou só de roupas normais. Foi um alívio se livrar daquele forno.
Ufa! Parece que eu nasci de novo!
Andou a passos largos até Figgins e estendeu a mão e um sorriso presunçoso, ele lhe entregou o diploma e ela fez uma reverência para a platéia. Todos aplaudiram a maluca. Desceu do palco e foi ao encontro de Shelby e Judy, a mãe bagunçou seus cabelos e lhe deu um caloroso abraço.
_ Parabéns! Eu nunca pensei que te veria assim!
Isso, me difama na frente da minha sogra!
_ Estou muito orgulhosa!
Agora melhorou!
A colação prosseguiu. Alguns alunos imitaram a baixinha no ato de se livrar daquela tenda vulcânica. A menina se surpreendeu e aplaudiu todos que seguiram seu exemplo.
Rachel Berry inventando tendências!
Quinn subiu ao palco e foi receber o diploma sob os assobios de orgulho de Rachel e as caras de tédio de Santana. Judy olhou a filha ao longe, seus olhos se encontraram por um segundo, mas a menina desviou.
Ela tinha um presente para entregar, mas como se sua filha se recusava a falar com ela?
_ Rachel!_ Judy chamou sua atenção._ Posso falar com você?
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Os alunos se abraçaram após a entrega dos diplomas, trocaram telefones, emails, usaram todo o tipo de utensílio para manter contato. Quinn foi ao encontro de Shelby que abriu os braços para recebê-la.
_ Parabéns, Quinn!
_ Obrigada, Shelby!_ esquadrinhou ao redor a procura de sua pequena morena._ Onde está a Rachel? Eu tenho um presente para ela.
A mulher mais velha indicou com um aceno de cabeça uma árvore antiga no pátio que lançava sobras sobre a cabeça de Judy e Rachel.
_ O que ela está aprontando?_ perguntou a loira desconfiada.
_ Não faço idéia!
A cena era estranha, sua mãe e sua namorada conversando e rindo como se fossem amigas de infância, sendo que a alguns meses elas não conseguiam ficar no mesmo cômodo sem sua mãe surtar.
_ Você ainda está bancando a filha difícil?
Foi uma pergunta sem malicia, a morena só tinha a intenção de ajudá-la.
_ É complicado, Shelby!
_ Eu te entendo perfeitamente!_ ela se virou para os olhos avelã._ Ela errou! Mas graças a Deus voltou atrás e corrigiu o erro! E agora você está aqui, se formando ao lado da pessoa que você ama. O passado não importa mais, só o presente e o futuro de vocês. Pense nisso, Quinn!
A menina deu um sorriso triste e assentiu para logo depois ser abraçada e quase jogada no chão por uma histérica Rachel.
_ Oi, loira!
_ Porque toda essa alegria?
_ Acabei de pedir a sua mão em casamento a sua mãe e ela aceitou!
O rosto de Quinn empalideceu. Seu coração quase saiu pela boca. E ela perdeu a voz. A morena riu.
_ Eu estava brincando, loira!
_ Rachel!
Voou encima da pequena e iniciou uma série de cócegas. Um terrível castigo. Shelby ria da cena.
_ PARAAAAA! Shelby, me ajuda!
_ Você se meteu nisso sozinha!_ levantou as mãos, rendida._ Agora aguenta!
Que mãe boa que eu arrumei!
Judy chegou para salvar a pátria e logo a tortura de cócegas se desfez para dar lugar a uma cena bem mais incomoda.
_ Então, Shelby!_ começou meio desconfortável._ Você me dá uma carona até em casa?
_ Claro!
A morena mais velha saiu na frente e logo foi seguida pela outra, mas antes de partir ela deu uma ultima olhada em sua filha e sibilou um “ parabéns”, orgulhosa de sua pequena. Quinn deu um sorriso fraco e sua mãe se foi.
_ Você acha que elas?_ perguntou a loira.
_ Não sei! Mas..._ a baixinha jogou as mão para trás e se aproximou dela._ Eu tenho uma coisa para te dar!
_ Coincidências acontecem!
A morena levantou as sobrancelhas surpresa.
_ Eu vou ganhar também?_ perguntou olhando ao redor de Quinn para ver se descobria o que era.
_ Sim! Mas não aqui!
_ Onde, então?
_ Onde tudo começou!
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Kurt Hummel estava fazendo um cronograma para se preparar para a faculdade. Ansioso para se mudar logo e finalmente ter seu sonho de estudar em NYADA realizado. E depois Broadway.
_ Só preciso achar 4 pessoas que estejam dispostas a dividir o aluguel comigo!
Mas quem?
Uma idéia absurda lhe ocorreu. Mas ele não tinha escolha, precisava de muitos integrantes e tinha pouco tempo. Pegou o telefone e discou o número que estava gravado em sua mente.
_ Quem incomoda?_ perguntou alguém na outra linha.
_ Oi, é o Kurt!
_ O que você quer?
Ela deveria ganhar o prêmio de miss simpatia!
_ Estou sabendo que vocês planejam ir para Nova York! Estou alugando um apartamento e preciso de mais pessoas para rachar o aluguel!
Kurt foi bombardeado com várias perguntas do tipo: “ O apartamento tem teto?”, “ A privada tem tampa?”, “ O bairro é livre de serial killers e cafetões?” e por ai vai.
Ele respondeu todas. Pacientemente.
_ Deixa eu ver com a minha namorada!
Ele ouviu os cochichos do outro lado da linha e ficou na expectativa.
_ Nós topamos, Hummel!
IUPI!
_ Com uma condição!_ ponderou a voz.
La vem!
_ Qual?
_ Queremos um quarto só nosso!
Ele sorriu, ainda bem que era uma condição viável já que o apartamento possuía 3 quartos. Comemorou quando fecharam o negócio.
Duas já foram! Faltam duas!
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Quinn e Rachel caminhavam de mãos dadas por entre a imensidão verde, rumo ao jardim que a baixinha fizera para a loira. O lugar ficava bem afastado e a pé parecia bem mais distante do que o normal. Faltando uns dez metros para chegarem quando a loira parou.
_ O que foi, cansou?_perguntou a baixinha metida._ Quer que eu te carregue?
_ Nem um, nem outro!_ ela começou a dobrar as bocas da calça._ Você se lembra que fomos ao zoológico...
E como esquecer? Tem palha no meu cabelo até hoje!
_ E você disse que ia parar de fumar e começar a se exercitar que no final do ano íamos apostar uma corrida e você iria me fazer “ comer a sua poeira”.
_ Oh, vejo que seu cérebro está raciocinando com mais rapidez!
Rachel recebeu um tapa.
_ E sim, eu me lembro!_ a morena se abaixou e imitou o gesto de Quinn._ E espero que esteja pronta!
_ Vamos deixar as coisas mais interessantes!_ sugeriu a loira.
A baixinha levantou as sombrancelhas se perguntando onde aquilo iria dar?
_ Apostaremos alguma coisa para o perdedor pagar!
_ Gostei!_ ela bateu as mão uma na outra._ O que vamos apostar?
_ Qualquer coisa!
O sorriso de malícia escorreu por entre os lábios de Rachel. Ela já tinha em mente o que queria.
_ Eu sempre tive uma fantasia...bom, eu sempre quis saber como seria namorar uma policial! Digo, daquelas que usam shorts bem curtos e botas altas, decotes grandes e...
_ Ok, eu já entendi!_ ela revirou os olhos._ Sua pervertida!
_ Eu não sou pervertida!_ se fez de ofendida._ É o meu sonho, tenha respeito! E você disse que era qualquer coisa!
_ Tudo bem, Rach!_ ela se aproximou e lhe deu selinho._ Se você ganhar eu realizo sua fantasia!
Você é a melhor namorada do mundo!
_ Mas se eu ganhar..._ ela olhou na profundidade chocolate co muita substância._ Você vai para NYADA!
A morena entrou em choque. Sabia que tinha alguma coisa por trás disso.
_ Não!
_ Vai desistir?_ desafiou a loira._ Vai se dar por vencida? Achei que você tivesse certeza de que ia ganhar!
Loira prepotente!
_ Eu vou vencer, loira!
_ Sei! Então, não tem porque não apostar!
Ela ficou na frente de Quinn e olhou-a bem no fundo dos olhos.
_ Fabray, eu só entro em uma competição quando sei que vou vencer!_ piscou para ela._ E eu sei que vou!
Finalmente. Elas se agacharam na posição de corredora, contaram até dez em voz alta e dispararam estrada a fora.
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Shelby estava preparando um chá quente na cozinha, Judy estava sentada na mesa lendo o jornal do dia. A morena serviu o chá e fez pergunta que não queria calar.
_ O que tanto você e a Rachel conversaram hoje?
Judy levantou os olhos do jornal e sorriu.
_ Tinha um presente para entregar para a Quinn e pedi para ela me fazer esse favor!
_ Hum... Eu posso saber o que é?
_ Você saberá daqui a pouco!
A morena soltou um muxoxo, odiava ficar na curiosidade.
_ Lembra quando prometemos cuidar delas! Pensar na felicidade delas primeiro?_ Ela perguntou a Shelby que assentiu._ Acho que acabei de dar o primeiro passo para isso!
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As meninas correram os primeiros dois metros no mesmo ritmo, se acotovelando para tomar a dianteira, na primeira curva Rachel conseguiu acelerar e abriu uma pequena vantagem sobre a loira.
Ficou pra trás! Nanananã!
Concentrou-seem firmar os calcanhares no chão dando um impulso maior a cada passada. A distância entre elas foi aumentando. Rachel se manteve na liderança.
Agora posso afirmar que carregar madeira, escalar igrejas e correr de machados valeu muito apena!
Sua resistência estava dez vezes melhor. Já era possível ver a entrada do jardim e nem sinal de Quinn. Ela ia vencer, disso estava certa. Com essa convicção ela deu uma ousada e rápida espiada por cima do ombro para ver se a loira estava longe...
No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho.
Ela tropeçou e caiu de barriga no chão a centímetros de queimar a largada. Quinn passou por ela como um foguete e venceu a corrida.
_ Rachel, você está bem?
A loira agachou ao lado dela e ajudou-a a se erguer.
_ Estou ótima!
_ Rach..._ Ela se colocou na frente da baixinha, trocou aquele olhar triste._ Você perdeu!
Ela quis dizer: “ Você vai para NYADA, sem mim.” Mas era duro demais para pronunciar em voz alta. Estava sendo tão difícil para Quinn convencer a morena a ir para outra cidade, buscar uma nova vida longe dela. Mas era o certo a se fazer.
_ Eu te amo muito!_ Quinn fechou os olhos com força._ Você precisa fazer isso! Você precisa ir!
As mãos morenas afagaram-lhe a face.
_ Quinn!_ ela abriu seus olhos delicadamente._ Eu não perdi!
_ O quê? Rach!_ agora ela se afastou._ Você prometeu, nós apostamos! Eu ganhei a corrida!
_ Loira!_ ela esticou a mão e sorriu para ela._ Vem comigo!
Quando é que Quinn Fabray ia aprender que Rachel Berry sempre tinha uma carta na manga? Nesse caso, literalmente.
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Rachel foi guiando a loira entre as rosas com um sorriso majestoso. Decididamente ela não parecia que tinha acabado de perder. Ofereceu o banco para Quinn se sentar e começar a entrega de presentes.
_ Bom...Eu na verdade tenho dois presentes para te dar!_ fez uma reverencia como se tivesse acabado de concluir uma peça._ Um deles está naquela árvore e você vai ter que ir lá ver!
Estendeu a mão que logo foi coberta pela palma pálida da de Quinn. Elas caminharam até a margem do rio. A loira parou de frente para a árvore que agora estava coberta com dizeres feitos por algum objeto cortante.
“ As trevas me engolfaram, o sol se fora a muito. Não havia nada, além do vazio. Então eu e você colidimos e o sol se refez, assim como eu.”
Várias sensações a atingiram em cheio. E mais do que nunca ela teve certeza que aquela pessoa irritante, baixinha e muito linda era a parte que faltava dela.
A felicidade de olhos chocolate.
_ Isso é..._ ela cobriu as mãos com a boca. Extasiada._ Lindo! Meu Deus, Rachel! Obrigada!
_ Eu achei que falar “ Eu te amo” o tempo todo seria muito clichê! Resolvi incrementar!_ deu aquele sorriso lindo que a loira tanto apreciava._ E descobri que sou poeta!
Metida. Quinn revirou os olhos antes de abraçá-la e lhe deu um beijo demorado na testa.
Aquela frase simplesmente as definia. Quinn a princesinha perfeita infeliz e Rachel a rebelde sem causa também infeliz, se conheceram numa situação conturbada e encontraram o que estava faltando. Uma a outra.
_ Agora é minha vez de lhe dar o seu presente!
Elas caminharam de novo até o banco e observaram o rio correr.
_ Eu pensei em todos os presentes que você me deu..._ começou a loira._E um não me saia da cabeça! O show da Adele! Como você conseguiu dinheiro para os ingressos?
_ Isso é um segredo que você nunca vai saber!_ riu a morena.
_ Na verdade..._ e ela puxou um papel embrulhando alguma coisa quadrada da bolsa._ Eu conversei com o Sam e ele me disse que você esteve na loja e vendeu 400,00 em CDs. Foi só juntar um mais um.
Aquele boca aberta! Tem a boca maior do que aparenta! Jesus!
_ E o que isso tem haver com...
A compreensão a atingiu feito um raio.
_ Acho que isso é seu!_ Quinn esticou a mão e entregou o embrulho.
Rachel “abriu delicadamente”, para não dizer: “Rasgou em pedaços o papel” tamanha era sua alegria e descrença.
_ MEUS CDS!
Levantou aos pulos. Correndo e gritando de um lado para o outro como uma criança que acabara de constatar que Papai Noel existe. Voltou para Quinn quando se cansou de bancar a tonta e a beijou incessantemente.
_ Muito obrigada, loira!
_ De nada!_ de repente ela ficou séria._ Não quero estragar esse momento, mas vamos ter que conversar sobre NYADA!
_ Você tem razão!
Rachel se sentou ao lado dela. Quinn estreitou os olhos, convenceu-a muito rápido a ter aquela conversa que sempre parecia incomodar a morena. Tinha alguma coisa errada.
_ Você tem que ir! Eu posso tentar uma vaga ano que vem e prometo sempre te visitar!
_ Ok!
_ Ok?_ torceu as sombrancelhas._ Como assim? Você não vai me contrariar?
_ Não!_ ela deu de ombros._ Você disse que quer que eu vá!
_ Mas você sempre rebate!
_ Agora eu é que não te entendo!_ levantou as mãos em rendição._ Você quer que eu vá, e briga comigo quando eu não aceito. Quando eu decido ir você também briga! Decida-se, Fabray!
O ar saiu da garganta da loira em um suspiro cansado. Estava feito. A morena realmente ia para Nova York. Ela se assustou quando a baixinha deu um ataque de risos e começou a ficar roxa pela falta de ar.
_ Rachel, o que está acontecendo?
A morena limpou as lágrimas dos olhos e respirou fundo mordendo o lábio para conter o riso.
_ Você lembra que eu disse que tenho dois presentes para te dar?_ Ela esticou a manga da jaqueta onde jazia uma ponta de papel branco._ Como eu disse, eu não perdi!
As mãos trêmulas de Quinn puxaram o papel do jeans e seus olhos ansiosos esquadrinharam as várias linhas que determinariam seu futuro. Ela só conseguiu focar sem muita crença nas palavras, NYADA, Quinn Fabray e ACEITA. Foi o suficiente.
Ela voou no pescoço de Rachel e beijou-a jogando-a de encontro ao banco. Sugou seu lábio inferior ouvindo o sorriso alegre da morena no meio do beijo.
_ Você é incrível!_ ela disparou a chorar e rir ao mesmo tempo._ Não acredito que você fez isso por mim, Rach!
_ O que você disse está meio certo, Quinn!
_ Como assim?
_ Eu sou realmente incrível!_ deu um sorriso de lado._ Mas essa ideia brilhante não foi minha!
A loira se aprumou no banco e juntou as sombrancelhas. Leu o papel demoradamente mais uma vez, antes de fazer a pergunta. No fundo ela já sabia a resposta.
_ Quem foi?
As bochechas pálidas levemente rosadas foram afagadas levemente e seus cabelos retirados com delicadeza dos olhos verdes.
_ Foi a sua mãe!
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_ Judy, segure a bacia direito!
As mães estavam tentando fazer um bolo. Falhando vergonhosamente. De repente fazer uma simples receita se transformou em uma escalada ao Everest. A cozinha tinha virado uma verdadeira bagunça feita de massa e farinha.
_ Nós somos péssimas nisso!_ entoou a loira.
_ Você tem razão!
Elas continuaram a lutar com os ingredientes até ouvirem a porta da frente bater e darem um sinal de trégua. Quinn apareceu com o rosto inchado e um papel ligeiramente amassado nas mãos e literalmente se jogou nos braços da mãe.
_ Me desculpa!_ sua voz era apenas em fio.
Rachel apareceu logo depois e fez sinal para que Shelby a seguisse para o jardim. Afinal aquele momento era só delas.
_ Tudo bem, filha!
A mulher enjaulou a meninas nos braços e apertou firme. Não pode evitar a aparição de algumas lágrimas.
_ Obrigada por isso!_ ela estendeu o papel para a mãe e voltou a abraçá-la forte._ Eu te amo!
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As morenas se aprumaram debaixo da árvore, aproveitando a brisa suave que lhes engrenavam os cabelos. A menor estava contando a sua mãe como Judy havia lhe dado o presente.
_ Quer dizer que as duas vão para Nova York!
Não foi uma pergunta. Foi uma constatação maravilhosa.
_ Vai ser divertido!
A mais velha sorriu. Rachel dobrou os joelhos e voltou os olhos para a mãe, tinha um assunto pendente para resolver.
_ Você e a Judy se acertaram?
_ Sim!_ abraçou seus joelhos e rapidamente incrementou._ Mas não da maneira que você pensou!
_ De que maneira então?
_ Como amigas!_ Ela tocou uma mosca insistente que queria usar seu ouvido como quarto._ Eu sempre vou amá-la, mas existem muitas formas de amor, amizade é uma delas!
_ Você sabe que eu e a Quinn não temos nada contra vocês duas ficarem juntas, né?
Os olhos da mãe bateram com intensa admiração sobre sua filha. Ela era um ser maravilhoso.
_ Obrigada por isso!_ afagou os cabelos da dela._ Mas já resolvemos! E acredite estamos muito felizes!
Rachel deu de ombros, vencida.
_ Ah! Eu esqueci de dar o seu presente de formatura!_ levantou e bateu de leve no bumbum para tirar os restos de grama._ Venha comigo!
Caminharam até a garagem. Uma caixa solitária com várias peças novas em folha estava no centro e com um cartão no topo com os dizeres: “Para Rachel.”
_ Acho que sua moto está precisando de um concerto! Isso deve ajudar!
A morena correu para os braços da mãe, a abraçou e quase derrubo-a no chão, ela não conhecia o tamanho da própria força, apesar de ser uma nanica.
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Rachel estava jogada em cima das cobertas, trajava uma blusa indiscretamente apertada e uma calcinha- cueca branca. Tentava ler algum livro de suspense enquanto esperava Quinn trocar de roupa.
Quinn se trocar? Uma eternidade depois... Dava para ler o livro todo.
Porque o cara matou a menina e depois se matou? Não faz sentido algum!
E pior é que o livro era uma droga. É, não ia dar para esperar uma eternidade.
_ Rachel!
Ela baixou o livro milimetricamente e encarou a porta do banheiro. Livro, lábios, lençol e dignidade. Tudo caiu. Ela estava visualizando o céu. Não, não podia ser o céu porque era luxurioso demais.
Só se fosse o céu de Rachel Berry. Sim, ai fica coerente.
_ Qui...Quinn?
Desde quando eu perdi a capacidade de falar?
Imagine uma Quinn Fabray com uma blusa azul claro aberta no decote e dando uma perfeita visão do seu abdômen definido. Trajando shorts muito curtos, deixando seu belo par de pernas cegar de luxuria qualquer um que visse. Usando botas pretas, luvas e uma boina.
Puta merda. Isso era demais. É melhor não imaginar nada.
Meu Deus, rogo para que eu não sofra de arritmia porque senão estarei enterrada a sete palmos do chão nos próximos minutos!
Quinn engatinhou na cama até ela e sentou no seu colo jogando os braços ao redor do seu pescoço.
_ Olá, meu nome é Rachel Berry! Qual o seu nome?
Ela respondeu com a voz rouca em seu ouvido.
_ Hoje eu sou quem você quiser!
Calma coração! Se você parar agora eu te dou de comida para os cachorros do vizinho!
_ Bom... Eu conheço uma pessoa, loira, alta, extremamente sexy, menos esperta do que eu e que tem um coração maravilhoso. Gostaria que você fosse ela, pode ser?
A loira riu e ficou rubra.
_ Assim você estraga a brincadeira!_ deu um beijo no queixo da morena._ Já estou começando a ficar vermelha de vergonha.
_ Quer uma tequila? Melhora na hora!
_ Deus me livre, minha cabeça ainda esta latejando desde a última vez!
_ Hum... Eu não estou estragando nada, “loira desconhecida!”. Mas não quero qualquer policial, eu quero essa menina que eu conheço vestida de policial e me deixando amá-la a noite toda!
Quinn se afastou e deu um intenso sorriso para os olhos chocolate.
_ Rachel, essa fofura me da vontade de chorar! Não entendo porque você não mostra esse lado para os outros!
A morena rolou a loira e ficou por cima.
_ Eu vou te explicar. Os “outros” não podem saber que tenho um lado boazinho, porque senão perdem o respeito! E provavelmente vão se apaixonar por mim! Você quer concorrência?
_ Eu entendi!_ lhe deu um beijo casto._ Continue sendo malvada com eles!
_ Aproveite meu lado branco da força, porque você é a única com direito a ele! E fora que ele é raro, só aparece quando estou de bom humor!
_ E porque você está de bom humor?
_ Eu e você vamos para NYADA! Você se acertou com sua mãe! E vamos ressuscitar a minha bebê em breve com as peças que a Shelby comprou para mim! Como eu não estaria?
_ Tem razão!_ os dedos da morena começaram a traçar círculos no abdômen de Quinn enquanto ela beijava seu pescoço.
_ Posso te perguntar uma coisa?_ a morena parou as caricias._ Porque você decidiu realizar a minha fantasia?
_ Você realizou todos os meus sonhos!_ rolou por cima dela, assumindo a liderança._ Está na hora de eu retribuir o favor!_ mordeu o lábio inferior dela._ E a ideia me pareceu muito boa!
Rachel Berry decididamente não entrava numa aposta para perder..
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O verão veio com todo o calor e vigor que tinha. A “bebê” vulgo moto de Rachel foi sendo remontada aos poucos. Sua namorada e ela passaram a maior parte das férias entre muitas peças, óleo, sol e música para concertar a preciosidade de metal.
A moto ficou melhor do que era. Se é que isso era possível, pois a morena polia ela todos os dias, como se estivesse alimentando um bebê de verdade.
De louco todo mundo tem um pouco.
_ Está perfeita!_ alisou a lataria depois de dar a primeira volta para testar o novo motor._ Meu amor!
_ Juro que estou ficando com ciúmes!_ reclamou a loira. _ Posso dar uma volta?
Rachel não sabia se tossia, arregalava os olhos ou arrancava a mandíbula com um abrir sutil de boca. Então ela fez tudo isso junto.
Muito engraçado, loira! Próxima piada?
_ Não sei se essa é uma boa ideia!_ coçou os cabelos negros em desconforto._ Você já andou de moto alguma vez na vida?
Quinn negou veemente.
Então é não! A resposta é NÃO! Diga a ela, Berry!
_ Ok, mas tome cuidado!
Frouxa!
Ela balançou a cabeça para espantar a voz no seu interior dizendo que estava cometendo um erro. E que poderia acabar em uma tragédia. Com a morte...da sua moto.
_ Pode deixar eu vou usar o capacete!_ falou Quinn encaixando o equipamento na cabeleira dourada.
Eu estava dizendo para tomar cuidado com a minha moto!
Deus. Ela era uma péssima namorada. Se amaldiçoou por esse pensamento e deu graças a Deus por Quinn não ser uma mutante com o poder de ler mentes.
_ Segura firme, passe a primeira e acelere devagar!
Assim ela o fez. Pena não ter seguido todas as instruções ao pé da letra, pois ela segurou firme, passou a primeira e literalmente voou com a moto estrada a fora.
_ MEU DEUS! LOIRAAAAA!
Sua coordenação motora miserável correu o mais rápido que sua atual boa forma permitiu.
_ ONDE É O FREIO?_ gritou a loira ao longe.
Puta Merda! Como raios fui esquecer de dizer o mais importante?
Ela abriu a boca para responder, mas não precisou das palavras. Quinn foi parada. A força. Colidiu com o chão e a moto foi arrastada pela inércia para o outro lado.
A morena correu e parou no meio do cruzamento olhando aflita de um lado para o outro. Os dois amores da sua vida estavam espatifados no asfalto.
E agora, Jesus? Quem eu socorro primeiro, a moto ou a mulher?
Ela esticou o dedo e o mirou de um lado para o outro.
Mamãe mandou eu escolher...
_ RACHEL!
Ok! A mulher primeiro!
Voltou a correr meio desembestada e agachou ao lado da loira. Foi afetivamente recebida por uma sova de tapas.
_ Ai, ai!_ levou as mãos a cabeça para se proteger._ Por que você esta me batendo?
_ Você...teve...a...coragem...de...cogitar...ver...a...sua...moto...antes...de...mim?
Cada palavra era carimbada com um tapa. O bom disso era Quinn estava bem, não posso dizer o mesmo de Rachel.
_ Você ama mais essa moto do que a mim!
_ Não é verdade!_ retrucou em sua defesa._ Eu amo vocês duas igualmente.
Um chuveiro de tapas encharcou-a.
O que foi que eu disse?
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Depois de terem discutido, levaram a moto( que não tinha sofrido nem um arranhão) de volta para a garagem e deram de cara com Kurt Hummel esperando-as na entrada.
_ Olá, Kurt!
_ Olá, meninas! Vocês estão ocupadas agora?
Quinn abriu a boca para dizer que faria greve de sexo como castigo para a morena aprender a dar mais valor a ela, mas mudou de ideia porque isso também iria prejudicá-la. Pensaria em algum outro castigo mais tarde.
Ambas negaram. O garoto bateu palminha e deu pulinhos.
_ Vamos até a minha casa? Eu tenho uma proposta para vocês!
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_ Então você quer que moremos com você em Nova York?_ indagou a morena.
_ Sim!_ o menino aprumou as pernas e puxou o seu discurso já decorado dos benefícios dessa escolha._ Vocês poderiam ficar no seu próprio quarto, ter privacidade sem ter que se preocupar com outros possíveis colegas de quarto entrando e saindo do dormitório. O apartamento é médio, porém fica ao lado da faculdade, eu ainda não cheguei a vê-lo, mas...
_ Nós vamos!_ Quinn decidiu e sorriu._ Pode contar com a gente!
Rachel concordou. Agora não tinha mais motivos para não ajudar Kurt. Ainda.
_ Kurt! Você me disse que precisa de no mínimo 4 pessoas para alugar o apartamento!
_ Sim!_ afirmou animado._ E agora eu as tenho!
_ Quem são as outras duas?_ Rachel tinha que perguntar.
A campainha tocou e ele foi abrir a porta e trazer a resposta da morena em carne e osso.
O queixo de Rachel caiu.
_ Berry!_ explodiu Santana.
_ Lopez!
A compreensão atingiu-as como um raio.
_ EU NÃO VOU MORAR COM ELA!_ gritaram em uníssono.
Cada uma foi para um canto da casa. Rachel para o jardim e Santana para a varanda da frente. As duas loiras se entreolharam e reviraram os olhos antes de seguirem cada a qual o seu par.
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_ Rachel, não seja criança!_ Quinn bateu o pé observando a morena andar impaciente de um lado para o outro._ E pare de tanto drama!
_ Drama?_ arregalou os olhos para aquele absurdo._ O Kurt ficou louco? Eu e vadia sem peito na mesma casa? Porque não colocam uma bomba e demolem o prédio inteiro de uma vez!
A loira descruzou os braços e agarrou Rachel pelos ombros para mantê-la no lugar. Aquele vai e vem de um metro e meio a estava deixando tonta.
_ Kurt Hummel fez muito por nós duas! Ele é seu amigo!
_ Eu sei, loira!
_ Se estamos juntas hoje foi porque ele teve um papel muito importante nos ajudando!_ afagou a face delas com os polegares._ Está na hora de retribuir os favores!
Adivinha quem resolveu dar o ar de sua graça? O maldito “gato de botas” com aqueles olhinhos suplicantes e doces. A baixinha se sentia uma idiota.
Porque você tem que estar certa em tudo?
_ Está bem, loira! Você venceu!
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Santana Lopez estava a beira de um colapso de nervos. Gritando em espanhol o que deveria ser um mar de impropérios, ainda bem que ninguém entendia. Tinham crianças passando na rua.
_ Vamos arrumar um apartamento só nosso!_ afirmou para o vento._ Ter aquele anão de jardim 24 horas embaixo do mesmo teto vai fazer a minha pressão subir e me levar a um infarto fulminante! Não posso conviver com isso!
Brittany sorria calada em seu canto, esperando a latina se acalmar ou pelo menos diminuir a fúria. O que viesse primeiro. A verdade é que ela já sabia como convencê-la.
_ Sant!_ aproximou-se dela e jogou os braços ao seu redor._ Você não está pensando direito!
_ Não consigo raciocinar com o tumor de Berry na minha mente!
_ Você está com raiva delas terem abusado da nossa cama, certo?
_ Raiva é um eufemismo!
A loira abriu aquele sorriso encantador e a beijou.
_ E você sabe que se nos mudarmos juntas, a cama delas vai estar lá! Bem ao lado!
A latina seguiu o raciocínio e seu queixo caiu ao compreender. Ideia brilhante.
A doce vingança.
_ Já disse que você é a namorada mais inteligente do mundo?_ perguntou Santana com um sorriso para lá de malicioso.
_ Hoje não!
Elas se beijaram e selaram o acordo.
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O verão chegou ao fim e era hora da mudança. O quarto de Rachel foi esvaziado, e suas coisas empilhadas no caminhão junto com a mudança de Quinn.
As meninas iam para Nova York na moto de Rachel. Com ela dirigindo para o bem delas, dos postes, cachorros e cones que encontrassem ao longo da viagem.
_ Nem acredito que vou sentir falta desse lugar!
A pequena olhou ao redor para aquela casa simples. Sorriu ao constatar como sua vida mudou ao chegar ali. Para a melhor.
Quinn entrelaçou suas mãos. Elas caminharam até a entrada onde suas mães as aguardavam. Judy secava os olhos com um lencinho e Shelby tinha um sorriso orgulhoso no rosto.
_ Vou sentir a sua falta!_ falou abraçando a filha._ Toma conta da Quinn! E se cuide!
_ Eu acho melhor eu tomar conta dela!_ riu a loira._ É mais garantido para a nossa segurança!
As mulheres riram e Rachel torceu o nariz com a provocação.
Falou a loira que não sabe onde fica o freio da moto!
Elas trocaram os abraços. Judy foi ao encontro de Rachel e a alertou:
_ Cuide bem da minha filha!_ e fez cara de brava._ Russel foi embora, mas a espingarda dele continua em casa. Carregada!
Shelby riu. Rachel engoliu em seco.
Acabei de ser ameaçada pela minha sogra! O cacete!
_ Ok!
As meninas se posicionaram de frente uma para a outra. A morena estava com seu melhor jeans rasgado nos joelhos, cabelos lisos, jaqueta preta e suas botas de estimação.
Quinn trajava uma regata branca, com um lenço lilás em torno do pescoço, calça jeans e sapatilhas.
Elas eram o oposto uma da outra. Elas se completavam.
_ As meninas vão de carro e Kurt foi com os pais dele!
Rachel teve que dar uma risada.
_ Eu, você, a vadia sem peito, Kurt e Brittany debaixo do mesmo teto! Nunca imaginei isso!
A loira jogou os braços ao redor do pescoço moreno.
_ Arrisque-se!
Deram um beijo demorado e profundo. Quinn afundou os lábios nos de Rachel buscando um encaixe perfeito. A morena passou a mão por suas costas e levantou momentaneamente pela cintura.
_ Sabe, loira! No caminho para Nova York existem muitos bares, boates e lugares fantásticos para visitar!
Onde servem tequila! Mas você não precisa saber disso! Não agora!
_ Aventuras!_ terminou a morena subindo encima da moto logo sendo seguida pela loira.
_ Estando com você eu não me importo de estar em lugar algum!
A baixinha sorriu. Colocou o capacete e canto pneus pela rua.
Passando pelas árvores, Quinn não pode deixar de notar. Antes da morena penetrar em sua vida ela era um ser triste, que fazia tudo que os outros queriam. Agora ela era livre, cheia de sonhos realizados, futuros sonhos para realizar e completamente feliz.
Rachel também estava imaginando o que ganhou com a estadia em Lima. Ela chegou sem nada. E agora tinha uma mãe, amigos de verdade, uma faculdade e a namorada mais linda do mundo.
Ela sorriu e passou a marcha acelerando rumo ao horizonte. Com a certeza de que tudo ficaria bem.
E dessa vez, felizmente; posso afirmar que ela estava certa.
Notas finais
Uma ideia louca brilhou na minha mente e me consumiu por inteira. Fazer algo realmente diferente me arriscando a ser julgada. Pois bem, fiz a primeira postagem e descobri boquiaberta que tinham pessoas do outro lado. Desconhecidos unidos por uma mesma causa. Os olhares de duas protagonistas de uma série, de duas meninas doces, elas nem precisam verbalizar. Esta tudo lá nos olhos, gritando sem voz. E nós vimos, e nós vemos. Nós. Por isso digo com muita substância que essa fic não é minha, essa fic é NOSSA! Senão qual seria o ponto de tudo isso? Se eu sou o cérebro dessa ideia vocês são o coração, e pelo que me consta um não funciona sem outro. Por isso quero dizer a todos MUITO OBRIGADA por compartilharem isso comigo.
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