Give Me Love - Cancelada!
29 Um novo começo.
Notas iniciais
Violetta’s POV
Suspirei pesadamente ao colocar minha segunda mala em cima do carrinho do aeroporto do Rio. Não acreditava que a viagem havia chegado ao fim. É claro que eu estava com saudades da minha mãe, de Tio Matias, Fran, Marco, Alex... E não menos importante, Leon. Mas Nova York era uma cidade que conseguia fazer com que tudo na sua vida brilhasse, mesmo que só restassem cinzas. Se um dia eu precisasse escolher uma cidade para morar fora do país, com certeza ali seria minha primeira opção.
As provas haviam sido boas e eu dei o meu melhor. Mesmo que eu passasse, não tinha possibilidades de eu continuar com o meu sonho, já que seria na época em que o bebê nasceria. Mas um dia eu iria estudar Letras e completar a faculdade dos meus sonhos, trabalhando na área que eu tanto amo.
Ajeitei minha bolsa em meus ombros e sai empurrando o carrinho para a saída do portão de desembarque, procurando minha família naquela multidão. Percebi que era uma Segunda-feira e que com certeza mamãe e Tio Matias não viriam, já que eles trabalhavam e não havia possibilidade de eles faltarem um dia sequer. Levantei os óculos escuros para o topo da minha cabeça, estreitando os olhos e procurando alguém que eu conhecesse.
– Violetta! – Ouvi o meu nome embolado no meio de tantas frases que eu ouvia pelas pessoas que estavam ao meu redor. Passei a procurar alguém meio que freneticamente, mas sem nunca conseguir achar ninguém – Eu estou aqui! Atrás de você!
Virei-me rapidamente para trás e vi que Leon estava ali, usando uma calça jeans, chinelos e uma camiseta simples. Ele estava com uma carinha de cansado e ao redor dos seus olhos existiam olheiras roxas e bastantes profundas. Só não sabia se era por causa dos estudos ou noites mal dormidas. Mas preferia deixar que o meu coração pensasse que era a falta que eu fiz.
Não perdi tempo e corri para o seu abraço, me aconchegando melhor ali. Era fato, não existia local no mundo que eu preferisse mais do que os braços de Leon. Até parecia que éramos como quebra-cabeças, peças únicas que se completavam plenamente de uma única forma e com apenas um ao outro para si. Aspirei o perfume que exalava do seu corpo e deixei-me levar pelas mais maravilhosas sensações que aqueles toques poderiam estar me proporcionando.
– Escuta – Me afastei ao lembrar da conversa mal resolvida no telefone enquanto eu estava viajando. Segurei no seu rosto com as duas mãos e olhei no fundo dos seus olhos, como se estivesse descobrindo todos os segredos do seu coração – O meu amor sempre será seu. Eu amo você, Leon! Amo você mais que tudo nessa vida.
Minha cabeça poderia estar longe da sua, mas os nossos corpos estavam mais colados do que nunca e eu podia sentir o seu coração batendo acelerado dentro dele. Isso não tinha preço. Eu não precisava de mais palavras... Só aqueles gestos afirmava o que eu sabia desde sempre. Eu era dele e ele era meu. E assim sempre seria!
Meu coração começou a entrar no ritmo do dele, fazendo com que nos aproximássemos mais e colássemos nossas testas. Sorrimos de forma terna. Eu o beijei. E como sentia falta daquele beijo! Do simples fato de estarmos compartilhando o mesmo sentimento, as mesmas carícias, sem se importar com o futuro ou com rótulos. Para nós, a única coisa que importava de fato, era compartilhar aquele amor que tanto explodia entre nós dois.
– Você sabe que eu não preciso falar mais nada, não é? – Leon falou com dificuldade após o beijo ter cessado por falta de fôlego. Notei que uma lágrima acumulou-se em seu olho e escorreu livremente pelo seu rosto lindo e cansado. Dei um beijo nela, cessando-a – Você sempre soube que eu te amei e que eu te amo.
Ficamos mais um tempo abraçados, apenas aproveitando a simples existência um do outro. Perdi a conta dos minutos que passamos ali, sem mover nenhum músculo, apenas sentindo o corpo um do outro e ouvindo a respiração desregulada que emanava de nós. Senti duas pessoas nos abraçando e abri os olhos automaticamente, assustada com a aproximação de corpos estranhos.
– Meu casal preferido! – Sorri ao ouvir a voz de Francesca e notei que a outra pessoa era Marco. Ela começou a gritar feito uma louca e senti meu rosto queimar de vergonha. Poxa, estávamos no meio de um aeroporto!
Nos separamos depois daquele momento de vergonha e fomos andando até o estacionamento, onde Marco estava com o carro do pai. Ele era o único que podia legalmente dirigir e como iríamos passar por muitas ruas com risco de blitz, era melhor não arriscar.
– Onde estamos indo? – Perguntei assim que passamos da entrada do condomínio em que morávamos. Pelo amor de Deus, eu preciso de um banho!
– Pra casa, ué – Leon respondeu sorrindo ao meu lado, enquanto fazia um carinho de leve na minha barriga que não havia crescido nada. Mas só o toque que Leon fazia em mim, parecia que borboletas estavam brotando de dentro.
– Casa? Mas acabamos de passar da entrada... – Contestei um pouco confusa. Fran virou o rosto pra trás e deu um sorriso cúmplice para Leon, o que me fez ficar mais curiosa do que já estava.
Ganhei o silêncio como resposta e passei a observar melhor as ruas em que estávamos passando, tentando lembrar se havia algum motivo para estarmos ali.
*
– Bem-vinda ao seu apartamento! – Leon falou sorrindo quando paramos em frente a um apartamento bem alto e bonito, de frente para a praia. Meu coração começou a bater de forma acelerada e algumas lágrimas se acumularam nos meus olhos. Eu sempre tive vontade de morar sozinha e agora o meu sonho estava realizando. E o melhor de tudo, agora eu tinha com quem compartilhar ele, com o meu filho ou minha filha.
– É sério? – Perguntei abobalhada assim que entramos na recepção do apartamento, entrando no elevador e seguindo para o andar da minha nova casa. Andar 15.
– Claro que é, amor! – Francesca falou dando pulinhos e me puxou para um abraço de tirar o fôlego – Prevejo muitas festas sendo realizadas aqui!
– Ei – Apontei o dedo pra ela assim que saímos do abraço – Minha casa não é cabaré não.
– Eu sei que não – Ela respondeu rindo e abraçou Marco de lado – Mas agora nós temos mais opções, ué.
As portas do elevador se abriram e nós entramos em um corredor amplo, bastante iluminado e com alguns jarros de flores e quadros em volta de algumas portas. Meu coração não se acalmava, parecia que eu ia levar um susto e acordar daquele sonho tão bom.
– Bem-vinda ao seu novo apartamento! – Leon falou aquela frase mais uma vez assim que abriu a porta. Meus olhos castanhos encontraram uma sala completamente linda, cheia de detalhes e toda mobiliada. Ali era perfeito! E ali era minha nova casa!
Marco puxou minha mala para dentro do apartamento e deixou ao lado da porta, para que depois eu pudesse organizar as minhas coisas. Eu estava maravilhada com tudo aquilo, porque era tudo muito limpo, organizado e perfeito. Parecia mesmo a organização da minha mãe, mas com alguns detalhes parecidos com os de Fran, eu tenho certeza.
Fomos à cozinha, área de serviço, a varanda que tinha uma vista linda para o mar, no quarto que seria do meu filho e por fim meu quarto, onde havia outro banheiro e um closet enorme, que já estava organizado com todas as minhas coisas.
– Amiga, foi você que organizou tudo isso? – Perguntei para Fran assim que entramos no closet e eu ter visto todas minhas roupas, bolsas, sapatos e acessórios organizados perfeitamente.
– Sim – Ela sorriu de forma terna e fixou o olhar em mim – Sua mãe foi quem mobiliou o apartamento, mas alguns detalhes acrescentados foram ideias minhas e a organização do closet também.
– Obrigada – A abracei com força, que retribuiu de bom grado – Está tudo tão lindo!
– Imagina minha “não-mais-loira” – Ela riu na última parte e pego na minha mão, levando-me de novo para o quarto, onde Marco e Leon estavam – Olha essa parte aqui.
Ela apontou para um dos criados-mudos que ficavam ao lado da cama perto da janela. Em cima havia um abajur e ao lado, vários porta-retratos coloridos. Em cada um deles tinha uma foto e assim seguia uma ordem cronológica: o primeiro era com o meu pai, o segundo com a minha mãe, o terceiro com Fran, Marco e Leon no dia que eu conheci os meus novos amigos, uma com Alex, uma com Fran, outra com Leon e a mais importante, uma foto do ultrassom do meu bebê.
– Que coisa mais linda – Senti os meus olhos se encherem de lágrimas e toquei em cada foto que existia ali, como se elas pudessem transmitir todo o amor que eu sentia por cada uma daquelas pessoas – Vocês são as melhores coisas que aconteceram na minha vida.
– Abraço coletivo! – Francesca gritou ao ouvir minhas palavras e todos começaram a me abraçar com força, fazendo com que caíssemos em cima da cama. As risadas contagiantes preenchiam o quarto, fazendo com que eu percebesse que nem o dinheiro do mundo todo poderia compensar aqueles momentos.
– Agora com licença que eu vou levar minha morena para um local especial e precisamos deixar o casal XX a sós – Marco falou com um sorrisinho nos lábios e puxou Fran pelo braço, encostando o seu corpo atrás do dela. Leon deu uma risada gostosa e Fran ergueu as sobrancelhas, esperando uma explicação vinda do namorado.
– O que vocês aprontaram Sr. Marco e Sr. Leon? – Francesca perguntou curiosa, saindo dos braços de Marco e o olhando fixamente. Os dois começaram a rir e eu fiquei mais curiosa ainda, talvez mais que Fran.
– Você saberá cara amiga Francesca — Leon respondeu ainda deitado na cama, erguendo as mangas longas da sua camisa mais pra cima.
– Pode deixar que quando eu descobrir eu te conto – Francesca deu um beijo na minha cabeça e na minha barriga, dando um beliscão na coxa de Leon em seguida – Sei que você está curiosa.
Confirmei com a cabeça e o casal saiu rindo, batendo a porta com força em seguida. Tenho certeza de que essa surpresa tem haver com sexo, já que os dois são uns safados mesmo. Fran faz o tipo de santinha que se transforma, eu tenho a maior certeza! Ri com meus pensamentos e neguei com a cabeça.
– Um beijo pelos seus pensamentos – Leon falou no meu ouvido depois de ter me puxado para deitar novamente ao seu lado. Senti seu coração batendo forte e isso fez com que o meu imitasse também.
– E desde quando você precisa disso pra ganhar um beijo meu? – Perguntei erguendo as sobrancelhas e ele sorriu safado – Suas cantadas já foram melhores, gato.
Leon riu gostosamente e ergueu um pouco o corpo, segurando na barra da minha blusa e levantando-a, deixando minha barriga a mostra.
– Filho ou filha, eu vou namorar com a sua mãe um pouquinho, tá? Não fica com ciúmes não! Ela também ama você... – Leon sussurrou no pé da minha barriga, depositando um beijo terno ali.
– Tem que pedir permissão agora, é? – Perguntei sorrindo assim que Leon voltou para o lugar onde estava com a diferença de nossos rostos estarem praticamente colados.
– Claro que tem – Ele sorriu com aquela cara que faz com que eu me derreta toda. Leon fez um carinho no meu rosto e depositou no meu pescoço vários selinhos, subindo por um caminho até chegar a minha boca. Iniciamos um beijo ardente, matando toda a saudade que nossos corpos sentiam um pelo outro.
Naquele momento, não existia rótulos. Não havíamos voltado, não estávamos namorando e muito menos noivando. Éramos apenas Violetta e Leon, dois jovens que se amavam e queriam um novo começo.
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