Glass Heart
2 Capítulo I
Enquanto embarcava e escolhia um lugar no vagão para ficar, carregando a gaiola de sua coruja, o trem com destino a escola de magia e bruxaria de Hogwarts entrava em movimento, sacolejando suavemente e deixando com que todos soubessem que em poucas horas chegariam.
Não havia o silêncio ali, era até mesmo melhor do que não sentir a presença de ninguém, considerar que estava sozinho o deixaria estranho como sempre ficava desde que entrou para Hogwarts, temendo por ser filho de estrangeiros numa escola inglesa. Claro que havia a escola de magia e bruxaria Mahoutokoro no Japão, mas não foi selecionado para essa, sua carta com o emblema já reconhecido pelos livros que leu chegou por uma coruja que não era de seu pai.
Apoio se rosto na janela, observando ao mesmo tempo que não prestava atenção no trajeto feito, tanto que com sua distração, sua coruja piou por atenção. Yuri sorriu fracamente, pegando da pequena maleta que trouxe um pedaço de pão recheado, arrancando um pedaço e dando a coruja, rindo ao sentir a bicada e ouvir outra vez ela piar.
— Finalmente! Achei você!
Yuuko, sua amiga e da mesma casa que a de Yuri, capitã do time de quadribol da Grifinória. Parecia desesperada ou procurando por Yuri a algum tempo, buscava folego e sentou de maneira relaxada ao lado da coruja de Katsuki, ignorando que a coruja piava pedindo mais comida.
— Algo errado? — Perguntou preocupado, oferecendo o pão recheado e Yuuko recusou, ainda respirando com dificuldade e pedindo para que ele esperasse — Onde está Takeshi? Pensei que viriam juntos esse ano para a plataforma — Perguntou, o tom de voz fraco e ajeitando o óculos em seu rosto — Yuuko?
— E-eu realmente achei que tinha lhe perdido... — Ela resmungou, ajeitando o cabelo que estava preso e encarando Yuri — Me deixou preocupada de novo, de que alguns aluno de outra casa poderia ter lhe feito mal como ano passado — Relembrou e a feição de Yuri fechou.
Não era novidade que alguns alunos da Corvinal e da Sonserina não gostavam de Yuri, não apenas por ele ter conseguido entrar tão jovem para o time de quadribol, mas também por ser um dos alunos que consegue uma ótima nota, de poções a herbologia, mas não era para tanto, se esforçava apenas por gostar de estudar e amar magia, não compreendia o porque disso e preferia não parar tanto para pensar, o deixava impotente por não fazer nada.
— Se preocupando assim comigo, estarei em boa mãos — Sorriu fracamente e franziu o cenho com a cara melancólica de Yuuko.
— Você é tão bom... — Falou, bagunçando o cabelo de Yuri e atraindo uma risada dele — Espero que continue assim por um tempo... — Sorriu, mas formando uma cara séria em seguida — Mas espero também que tenha tido tempo para ler as novas táticas para os jogos de quadribol esse ano, não podemos perder para Corvinal outra vez, mas que me lembre que quando jogou contra Sonserina, você parecia uma mini-cópia do grande Viktor Nikiforov.
— E-eu não parecia com Viktor — Gaguejou, ajeitando os olhos e sentindo o rosto esquentar.
Em treinos quando tinha apenas Yuuko e Takeshi, sentia o rosto esquentar de vergonha quando contavam que ao tentar capturar o pomo de ouro parecia com o jogador de quadribol da Rússia, Viktor Nikiforov.
Claro que Yuti negava ser parecido ou ter a determinação como o ídolo dele, mas como poderia? Preferia se esforçar do que ceder a elogios e motivações de Yuuko, o comparando com alguém tão bom como Viktor, um jogador e paixonite de Yuri.
— Claro que não, me engane que acredito, bobinho — Sorriu, mostrando a língua — Pra que se rebaixar tanto? Seu esforço nos valeu tanto que logo no seu primeiro ano em Hogwarts e entrando como um dos poucos novatos para o time, conseguimos ganhar da Lufa-Lufa, não se desmereça — Sorriu — E não vou comparar você ao russo, 'tá na cara que você queria ser dele e não ser como ele — Brincou, apertando a bochecha de Yuri — Ficou envergonhado é?
— Yuuko! Por favor, isso não tem graça... — Pediu, afastando a capitã e massageando a bochecha dolorida.
Talvez ela estivesse parcialmente certa, mas Yuri não conseguiria se valer tanto como Viktor, que começou jovem como ele e era aclamado por várias pessoas do quadribol Europeu, mas como também cheio de garotas maravilhadas, Yuri era um dos garotos maravilhados que tentava chegar onde o russo chegou, não admirado apenas com a beleza e simpatia que ele mostrava no Profeta Diário.
Lembrava até mesmo da chance de não conseguir ir nas finais da Copa Mundial de Quadribol e ver Viktor jogar de forma que muitos pensavam que não poderia superar o que já mostrava a cada ano.
Pareciam já estarem próximos do destinos e Yuri já esperava que aquele ano fosse bom, mesmo que todo um mistério envolvendo a algo estranho se revelasse logo, faziam semanas que os adultos cochichavam com empolgação e não era da Copa Mundial de Quadribol, parecia algo mas grandioso.
Colocando seu uniforme, se retirou do trem com Yuuko, mas se separando por ela precisar conversar com alguma jogadora de outro time. Os alunos mais novos foram guiados pelo guarda-caça até os barcos e atravessarem o lago enquanto os do segundo ao sétimo ano deveria seguir as carruagens, essas guiadas por criaturas que ninguém via, ou se alguns viam era por um fato um tanto doloroso, Yuri estudo pouco sobre elas, mas sabia que o preço era alto.
Quase tropeçou algumas vezes no escuro até acompanhar Takeshi e outros alunos da Grifinória, não se importando com a conversa deles sobre o que fizeram nas curtas férias, não queria atrapalhar pessoas que mesmo sendo de sua casa não conhecia direito.
Reunidos no Salão Principal, Yuri viu Yuuko correr um pouco apresada para acompanha-los, atropelando alguns alunos no trajeto e ignorando os resmungos. Yuri gostava da maneira que a amiga ignorava todos, era uma figura forte de garota depois de sua mãe, sorriu ao vê-la provocar Takeshi e sentou ao lado do amigo enquanto Yuuko ficou do outro lado da mesa.
A seleção pelo chapéu seletor aconteceu com cada aluno novo, os aplausos para cada um que era selecionado para uma casa e podendo-se assim iniciar o banquete, ou seria o que Yuri achava, a comida não apareceu e a diretora Mcgonagall chamou a atenção de todos, ignorando homens que entraram e carregavam algo a frente da mesa dos professores, uma caixa de ornamento antigo e vários detalhes.
— Tenho o dever de lhes comunicar que Hogwarts não será apenas o lar e abrigo de vocês esse ano — Falava, sua voz ecoando por todo salão e sendo ouvida em silêncio por todos, sua face séria deixou um pequeno calafrio em Yuri, rara as vezes o tom de seriedade da diretora era tão firme — Esse ano nossa escola de magia e bruxaria recebera convidados importantes, a qual Hogwarts foi escolhida para sediar um evento importante... O Torneio Quadribruxo! — Anunciou e cochichos começaram a se perdurar, calando-se em seguida com a diretora dando continuidade — Tal torneio reúne os quatro alunos, um de cada escola para passarem por desafios, quatro perigosos desafios mágicos e que não são para covardes — Contou — Então... Demos as boas vindas aos alunos escola de magia Norte Americana, Ilvermorny.
As portas do Salão Principal se abriram e o que impressionou a todos foi uma enorme águia de fogo atravessar o salão, piando com grandeza e assustando os alunos mais novos, mas Yuri notou na frente dos alunos o jogadores de famosos quadribol do Ilvermorny, Jean Jacques e Otabek Altin. Dois jogadores que entraram recentemente na Copa Mundial de Quadribol, eles venceriam se participassem, já tinham a torcida parcial da própria Hogwarts vindo das garotas.
Com eles veio a entrada da Beauxbatons e um dos poucos como Yuri a entrar em um time de quadribol da própria escola de bruxaria, Yuri Plisetsky adentrou sem apresentar a dança como as meninas, mas suas roupas claras e que destacavam sua beleza, não tanto quanto sua diretora que era estranha, a senhora Lilia Baranovskaya.
Mas o destaque da noite foram os Durmstrang, onde a escola deles mostrou um de seus alunos, Viktor Nikiforov. Parecia que a chance perdida de vê-lo na copa tinha sido esquecida no funda da cabeça de Yuri, ele tirou seu óculos e o limpou, o colocando de volta no rosto e levantando como os outros alunos, mesmo não acompanhando os outros alunos, mas sorrindo e ignorando com uma risada o diretor de sua escola, Yakov Feltsman.
Yuri acho estar delirando quando Viktor piscou em sua direção, era tão surreal que voltou a se sentar devagar, o vendo se juntar na frente do salão com os alunos das outras escolas, dando fala e explicação a diretora Mcgonagall, essa que terminava de cumprimentar os diretores das três escolas e Yuri notava o olhar de Viktor voltado para a mesa de sua casa, mas preferia pensar que sua pequena mente juvenil estava pregando peças em sua cabeça.
O ministro da magia contou as regras, alunos com menos de treze anos não poderiam participar do torneio e uma chama de esperança brotou em seu coração, talvez pudesse se igualar a todos e provar que não seria motivo de perturbação, que ele era melhor do que todos achavam, poderia provar o contrário e com uma simples prova, mas havia o porém que era, no torneio Quadribruxo não eram permitido covardes.
Com a varinha, a diretora apontava para caixa e descia, fazendo com que essa parecesse derreter e mostrasse um cálice, esse que teve chamas azuis queimando. Cada um que colocasse seu nome nele não poderia voltar com sua escolha, quando o cálice escolhesse, o aluno estaria sozinho para seguir com o torneio.
Isso pareceu não atormentar ninguém durante o banquete, apenas deixar todos curiosos mesmo com o toque de se retirarem para os dormitórios, os convidados ficaram nos respectivos lugares onde seguiram viajem, mas os alunos de Hogwarts poderiam apenas saciar a curiosidade no dia seguinte depois das aulas.
O cálice seria levado a outra sala e não demorou para contarem que poderiam colocar seus nomes em papeis para queimarem e ficarem selecionados para o torneio. Alguns ignoraram o toque e aguardaram para colocarem ainda aquele dia e com Yuri não seria diferente.
Nos dormitórios da Grifinória, todos já tinham dormido e Yuri levantou sem fazer nenhum barulho, pegando o papel anotado debaixo do travesseiro, o óculos e o seu cachecol com a capa, enrolando no pescoço e o sapato, caminhando para fora do dormitório e passando pelo salão comunal da Grifinória, olhando sempre de soslaio e tremendo, mas não sucumbindo ao frio e medo, andando apressadamente pelos corredores e notando não haver nenhuma segurança por perto, sendo iluminado pelo cálice em chama azul.
Silêncio, uma das coisas que Yuri sempre aproveitava era quando um lugar ou seu redor estavam no mais completo silêncio ou parcialmente sem gritos e cochichos ao seu redor.
Sentia por vezes o nervosismo e sucumbia a ansiedade, as pernas tremerem e a visão ficar fraca por alguns momentos, mas não naquele momento.
"A linha de idade não vai repeli-lo, Yuri", pensou, apertando o papel em suas mãos e balançando a cabeça "No que fui pensar... Como se eu fosse ser escolhido", pensou uma última vez, aproximando-se do cálice e estendendo o papel, esse que foi engolido pelas chamas e comprovou a escolha de Yuri, não havia como voltar.
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