Glória Eterna
6 Proteções
Notas iniciais
– Você acha que ela desconfia de alguma coisa? – Perguntou Louis.
– Não... É melhor assim. A cabeça dela já está muito cheia. E ela não precisa conviver com isso.
Os dois desceram a floresta que, a cada passo, ficava menos densa.
– Em algum lugar lá em baixo deve haver um rio. – Disse Louis.
No segundo seguinte apareceu na frente deles uma cerca viva enorme, mesmo se eles virassem a cabeça para cima até seus pescoços doerem não dava para ver o final do muro de plantas e olhando para os lados a cerca também não parecia ter fim.
– Como foi que isso apareceu aqui? – Perguntou Louis atônito.
– Deve ser ter sido conjurado há alguns séculos atrás para impedir que os trouxas entrassem. Um feitiço tão antigo... Impressiona-me o fato que ele ainda esteja aqui. – Claire disse e tocou as pontas dos dedos nas plantas.
Onde ela encostou as plantas instantaneamente morreram e viraram pó. Claire, então, encostou toda a palma de sua mão na cerca e, em um movimento circular, transformou toda uma fileira de folhas em cinza fina e branca que foi levada pelo vento.
– Este feitiço é tão antigo e frágil que se desfaz com um só toque. – Disse Claire maravilhada com a cena.
– Será que dá para atravessar? – Perguntou Louis.
–Acho que sim... Prenda a respiração!
Claire fechou os olhos prendeu a respiração e puxou Louis pelo braço. Os dois atravessaram a muralha e quando chegaram ao outro lado eles estavam brancos, mas nem as cinzas conseguiam manter a existência e logo foram desaparecendo junto com o resto da cerca, de cima para baixo.
– Isso até que foi bonito! – Exclamou Claire. – Mas vamos continuar atentos, nem todos os feitiços são tão inofensivos.
Os dois andaram mais alguns quilômetros e chegaram a uma área já bem iluminada e pedregosa.
– Você está ouvindo? – disse Louis. – É água!
Os dois bruxos correram na direção do som e deram com um largo, fundo e claro rio.
–Chegamos, vamos pegar logos os peixes e podemos voltar junto de Fleur. – Disse Louis preocupado.
Claire e Louis se sentaram em uma rocha enorme na beira do rio, Claire tinha anzóis e Louis conhecia alguns feitiços úteis...
– Hm... Paraliso, retiro da água em uma bolha ou invoco uma rede? – Perguntou Louis rindo.
– O que?!
–Os peixes! Estou em dúvida sobre o que fazer com eles. – Riu.
– Não importa! – Claire disse rindo. – Você está me perguntando só porque não posso usar magia e você pode!
–Imagina! – Louis exclamou falsamente ofendido.
Os dois ficaram algumas horas nas margens do rio e nada não conseguiram pegar um peixe. Na verdade não conseguiram nem ver.
–Acho que não tem peixe neste rio. — Exclamou Claire.
–Impossível. O peixe que comemos em Beauxbatons vem daqui. – Ele respondeu.
– Então por que... – Claire parou de falar e estava olhando fixamente para a água.
– Por que o quê? – perguntou Louis.
–Você viu?!
–Vi o quê?!
– Alguma coisa passou nadando bem rápido logo ali na frente!
– Um peixe? – Falou Louis animado.
– Não. Era muito grande e comprido pra ser um peixe.
– Foi sua imaginação, Claire. – Começou Louis – E não estamos conseguindo nada aqui. Talvez seja melhor voltar e tentar achar algumas frutas comestíveis.
Mas Claire não estava mais do seu lado. Ela estava andando bem divagar na direção de um belo cavalo prata a alguns metros de distância.
–Claire? – Chamou Louis. Mas ela não respondeu.
O animal não tinha sela, ou qualquer outra coisa que indicasse domesticação, era de um prateado levemente azulado e refletia a luz do sol poente como uma superfície molhada.
Os segundos que Claire demorou a alcançar o cavalo foi o tempo que o sol levou para desaparecer completamente no horizonte e quando já estava escuro Louis constatou que o belo animal emanava um leve brilho que era oras azul, oras verde.
Claire já estava próxima o suficiente para tocar no corcel. Ela estendeu a mão e hesitou por um segundo... O cavalo deu um passo em sua direção e ela o tocou, no local onde ela encostou o brilho do animal fez ondas circulares. As mesmas que a água faz quando uma pequena pedra perturba a sua superfície.
Ela segurou o pescoço do animal e o montou. O corcel prateado ficou parado por alguns segundos, deixando que Claire acariciasse seu dorso. Depois, foi andando lentamente em direção à água.
A cada segundo o cavalo se aproximava mais do rio, mais... e mais... Até que seus cascos encostaram a superfície da água. Poucos minutos depois Claire já estava submersa até o pescoço e do corcel só se podia ver o fraco brilho que iluminava a água ao seu redor.
E então, Louis percebeu que em poucos minutos sua amiga estaria afogada. O que ele estava fazendo parado?
Claire está bem, ela vai ser feliz e todos os seus problemas vão desaparecer dentro da água. Vou busca-lo também, não se preocupe! Durma...
Uma voz suave falava com Louis diretamente em sua cabeça. Incitando-o a continuar em seu transe.
– NÃO! – Louis gritou, lutando contra. – Claire! Acorde! Você está em transe!
Durma...Durma...
Louis não conseguia mais resistir... estava dormindo novamente.
– CLAIRE! – Gritou uma voz que vinha da floresta.
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