P.o.V. Felipe

E lá está ela. Em sua carteira. Balançando o lápis. Olhando pela janela, que eu já tinha reparado que ela odeia por ter barras que impedem que a luz entre completamente e que seus cabelos balancem com o vento.

E lá está ela presa em seus pensamentos. Presa em seu mundo.

Ela é fascinante. É viciante. É tudo.

E eu a destruí.

Ainda lembro perfeitamente daquele noite.

Fomos a uma festa. Eu sabia o quanto ela gostava de mim, e eu gostava dela também. Me recusava a admitir para mim, mas gostava.

A festa foi ótima. Cantamos, dançamos e alguns beberam. Ela não. Ela odiava bebidas alcoólicas.

Ficamos lá até começar a clarear e resolvemos ir até a praia, ver o sol nascer.

Pode ter sido o mar, o sol ou até mesmo o clima agradável que a fez falar o que sentia. Não sei. Mas ela falou.

A única coisa que consegui fazer foi olhar nos olhos dela. Não consegui me mexer. Não consegui falar nada. Só consegui ver a expressão esperançosa sair do seu rosto e dar lugar a decepção. Só consegui vê-la se levantar e ir embora, deixando o arrependimento sentado ao meu lado, onde, antes, ela estava.

Eu poderia ter levantado e saído correndo, gritando que a amava, mas não fiz.

Por que?

Porque eu sou um grande idiota babaca.

Quando ela levantou e foi embora, eu sabia que ela não estava só indo embora. Ela estava me fazendo ir embora do seu coração.

Como se eu já não tivesse sido idiota o suficiente, quando a gente se viu na escola, fingi que ela nunca tinha dito nada. Fingi que estava tudo normal.

Ela pareceu um pouco surpresa, mas entrou no jogo. E ela joga muito melhor que eu.

Agora já fazem quase dois anos do acontecimento na praia. Eu continuo fingindo que não aconteceu nada. Quando saímos, a abraço e fico perto, como se o que eu sinto por ela fosse só amizade. Eu tento acreditar que é, mas até agora não deu certo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.