Give me love.
13 Capitulo 13
Notas iniciais
Antes mesmo de abrir os olhos Una detectou calor humano demais perto demais de seu corpo, percebeu que estava com a cabeça recostada sobre algo ligeiramente duro mas que de alguma forma era confortável de recostar, e um de seus braços envolvia essa mesma coisa enquanto o outro formigava embaixo de si, então notou uma leve movimentação em seu estranho travesseiro, a movimentação de um leve subir e descer, uma respiração de um sono tranquilo, abriu os olhos em um estalo ao perceber aonde estava dando de cara com os lábios agora tão conhecidos de Arth na altura de seus olhos, ao encarar o garoto percebeu que este dormia profundamente, a mão adormecida com os dedos afundados nos cabelos dela. A noite passada veio à tona enchendo os pensamentos da garota, seus lábios formigando ao lembrar da sensação que os beijos haviam causado em ambas, da pequena pegadinha que o pai havia armado para ela e da resposta nada conveniente que ela havia dado a ele, mas depois disso a noite ficava confusa em sua cabeça, sabia que eles haviam bebido bastante depois dos primeiros beijos, virado alguns shots, encontraram Thom e Flora e dançaram muito, prova de que seus músculos e sua cabeça pareciam que tinham entrado em uma briga e ambos haviam apanhado.
Levemente ela se mexeu, erguendo a cabeça e se desvencilhando dos braços do garoto, que soltou um leve resmungo dormindo, mas não acordou. Ela ainda estava com as roupas de ontem, ele apenas de calça, Una respirou fundo, nada havia acontecido, uma mistura de alivio e surpresa, então percebeu que eles haviam dormido no tapete felpudo ao lado da cama e que Flora e Thom estavam apagados em seu colchão. Ela havia trazido todos para sua casa, constatou levemente chocada, nunca imaginou que mostraria o lugar para mortais comuns. “Mas eles não são mortais comuns. ” O pensamento passou tão rápido como chegou por sua cabeça.
Levantou e saiu do tapete, sentindo o chão de madeira levemente frio sob seus pés mesmo com as meias, lá fora devia fazer frio. Caminhou até sua cômoda e pegou uma calça de moletom cinza e uma regata branca feita de uma antiga camiseta larga, foi até o banheiro e se vestiu, jogando uma agua no rosto e prendendo os cabelos, que agora mais bagunçados do que nunca, em um coque largado. Sua cara estava um caco, não era nem preciso dizer, olheiras profundas se instalavam embaixo dos olhos que estavam levemente vermelhos, realçando a íris violeta, a expressão era de puro cansaço e ressaca. Pegou uns comprimidos para dor de cabeça na primeira gaveta e engoliu um, levando a cartela consigo para caso mais alguém estivesse com uma dor infernal como a dela, deixando-a em cima do balcão. Deixou a chaleira fervendo com agua enquanto escovava os dentes, tomando cuidado para tira-la do fogo antes que ela apitasse e acordasse a todos, depois serviu-se de uma caneca de chá de verde com menta e se enroscou no chão do quarto, encostada na grande janela de vidro com vista para as arvores da rua, lá fora pingos de chuva manchavam a pequena paisagem que ela observava atenta.
Verificou o celular e havia algumas mensagens de seu pai, uma delas ele era totalmente falso perguntando se ela havia aproveitado a noite com seus amigos, ela praguejou alto em grego e ouviu um trovão alto lá fora, ela rolou os olhos para a reação claramente exagerada dos deuses sempre que um semideus não se comportava nos modos que eles esperavam. Também havia mensagens no grupo de conversa com Louis e Ian, abriu a conversa para ler.
“Maninha, andei estudando mais sobre a flecha da paixão durante o final de semana, se ainda quiser mesmo tentar o risco podemos fazer durante essa semana. ” Dizia uma mensagem de Louis.
Una levou os olhos para um Arth inconsciente em seu tapete, enroscado na mesma posição que ela o deixara ao sair de seus braços, seus traços eram tranquilos, relaxados e Una podia imagina-lo abrindo os olhos e lançando um clássico sorriso de lado para ela e a imagem a fez sorrir, deu um longo gole em seu chá que desceu queimando sua garganta, levando aquele sorriso tosco embora. Era por isso que precisava arrumar logo essa flecha, pensou, precisava se livrar dessa sensação boba e impossível que parecia querer brincar em seu peito, precisava livrar o garoto dessa ideia idiota que só o machucaria no fim das contas.
“Claro, só me avise o dia que estiver tranquilo. ” Digitou e enviou a mensagem.
“Eu vou participar também, não posso perder esse tutorial. ” Brincou Ian em resposta.
“Deuses, o que você faz acordado as nove horas da manhã de um domingo? ” Una perguntou, ligeiramente chocada.
“Meu amor, eu acabei de chegar. Vou indo dormir agora. ” Ela riu com a resposta.
“Faz mais sentido. Boa noite, querido. ” Fechou o celular e encarou os amigos largados em seu quarto.
Flora e Thom estavam perfeitamente enroscados um no outro, Una nunca havia acertado tanto em um casal. Pensou em voltar a dormir, ela poderia deitar no pequeno sofá no canto do cômodo entre o espaço da cozinha e o quarto, mas estava confortável recostada na janela fria, que agora era maltratada pelos pingos de chuva que ficava cada vez mais forte. Ouviu a respiração de alguém mudar e percebeu que um de seus amigos havia acordado, olhou na direção deles e viu Thom se espreguiçando como um gato sonolento, saindo cuidadosamente do lado de Flora para que a garota não acordasse, ele sorriu em um bom dia silencioso para Una quando seus olhos se encontraram e ela retribui.
—Tem agua quente na chaleira e canecas na primeira porta, chás na caixinha preta ao lado do fogão e café na prateleira. – Deu as instruções para o amigo que assentiu com a cabeça e andou até a cozinha.
Logo ela sentiu o cheiro de café forte no ar e seu estomago roncou, café sempre a lembrava de pão quentinho e outras comidas gostosas em dias de chuva como aquele. Como se lesse seus pensamentos, Thom apareceu com uma xicara cheia em mãos.
—Acho que vou sair para comprar um pão. Tem alguma padaria por aqui? – Una sorriu com a sugestão do garoto.
—Você é um anjo. Tem uma logo na esquina.
—Então eu já volto aqui. – Ele sorriu de volta para ela e sumiu de vista.
Una ouviu a porta sendo fechada e suspeitou que o garoto havia saído com a xicara de café em mãos, a senhorinha da padaria provavelmente estranharia a cena do ruivo com uma camisa mal abotoada e amassada, os cabelos cor de fogo totalmente bagunçados, os olhos verdes salpicados por leves sardas embaixo se misturando com o roxo das olheiras e uma caneca de café cheia em mãos. Ela riu sozinha quando avistou o garoto passar distraído embaixo de sua janela no exato estado que ela havia imaginado, protegendo o precioso café dos pingos de chuva com as mãos, ele chegaria ensopado.
Levantou, os pés gelados já acostumados com o piso de madeira, foi até o aquecedor e o ligou, percebendo que Flora havia se encolhido toda na cama quando Thom a deixara. Arth permanecia na mesma posição, como se a mudança de calor não tivesse afetado os músculos despidos e exibidos. Ela voltou a se sentar ao lado da janela esperando que o outro chegasse, terminando seu chá.
Logo um Thom todo encharcado passou novamente em frente à janela, com a caneca fazia e uma sacola em mãos, Una foi até a porta, abrindo-a para o garoto que entrou tirando os sapatos sujos logo na porta e os deixando por lá. Ela pegou a sacola das mãos dele e colocou em cima do balcão.
—Vou pegar uma toalha para você. – Disse, indo em direção ao banheiro e logo voltando com uma toalha preta felpuda. –Você pode tomar um banho, se preferir.
—Obrigado, acho que vou aceitar. – Ele sorriu, agradecendo a toalha e indo em direção ao banheiro.
—Fique à vontade. – Una sorriu de volta.
Se voltou para a sacola e retirou o saquinho de pão que saia vapor quente, o pão era fresquinho, Una inalou o cheiro e sentiu sua barriga protestar em fome, terminou de tirar as compras de Thom e viu que o garoto havia comprado também alguns bolinhos de chocolate e meia dúzia de ovos. Captando a ideia do garoto Una começou a preparar ovos mexidos em uma frigideira grande e também uma receita de panquecas para aproveitar a calda de morango que ela tinha na geladeira. Logo o cheiro de ovos com manteiga e panquecas de baunilha invadiram o ambiente, despertando uma esfomeada Flora.
—Meu deus, que cheiro ótimo. – Ela surgiu debruçada no balcão, os cabelos pretos espetados e a maquiagem marcante borrada, os olhos inchados de sono.
Una sorriu para a amiga, pegando um prato e colocando as panquecas prontas em cima do balcão, onde os ovos e pães já estavam postos.
—Café ou chá? –Perguntou, colocando mais agua para esquentar.
—Hm... Acho que vou de chá.
Una assentiu e colocou a caixinha de chás na frente da garota, terminando de arrumar a “mesa” improvisada para os amigos.
Thom saiu do banheiro com as mesmas roupas, apenas os cabelos ruivos molhados e o rosto demonstrando um descanso maior pela agua quente, uma trilha de vapor saia do banheiro o acompanhando.
—Seu namorado saiu para tomar chuva. – Una explicou e o casal ficou com as bochechas coradas ao mesmo tempo, então ela riu. – Deuses, vocês ainda reagem assim quando o chamam de casal? Vocês são incríveis.
Os dois riram e Thom foi até a namorada, aplicando um beijo leve em sua testa a fazendo sorrir de orelha a orelha. Una sorriu para os dois.
—Acho que Arth morreu. – Ele comentou, encarando o garoto que ainda não havia acordado.
—Nah, seria bom demais para ser verdade. – Una resmungou.
—Ahan, vou fingir que acredito em você. – Flora lhe lançou um sorriso malicioso, um brilho divertido no olhar.
Una corou no mesmo instante, flashes da noite anterior voltando em sua mente. Não sabia dizer se os amigos sabiam ou haviam até presenciado a cena dos dois.
—Pode acreditar. – Ela tentou entrar na brincadeira, mas sua voz saiu tremida.
Thom apenas riu das duas e se sentou, pegando um pãozinho e o enfiando quase inteiro na boca. Flora deu um tapa em suas costas fazendo uma cara de brava.
—Você tem zero modos, garoto! Onde já se viu comer desse jeito, vai acabar engasgando.
Mas o garoto apenas riu de boca cheia para ela, que bufou e rolou os olhos. Una riu dos dois enquanto caminhava em direção ao quarto, encarando um Arth totalmente inconsciente. Ele parecia em um agradável sono e por um momento não quis acorda-lo, até sorriu vendo suas feições calmas e relaxadas, então chacoalhou os pensamentos para sair daquele transe bobo e chutou a perna do garoto que abriu os olhos assustado.
—Ei! – Reagiu, sentando no tapete. – Você podia ter me acordado com um beijinho. – Disse em tom brincalhão, fingindo um flerte logo de início, acompanhado de um sorriso de lado e uma piscadinha.
—Vai sonhando. – Ela rolou os olhos para ele.
—Acho que eu sonhei demais ontem então. – Ele sorriu malicioso para ela, piscando novamente, um brilho divertido nos olhos castanhos.
Ela quis socar ele, sentiu suas bochechas queimarem e olhou para trás como se conferindo se Thom e Flora tivessem escutando a conversa, depois o lançou um olhar repreendedor.
—Vem tomar café antes que Thom devore tudo. – Ela disse enquanto saia, deixando o garoto para trás.
Todos se sentaram no balcão e a cozinha logo ficou silenciosa, com todos ocupando suas bocas com a quantidade de comida disposta na frente deles. Thom devorara um pedaço atrás do outro sendo as vezes repreendido com o olhar de Flora e fazendo com que todos rissem um pouco. Ao se sentir satisfeita Una levantou os olhos de seu prato vazio para encontrar um olhar inquieto e preocupado de Flora, que já havia terminado de comer e agora amassava seu guardanapo nervosamente.
—Preciso ir para o trabalho. – Ela solta, olhando as horas no celular. – Mas eu não vim de carro e não posso chegar lá assim. – Aponta para o próprio rosto, que se encontra todo borrado de maquiagem preta.
—Não sei porque, você ‘tá linda. – Thom sorri apaixonado para a garota, que revira os olhos e lhe dá um tapinha no peito. – Aut. – ele resmunga brincalhão.
—Você pode tomar um banho aqui e a gente chama um taxi. Te empresto uma calça e uma camiseta. – Una sugeri e vê a amiga abrir um sorriso.
—Nossa, seria perfeito! Muito obrigada! – Seu semblante ganha um sorriso tranquilo.
Una se levanta e pega uma toalha limpa, a entregando para Flora que corre em direção ao banheiro. Thom se levanta e começa a recolher os pratos sujos em cima do balcão, os levando até a pia, Una agradece o garoto com um sorriso.
—Vou separar uma troca de roupa para Flora. – Anuncia, indo em direção ao quarto, carregando sua xicara de chá em mãos.
Com as gavetas da cômoda escancaradas, deposita a xicara na mesinha de cabeceira e começa a procurar por uma calça preta que não tenha vários rasgos e buracos, seu corpo inclinado para alcançar a penúltima gaveta, que está um caos. De repente, seus sentidos aguçados captam uma presença no quarto, uma respiração leve e passos largados, mas confiantes vindo em sua direção, logo seu cheiro atinge o nariz da garota e ela se odeia por reconhecer o seu perfume de longe. Arth estava bem atrás dela. Respirou fundo, preparando para manda-lo embora quando sentiu suas mãos tocando sua cintura firmemente, arregala os olhos e sente um arrepio percorrer seu corpo com o toque e se vira para ele, as sobrancelhas erguidas em reprovação, seus olhos batem de encontro com os castanhos dele que carregavam um brilho divertido.
—Desculpa, mas sua posição ‘tava bonita demais. – Ele lança seu maior sorriso de lado, cheio de malicia e a cola em seu corpo, puxando levemente pela cintura.
Una sente as bochechas esquentarem de raiva, ou pelo menos era de raiva que ela queria pensar, e rola os olhos para o garoto.
—Você nem tente. – Ela o afasta com as mãos em seu peito, mas sem separar seus corpos.
Por mais que se negasse a admitir, todo aquele contato fazia seu corpo inteiro formigar, era até um pouco difícil pensar logicamente com toda aquela aproximação. Se sentiu ridícula por ficar tão fraca e balançada por um mero e tolo mortal que nem a conhecia direito. Balançou a cabeça para tentar pensar com clareza e desvia os olhos dos dele, fazendo o erro de parar em seus lábios. O sorriso do garoto apenas aumenta ao perceber o olhar de Una e entende seu olhar como um sinal para quebrar a mínima distancia que há entre eles lhe aplicando um leve beijo. Nos primeiros segundos Una se deixou aproveitar o momento, sentindo os lábios macios dele colados nos seus, mas assim que o garoto faz menção de aprofundar o beijo pedindo passagem com a língua, Una acorda de seu transe e o afasta de si com força tentando o encarar da forma mais séria e fria que conseguia no momento.
—O que você pensa que estava fazendo? – Ela indaga brava, abaixando o tom de voz logo após se lembrar de Thom no cômodo ao lado. –Ficou maluco?
—Hm, eu só queria repetir o que a gente mais fez ontem. – Ele diz despreocupado, com um sorriso esperto brincando em seus lábios. –E nem venha me dizer que não se lembra.
—Eu me lembro, infelizmente. – Resmunga a garota, mas ele não perde o sorriso.
—Então... Só achei que a gente podia repetir a dose mais vezes. – Ele enlaça a cintura dela novamente.
—Sinto dizer que não, a gente não pode. – Ela diz seria, contendo um suspiro que ameaça aparecer com a aproximação.
Ele suspira fundo frustrado e levemente irritado pela constante e bipolar rejeição de Una, revirando os olhos para a garota, que agora tem um sorriso divertido nos lábios.
—Porque você não vai ser uma pessoa incrivelmente prestativa como o Thom e termina de arrumar a mesa do café? – Ela sugere, o dispensando com a mão e voltando sua atenção para a gaveta.
—Nah. – escuta ele resmungar e se jogar na cama com os lençóis bagunçados, ignorando a sugestão da garota.
Revira os olhos, mesmo sabendo que ele não pode ver e termina de separar as peças para a amiga, levando as mesmas para a porta do banheiro, fazendo questão de ignorar o garoto deitado em sua cama que claramente quer chamar sua atenção.
Depois de deixar a troca de roupa com Flora, percebe que deixou sua xicara na mesinha e volta para busca-la, encontrando um Arth totalmente entretido na tela do celular, ele agora apenas ergue os olhos para ela como se não quisesse mais o doce que antes quase chorava para ter e volta a atenção para o aparelho em suas mãos. Una estreita os olhos para o que prende tanto a atenção do garoto quando se inclina para pegar a xicara e consegue perceber que ele conversa com uma menina, várias fotos onde uma garota loira com mechas verdes aparece mostrando sua lingerie de renda podem ser vistas, enquanto o dedo do garoto desliza pela tela antes de digitar uma resposta. Rapidamente, Una toma sua xicara em mãos e desvia o olhar com medo de ser pega e volta em passos apreçados por onde veio. Respira fundo, levemente irritada com a cena logo após o garoto tentar um beija-la, mas logo seu pensamento muda para alivio por saber que ele continua de papo com as mil garotas de sempre.
Flora sai apressada do banheiro, com os cabelos pretos rebeldes ainda molhados, colando em sua bochecha rosada pelo calor do banho. A camiseta larga aparece ajeitada e estilosa com um nó propositalmente desleixado na altura da cintura, onde começa o cós da calça preta, os olhos verdes salpicados de manchinhas douradas faíscam e parecem realçados com o lápis preto que ela passou em volta deles. Por um momento Una pensa se ela procurou por aquele lápis em se banheiro e uma preocupação deixa todo seu corpo em alerta, com medo de que ela possa ter aberto a caixinha de penas que fica em cima da pia. Tenta parecer tranquila quando a garota a encara sorrindo, fica com medo de deixar sua preocupação estampada em seu rosto e sorri de volta, incerta.
—Vou chama o taxi. – Anuncia, antes que Flora possa falar alguma coisa e sai do cômodo.
De frente para sua cama, onde um Arth falsamente distraído se encontra, ela busca o aparelho e disca para o taxi que já está habituada a utilizar. Senta na beirada do colchão enquanto espera que a atentam, ignorando a irritante e constante presença do garoto e seus olhos que ela sabe que estão colados em suas costas nesse momento, atentos.
—Oi! É da casa dos Agápi. Você poderia levar meus amigos até o shopping? – Sorri quando o moço responde já estar a caminho. – Obrigada! Pode colocar na conta mensal, ok? – Diz e desliga o celular assim que obtém uma resposta, satisfeita.
Quando está pronta para se levantar sente a respiração quente de Arth bater em seu pescoço e um arrepio toma seu corpo. Não arrisca virar seu rosto e encara-lo por saber a distância mínima que seus lábios estão de sua pele no momento e congela naquela posição, ouvindo o garoto soltar um risinho anasalado de sua reação.
—Flora, Thom, ele está a caminho já! – Diz alto, e faz menção de se levantar.
Arth a segura levemente pelo cotovelo a fazendo permanecer sentada, ela resolve encara-lo, lhe lançando um olhar sério e irritado.
—Você é linda demais irritada, sabia? – Ele sorri em desafio ao olhar dela.
—Você deve achar mesmo, já que não se cansa de me encarar assim. – Ela sorri fria para ele e se desvencilha de seus dedos. – Acho bom que esteja pronto.
—Pronto para que exatamente? – Ele se deita novamente na cama.
—Para ir embora, claro. – Ela revira os olhos e se afasta ao máximo do colchão.
—Poxa, mas achei que você queria minha companhia por mais umas horas. – Sua voz sai melódica e ele faz uma leve cara de cachorrinho.
—Você tem que ser bem sem noção para realmente ter achado isso. Ou seu ego é bem maior do que eu imaginava. – Ela rola os olhos – Acho, na verdade, que as duas opções se encaixam bem em você. – Sorri, sarcástica. –Agora levanta da minha cama e trata de ficar pronto.
Escuta ele resmungar quando dá as costas para ele e sai em direção a cozinha, onde o casal mais incrível do mundo já a espera perto da porta.
—Vocês são até que fofos. – Flora declara.
—Eu vou fingir que não ouvi seu comentário, ou serei obrigada a te socar. – Una se mostra irritada e os dois riem dela.
—Bom, muito obrigada pela hospitalidade Una! – Thom sorri para ela, erguendo a mão em um high five, que Una corresponde achando graça. – Nos vemos amanhã na escola?
—Se eu não desistir de última hora, sim. – Ela sorri para eles.
—Você não faz ideia de como eu ‘to animada! – Flora dá palminhas silenciosas e sorri para a amiga.
—É, eu também. – Ela responde, não soando como nem um terço da animação da outra.
—E eu então. – Arth aparece pronto, com um sorriso esperto de lado brincando em seus lábios e Una revira os olhos para o comentário do garoto.
—Acho melhor vocês descerem! – Ela finge não ter escutado o garoto. – Bom trabalho Flora! E até amanhã! – Sorri para os amigos enquanto eles seguem pelo corredor iluminado.
Fecha a porta e a tranca atrás de si, com as costas encostadas na madeira ela desce e senta no chão gélido de azulejo rosa claro. Ela está bem, ela se sente bem. Ligeiramente confusa, porem bem. Por isso não entende quando seus olhos queimam e uma grossa linha de lagrimas invadem sua bochecha, deixando um rastro molhado por todo seu rosto e caindo em seu colo.
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