Gladiators
2 Capítulo 2: Casa de gladiadores, Ludus
Notas iniciais
CAPÍTULO DOIS
Guardas Romanos nos arrastam para fora. Caio de cara no chão.
–Levantem! — Um chicote estala do lado meu rosto.- Reverencie o seu Dominus, o dono desse ludus. Encaro o os dois homens. São altos, um era moreno e forte, trajava roupas de escravo de confiança; o outro era magro e vestia finas vestes. O último era o lanista.
– Bem vindos a casa de gladiadores de cápua. Lutem por mim na arena, para me honrar. O Doctore vai ensiná-los a serem lutadores e deixar de ser apenas cães.- Ele se aproxima e eu o fuzilo com os olhos. — Vão com o tempo, quem sabe, se tornar romanos. -Ele se vira e sai acompanhado por seus guardas.
O doctore nos colocou alinhados e com as mãos ainda acorrentadas. Ele segurou o chicote com as duas mãos. Foi então que observei o local. O campo de treinamento possuía vigas de madeiras, o chão de areia. Uma muralha nos separando do mundo exterior, portões de ferro. uma casa enorme ao fundo direito, com dois andares e uma sacada no primeiro. No lado esquerdo havia um lugar de madeira com mesas, um refeitório. Do lado de fora havia uma escada que levava ao subterrâneo. Vários homens e mulheres subiram por ela. Trajavam roupas típicas de escravos, mal cobriam seus corpos.
Todos eles nos olhavam com o olhar superior, debochados.
– Esses são os grandes guerreiros. Se conseguirem provar que são merecedores, farão parte da irmandade.- ele falou andando de um lado para outro- O que está embaixo de vocês?
Nós nos olhamos e ninguém responde.
– O que está embaixo de vocês? -Ele repete
– Areia- Mary responde irônica.- Todos o gladiadores riem alto. Doctore estala o chicote e balança a cabeça negativamente.
– Higor — Um homem se aproxima. Ele tem uma estatura mediana, cabelos encaracolados e castanhos, corpo atlético.
– Solo sagrado, doctore. Banhado de suor e sangue.
– Seu suor, seu sangue — o cara do chicote finaliza.- Para ser um gladiador não pode temer a morte, tem que abraçá-la e desejá-la com glória. A dor será amiga de vocês.- Um prisioneiros ri e o chicote em seu rosto. O sangue pinga no chão e ele cai.
Somos colocados para treinar em duplas. Recebemos armas de madeira. Mortais treinam de um lado e semideuses do outro. Olhei em volta. Somos muitos! Mas como? E por que? As armas são escolhidas de acordo com a nossa habilidade e nossos pais. Eu fico com uma lança, Mary pega um machado e Ana, um caduceu.
Minha dupla era uma garota loira, alta e pele alva. Lutava com destreza, os movimentos
eram bem astutos. Ela atacou e eu rebati, mas levei uma rasteira e fui ao chão. Levantei num salto e atingi suas costas. Ela caíu e eu apontei minha lança para seu pescoço.
Dois dedos foram levantados em sinal de rendição. Estendi minha mão para ajudá-la a levantar.
– Anna Beatriz.- Falou pegando minha mão.
– Ingrid — sorrio. Reparo em sua arma que era um caduceu.- Você é filha de Hermes?
–Aah, sim. Ouvi dizer que você é filha de... Zeus- Ela sussurra a última parte.-Não podemos preservar a cultura de nossa origem aqui.
– Sim, sou filha dele. -Nossa conversa é interrompida por uma risada escandalosa. Olho para os lados e vejo Mary e Ana. Pareciam estar brincando ao invés de lutar.
–Isso vai dar em merda — Ela me diz baixo. O Doctore se aproxima e estala o chicote.
– Jorge! -E um garoto moreno e baixo se aproxima, com uma espada de madeira entre as mãos.-Alguns de vocês acham que isso é brincadeira. -Ele tira a proteção de couro que tinha e deixa a mostra as marcas em suas costas, cicatrizes de batalha. Ele pega uma espada de madeira.
–Comece.
O garoto avança e desfere vários golpes, o outro apenas bloqueava. Jorge acerta a boca do oponente que cospe o sangue no chão. Este contra-ataca e bate no cabo da espada dele.
A arma cai e Doctore aponta a sua para o peito do garoto que levanta dois dedos em sinal de rendição.
–Jamais façam isso na arena. Morram com dignidade e não como covardes.
Estávamos sentadas numa mesa afastada. Um garoto moreno nos olhava fixamente. Era o garoto de mais cedo.
– Quem é aquele? — Pergunto a Anna, que seguiu meu olhar.
– Aah... Esse é o Higor, atual campeão de Cápua. Ele é invicto.- ele segurava um tridentede madeira.
–Filho de Poseidon.- Ele guardou a arma e veio se apresentar. Sorri e fiz o mesmo.
– Somos primos
– É o que parece. Como pode ter tantos semideuses em um local? Devíamos estar espalhados.
–Roma estar crescendo, é o maior império que já existiu- Interrompe o garoto da luta.
–Ouvindo a conversa dos outros, jorge? Parece uma velha fofoqueira.- Todos riem. O garoto se aproxima.
– Sou jorge de Roma, filho de marte.
– Mary, filha de Hefesto. Essas são Ingrid, filha de Zeus; e Ana de hermes, minha irmã. Mas como tem tanto semideuses aqui?
– O senado decidiu que nós somos uma ameaça à Roma. Encarregou o legatus Romulo Glaber a nos caçar. é por isso que estão aqui.
– Eu não sou prisioneiro. Estou aqui para servir a Roma....
–Cala a boca, cacete. -Higor o corta, revirando os olhos.
Nossa conversa é interrompida pelo barulho do portão se abrindo. O doctore entra junto com Dominus. Muitos o reverenciam. Ele abre um pergaminho.
–As lutas vào acontecer amanhã. Vão lutar entre si, outros com bestas ferozes e alguns contra outros gladiadores. Vai ser a primeira vez de muitos na arena. Quem sobreviver, receberá o selo da minha casa. — Ele se virou e saiu, deixando o papel com um dos homens. Ana Paula e Anna Beatriz iriam lutar juntas contra duas caçadoras de Ártemis.
Mary iria lutar contra dois tigres selvagens. Dois? Ela é magra de quebrar no meio, uma patada acabaria com ela. Hades ia ter tanta pena que nem o barqueiro pediria moedas.
–E por que eu tenho que lutar com uma droga de um animal?
–Mary, são dois...
–Eu virei domadora por acaso? Se for assim, eu quero um chicote- Todos rimos, menos o doctore.
–Não. Para dominar animais tem que ter habilidade, talento. Não é para qualquer um. -Ele responde. Ele acabou de nos chamar de animais? Todos o encaram com puro ódio.
–Por que eu que vou lutar com a pequena? A minha espada é maior que ela.- todos riram.
Meu sangue ferveu.
– Não fale do meu tamanho. -Sibilei
–ok. Vou falar do seu tamanho depois que corta a sua garganta.
–Se eu não cortar a sua língua primeiro...
Todos riram. E nesse clima de véspera de luta, voltamos a treinar até a lua subir.
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