Give Me Love - Cancelada!
20 Eu te amo.
Notas iniciais
Violetta’s POV
Acordei naquela manhã com uma puta de uma dor de cabeça. Tudo bem que os carinhos de Fran me fizeram muito bem, principalmente com as doces palavras dela que me acalmaram de um jeito incrível. Mas mesmo assim, as cenas de ontem à noite ainda me perturbavam tenebrosamente, deixando-me com uma cara nada simpática.
– Aconteceu alguma coisa, amiga? – Perguntei ao olhar o jeito em que Francesca dobrava os seus lençóis. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo meio solto e seus braços se mexiam automaticamente, como se sua mente estivesse em outro lugar, menos naquela barraca.
– Eu não posso mentir pra você – Ela me encarou com aqueles olhos penetrantes e tirou alguns fios soltos da frente do seu rosto – Leon veio te procurar hoje mais cedo, há uns vinte minutos atrás. Eu falei que ele não podia, porque você estava dormindo e também não arriscaria de ele te falar outras merdas. Ah, depois eu dei uma tapa na cara dele.
Um sorriso se formou pelo meu rosto pálido, sem vida e inchado. Francesca era muito engraçada, principalmente se tratando dos seus amigos. Ela era simplesmente incrível. Mas confesso que uma alegria, não bem-vinda, aflorou pelo meu corpo ao saber que Leon havia me procurado para conversar.
– Você é ótima! – Sorri – Mas... Como é que ele estava? Ainda bêbado?
– Eu sei, tá? – Ela sorriu e depositou um beijinho em cada ombro seu – Tirando a cara de sono, o bafo de bebida e o tanquinho dele muito gostoso por sinal, Leon estava sóbrio.
– Ei aquele tanquinho é meu! – Ri enquanto jogava o meu travesseiro no rosto de Fran. Mas parei repentinamente ao ouvir minha própria frase – Ou melhor, era... Nem sei mais.
– Ele ainda é seu, Vilu. Vocês só precisam conversar civilizadamente — Ela frisou a última parte – Não agora, até porque os dois estão com as cabeças quentes. Quando vocês voltarem para casa, aí sim vocês conversam.
– Você tem razão.
Tirei meu casaco, a regata e o short que eu estava usando, ficando só de calcinha e sutiã. Peguei minha bolsa e procurei algo leve para vestir. Hoje não faríamos nenhuma trilha ou caminhada, apenas uma aula com o biólogo do acampamento na Cabana Central, pela Glória do Senhor.
– Já entendi o porquê que o Leon não conseguiu se controlar – Fran falou repentinamente enquanto olhava para mim. Franzi a testa e induzi-a a continuar a falar – Porque você é muito gostosa, Violetta! – Ela exclamou apontando para o meu corpo e nós duas começamos a rir – Opa, isso soou meio lésbico.
– Cala essa boca, Reys! – Baguncei os seus cabelos e ela continuou a rir – Como se você não fosse gostosa também.
– Eu não sou.
– Vou fazer essa pergunta para o Marco, tenho certeza que a resposta será bem diferente mocinha.
– Você não presta cachorra!
– Você também não.
Ficamos rindo e conversando naquele início de manhã. Finalmente achei um vestidinho azul claro com rendas e bastante fresquinho. Os roxos no meu braço já estavam bem claros, mas não havia problema de alguém desconfiar, já que muitas pessoas se machucaram na trilha do dia anterior, então tudo estava sob controle.
Fomos para a Cabana Central onde a aula de Biologia seria dada. Ficamos divididos em grupos de quatro e para a minha infelicidade, quem escolheria os integrantes era o professor. Vocês já devem imaginar em que grupo eu fiquei, não é mesmo? Leon, Alex e Larissa faziam parte dele, eu sei que eu sou muito sortuda, eu sei. Um era meu amigo e, segundo boatos, ele estava afim de mim. O outro era o meu ficante/namorado bêbado que havia me “estuprado” na noite passada. E fechando o ciclo maravilhoso estava a puta da garota que sabia da minha relação com Leon. Ô maravilha!
Meu grupo ficou responsável por coletar vários tipos de vegetação na área da praia e depois pesquisa-las e estuda-las. Fomos nós quatro para a praia. Leon não desgrudava os olhos de mim e eu tentava a todo custo não olhar para o seu rosto, onde aqueles olhos verdes sedutores moravam. Alex e Larissa ficaram conversando sobre as regras do “desafio” e se afastaram de mim e Leon, nos deixando a sós.
– Violetta, eu... – Leon começou a falar quando se aproximou bastante de mim. Automaticamente eu coloquei um dedo em sua boca e não deixei ele terminar a frase.
– Acho que não devíamos falar sobre isso, não hoje – Disse assim que tirei os meus dedos dos seus lábios. Como eles eram macios, e uma vontade repentina de tê-los colados aos meus era tomada pelo meu corpo. Foco Violetta, foco!
– Eu não posso esperar, não mais! – Ele gritou levantando os braços. Era claro em seu olhar que ele estava arrependido pelo o que ele fez e que não havia maldade nenhuma nos seus atos da noite passada. Mas aquilo ainda me consumia devagar, fazendo com que eu sofresse o máximo possível.
– Não pode mais esperar o que? – Perguntei olhando naqueles olhos incríveis. Ele se aproximou mais de mim e sorriu de um jeito torto, fazendo com que meu equilíbrio perdesse um pouco o foco, deixando-me com as pernas trêmulas.
– Pra dizer o quanto eu te amo. Pra te falar em como eu te desejo todos os dias nos meus braços, vendo seu rosto de sono assim que acordamos pela manhã. Quero te levar ao cinema não como irmãos, mas como namorados. Quero pensar junto com você sobre nosso futuro, nos planos de nos casarmos e ter filhos. Eu nunca pensei isso com ninguém Vilu, até te conhecer – Leon soltou aquelas palavras segurando a minha cintura, como se estivesse me impedindo de cair. E era assim que eu me sentia quando estava em seus braços. Eu me sentia segura, como se nada pudesse me atingir ou me ferir.
– Não é justo... – Sussurrei aquelas palavras com um peso inigualável em meu coração.
– O que não é justo? – Ele perguntou transbordando inquietação dos seus olhos.
– Não é justo você falar que me ama nesse momento – Suspirei profundamente e o encarei – Porque eu vou ser obrigada a falar que eu também te amo, o que é verdade. Não é justo nos apaixonarmos nessa situação complicada e familiar que temos. Não é justo, não é...
– Mas eu quero enfrentar todas essas injustiças com você! Eu quero provar que eu sou o homem da sua vida e não aquele babaca que fez aquilo ontem. Eu amo você, entendeu? VIOLETTA CASTILLO, EU AMO VOCÊ! – Leon começou a gritar e notei que os seus olhos estavam cheios de lágrimas, assim como os meus. Meu corpo estava dividido. Minhas lágrimas eram de tristeza e alegria. Alegria por saber que o meu amor era correspondido. Tristeza por achar que aquilo não era certo e nem saudável, pelo menos não naquele momento, nas circunstancias que nos encontrávamos.
– Não fala isso, por favor.
– Porque eu não posso falar isso? – Leon perguntou confuso se afastando um pouco de mim. Eu tentava não olhar nos seus olhos, mas estava muito difícil.
– Porque não podemos ficar juntos, não agora... – Aquelas palavras me corriam por inteiro. Parecia que uma faca havia entrando em mim e me cortava lentamente, fazendo com que o sofrimento aumentasse.
– Como assim não podemos ficar juntos? – Ele perguntou com um riso irônico – Você falar de assumir para os nossos pais, não é?
– Não Leon... Eu falo até de maneira escondida. Eu preciso de um tempo para pensar sobre tudo. Sobre mim, sobre você, enfim, sobre nós – Sussurrei e senti que as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto cansado. Olhei para Leon e sua visão estava comprometida pelas inúmeras lágrimas que estavam acumuladas em seu rosto, mas que não desciam.
– Não, isso não pode ser verdade! – Ele sorriu e voltou a se aproximar de mim, colocando as mãos em meu rosto e olhando no fundo dos meus olhos. Pude ver o meu rosto no reflexo de sua pupila – Você não me ama, Violetta? É isso? Você não me ama...
– Claro que não, Leon! – Toquei em suas mãos e as afastei delicadamente – Eu amo muito você, de uma maneira que chega a machucar! Mas eu preciso de um tempo, um tempo pra pensar. Me respeita, por favor.
Virei o meu corpo ao terminar de falar, eu não conseguia olhar em seu rosto e não correr para enxugar aquelas lágrimas acumuladas. Eu estava me controlando para não virar e abraçá-lo, beijá-lo, tocá-lo até me cansar.
– Eu não entendo... Mas só fique sabendo que eu te amo! Você é alguém que vale a pena lutar. Não sei como, quando ou onde, mas você vai ser minha por completo. E eu vou poder gritar pra todo mundo ouvir, eu vou...
Aquelas palavras me atingiram de uma maneira surpreendente, fazendo com que o meu peito doesse mais que o normal. Como alguém podia amar tanto uma pessoa assim? Não sei. Só sei que Leon um dia seria meu por completo. E eu também poderei gritar pra todo mundo ouvir, eu poderei... Um dia.
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