Glória Eterna
12 Acorde!
Notas iniciais
Parecia que Claire tinha fechado os olhos poucos segundos atrás quando ouviu alguém Batendo na porta.
– Quem é...?
–Sou eu! Garret!
Claire arrastou-se até a porta e com alguma dificuldade abrir a porta.
–Bonjoour!!
–Bonjour – Bocejo – Garret.
–Como está a nossa pequena adormecida? – Em relação às proporções de altura e largura de M. Angot, todos eram pequenos. E, apesar de ter quase 17 anos, Claire não se importava de ser chamada como criança por aquele senhor.
–Parece melhor. – Claire respondeu.
Fleur de fato estava mais corada e respirava com facilidade.
– Très bie! Muito bem! Vou deixa-la aqui com a enfermeira. Enquanto isso... o que vocês acham de ir tomar café da manhã em Paris? – Ele falou alegremente.
Fazia muito tempo que eles não provavam de uma refeição decente. Os olhos de Claire brilharam e ela abriu um grande sorriso,
–Imagino que sim! – Disse o senhor gargalhando. – Acorde o outro e nós nos encontramos lá em baixo, Oui?
O senhor saiu do quarto e Claire pode ouvir a escada gemendo sob os pés do grande homem.
Ela se levantou e postou-se ao lado de cama de Louis.
–Louis? Ei, acorde! – Claire sacudiu o ombro do amigo.
Louis resmungou palavras incompreensíveis.
–Looouis... –Claire cantarolou. – Vamos acordaaar.
Novo discurso incompreensível.
–LOUIS ACORDE!
O garoto levantou-se assustado.
–Melhor assim. – Claire exclamou satisfeita. – Vamos comer?
–Ah, finalmente!
Depois que se lavaram e trocaram de roupa foram encontrar Garret, na parte debaixo do albergue, a que servia de pub.
–Ah, chegaram finalmente! – Ele falou, sempre sorridente. – entendam, meus pequenos, não poderei ir mais com vocês. Tomem esse dinheiro trouxa, podem ir comer em qualquer loja deles. Evitem os bruxos, afinal vocês não deveriam estar aqui. – Ele sorriu. – Ainda quero saber o que você estão tramando.
Garret saiu junto com os dois jovens bruxos. Mas seguiu para a direita, enquanto Claire guiou Louis pela esquerda.
–Eu conheço uma pâtisserie aqui perto.
~♦~
A enfermeira entrou no quarto cuidadosamente.
Esta deve ser a tal menina da qual M. Angot falou.
Em silêncio ela pôs-se ao lado da jovem e começou a preparar algumas poções, com o canto do olho a senhora percebeu uma movimentação na cama.
Como?
A menina, a que devia estar em um estado de quase coma, tinha se virado para o outro lado.
~♦~
–... E foi assim que ele conseguiu domesticar um pelúcio, e o fez para trazer para ele todo o outro que encontrasse. – Claire falava sem parar animadamente.
Ela e Louis estavam sentados a uma pequena mesa em uma minúscula pâtisserie. Enquanto comiam sua primeira refeição decente em dias, Claire contava para Louis alguns “feitos históricos” de Garret Angot. Os dois riam muito e o efeito do açúcar ajudava bastante no bom humor.
– Acho que já está na hora de voltarmos. – Louis disse quando ambos terminaram de comer. – Como funciona esse dinheiro trouxa? Que coisa mais idiota fazer dinheiro feito de papel! – Claire riu da crítica do rapaz.
–Me dê isto aqui. – Ela disse rindo e puxando o maço de dinheiros da mão do garoto. – deixa que eu pago.
Louis havia vivido toda sua vida em cidades bruxas, ao contrário de Claire.
–Vocês têm tantas relações com o mundo trouxa... Eu não sei como seus pais puderam servir ao...
–Eles não tiveram escolha, tudo bem? Não quero falar sobre isso. – O ar leve de instantes atrás se dissolveu em uma pesada nuvem.
–D’accord! Tudo bem!
Claire pagou a comida e saiu da pâtisserie sem esperar por Louis. O todo o caminho de volta par ao o albergue foi em total silêncio.
Quando finalmente chegaram, viram encostadas na porta do albergue duas figuras esperando. Um senhor muito alto e gordo e uma senhora de aparência dura, porém, bondosa. Os dois estavam sorridentes.
–Garret! – Disse Claire para o senhor.
–Olá! – O homem os saudou contente. — Tenho ótimas noticias! – M. Angot exclamou e olhos de soslaio para a enfermeira ao seu lado, ela por sua vez abriu um leve sorriso.
~♦~
Os jovens subiram as escadas correndo e quando abriram a porta do quarto, viram uma garota de olhos muito azuis e cabelos cor de trigo sentada na cama com uma tigela de sopa no colo.
Da cintura para baixo, ainda estava coberta de lençóis, ela vestia uma roupa leve e tinha uma cara confusa e cansada, mas parecia muito bem, fora isso.
–Fleur! – Claire exclamou e correu para abraçar a amiga. Louis estava logo atrás e igualmente radiante.
–Bonjour! – Disse Fleur.
Garret chegou depois e observava a cena sorrindo.
Claire correu até aquele senhor que era como parte da família e lhe deu um abraço.
–Merci, Merci, Merci! Não gosto de pensar o que seria da Fleur sem seus cuidados!
–Não foi nada. Faço qualquer coisa pela minha família. Uma coisa que você entende...
Claire desviou os olhos para o chão.
–Então você já sabe o porquê...
–Tenho uma boa ideia.
–E você pode me ajudar?
–Espera, espera... Eu disse que eu sei o porquê, mas não faço ideia do que você está tramando... E pela sua cara imagino que não vou ficar sabendo de todos os detalhes.
–Desculpa... Você vai me ajudar assim mesmo?
–O que você quer?
–Eu... Quero que você me leve até ela.
–Ma petite, não gosto de você se metendo com essa mulher.
–Ela não vai me fazer mal.
–Eu sei, mas...
–Por favor...
–Eu vou pensar com carinho.
Claire abraçou de novo aquele homem enorme que sorria tentando disfarçar a preocupação, depois correu para a cama onde estava Fleur, onde a enfermeira fazia alguns exames de rotina enquanto Louis contava para Fleur o que ela tinha “perdido”.
– Fleur, você acha que estaria bem o suficiente para partir amanhã?
–Acho que sim...
Eles olharam para a enfermeira.
– Viagem de escola? – Ela perguntou simpática.
–Quase isso. Você acha que teria algum problema?
–Não. Ela está incrivelmente bem. Como vocês se meteram com uma Emerald?
–Ah, bem... Longa história.
A enfermeira olhou desconfiada para a garota.
– Obrigada, Madame Adeline. Acho que a menina já pode ficar sob os meus cuidados.
Tem algo estranho nesta história.
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