Notas iniciais
Er..tenho muito a dizer nao kk so nao desistam aqui por favor!! Espero que gostem (se alguem tiver lendo, but)

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Una levantou com uma leve dor de cabeça, engoliu os mágicos comprimidos do mundo atual com alguns goles de agua e foi tomar uma ducha. Com o cabelo preso em um coque, deixou com que a agua gelada caísse sobre suas costas e abriu suas asas lentamente, esticando-as e preenchendo todo o espaço do box com elas, sentiu suas penas sendo molhadas e as asas ficarem mais pesadas, passou os dedos finos pelas penas, arrancando uma ou outra enquanto percorria toda sua extensão. A expressão de dor passava rapidamente pelo seu rosto, mas era uma sensação gostosa, um certo prazer. Desligou o chuveiro e chacoalhou as asas, molhando as paredes e jogando pequenas gotinhas de sangue das penas arrancadas, que ela depositou em uma caixinha de prata em cima da pia.

Desembaçou o espelho com as mãos, visualizando seu rosto magro e pálido, os olhos violeta acinzentados pareciam melancólicos e assustadores, soltou o coque e deixou que os cabelos brancos caíssem sobre suas costas recém secas e colocou uma roupa confortável.

Decidiu que começaria o dia com um ótimo café, então pegou sua bolsa aljava e seu arco, deu uma olhada no seu pequeno apartamento, conferindo se estava tudo certo, ignorando a cama totalmente desarrumada e alguns amontoados de camisetas e canecas pelo chão, bufou ao pensar nas reclamações que ouviria do seu pai caso ele se materializasse ali. Fechou a porta.

Adorava caminhar pelas ruas cheias de arvores do seu bairro, era uma parte fofa da cidade, achava. Chegou até o café mais próximo, uma portinha com duas mesinhas para fora e um pequeno balcão e mais uma mesa dentro do pequeno estabelecimento, entrou e pediu uma xicara grande de café e um cookie de chocolate, a senhora sempre sorridente que trabalhava lá rapidamente atendeu seu pedido, Una foi sentar na mesa de dentro, encostada na janela. Havia um homem ruivo lendo jornal e tomando chá no balcão, ficou observando o moço, que parecia solitário. “Uma pena não ter mais ninguém disponível por aqui...” pensou, já que a simpática senhora usava alianças e o lugar estava totalmente vazio.

***

Olhou seu celular, com certa preguiça de começar a trabalhar e já encontrou vários pontos sinalizados em um mapa da cidade, hoje papai estava eufórico. Seu irmão havia ligado para ela enquanto ela dormia, mas ela não se sentia triste por perder a ligação, ela odiava falar ao telefone.

“Eai, como estão as coisas Ryan? Desculpe por mais cedo, estava dormindo. Mas nos falamos mais tarde, ok??” Digitou rapidamente e enviou para seu irmão.

“Bom dia menina!! Por aqui tudo meio nublado, mas vou agitar as coisas essa noite! Sábado é SEMPRE o melhor dia kkk até mais tarde! ”, chegou a resposta rapidamente. Ele vivia conectado.

Ela riu ao imaginar o irmão fazendo cena enquanto comemora o sábado, sentiu saudades das reuniões por um momento e depois afastou o pensamento. “Sem distrações hoje garota. ” Pensou.

Voltou sua atenção para o mapa e os pontos piscando em vermelho e ligou o GPS, um deles indicava o shopping da cidade, caminho que ela conhecia bem, era um tanto divertido gastar o cartão de seu pai pelas lojas diversas daquele lugar.

Entrou pela porta-que-abre-sozinha e sentiu o ar gelado ambiente invadir o espaço. A luz clara que fazia o tempo parecer que nunca passava brilhava como nunca, e várias pessoas passeavam e se esbarravam pelos corredores, pátio e entradas de lojas. Um perfeito sábado em família, almoço entre amigos, cinema com as crianças barulhentas.

Una gostava de ir no cinema, mas nas sessões de segunda a tarde, aonde nunca ninguém ia, no máximo um grupinho de adolescentes matando aula, era bom o silencio e a sala escura, o filme exibido na tela gigantesca, ela apreciava esses momentos. Solidões divertidas.

Mas sábado era sempre um péssimo dia. As crianças sempre corriam por todos os lugares, gritavam e choravam o tempo todo, era irritante. E mães e pais correndo atrás delas, desesperados e bravos.

Havia duas crianças em particular que chamaram a atenção dela, e uma rápida dúvida passou pela cabeça dela “Seria...? ” Era muito difícil esses amores, infância era sempre complicado. Mas ela teria a sorte de marcar um casal tão pequeno? Era fofo demais quando isso acontecia. Aquela brincadeira de criança que quando adolescentes virava uma paixãozinha, primeiro amor, e geralmente o ultimo também.

Os pais da criança estavam sentados na mesma mesa da praça de alimentação, todos super entretidos em conversas, dois adolescentes um em cada lado da mesa mexiam em seus celulares, claramente entediados com o almoço em família&amigos, garotos que provavelmente foram muito amigos quando crianças mas se distanciaram na adolescência pelas diferenças de gostos, um deles vestia uma jaqueta de time de futebol americano da escola e uma regata apertada que realçava os evidentes músculos de jogador, um recente arranhão na bochecha ainda estava cicatrizando e seu cabelo loiro estava com um topete impecável, ele ria enquanto via vídeos dos amigos no celular, o outro era alto e mais magro, seus cabelos castanhos enrolados eram lindos e um hematoma amarelado já estava sumindo do seu olho direito, junto de um corte no lábio inferior, ele vestia uma camiseta estampada e jeans desbotados de proposito e olhava serio para o celular, concentrado. Una viu ali uma oportunidade inesperada, e até engraçada. Mordeu o lábio com a ideia divertida de fazer tão óbvios opostos se unirem e já foi preparando uma flecha.

Seriam dois acertos incríveis.

Ela mirou primeiro no cara dos esportes, acertando em cheio e vendo a purpurina explodir a sua volta. Tensa ela mirou no outro garoto, torcendo para a flecha não se partir, e sorrindo ao vê-la acertar o peito dele e mais purpurina. Um olhar cruzou entre os dois e ela já sabia que algo estava acontecendo.

Sorrindo e mais animada ela foi acompanhar as crianças, uma menina saltitante com trancinhas nos cabelos loiros e um menino baixinho e serelepe gritando atrás dela. O procedimento foi o mesmo, e o sucesso também. Com sentimento de missão cumprida ela voltou a guardar o arco e se deixou ficar uns minutos observando as crianças e os garotos que agora já estavam a absortos em uma conversa.

Olhou o celular e viu um certinho em um coração e mais o sinal de um extra, o que com certeza lhe daria um bônus bom no cartão. Para comemorar decidiu ir até a livraria enorme do shopping.

Chegando lá, seus olhos já começam a procurar por novidades. Livros eram seus passatempos favoritos, pois desde que o mundo é mundo nada nunca conseguiu supera-los. E para Una, não havia coisa melhor do que um livro novo para saborear. Caminhou em direção a sessão de lançamentos e começou a observar as novas capas na esperança de alguma delas gritar para que Una a levasse.

Uma vendedora se aproximou dela rapidamente. Veio toda sorridente, e Una logo reconheceu a garota, ela a havia marcado uma semana atrás!

—Olá, posso ajudar?

—An..olá, eu estou só olhando mesmo. Mas obrigada. – Tenta dar um sorriso para a garota simpática, mas não consegue dizer se aquilo foi um sorriso.

—Qualquer coisa meu nome é Flora. Vou estar por aqui se precisar. – Ela disse ainda sorrindo e se afastou um pouco.

Una voltou a apreciar as capas novas e coloridas dispostas em cima daquela mesa, parando por alguns títulos, lendo um pouco sobre cada um que lhe chamava a atenção. Adorava ler romances para rir um pouco das tragédias e se permitir emocionar um pouco, os de terror eram seus favoritos e era realmente apaixonada por poesia. Acabou se encontrando em um dilema se levava um box de uma serie nova que prometia ser muito boa, ou se comprava vários diferentes. Resolveu se permitir ter uma certa socialização de pedir opinião para sorridente Flora.

—Oi...er... então você sabe se essa serie nova vale a pena? – Mostrou o box para a menina, que sorriu radiante ao ver os livros.

—Aaah, eles são ótimos esses livros!! A história consegue ter um pouquinho de tudo e te prender totalmente! Eu devorei eles em uma semana cada, estou no ultimo já!

—Então estão compensando?

—Super. E não digo isso só como vendedora não viu, já que eu comprei aqui né – ela deu uma risadinha animada- vale a pena sim, e se não gostar pode voltar aqui e reclamar comigo!

—Vou confiar em você então. – Una se deixou rir com a menina.

—Eei, desculpe a pergunta, mas... A gente já se conhece? Seu rosto não me é estranho!

—Hmm, acho que você pode estar me confundindo. Eu acabei de me mudar para a cidade. – Mentira, mas não tão mentira assim. Ela havia se mudado há dez anos, só que não andava pelas ruas e se divertia, fazia apenas o que tinha para fazer e voltava para casa.

—Entendii, então você está chegando agora! Já se matriculou em alguma escola? Já fez amigos?

“Deuses, que menina animada. Preciso sair daqui. ”

—Er...ainda não, mas meus pais não estão preocupados com isso ainda, eu costumava estudar em casa mesmo. E não, mas também não estou focada nisso. – Mais uma mentirinha.

—Bom, se quiser entrar em contato com alguma escola ou quiser alguma recomendação, posso te passar o endereço de onde eu estudo! Capaz até de cairmos na mesma sala! Você parece que seria uma ótima amiga. – Ela ri, mas parecendo nervosa, até um pouco corada.

—An....tudo bem, se eu precisar eu te aviso. Obrigada. – Sorri para a garota, tentando não deixa-la tão envergonhada por sua animação.

—Desculpe se estou tão animada, é que estou muito acostumada apenas com a presença masculina... – ela revira os olhos, e aponta para uns pufes aonde dois garotos estão sentados se cutucando e rindo de um livro qualquer.

Una reconhece o cabelo ruivo do garoto que ela acertou, e o de cabelo preto ao seu lado só pode ser aquele amigo deles.

“Não é possível. ” Ela se irrita.

—Eu sei, eles parecem uns tontos. Mas no fundo são só amores.

—Consigo imaginar.

—Olha, posso pelo menos te passar meu telefone? Sei que parece meio do nada, mas foi TÃO legal conversar com uma menina de bom gosto literário! Eu preciso disso as vezes. – Dessa vez Flora ficou super corada. Pobre garota. Una riu. Que mal teria?

—Tudo bem, acho que também seria bom uma amizade feminina. Sei como é andar só com garotos, eu vivo com meus irmãos.

Entregou seu celular para Flora, que rapidamente anotou seu número e mandou uma mensagem para si mesma.

—Desculpa por ter mandado a mensagem! Foi totalmente no automático, juro. – Ela avermelhou-se toda de novo, Una riu, levemente irritada mas perdoou a garota.

—Tudo bem. – Disse sorrindo.

—Salvei como “Flora livraria”, mas pode mudar depois se quiser!!

—Pode deixar.

—Aaah, e qual seu nome mesmo?

—Gabriela. – Disse o primeiro nome aleatório que veio na sua cabeça.

—Prazer! Agora preciso voltar para o trabalho.

—Boa sorte! – A garota riu para Una e saiu andando, em direção a outra cliente que já folheava um livro.

Una se dirigiu para o caixa e pagou seu novo box da felicidade, já imaginando terminar os serviços de hoje e mergulhar em um novo mundo.

Procurou Flora para dar um tchau de longe e a encontrou com os dois garotos, o moreno embasbacou ao encontrar com ela, e Flora deu um tapa em sua cabeça ao perceber sua encarada totalmente indiscreta, o que fez Una rir. Ela acenou um tchau para a garota, que respondeu com outro sorrindo, e os dois meninos fizeram o mesmo, levando mais tapas de Flora.

Ela saiu ainda rindo de Flora, e com uma pontinha de felicidade totalmente escondida por ter feito uma amiga que nada tinha com seus parentes.

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Notas finais
Entao é isso! Se chegou ate aqui, fico muito feliz! (e ficarei mais ainda com comentarios hehe) ps: amando totalmente a pessoa que continua comentando