Give me Back my Daughter
4 Sasuke
Notas iniciais
– O que acha? – Perguntei enquanto Kakashi caminhava pela casa.
– A atividade é maior no quarto dela, com certeza. – Ele respondeu, descendo as escadas. – Não há dúvidas de que está relacionado com o coma.
– E o que podemos fazer? – Perguntei, olhando para minha esposa que se soltou de mim, indo até a sala e se sentando. Ela não estava bem.
– Bom, tem uma série de rituais, jogos, meios de se comunicar com espíritos e demônios. Temos que descobrir o que ele quer com Tomoyo. – Ele ainda olhava ao redor.
– Tipo tabuleiro Ouija? – Perguntei. Já ouvira falar dessas coisas, inclusive já havia praticado na adolescência.
– Também. – Respondeu. – Tenho uma equipe mais preparada para essas situações. Permite que coloquemos câmeras na sua casa?
– Faça o que for necessário. – Suspirei.
– Ótimo. Colocaremos câmeras em locais estratégicos, onde poderemos ver qualquer atividade. Faremos uma hora morta, para ver se conseguimos qualquer contato. Enquanto isso, peço que assine esses papéis. – Ele falou tudo e colocou uns papéis sobre a mesa. Dizia um monte de coisas sobre como funcionava os serviços de Kakashi. Apenas assinei.
– Pronto. – Murmurei para ele.
– Se possível, sua esposa poderia assinar também? – Ele perguntou, pegando o celular e discando um número qualquer. Olhei para Sakura, abraçada em uma almofada do sofá. Suspirei, aquilo seria difícil.
– Sakura, meu bem, pode assinar aqui? – Falei, sentando ao seu lado e tirando lentamente a almofada que ela abraçava. Seu olhar continuava vazio. – É para ajudar Tomoyo. – Seus olhos se viraram para o papel. A expressão continuava a mesma.
Ela pegou a caneta de minha mão e assinou, sem muita vontade. Beijei sua testa e devolvi a almofada, levantando logo depois. Kakashi já aguardava pelos papéis. Ele olhava para Sakura.
– Aqui está. – Entreguei a ele os papéis, o que o tirou do transe.
– Ótimo. Já informei a equipe. Amanhã pela manhã viremos para instalar os aparelhos. Para sua segurança, peço que coloque essa câmera em seu quarto já esta noite. – Ele disse me entregando uma câmera portátil, dando mais uma olhada de esguelha para minha esposa.
– Algum problema? – Perguntei, um pouco irritado com o ato.
– Nenhum. Não se esqueça da câmera. – Ele caminhava para a porta. – Até amanhã, Sr. Uchiha. Passar bem.
– Até. – Respondi, fechando a porta pela qual ele tinha saído.
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Fui até Sakura, ela estava exatamente na mesma posição de antes. Nem o seu rosto havia mudado. Seus olhos olhavam para baixo e sua expressão era vazia.
– Sakura, você está bem? – Perguntei, me aproximando dela. Sentei ao seu lado e toquei o seu rosto. Ela estava gelada. Olhou de esguelha pra mim, mas logo voltou o olhar para baixo. Não me respondeu. – Sakura? Ei, olha pra mim. – Segurei sua nuca, virando seu rosto na minha direção. – O que você tem? – Ela segurou meus braços e os tirou de seu pescoço. Que força era aquela? Sakura não tinha essa força.
– Não me toque. – Ela disse, pela primeira vez. Sua voz fria, seca e cortante. Se levantou e subiu as escadas, indo ao nosso quarto. Fiquei em choque por um momento.
Trinta segundos depois, escutei um grito. Era dela. Saí do transe que estava e corri. Precisava chegar ao quarto e ver o que aconteceu o quanto antes.
– Sakura! – Gritei assim que cheguei. Ela estava jogada no chão, segurando com força uma cruz, que queimava sua mão. Corri até ela, que ainda gritava e me ajoelhei ao seu lado. – Sakura! Calma! – Tirei a cruz de sua mão, com muito esforço. O objeto estava quente, o que fez com que eu o jogasse longe. A mão da minha esposa estava toda marcada por queimaduras. Ela parou de gritar.
– Sasuke... – Murmurou atordoada.
– Shiu, está tudo bem. – A segurei nos braços. Ela desmaiou. Coloquei-a na cama e a cobri. Sentei ao seu lado e suspirei. Já havia anoitecido.
Lembrei da câmera que Kakashi me deu, peguei-a e coloquei na cômoda que havia na frente da cama de casal. Ativei a filmagem, apaguei a luz e deitei ao lado de Sakura.
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No outro dia, acordei normalmente com o sol batendo em meu rosto. Minha esposa dormia tranquilamente ao meu lado. A observei por mais um tempo, até que ela abriu os olhos lentamente.
– Sasuke? – Ela murmurou, sonolenta.
– Bom dia, flor. – Falei, beijando seu cabelo.
– Já amanheceu? Cadê o Kakashi? Por que estamos na cama? – Ela perguntou, perdida.
– Kakashi foi embora ontem, é outro dia, Sakura. Você não lembra de nada? – Perguntei, um pouco desconfiado.
– Só lembro do Kakashi chegando. Depois... Não sei, tudo está branco. – Ela respondeu, confusa. – Ai, minhas pernas doem. – Ela reclamou, alisando as pernas.
– Hm. – Murmurei, pensando. Toquei uma de suas pernas, acariciando. – Tudo bem, descanse um pouco. – Alisei seu cabelo e saí da cama, descendo até a cozinha. Lembrei de uma coisa. A câmera de Kakashi.
Voltei ao quarto, Sakura havia voltado a dormir, então aproveitei e fechei a cortina. Peguei a câmera e voltei silenciosamente para baixo.
Peguei o notebook e instalei a câmera para olhar a filmagem. Vi nossa cama e nós dois, tudo normal. Pelo menos nas primeiras duas horas. Às três da manhã foi a primeira vez que Sakura se mexeu, se virando para o outro lado. Dois minutos depois, ela simplesmente se levantou e parou em pé, ao lado da cama. Não é à toa que suas pernas doíam, ela ficou ali por exatamente duas horas. Duas horas completas, e depois simplesmente se deitou novamente. Fiquei estático por um momento.
Pronto, além da minha filha também quer minha esposa agora? As coisas vão ficar bem sérias por aqui.
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