Give Me Love - O Pecado de Illéa
2 Fazendo Piquenique - Schreaves Não Gostam de Lágrimas
Woodwork e Schreave.
Quem diria?
– Lawrence Rosemary Amelie Tames Woodwork (talvez Schreave).
Ao meu lado, Louis segurava uma cesta de piquenique tamanho família, enquanto caçoava do meu nome ser composto cinco palavras. E, mais tarde, talvez seis.
– Sério? Lawrence Rosemary Amelie Ta. . .
Ele parou um pouco para respirar, apenas para dar ênfase no meu nome. Soltei um suspiro divertido.
– Tames Woodwork — concluiu.
Dei-lhe um tapa sem força no braço. Ele riu para mim e colocou a cesta no chão, ao lado da toalha em que nos sentávamos.
– Mas, falando sério, ele é enorme!
– Mamãe e papai não conseguiam se decidir. Podem me chamar de Rose ou Amelie, mas prefiro Lawrence.
– Está bem. Quer sanduíche, Amelie?
Quando vi, estava no seu colo lhe dando soquinhos fracos no rosto. Ele ria e dizia para eu sair daquela posição , pois: 1) os funcionários pensariam besteira e 2) ele estava totalmente excitado.
Sai e virei a cabeça, direcionando o meu olhar para o Palácio. Conhecia todos os seus cantos.
– Você está com raiva?
Uma coisa que sempre admirei em Louis foi seu jeito de ser cavalheiro. Lhe mostrei um sorriso.
– Ótimo.
Ele pegou a cesta, agora cheia de embalagens de produtos, e se levantou.
Me levantei também, passando as mãos na minha saia, e andamos um pouco pelo jardim.
– Você se lembra do dia em que o Príncipe da Alemanha chegou e. . . — ele perguntou e eu assenti antes de ele concluir a frase.
– E aí, bela rapariga? — perguntou o Príncipe, tentando fazer charme.
– Licença, por favor — respondi, tentando sair de perto daquele tarado.
– Não se preocupe. Você irá adorar minha visita.
– PAI! O ALEMÃO TÁ ME TARANDO!
Soltei um risinho de mofa.
– E da vez em que. . .
Ele continuava me lembrando de coisas idiotas que fizemos. Finalmente, perguntei:
– Por que está dizendo tudo isso?
Ele parou bruscamente e avaliou o que diria. Vi traços de tio Maxon em seus gestos.
– Dezenove anos, Lawrence.
– O quê?
– Dezenove. Mamãe e papai. Rainha e rei. Um programa denominado. . .
Quando finalmente entendi, virei-lhe as costas e comecei a andar até o palácio.
– Não fique assim! Você sabia que nosso "amor" não ia dar certo! — ele gritou, em um som que apenas eu escutasse.
Olhei para ele. Já estava sentido as lágrimas brotarem. Ele não gostava de ver eu chorar. Não sabia reagir.
– Você me convenceu, seu idiota!
– Não chora, por. . .
Escutei o som estalado e vi a marca vermelha que minha mão deixará em sua bochecha.
Dei-lhe um chute no meio das pernas e corri até a entrada, onde estavam os nossos pais e passei voando por America.
– Lawrence! — gritou. — O que foi?
– Pergunte ao seu filho, esse idiota!
Bati forte e tranquei a porta do meu quarto. Apertei a almofada da cama. Ela tinha o cheiro da colônia de Louis com o meu perfume. Um cheiro forte e rosas com avelã.
Chorei mais ainda. Tirei minha saia azul e troquei por um short jeans verde, enquanto me acomodava na cama.
Me inclinei um pouco para olhar pela janela. Papai apertava o pescoço de Louis, enquanto mamãe tentava acalmar-lo.
– O QUE VOCÊ FEZ COM A MINHA MENINA, SEU SAFADO?
Ri um pouco antes de desviar o olhar. Uma foto prendeu a minha atenção: eu e Louis abraçados, em um set de filmagem. Provavelmente o do Jornal Oficial.
Gritei e joguei a foto longe.
Você devia saber, Lawrence. Não ia dar certo. Ele é um Príncipe. Idiota.
– CALA A BOCA! — gritei para o nada, arfando, enquanto tentava deletar você-sabe-quem da minha mente.
Peguei um caderno empoeirado na estante. Meu diário quando tinha oito anos e achava que isso estava na moda.
Querido Diário,
Hoje eu finalmente e me transformei em uma mulher e. . .
Virei a página. Estava procurando o que eu escrevi quado começamos com tudo isso.
Querido Diário,
Eu nunca vou esquecer esse dia. Dois de abril de 2041. O dia em que Louis finalmente se declarou pra mim. E eu estou tão aliviada de finalmente termos nos declarado.
Eu sou uma criança, mas o tempo que estava escondendo isso era. . . 50% da minha infância. O tempo que eu escondia tudo.
Hoje, eu tenho onze anos. Daqui a oito terei dezenove, e Louis também.
Nos casaremos e serei coroada a Rainha de Illéa! Penso como mamãe e papai estarão orgulhosos de mim, tio Maxon agradecido por ser eu que vigiarei e cuidarei de Louis e tia America tendo certeza que farei seu filho feliz.
É o que eu espero.
Oito anos atrás era o que eu esperava. Eu e Louis nos casaríamos. Teríamos filhos e seríamos felizes.
Maldita Seleção. O pior, era que daqui a uma semana eu conhecia as vadias que disputariam a competição.
Senti leves batidas na porta.
– Entra.
Sabia que era dona Marlee.
– Tudo bem, filha?
Fiz um sinal positivo com os dedos.
– Não quer comer uma coisa? Você pode estar na TPM e. . .
Revirei os olhos. Mamãe entendeu o recado e foi embora.
– Eu só quero pensar.
[. . .]
UMA SEMANA DEPOIS
Me vi no espelho, tentando segurar as lágrimas para não desfazerem o trabalho que eu fiz na maquiagem, já que eu não tinha criadas.
Hoje era o dia em que eu conheceria as trinta e cinco garotas que competiriam pelo o coração do meu amado.
Alisei o meu vestido azul, a cor favorita do rapaz. Tinha o evitado a semana inteira, para não causarmos mais discussões.
Segurei o corrimão, enquanto encostava o bico fino dos saltos negros na escadaria fria. Me encaminhei ao set de filmagem, e me sentei ao lado de meus pais, que tinham o lugar próximo ao dos reis.
Silvia, a orientadora, mostrou um três com as mãos e acendeu a luz vermelha. Gravando.
– Boa noite, senhoras e senhores!
O hino e o brasão apareceram na tela. Aquela edição passará rápido. Todos queriam ver as vadias que queriam o meu amado.
Arrisquei olhar para Louis, que estava do lado de sua mãe. Senti as lágrimas se acumularem, e desviei o olhar.
– E agora, vamos conhecer as Selecionadas. . .
Prestei atenção no telão. Queria conhecer todas elas.
– Savannah Prince Oppheman.
Era uma loira de olhos azuis. Ela estava sem blusa, com apenas um colete cobrindo os seios e tinha uma tatuagem no rosto. Uma borboleta que passava pelo olhos esquerdo.
– Hanna Horan.
Era uma ruiva de olhos cinzas. Tinha um olhar hipnotizante. Sua beleza e a vocação para a realeza estavam evidentes. Talvez Louis escolhesse aquela.
– Marylin Pouilane.
Ela se parecia muito comigo. Desaprovei-a. Tive vontade de gritar. Passava a mão nos meus cabelos castanhos, tentando ter controle. Louis escolheria aquela. Se não podia ficar comigo, porque não com uma parecida?
O tempo se passou rápido.
– E essas são as trinta e cinco garotas! Desejo a sua sorte, príncipe!
A luz desligou. Caminhei rapidamente para o quarto, tirando o salto do meus pés e jogando para papai. Disse que iria dar uma volta.
Fui até o jardim. Péssima ideia. Lá era praticamente o santuário de meus encontros com Louis.
Caminhei, me sentando na parte seca da fonte onde ele me deu o anel que sempre usava.
Eu estava desesperada. Estava clichê. Como uma novela. Passei os meus pés sobre a água, me lembrando do encontro infame.
Me deitei na grama. Nossa história clichê não podia acabar assim.
E não vai!, gritei em minha mente.
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