Give Me Your Love
8 Capítulo 8 - Não é tão ruim assim
Notas iniciais
O beijo foi tão intenso que após terminado ainda assim não se separaram.
Com os olhos fechados, ficaram apenas sentindo a respiração um do outro, mas de repente um choque de realidade caiu sobre Elena. Ela imediatamente se desvencilhou de Stefan, mas ele segurou-a:
–Stefan –disse ela. –Me solta.... o que... o que foi que acabamos de fazer... eu...
–Calma, Elena –Stefan disse, a respiração de ambos ainda estava ofegante. –Não aja como se fosse a pior coisa do mundo.
–Mas é, Stefan. Nós nos odiamos. Isso... isso não está nem um pouco certo.
–Você não gostou?
Aquela pergunta quase fez Elena cair no chão. Suas pernas estavam moles e ela sentia que poderia cair a qualquer momento. Os olhos de Stefan estavam diretamente olhando para os seus, ela não sabia como agir. O que eles haviam acabado de fazer? Eles... eles se beijaram, mas eles se odeiam. Elena estava totalmente perdida, mas por mais que quisesse não conseguia enxergar aquilo como uma coisa ruim, pois ela havia gostado, por mais que estivesse negando para Stefan e para ela mesma.
–Eu –ela avistou o banco do piano e sentou-se nele. –Não diga bobagens Stefan, não é como se nós estivéssemos nos beijando por que nós dois gostamos um do outro.
–Então por que correspondeu?
–Eu não... eu não sei Stefan. Nós estávamos brigando e então simplesmente aconteceu e eu não pude evitar.
–Elena... olha. Eu não sei o que aconteceu, não sei o que deu em mim também, mas eu não consigo mais...
–Não consegue o que, Stefan?
–Não consigo mais ficar nesse clima, Elena. Eu não quero mais brigar, por favor, não tem como nós dois darmos uma trégua.
–Trégua? Como assim trégua? Stefan, caia na real. A gente se odeia e isso que aconteceu aqui não teve significado algum –Elena desviou seus olhos dos de Stefan e viu algo brilhar no chão, perto da porta. –O que é aquilo? –ela perguntou apontando para o objeto.
Stefan foi até o local onde ela apontava, então viu o pequeno objeto brilhante. A chave. Provavelmente as garotas deviam ter jogado por debaixo da porta,
–Por que isto está aqui? –Stefan pegou a chave e olhou para Elena.
–Não sei, mas é a nossa chance de sair dessa sala –Elena se levantou agora mais recomposta.
–Eu não quero sair daqui.
–O que? Não seja idiota, Stefan. Abra logo a porta, ou eu irei abrir –Ela pegou a chave das mãos dele e caminhou até a porta, mas ele a impediu de abri-la, se colocando em frente a fechadura.
–Espere. Eu não quero sair daqui.
–Então fique. Eu vou sair.
–Não. Eu quero ficar aqui com você. Não quero acordar... olha, que tal se nós fingíssemos que nunca brigamos e fazer deste momento melhor do que está? Como quando estávamos nos beijando.
–Você só pode estar bêbado mesmo. Nem louca eu volto a beijar você e... –ela não teve tempo nem de terminar a falar. Stefan voltou a tomar seus lábios e ela novamente correspondeu.
Ela devia estar ficando louca, ou aquilo devia ser algum sonho louco do qual ela acordaria arrependida de ter sonhado. Mas por algum motivo, por mais que quisesse, não conseguia parar. Seus movimentos eram quase involuntários, mas ela sabia que não eram.
Desta vez, Stefan a levou para o banco em frente ao piano, se sentou e a fez sentar em seu colo. Sem protestar, Elena seguiu a todos os movimentos dele. Stefan intensificou o beijo cada vez mais, porém não levou sua mão a nenhum lugar do corpo de Elena que fosse deixá-la desconfortável ou que o mostrasse desrespeitador. Elena ficou surpresa com essa atitude dele, pois ela estava com seus hormônios atiçados e prontos para agir. Ela com certeza estava louca, mas não conseguia parar. O que ela estava fazendo beijando Stefan?
Quando se separaram pela segunda vez, Stefan segurou o rosto de Elena e ficou olhando em seus olhos. Eles estavam hipnotizados.
–Então. Aceita minha proposta? –Ele disse fixando suas esmeraldas nas castanhas de Elena.
–Eu devo estar ficando louca –ela não conseguiu esconder o sorriso que se formou em seu rosto.
–Nós dois devemos –ele sorriu junto com ela.
Após isso, o que se seguiu foram beijos e mais beijos, até Stefan passar uma de suas pernas para o outro lado do banco e puxar Elena para se sentar a sua frente. Eles ficaram naquela posição por vários minutos. Stefan entrelaçava uma de suas mãos na de Elena e com a outra mexia nos cabelos dela. Ambos estavam de olhos fechados, aproveitando a sensação do que se passava ali.
–Seu cabelo ficou lindo enrolado –ele disse passando sua mão em uma mecha e Elena sorriu.
–Obrigada –ela disse e com sua mão disponível puxou Stefan pelo pescoço para mais um beijo.
–Está com fome? –ele perguntou quando se separaram.
–Agora que você disse, acho que não comi nada na festa inteira.
–Promete que não vai embora? –ele a impulsionou para que pudesse se levantar.
–Aonde você vai?
–Ver se consigo algo para comermos.
–Ah! Está bem. Eu não vou embora, pode ir sossegado –ele sorriu, deu um beijo nela e saiu.
Nos minutos que se passaram na ausência de Stefan, Elena virou-se para o piano e começou a dedilhar sobre as teclas até criar coragem o suficiente para apertar uma delas. O que se seguiu foram uma série de notas aleatórias que formavam uma melodia qualquer. Eleva voltou a pensar no que estava acontecendo ali e tentou se arrepender, mas não conseguiu. Apesar de ela e Stefan não terem conversado muito, ela pode notar que ele não era tão mal assim. Quando voltaram a se beijar, ela esperava que ele fosse ser o mais material possível, mas ele foi tão cavalheiro que em momento algum a deixou desconfortável e fora tão carinhoso, como se eles nunca tivessem brigado. Sim, ela estava totalmente fora de si. Não sabia por que estava fazendo aquilo, só sabia que queria continuar naquela fantasia. Por que não? Ela e Stefan eram totalmente desimpedidos. Eles se odiavam, sim, mas ela não queria pensar naquilo agora. O que aconteceria depois seria depois, agora ela queria estar ali, vivendo aquele momento.
Stefan entrou na sala com uma sacola na mão. Viu Elena tocar o piano e ficou impressionado. Ela não era exatamente boa como era tocando violino, mas ela tocava as notas com perfeição.
Ele chegou perto dela e depositou um beijo em sua nuca, só então ela percebeu que ele estava li e parou de tocar.
–Não sabia que você tocava piano também –ele disse.
–Eu não toco, mas já vi meu professor de violino tocar algumas vezes –ela disse. –O que você trouxe? –perguntou olhando para a sacola que ele tinha em mãos.
–Alguns aperitivos e uma garrafa de vinha –ele respondeu e ela o olhou quando ele disse “vinho”. –Desculpe. Não achei outra coisa na cozinha.
–Tudo bem –ela disse.
Então ele começou a esvaziar a sacola. Ela ficou surpresa quando ele tirou uma toalha de lá. Ele estendeu a toalha no chão, perto da parede, e colocou o restante das coisas sobre a mesma. Eram algumas bolachas recheadas, salgadinhos fritos –que ele havia conseguido com os serventes da festa -, pães de queijo e a garrafa de vinho.
Stefan se sentou encostado na parede e Elena se sentou de lado entre as pernas dele.
–Pois é –ela começou. –Você até que conseguiu coisas boas.
–É, mas esqueci dos copos –ele disse abrindo a garrafa de vinho.
–Não tem problema. A gente bebe direto do gargalo mesmo.
–Mas teremos que beber tudo.
–Eu sei.
–Não tem medo de ficar bêbada perto de mim senhorita Gilbert? –ele sorriu e olhou para ela, que também sorriu.
–Eu já estou bêbada –ela disse pegando um salgadinho e colocando na boca dele. –Tudo o que acontecer depois disso é efeito colateral –ele sorriu e deu um selinho nela.
–O que será que Caroline, Bonnie e Lexi devem estar pensando?
–Foram elas que armaram tudo isso. Elas não podem se arrepender do que acontecer aqui.
–Elas realmente não nos amam. Já pensou que podíamos ter nos matado aqui dentro? –esse comentário de Elena fez Stefan rir.
–Eu não mataria você –ele depositou um beijo na nuca dela, o que a fez se arrepiar. –Se houvesse um assassinato aqui, seria de sua parte –ela riu junto com ele.
–É. Eu também acho –ela virou-se para que pudessem se beijar. –Falando em assassinato –a expressão dela estava séria agora.
–Não Elena. Não vamos falar nisso agora. Eu não quero estragar este momento –ele a olhou suplicante.
–Eu sei. Também não quero estragar nada aqui, mas eu realmente gostaria de saber o que realmente aconteceu.
–Eu também –ele pegou a garrafa de vinho e deu um gole. –Não acredito que nossos pais tenham provocado aquele acidente –ela pegou a garrafa da mão dele e deu um gole, também.
–Quatro médicos prestes a fazer a maior descoberta de suas carreiras, não fariam isso.
–Eu me lembro que na manhã do dia do acidente minha mãe estava bem agitada –Stefan começou a dizer. –Ela andava de um lado para o outro e meu pai tentava acalmá-la, eles conversavam baixo sobre algo que eu e Damon não conseguimos ouvir. Então descemos para tomar o café da manhã e os dois não voltaram a tocar no assunto de antes de nós chegarmos, mas eu pude perceber o olhar preocupado deles –depois das palavras de Stefan, o silencio reinou por alguns segundos. Então foi a vez de Elena falar:
–Eu não vi minha mãe no dia do acidente. Ela havia saído mais cedo neste dia, mas meu pai estava em casa. Ele tomou o café da manhã comigo e com Jeremy normalmente. Não me lembro de tê-lo visto preocupado ou algo do tipo, mas ele sempre escondeu muito bem essas coisas... Lembro-me que um pouco antes dele sair para trabalhar, o telefone tocou e eu atendi. Era um homem, não me lembro o nome dele, mas me lembro que ele queria falar com minha mãe. Eu disse que ela não estava em casa e meu pai pediu o telefone para mim –ela hesitou por um momento, mas Stefan segurou sua mão, o que lhe deu forças para continuar a falar. –Depois de descobrir quem estava na linha, ele mandou eu e Jeremy subir para seus respectivos quartos. Ele não demonstrou preocupação em seu tom de voz, mas estava bem claro que ele não queria que eu ou Jeremy ouvíssemos a conversa.
–Não consegue lembrar o nome da pessoa com quem falou no telefone? –Stefan perguntou.
–Não –ela respondeu. –Sinto muito.
–Tudo bem –ele depositou mais um beijo na nuca de Elena.
Então ele simplesmente a abraçou e ela enterrou seu rosto no pescoço dele. Permaneceram assim por vários minutos, até Stefan ter uma idéia que poderia mudar de vez o relacionamento entre ele e Elena.
–Que tal se nós fizéssemos algumas pesquisas amanhã na biblioteca?
–Pode ser –ela respondeu sem se desencostar dele ou abrir os olhos.
.....
–Eu acho que nós devemos ir ver como ele estão –Caroline disse. –Estão demorando demais para sair de lá.
–Acha que eles não viram a chave? –Bonnie perguntou.
–Não só viram a chave, como Stefan saiu e voltou para lá com algumas sacolas –Lexi disse.
–Como você sabe? –Caroline perguntou.
–Eu o vi saindo da cozinha e voltando para a sala de música –foi Ryan quem respondeu a pergunta de Caroline.
–Talvez seja veneno que ele estivesse carregando –Bonnie disse.
–Não seja ridícula Bonnie- Lexi repreendeu-a. –Stefan não mataria Elena. Se fosse para ter um assassinato naquela sala, seria o de Stefan. Provavelmente ficaram com fome e Stefan foi pegar algo para comerem.
–Acha mesmo que eles se entenderam? –Caroline perguntou.
–Não sei, mas com certeza não estão mais brigando –Lexi respondeu.
–Mas eu ainda estou preocupada –Bonnie disse.
–Então vamos ver como eles estão –Ryan disse e assim todas assentiram e o seguiram para a sala de música.
.....
Stefan e Elena estavam sob brincadeiras, risos, conversas, beijos e caricias. Estavam ainda mais bêbados do que quando chegaram na sala, o que se podia logo ver pela falta do liquido que compunha a garrafa de vinho na mesma. Eles estavam realmente se divertindo, haviam resolvido deixar a parte de se odiarem para depois e curtir o momento. Eles combinaram de se encontrar no dia seguinte na biblioteca para pesquisarem sobre o acidente de seus pais, o que com certeza estaria registrado, já que seus pais eram os mais famosos médicos de Mistic Falls. Se encontrariam logo depois de fazerem canoagem, uma das atividades em que ambos se escreveram para praticar, graças ao grande poder de persuasão de seus respectivos amigos. Nunca, em anos eles haviam se dado tão bem quanto naquele momento, mesmo antes do acidente de seus pais.
–Eu me pergunto o que Damon diria se nos visse assim –Elena disse entre risos depois de Stefan contar a ela sobre a vez em que planejou jogar tinta em seu armário, mas havia falhado e a tinta estourou em sua própria mochila.
–Bem, ele diria: “Eu sabia que isso iria acontecer. Eu sempre sei de tudo e blá blá blá.” –Stefan disse imitando a voz do irmão.
–Eu mesma nunca imaginaria isso –ela confessou.
–Nem eu –ele disse.
–Estamos mesmo muito bêbados, não estamos?
–Hum... Sim, mas não o suficiente para esquecermos o que aconteceu aqui –ele disse.
–Eu não quero esquecer –ela disse com um sorriso no rosto. –Você quer?
–Vejamos- ele se mostrou pensativo. –Nós dois nunca nos demos bem em anos de convivência, então depois do ocorrido com nossos pais começamos a nos odiar mais ainda. Três anos se passaram de pura provocação e então, quando achávamos que tudo iria acabar, viemos parar aqui, nesta pousada, confinados durante toda as férias e, como se já não bastasse, nossos quartos são um em frente ao outro. Então brigamos mais uma vez e algo inesperado aconteceu, eu me arrependo muito por aquilo –ele disse se lembrando do ocorrido no quarto de Elena, ela sorriu e beijou-o na bochecha. –Enfim, nossos amigos resolveram nos pregar uma peça, arriscando a morte de um de nós –ele apontou para si mesmo e Elena riu corando por isso. –Depois de tudo, estamos aqui, juntinhos, tendo um ótimo momento e prestes a nos perdoar por tudo o que aconteceu e... Qual era mesmo a sua pergunta? –Elena riu pela brincadeira dele de esquecer o que ela havia falado.
–Se você quer esquecer o que aconteceu aqui hoje.
–Não. Eu não quero esquecer –ele olhou nos olhos dela. –Pelo contrário, eu quero que dure mais ainda –ela sorriu e ele a beijou. Então ouviram o barulho da porta se abrindo.
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