Give Your Heart A Break
1 The day I first met you.
Notas iniciais
Não tinha realmente me dado conta do quanto eu estava com saudades de ficar com o pessoal do Sonny With a Chance até vê-los. Mesmo não sendo um tempo tão grande assim, parecia uma eternidade, ainda mais por que costumávamos nos ver todos os dias por conta das gravações. Mas é a vida, dizem que tudo muda conforme as nossas escolhas e depois que eu decidi procurar ajuda, eles tiveram que continuar a série de alguma forma. Por isso o nome do programa mudou para So Random. Dei e continuo dando todo o meu apoio para que esse projeto continue indo bem, fazendo tanto sucesso quanto o antigo.
Apesar de já fazer um tempo desde que eu saí da clinica de reabilitação, foram poucas às vezes em que me encontrei com os meus antigos colegas de trabalho. O Brandon e o Doug organizaram uma festinha na casa da Tiffany, com toda a galera para a gente colocar a conversa em dia e rir com as piadas bobas que os meninos faziam, e de forma alguma eu perderia essa oportunidade de me divertir novamente com eles. Tudo lá estava muito simples, mas nem por isso deixava de ser divertido e aconchegante. A sala não era muito grande e possuía paredes brancas. Tinha pouca iluminação, no entanto era o suficiente para enxergarmos uns aos outros. Uma musica divertida soava baixinho, vinda de uma caixa de som ao lado direito, mas estávamos tão entretidos que provavelmente ninguém se deu o trabalho de identificar qual era, pareciam somente ruídos. Havia também alguns aperitivos em uma mesa longa, encostada na parede à esquerda. O papo rolava solto e a coisa mais audível eram as risadas do Brandon, que estava tirando uma da cara do Doug ao lado da Allisyn.
Todos estavam num momento de descontração, vestidos despojadamente. Tiffany estava trajando uma calça jeans preta e uma simples regata rosa. Não tinha muitos acessórios, apenas algumas pulseiras e um colar. O Brandon estava como sempre, camiseta listrada, calça preta, tênis e um chapéu. Doug também não estava produzido para matar, vestido com uma camiseta xadrez e bermuda cor cáqui, simples como a Allisyn. Senti-me aliviada por ter colocado somente o meu short jeans claro, a minha grande camiseta do AC/DC, e minha jaqueta de couro, e não um vestido. Wow, sem vestidos por hoje. Parei de reparar nas roupas assim que me chamaram para conversar numa rodinha que fizeram no meio da sala.
Entre uma risada e outra, senti o meu celular vibrar com algumas mensagens. Pedindo licença, aproveitei para entrar no twitter, então varri a sala com os olhos, procurando algum lugar para sentar. Ao fundo, quatro ou cinco puffs jaziam graciosamente vazios. Com um levantar de sobrancelhas e um sorriso de canto, caminhei lentamente e me joguei em um deles. “@ddlovato: aqui na casa da Tiff, rindo numa noite divertida com a galera do elenco”. Não tive nem a oportunidade de terminar de digitar meu segundo tweet quando uma voz brincalhona soou ao meu lado.
—Você quebrou meu coração saindo dessa nova temporada, doce Sonny.
Não pude evitar rir ao levantar o rosto e encontrar um Sterling com as feições dramáticas, típicas de seu personagem Chad Dylan Cooper.
—Quem mandou ser um idiota, Chad? O seu ego e a sua falsidade foram os causadores de tudo isso.
—Não, você está mesmo insinuando que estou mentindo para você? Sério mesmo?
E então decidi entrar de vez na brincadeira, cantando um trecho na música que a Sonny compôs na ultima temporada.
—Oh Chad, “Tell me what to do about you, I already know I can see in your eyes when you're selling the truth”.
Depois de alguns segundos sem mudar a expressão, ele desistiu e riu junto comigo, sabendo que nossas palavras eram somente parte da brincadeira.
—Certo, vamos parar com isso, você está começando a ferir o meu tão amado orgulho. – disse rindo-se novamente – Mas e ai Demi? Como vai a vida? Tudo está voltando ao normal?
—Continua indo, lentamente, receosamente, sabe? As coisas não estão tão fáceis depois do término não muito amigável com o Joe. Muita pressão por parte dos fãs. E também tem a clínica, os rumores impossíveis, a imprensa tornando tudo um pouco pior. Mas eu supero isso. Pelo menos eu acho que supero. – terminei tentando dar um sorriso de descontração, mas saiu como um suspiro meio engasgado em um riso irônico.
O silêncio pairou desconfortavelmente, onde o loiro ao meu lado olhava para o chão, brincando com os próprios dedos e eu girava o celular entre as mãos, forçando-me a apaziguar a agitação interna da minha mente, estomago e coração. A noite estava boa de mais para ser atrapalhada agora por assuntos desagradáveis, então eu mesma decidi descontrair com a primeira recordação que me veio á cabeça.
—Lembra de quando a gente se conheceu? Você tinha o cabelo um pouco grande ainda.
—E você tinha uma franja menor, não diga que não. Eu me lembro. – disse com o olhar vago, parecendo recordar-se de algumas coisas.
—Quando conversamos, parecíamos colegas há muito tempo. – continuei, tentando achar algum assunto que me levasse para longe dos tópicos “Jonas” e “Reabilitação”.
—É verdade, falamos até de relacionamentos.
—E você disse que nunca iria se apaixonar. – ressaltei a parte do nunca, dando um sorriso descrente.
“Não é um dia qualquer, estamos aqui, em um pequeno anfiteatro que parece improvisado, fazendo testes para os papeis dos personagens de Sonny With a Chance. Já tinha abrandado meus nervos com relação à ansiedade, mas ainda estava inquiet. Em algum momento que eu não consegui descobrir, um garoto loiro, um pouco mais alto que eu, aproximou-se e me cumprimentou.
—Olá.
—Hey.
—Você está pensando em fazer que papel no seriado?
—Eu ainda não sei, eu acho. E você?
—Eles não definiram ainda o que o personagem vai ser, mas pretendo ser o Chad.
Começamos a achar assuntos que vinham do além, por que a conversa durou um bom tempo. Já tínhamos até sentado no chão, e ele gesticulava alegremente enquanto falava. Eu só ria e acrescentava algumas frases que ele não conseguia terminar de falar por ficar enrolado com as palavras. Ele até interpretou alguns personagens de filme. Depois de um tempo em silêncio voltamos a tagarelar, dessa vez menos espalhafatosamente.
—E então? Gosta de alguma atriz famosa?
—Gostar de gostar da atuação, ou gostar de uma forma não profissional?
—Como uma paixonite aguda.
—Eu nunca vou me apaixonar
—Por artistas? O que, ela é tão inalcançável assim? Casada? – digo com um riso.
—Não, eu digo que nunca vou me apaixonar mesmo, por ninguém. – diz ele sorrindo, como se estivesse falando de como cachorros quentes, batatas fritas e hambúrgueres não tem gosto sem Ketchup.”
Uma sombra estranha pareceu ter surgido em seu olhar, o que me fez franzir o cenho em dúvida, mas logo ele riu. Não estava convencida, mas não tinha tanta intimidade assim para sair perguntando da sua vida pessoal. Mesmo que tenhamos um relacionamento amigável.
—E ainda digo o mesmo. Que coisa mais desnecessária. Já sou realizado, trabalho com o que gosto, com pessoas divertidas. Não preciso de mais nada.
—Sério? Está bom, essa é a parte que eu deveria pelo menos fingir que essa sua afirmação não passa de uma enorme mentira, mas estou em um momento tão bom, ironicamente falando, em relação a sentimentos que eu não vou nem questionar a sua frase.
—Wow Lovato, é melhor você parar para respirar enquanto fala, sabia? Por que deve fazer mal de verdade falar assim sem pausas.
Ri com ele, concordando com um menear de cabeça.
—Não se preocupe, eu tenho fôlego. Estou viva até hoje, não está vendo? Estou bem aqui.
—E isso é ótimo! Só que sempre há uma primeira vez. – sorriu marotamente.
—Vou tentar me lembrar da sua dica, Knight.
—Acho que é válido, vai que você morre tentando falar alguma coisa importante.
O olhar que era para ser repreensivo soou mais como divertido. Dispenso então um tapa fraco em seu braço, julgando que isso seria mais como uma censura nesse momento. E é claro que ele fez uma ceninha. Se ele não tivesse dramatizado, ele não seria realmente o Sterling.
Conversamos por mais um bom tempo, rindo de coisas que tirávamos das gravações ou dos erros que a gente cometia quando eu fazia a série. Riamos tanto em algumas cenas que mal conseguíamos dizer as nossas falas. Tirando as vezes em que os objetos não colaboravam e sempre caíam na hora errada. Quando olho ao redor momentos mais tarde noto que não está tão cheio quanto estava no começo. Algumas pessoas já tinham ido embora e outras estavam indo pelo mesmo caminho.
—Eu acho que vou embora agora. Talvez eu assista algum seriado, já que é muito cedo para dormir.
—Pois é Dems, acho que a Tiff vai querer ter um longo sono de beleza. – ele riu e se levantou. – Também acho que vou indo.
Levanto também e dispenso um beijo em seu rosto, dizendo algo como nos vemos por ai. Despeço-me de todos com promessas e cobranças de um novo encontro, e assim que entro no carro, o meu celular vibra. Coloco o cinto antes de ler a mensagem.
S. Knight
Não vai bater com o carro se lembrar do meu lindo rosto.
Solto uma risada. Mal terminamos de nos despedir e ele já está me enchendo com suas piadas? Olho através da janela e encontro ele rindo na porta ao ver minha expressão. Aceno e mando um “pode deixar, estou usando o cinto” por mensagem, mas não fico para ver sua reação.
Realmente lembrei-me dele no caminho, o que me fez dar risada. Mas outra pessoa que vem sendo um tabu nos últimos meses para mim, também me veio à mente, e isso sim quase me fez bater. Começa com Jô e termina com e. Ligo o rádio, deixando tocar uma música alta e dançante, cantando aparentemente alegre, convencendo a mim mesma que isso não tinha importância. Mesmo que minhas mãos estivessem tremendo ao segurar o volante.
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