Give Me Love - Cancelada!
28 O meu amor sempre será só seu.
Notas iniciais
Violetta’s POV
Uma moça alta e loira sentou ao meu lado, alisando sua barriga que já estava em um estágio de gravidez avançada. Sorri ao vê-la, ela parecia tão feliz enquanto fazia carinho no seu bebê, que eu fiquei imaginando que dali a um tempo seria eu, prestes a ter o meu filho ou filha. Uma força invisível levou discretamente minha mão direita a minha barriga, que não havia mudado nada, e senti um amor que parecia em chamas.
– Oi, tudo bom? – Tentei conversar com a moça. Ela era nova, não tanto quanto eu, aparentava ter uns 24, 25 anos e tinha uma cara de simpática... Então não custa tentar, não é mesmo?
– Olá, tudo bom sim – Ela sorriu de maneira simpática. Eu havia acertado o meu palpite. Aquela moça era tão bonita, a pele branca contrastava com os seus olhos brilhosos e verdes, mas que pareciam esconder mais qualidades – E com você?
– Tudo ótimo – Sorri também e me ajeitei na poltrona, encarando seu rosto. Ela era realmente muito bonita – Você está grávida de uma menina ou menino? – Perguntei tentando não ser indiscreta. Tudo que eu menos queria era que eu ficasse conhecida como a “chata curiosa do avião.”
– É uma menina – Ela alisou um pouco mais a barriga e olhou para mim sorrindo, mais uma vez – Vai se chamar Clara.
– Tenho certeza que vai ser tão bonita quanto você – Sorri enquanto brincava com as pontas dos meus cabelos que eram o único traço de loiro que restara.
– Obrigada – Ela se ajeitou melhor na poltrona e parou de acariciar a barriga – Quando você engravidar vai ver o quanto é bom. É a melhor coisa da vida, sério mesmo! Acompanhar todos os ultrassons, presentes, chutes... É muito recompensador.
– É, bem... Eu estou grávida. De poucas semanas – Sorri envergonhada. As pessoas tinham muita discriminação de gravidez na adolescência, e eu não queria ser mais uma vítima dessa situação.
– Oh, me desculpe! – Ela se assustou e tocou minha barriga, fazendo um carinho – Vi você tão novinha... Sei que isso é bobagem. Tenho certeza de que seu filho ou filha vai ser muito amado, independente da idade que você for o ter.
– Não tem problema. Todos se assustam mesmo... Irresponsabilidade, né? Mas eu estou muito feliz. Acho que esse filho veio no momento certo, mesmo eu sendo tão nova. Parecia que eu precisava de algo pra renovar a vida, sabe?
– Eu sei como é... E você está cem por cento certa – Ela continuou com o sorriso no rosto enquanto me olhava – Quando nasce um bebê, a vida realmente renasce.
Ficamos conversando por horas e mais horas. Seu nome era Angeles, ela estava indo para Nova York comprar o resto do enxoval, já que lá tem muitas novidades e o preço é bastante acessível. Contei um pouco da minha história, mas sem entrar em muitos detalhes, antes que ela saísse dali chorando e pensando que eu era uma coitadinha. Eu passei por muitos problemas sim, principalmente em pouco tempo... Mas eu nunca desisti de mim mesma e sempre procurei contornar as situações. Isso não me fazia uma pobre coitada, e sim uma guerreira.
Quando não estávamos conversando ou dormindo, eu só tinha minha cabeça para uma única pessoa: Leon. Fazia poucas horas que eu havia o visto, mas a saudade já era maior que tudo e que todos. Eu sentia falta da sua preocupação, do seu carinho mesmo que estivesse reduzido e, principalmente, daquele olhar que fazia com que roubassem todo o oxigênio do meu mundo.
Eu o amava e era maravilhoso sentir aquilo. Era maravilhoso saber que eu também era correspondida.
*
Despedi-me de Angeles e trocamos elogios e felicitações. Minha viagem não foi tediosa por causa da sua companhia, já que ela tirou várias dúvidas minhas e ainda rimos muito com besteiras. Foi uma pessoa que realmente me fez esquecer os problemas, mesmo que por pouco tempo.
Desci do avião e fui pegar minha mala na esteira. Ela era pequena e leve, já que eu passar poucos dias, então não havia necessidade de levar o meu closet inteiro. Até porque eu não podia ficar carregando peso, já que chance de acontecer um aborto espontâneo era maior nos primeiros meses.
Coloquei a mala em cima de um carrinho de ferro e passei a empurra-lo, levando para o saguão do aeroporto, onde Carla havia me falado que estaria me esperando.
Atravessei as portas automáticas depois que mostrei meu passaporte para um policial e passei a andar e procurar Carla. Mas eu não achava nenhuma mulher da sua altura e nem com os seus cabelos longos e negros. Até que sinto algo me abraçando pelas pernas e quando olho rapidamente, meu coração amolece por inteiro. Era Liz.
– Princesa! – Me abaixei rapidamente e senti um início de tontura, mas a abracei do mesmo jeito. Ela havia crescido muito em poucos meses, já estava andando e os olhos estavam mais azuis do que meses atrás. Ela estava perfeita.
– Violetta, se levante, você não pode se abaixar desse jeito, mulher! – Carla chegou logo em seguida e tocou no meu ombro, para que eu visse que era ela.
Levantei-me sorridente e a tomei por um abraço. Desde o primeiro dia que nos conhecemos, Carla se mostrou uma pessoa muito dócil e simpática, como se irradiasse alegria por onde passava. Além de ser muito bonita, é claro. Acho que isso era de família...
– Estou tão feliz de ver vocês novamente! – Abracei Carla com mais intensidade e senti Liz nos abraçar pelas pernas mais uma vez. Aquela criança era um doce! Agora ela poderia ser minha sobrinha também... Eu acho
– Nós também! – Nos soltamos do abraço e Carla lançou aquele sorriso perfeito que já era característica dela – E agora você veio com o meu sobrinho ou sobrinha! Estou tão feliz por você... Mas que irresponsabilidade de vocês, hein mocinhos? Confesso que fiquei um pouco surpresa, vi vocês dois tão íntimos naquele dia lá na casa de papai e tia Maria e pensei que era besteira, mas eu sou lerda mesmo.
Ficamos rindo e conversando um pouco mais, enquanto Liz não largava minhas pernas. Contrariando os pedidos de Carla, a peguei no colo e a enchi de beijos. Sério, aquela garota era um amor! Esperava que o meu bebê fosse tão lindo e tão carinhoso como Liz.
Depois de matarmos um pouco a saudade, fomos em direção ao carro que estava no estacionamento do aeroporto. Carla informou que Noah trabalhava o dia inteiro, ia almoçar em casa e depois só voltava à noite. Eu não o conheço, mas ele parecia ser uma pessoa bastante simpática, estava ansiosa em conhecê-lo.
O aeroporto ficava um pouco longe do apartamento, já que eles moravam mais perto da área comercial de Nova York, perto da empresa de publicidade em que Noah era dono e trabalhava. Eu já havia vindo a esta cidade quando era pequena, mas parecia que eu havia voltado no tempo e todas as emoções de conhecer um lugar tão fantástico haviam aflorado pelo meu corpo. Isso era maravilhoso!
O apartamento de Carla era amplo. Possuía duas salas, três quartos, escritório... Era bastante acolhedor e muito bem decorado. Além de ter uma vista maravilhosa da varanda, já que os prédios altos e a correria do pessoal estavam encravados naquele lugar.
Tivemos um almoço bastante agradável. Arrumei as poucas coisas que eu trouxe no quarto de hospedes e decidi tomar um banho, já que eu precisava passar na Faculdade e assinar uns papéis de confirmação dos testes que eu faria nos próximos dois dias.
Tomei um banho e procurei uma roupa para vestir na minha mala. Não havia levado muitas opções, já que eu iria passar quatro dias e as pessoas de Nova York são muito rápidas, então tinha que ser algo bem prático. Optei por vestir uma calça jeans, uma blusa branca, sapatilhas e enrolei no meu pescoço um cachecol estampado que havia ganhado de Fran. Pendurei minha bolsa em meu ombro, colocando meu celular, carteira e um caderninho caso eu precisasse anotar alguma informação.
– Tá linda, Vilu! – Carla me elogiou quando cheguei à sala, para que finalmente pudéssemos sair. Ela iria levar Liz para a creche e depois iria trabalhar na empresa de Noah, já que ela também era publicitária. Os dois são perfeitos um pro outro.
– Obrigada – Sorri envergonhada. Eu não era acostumada a receber elogios de uma forma natural, eu sempre ficava feito um pimentão e tinha vontade de abrir um buraco na terra e enfiar minha cara lá.
Chegamos em pouco tempo na faculdade em que eu iria fazer as provas. A Faculdade de Letras mesmo localizava-se no Arizona, mas como Nova York seria um destino mais fácil para os outros concorrentes das vagas, ficou situado lá mesmo. Então o corpo de professores e a Diretoria precisaram viajar para lá. Vida difícil essa...
Carla ficou me esperando na recepção, enquanto eu peguei o elevador e subi até o andar onde eu fui encaminhada. Chegando lá, encontrei com uma mulher com aparência de uns 40 e poucos anos, baixa, com cabelos curtos e morenos. Ela estava com o emblema da FDLA (Faculdade de Letras do Arizona) no terno em que usava. Provavelmente ela seria a Diretora.
– Hello – Falei assim que cheguei perto dela. A mesma levantou o olhar de onde estavam alguns papéis e me encarou, sorrindo docemente – I’m Violetta Castillo.
– A brasileira? – Ela perguntou com um português muito ruim, mas muito ruim. Pelo menos ela estava falando a mesma língua que eu e isso era um pouco reconfortante.
– Sim – Sorri tentando ser simpática e ela me entrogou uns papéis, para que eu pudesse assinar. Li de maneira rápida e em seguida assinei em todos os cantos em branco, entregando as folhas para ela depois – Obrigada pela oportunidade.
– Nós vamos nos ver em breve, querida – Ela sorriu e pegou os papéis, colocando em uma pasta e guardando em uma gaveta da mesa ao lado.
– Ah, eu não tenho tanta certeza se eu vou passar... Tive uns problemas nesse ano e relaxei mais nos estudos extras – Falei sem graça. Aquela mulher depositava tanta confiança em mim, que aquilo me assustava de uma maneira ruim.
– Não estou falando da faculdade não... E sim da vida.
Quando ia contestar aquela frase dela, uma pessoa a chamou e ela me lançou um último sorriso, desaparecendo a passos largos dali.
*
O dia havia sido cansativo. Além de ter tido que ficar horas em uma poltrona do avião, eu havia andado um pouco com Carla no centro e depois fomos pegar Liz na creche, indo jantar em um restaurante com Noah. Mas eu estava feliz, mesmo que estivesse com muitas saudades do pessoal do Brasil. Falei com mamãe, tio Matias e Fran. Leon havia ido para a casa de Marco estudar para as recuperações e eu não pude falar com ele na hora e isso fez com que o meu coração diminuísse.
Quando chegamos em casa, tomei um banho e vesti meu pijama. Dei boa noite para todos da casa e me recolhi no meu quarto provisório. Liguei o ar-condicionado deixando em uma temperatura boa, liguei a televisão e fiquei me atualizando pelas redes sociais: Instagram, WhatsApp, Facebook, mesmo que meu celular estivesse com pouca carga de bateria.
Estava concentrada olhando as fotos no meu feed do Instagram, que me assustei ao senti o meu celular vibrar e depois meu coração pular quando vi o nome do contato no visor. Leon.
– Oi – Falei com uma voz meio trêmula. Eram incríveis as sensações que Leon despertava em mim, mesmo que a distância.
– Oi, linda – Ele falou de maneira rouca. O que fez meu coração bater cada vez mais forte. Droga Violetta, para de ser tão vulnerável a ele!
– Como você tá? – Fiz aquela pergunta idiota, pois fiquei um pouco sem graça. Eu e Leon sempre tivemos muito papo, mas diante dos últimos acontecimentos, parecia que eu havia voltado a ter 13 anos de idade e ter vergonha de falar cara a cara.
– Eu to bem... Passei o dia estudando lá no Marco para as Recs e só cheguei em casa agora. Estou exausto – Ele suspirou pesadamente assim que acabou de falar. Apostava que ele havia passado a mão no rosto naquele momento, pelo o que eu conheço dele – E você? E o nosso bebê?
– Nós estamos bem – Sorri ao ouvir aquelas palavras. “Nosso bebê.” Ele era nosso, apenas nosso. Assustei-me ao sentir meu celular vibrar e olhei no visor. 1% restante de bateria – Só estou com 1% de bateria, que droga.
– Coloca no carregador, ué.
– E a preguiça? – Falei rindo e me ajeitei na cama. Eu e Leon não havíamos voltado, mas pouco a pouco estávamos voltando a ter aquela confiança que sentíamos um pelo outro. Ele era meu e eu era dele. Isso nada destrói.
– Essa é a minha garota! – Ele falou rindo e em seguida um silêncio gostoso ficou no local. A única coisa que podia ser ouvida era nossas respirações.
– Leon? – Perguntei depois de um tempo em silêncio.
– Sim?
– Pensei que você tinha desligado... – Falei sorrindo. Ele ainda estava ali. Sempre estaria!
– Nunca – Pude o sentir sorrir do outro lado da linha – É porque eu gosto de ouvir sua respiração enquanto você está em silêncio... Ela me passa uma tranquilidade absurda.
– Eu também gosto de ouvir a sua... Parece até que eu estou sentindo o seu perfume aqui do meu lado – Confessei ficando cada vez mais vermelha. Ainda bem que ele não poderia me ver naquele momento.
– Violetta, você sabe que o meu amor sempre será só seu, não sabe? – Leon perguntou com uma voz meio séria. Meu sorriso se alargou naquele momento e meu coração se aqueceu.
– Eu s...
De repente o meu celular vibrou e a ligação caiu. Aquela merda havia descarregado! Justo na hora em que a conversa estava ficando mais... Intensa. Eu só esperava que Leon também soubesse que o meu amor era apenas dele. E assim seria por toda a eternidade.
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