Notas iniciais
História se passa depois da guerra. Eu gosto de imaginar que eles estão até com as roupas do filme The Last, inclusive huahauahau. Como disse antes, tem insinuação (MUITA insinuação) ShikaTema, porque OTP é OTP, não dá pra fugir. Tem um pouquinho de NaruHina e -pasmem- SasuSaku (e provavelmente isso é o máximo deles que vocês encontrarão em histórias minhas, então aproveitem kkkkk). Serão 3 capítulos ao todo e eles ficaram um pouco... grandes, eu acho, me desculpem por isso, mas não achei que ia ficar legal dividir mais.Por fim: boa leitura! Espero que gostem *apreensiva*.

Oh, give me love...

§

— Soube da novidade? — Sakura perguntou para Ino quando adentrou a floricultura Yamanaka naquela tarde.

— Depende. Se for sobre o Naruto estar no hospital, isso não é nenhuma novidade. — Naruto sempre estava no hospital, afinal.

— Não é isso! — A rosada bufou. Ela fora até ali com o intuito de comprar algumas flores para levar para o Uzumaki. Naruto não havia sofrido nada sério, apenas treinara além do limite e ficara exausto sem chakra. Sakura havia recomendado a ele passar a noite internado no hospital, para estar completamente recuperado nos próximos dias, afinal ele tinha algo extremamente importante a caminho. Tinha que estar pronto para dar o máximo de si.

— Então é o Chouji que está no hospital também? Eu disse que ele havia exagerado no churrasco de ontem, mas aquele idiota nunca me ouve...

— Não é nada disso. — Sakura disse, cerrando os olhos e esboçando um sorriso presunçoso para a eterna rival. — Então quer dizer que você não sabe? Interessante.

Ino olhou para a Haruno, vermelha de raiva.

— Vai me dizer logo ou vai só ficar me provocando?

Sakura riu abertamente da expressão da outra.

— Bom estar ciente de que sei das coisas antes de você. — A Yamanaka já ia retrucar, mas ela fora mais rápida. — O Kazekage chegou para ver a final do exame chunnin.

Ino abriu a boca em surpresa. Aquilo sim era novidade! Ela não via Sabaku no Gaara desde... bem, desde que terminara a guerra! Havia passado um bom tempo desde então.

— Ele nunca veio antes para acompanhar o exame chunnin, por que o interesse agora?

— Bem, provavelmente por causa do Naruto. — Sakura respondeu. — Você sabe como os dois são amigos.

Naruto finalmente estava realizando o exame chunnin e acabara de passar para a terceira fase, que aconteceria dentro de alguns dias. Parecia estupidez ele ter que passar por tudo aquilo, visto que já era quase um adulto e já havia provado seu valor quando salvou a todos na invasão da Akatsuki, e posteriormente na guerra. Mas aparentemente Tsunade não estava nem um pouco interessada naquilo tudo, e o Uzumaki provocando-a chamando a Hokage de velha o tempo todo não ajudou muito na situação.

— Uhn... Parece que a vila vai ficar bem movimentada esses dias então. — Foi tudo o que Ino respondeu, com um ar pensativo. Ela nunca havia conversado de fato com o Kazekage... na verdade, dos irmãos da areia, a única pessoa com quem mantinha um pouco de contato era Temari, e mesmo assim não é como se fossem amigas, apenas trocaram algumas palavras e nada mais. E os outros dois irmãos eram assustadores o suficiente para ela preferir manter distância. Embora tinha que admitir internamente que Gaara, apesar de frio e assustador, era bastante bonito.

— Oi, Ino, está aí? — Sakura ergueu a mão em frente ao rosto da loira, que despertou de seus pensamentos, assustada.

— O que? O que foi?

— No que estava pensando hein? Estou te chamando a um tempão! Preciso de ajuda com a flor que vou comprar para o idiota do Naruto.

Ino esboçou um sorriso provocante.

— Nada demais, estava pensando apenas no que Sasuke-kun irá achar sobre você dando flores para o Naruto... —O olhar que Sakura lhe lançou a fez erguer os braços em forma de rendição. — Certo, foi mal! Não está mais aqui quem falou! Até por que, não acho que Naruto iria trair a Hinata com uma grande testuda, não é mesmo?

— Cala a boca, Ino porca! — A rosada exclamou com a face vermelha, de raiva ou vergonha Ino não sabia dizer. — Agora vem logo e me ajuda aqui, porque tenho que voltar para o hospital antes que percebam que eu saí!

— Certo, certo... — Murmurou a outra, atravessando o balcão e indo socorrer a amiga.

Depois de brincadeiras, sugerindo Sakura de levar uma rosa (flor dos apaixonados), elas finalmente escolheram uma flor, optando por um pequeno e simples lírio. Ino fez um singelo embrulho e entregou para a amiga.

Antes que Sakura pudesse agradecer, ouviram o som do sino da porta. Shikamaru, com uma cara entediada, adentrava a floricultura a passos lentos – e depois de visualizar Sakura junto com Ino – temerosos. Ele sabia que não era bom sinal quando as duas se juntavam, e naquele momento só torcia para não brigarem e principalmente: não sobrar nada para ele!

O Nara murmurou algo que soava como um cumprimento, sendo retribuído pelas duas kunoichis, que olhavam curiosas para o moreno.

— O que veio fazer aqui? Algum problema? — Ino perguntou. Shikamaru nunca ia até a floricultura. Quando precisava falar com ela ou dar algum recado de seus pais, geralmente ia diretamente à casa da amiga.

Mas o que realmente despertou a curiosidade dela e de Sakura (que havia esquecido que estava com pressa) foi que o Nara parou no meio do caminho, coçou a cabeça e desviou os olhos para algum ponto entre as flores em um canto, parecendo sem jeito.

— Vim comprar algumas flores... — Disse ele, ainda sem olhar para nenhuma das duas. Ele sabia que corria o risco de encontrar Ino na floricultura quando teve a brilhante ideia de comprar flores, mas torcia para que estivesse somente a mãe da loira lá.

E pelo visto agora estava ferrado. Que problemático.

— E para quem seria? — Ino perguntou, sorrindo de forma maliciosa, sendo acompanhada por Sakura.

Não disse? Ferrado. Completamente.

— Tsc... não interessa. Vai me ajudar ou não?

— Com prazer! — Ela sorriu de orelha a orelha e Shikamaru, de alguma forma, sabia que aquela conversa não estava terminada. De jeito nenhum. Não que ele fosse dar alguma satisfação à companheira de time de qualquer forma. Ah, aquilo era tudo muito problemático.

A Yamanaka ia mostrando as flores ao moreno... que não entendia completamente nada daquilo e começava a se arrepender profundamente da maldita hora que resolvera pisar naquele lugar.

— O que acha dessas? — Ela perguntou, apontando para as rosas vermelhas, arqueando o cenho. — Tenho certeza que ela irá gostar. É uma flor bem romântica...

Shikamaru corou.

— Tanto faz, só embrulhe logo isso. — Ino sorriu com a resposta, começando a arrumar um belo buquê para o amigo.

Sakura ainda estava parada, em frente ao balcão, perto da amiga. Ela segurava a sua flor e observava com um ar divertido a situação.

— Aqui está! — A Yamanaka entregou o buquê de rosas para Shikamaru.

— Obrigado. — Ele agradeceu rapidamente, entregando o dinheiro à loira e se virando, andando a passos largos até a saída da floricultura.

— Shikamaru! — Ino chamou, fazendo-o parar, ainda de costas para elas. — Espero que a Temari-san goste do buquê!

— Ah e mande um “oi” para ela por mim! — Sakura emendou, sorrindo juntamente com a amiga.

O Nara congelou em seu lugar por alguns instantes sem se virar para encará-las, mas logo depois retomou seus passos, se dirigindo a porta do estabelecimento, com a face enrubescida e murmurando o quanto aquelas kunoichis eram problemáticas.

— E eles acham que conseguem enganar alguém... — Murmurou Ino, balançando a cabeça.

— Francamente, até o Naruto já sabe daqueles dois. — Sakura ainda sorria. — Bem, vou indo. Ainda tenho muito trabalho no hospital, se enrolar mais a Tsunade-sama vai me matar!

As duas se despediram e Ino voltou para detrás do balcão, pensativa com as novidades daquele dia.

Exame Chunnin... Naruto...

Kazekage.

Ela se lembrava da primeira vez que participou do exame chunnin, foi a primeira vez que viu Sabaku no Gaara também. Segundo os amigos, naquela época ele era violento e sanguinário. Ino se lembrava de como o ruivo quase matara o amigo Rock Lee durante as preliminares do exame. Além do mais, ficara sabendo que mais tarde até mesmo Sakura quase fora morta por ele.

Segundo a amiga rosada, o Kazekage havia mudado a partir de então. Ser derrotado logo pelo Naruto o havia feito mudar seus conceitos e perceber que suas atitudes estavam erradas. Assim como havia acontecido com Neji quando também perdeu para o Uzumaki.

Mas apesar de tudo, apesar de Gaara sempre estar presente na vida de seus amigos, especialmente os do time sete, Ino e ele nunca haviam trocado uma mísera palavra. Eles nem se viam muito e para falar a verdade ela duvidava que ele sequer soubesse seu nome.

Provavelmente se lembraria dela como “a menina maluca que cortou o cabelo no meio do exame chunnin”, o que seria trágico, para não falar vergonhoso.

Ino suspirou. Não é como se devesse se importar realmente com aquilo. Nem sabia por que estava pensando em todas aquelas coisas. Ela nem ao menos o conhecia direito.

Era melhor parar de pensar demais e voltar ao trabalho.

Este por sua vez, estava cada vez mais tedioso. As horas correram de forma lenta, sem muitas perturbações e sem mais nenhuma visita de amigos, apenas alguns cidadãos querendo comprar flores, mas nada demais.

Sua mãe apareceu para lhe ajudar mais cedo, mas fora embora para preparar o jantar, alegando que havia convidado Nara Yoshino para lhe fazer companhia. Agora que ambas as mulheres perderam os maridos na guerra, estavam mais unidas do que nunca. Ino não reclamava daquilo, ficava feliz por sua mãe estar aos poucos conseguindo superar a perda difícil, assim como a mãe de Shikamaru também. De certa forma, ambas consolavam uma a outra.

A noite já havia caído quando Ino decidiu que era hora de fechar. Não apareceria mais nenhum cliente àquela hora e ela estava cansada demais para continuar ali.

Ela andava a passos lentos até sua casa, não estava realmente com pressa para falar a verdade. E sua mente ainda vagava longe, distraída nos acontecimentos do dia.

Provavelmente por isso a kunoichi não notou, ao dobrar a rua, que havia alguém logo a sua frente. Seu corpo imediatamente se chocou com o outro, e se não fosse por uma mão segurando-lhe o braço, certamente ela iria ao chão.

— Ei, olha por onde anda! — Reclamou em alto e bom som, mesmo sabendo que a culpa era inteiramente dela. Ino se surpreendeu quando encontrou os olhos penetrantes e frios do Kazekage de Suna lhe encarando enquanto segurava seu braço, impedindo-a de cair. O contato de sua mão contra a pele dela era gelada, o que a fez sentir um leve arrepio.

E, bem, lá estavam suas primeiras palavras dirigidas a Sabaku no Gaara. Não era bem aquilo que ela planejava. Agora podia dar adeus à boa primeira impressão que queria passar.

— Você se machucou? — Perguntou o ruivo, ignorando completamente o que Ino havia dito. Ele a olhava com a face séria e sem nenhuma reação, embora sua voz soasse um pouco preocupada.

— Estou bem. Só estava distraída. — Murmurou, se erguendo e fazendo uma careta, ainda um pouco constrangida.

Ela fitou Gaara, mas ele não disse nada, logo deixando o silêncio invadir o ambiente entre eles, deixando-a um pouco incomodada. Porém antes que pudesse dizer alguma coisa, algo como “estou indo, até logo”, foi interrompida por outra voz logo atrás de Gaara.

— Ei, você não é aquela garota maluca que cortou o cabelo no exame chunnin? — Kankuro se aproximou deles, olhando de forma curiosa para Ino.

— Modos, Kankuro. — Gaara repreendeu o irmão, que apenas fez uma careta em resposta.

— Sim, sou eu. Yamanaka Ino. — Disse um pouco a contragosto. Ela sabia que os irmãos de Suna só se lembravam dela por conta daquele episódio que definitivamente não fora o melhor momento de sua vida.

— Interessante. — Kankuro sorriu, o que a fez ter vontade de se encolher um pouco. Fala sério, aquela maquiagem no rosto dele o deixava muito estranho! — O que faz aqui sozinha à noite?

— Estou voltando para casa. — Respondeu simplesmente, já achando aquela conversa toda bastante entediante. — E se não se importam, vou indo.

— Eu te acompanho! — O Sabaku mais velho foi logo falando, sorridente, e ela poderia jurar que certamente tinha segundas intenções naquilo. Ino estava pronta para negar sua companhia, mas Gaara fora mais rápido.

— Não. — Certo, aquilo a surpreendeu, mas logo o ruivo se pôs a explicar, da mesma maneira séria e impassível. — Vá buscar o nosso jantar. Temari desapareceu e nem faço ideia de quando ela irá voltar, não precisamos esperar por ela.

Claro que Temari tinha sumido. E a Yamanaka sabia muito bem onde ela poderia ser encontrada...

Ino colocou a mão na boca, segurando o riso.

— Algum problema? — Gaara voltou sua atenção a ela, não entendendo sua reação, assim como Kankuro que olhou confuso.

— Ah nada demais, apenas pensando que meu amigo Shikamaru deve estar bastante ocupado agora... — Ela respondeu de forma vaga, mas aparentemente foi o suficiente para o Kazekage entender.

Ele suspirou.

— Era o que eu imaginava.

— Ahn? Como assim? — Kankuro pelo visto ainda estava perdido. Bem, ela é que não iria esclarecer as coisas para o ninja.

— Não é nada, apenas faça o que eu disse. — Gaara falou. — Eu acompanho a Yamanaka.

Kankuro confirmou com a cabeça, enquanto Ino abriu a boca um tanto surpresa.

— Sabe, não precisa se incomodar. Eu sou distraída, mas não tanto! Posso voltar muito bem sozinha. — Ela dizia, mas em vão, visto que o ruivo ignorava por completo sua ladainha e se postara ao seu lado, pronto para acompanhá-la até a sua casa.

Eles então começaram a andar, o silêncio invadindo os dois durante todo o trajeto.

Honestamente, Ino estava incomodada. Ela nunca havia conversado com ele antes, Gaara nem ao menos a conhecia. Ino não sabia exatamente como agir diante da presença dele, era simplesmente desconfortável. E por mais que ele fosse o tão importante Kazekage de Suna, a Yamanaka tinha que admitir que não estava sendo uma companhia tão agradável assim, agindo de modo todo calado e parecendo estar em outro mundo.

Ino olhou de esguelha para o ruivo, que parecia distraído, olhando para frente.

Ela suspirou.

Apesar de ele estar sério e calado, tinha que admitir também que Gaara era bem cavalheiro, acompanhando-a até a porta de sua casa a noite. É claro ele que só poderia estar fazendo isso por puro cavalheirismo, sem segundas intenções, como pareceu soar quando Kankuro se ofereceu para acompanhá-la. Mesmo ambos sendo irmãos, era notável a diferença entre eles.

Mas aquele clima entre ela e o ruivo estava a irritando.

Talvez a culpa fosse daquele silêncio todo. Ino não suportava silêncio.

Ou talvez a culpa fosse que com o silêncio entre eles, ela podia ouvir com mais clareza seu coração batendo de forma um pouco descompassada diante da presença imponente do Kazekage ao seu lado. Não por ele ser somente um Kazekage, mas sim por ele ser o Kage mais gostoso que ela já havia visto. Os anos fizeram bem para o ruivo, sem dúvida. E pensar nisso fazia seu coração bater mais forte ainda.

Argh, não!

Definitivamente a culpa daquele clima todo era somente do silêncio desconfortável. Nada de coração batendo de forma estranha. Aquilo era somente coisa de sua cabeça.

Ao menos era o que a loira acreditaria.

— Sabe, para alguém que se ofereceu para me acompanhar, você deveria ao menos iniciar uma conversa comigo ou algo do tipo. — falou, contrariada. Ah, Ino nunca conseguia ficar calada, ainda mais quando algo a incomodava. — Com esse silêncio parece até que estamos indo para um velório!

Ela mordeu os lábios, nervosa com a resposta que viria do Kazekage.

Com o canto do olho Gaara a observou, porém permaneceu em silêncio por mais um tempo, antes de finalmente dizer algo.

— Eu não sou muito bom em iniciar conversas. — O que não deixava de ser verdade. Gaara possuía aquele jeito sério e extremamente calado desde muito tempo. Provavelmente por ter uma infância tão solitária, acabou se acostumando com isso. — Desculpe. — Acrescentou rapidamente para Ino, não queria magoar a garota. Se bem que ela já parecia bem irritada. Fato este que não passou despercebido por ele, afinal nenhuma garota ficava assim em sua presença... bem, exceto Temari, mas ela era sua irmã.

Ino bufou, não muito satisfeita com a resposta, mas agora não importava mais de qualquer forma.

— Chegamos. — Ela anunciou, parando em frente a uma bela casa, rodeada de flores. Era evidente que aquela propriedade pertencia aos Yamanaka. — Obrigada por me acompanhar. — Agradeceu, um pouco desconcertada, deixando a irritação de lado.

— Certo, boa noite. — Gaara disse seriamente, embora não parecesse de forma desagradável. Ele se virou de costas para Ino e retomou seu caminho para o hotel.

A loira acompanhou com o olhar enquanto Gaara se afastava, até finalmente virar uma rua e desaparecer de sua vista.

Ela suspirou, se virando e adentrando sua casa. E enquanto se jogava em sua cama, depois de cumprimentar sua mãe, a única coisa que a Yamanaka pensava era por que diabos ela estava se sentindo tão estranha.

§

— Por onde você andava? E que buquê é esse?

— Não é da sua conta, Kankuro. — Temari respondeu secamente para o irmão, lhe lançando um olhar nada amigável e se sentando confortavelmente no sofá em frente ao mesmo, com um buquê de rosas em suas mãos. — Onde está o Gaara?

— Foi acompanhar aquela tal de Yamanaka até a casa dela. — Disse, cruzando os braços parecendo insatisfeito. — Enquanto eu tive que sair para comprar alguma coisa para comer, já que certo alguém desapareceu do hotel.

— Yamanaka Ino? Interessante. — A loira disse, ignorando a indireta de Kankuro. Ela sabia que ele queria descobrir a todo custo o que ela estava fazendo. Kankuro era irritantemente curioso. Mas deixando isso de lado, Temari ficou um pouco surpresa por saber que seu irmão mais novo resolvera levar Ino até a casa dela.

Será que...?

— O que está pensando? Você está fazendo uma cara estranha e feia. Digo, mais feia do que o normal.

— Tsc, cale a boca. — Falou irritada, mas depois se virou esboçando um sorriso para Kankuro. — Será que Gaara a achou atraente? Seria interessante se ele começasse a sair com ela e...

— O Gaara?! — O outro interrompeu, gargalhando. — Temari, eu nunca na vida vi Gaara se interessar por mulher nenhuma! E olha que ele teve bastante oportunidade, a Matsuri praticamente se rasteja para cima dele, assim como a maioria das mulheres de Suna, você sabe. Sortudo...

Temari suspirou, passando a mão no rosto.

— Então será que ele é...

— Gay? — Interrompeu novamente.

— Eu ia dizer assexuado, mas gay também serve.

— Bem, são duas teorias interessantes. — Foi tudo o que Kankuro disse, coçando a cabeça, pensativo.

Os dois se olharam com um ar determinado pairando entre eles.

— Está disposta a descobrir?

— Tirou as palavras da minha boca.

Porém antes que pudessem planejar alguma coisa para o pobre Kazekage, o mesmo abriu a porta, adentrando o local.

— Ah, Temari, você voltou. — Foi tudo o que ele disse ao cruzar a porta, deixando seus sapatos na entrada.

— Sim, acabei perdendo a hora e me atrasando, desculpe.

Gaara balançou a cabeça, sem se importar. — Vamos jantar.

— Espera, espera um pouco! — Kankuro se levantou, atraindo a atenção de ambos os irmãos. Ele fitou o caçula, parecendo contrariado. — A Temari desapareceu e só voltou tarde da noite e você não ficou nem um pouco curioso sobre aonde ela se meteu? Ela poderia ter se ferido ou algo assim, não ficou preocupado?!

— Ah, por favor! — Temari exclamou, irritada.

— Além do mais, ela ainda voltou com um buquê de rosas! Na certa algum homem deve estar se aproveitando dela e...

— Kankuro, se não calar essa sua boca, eu faço isso por você.

— A Temari sabe se cuidar sozinha, não preciso me preocupar. E nem você, sabe disso. — Foi tudo o que Gaara disse, fazendo a irmã lançar um olhar vitorioso a Kankuro que imediatamente fez uma cara emburrada.

— Aposto que foi aquele preguiçoso idiota... — Murmurou ele baixinho, mas para sua sorte os outros apenas ignoraram.

— Então... fiquei sabendo que acompanhou a Yamanaka até a casa dela hoje. — Temari disse depois de um tempo em silêncio enquanto eles comiam. Kankuro havia passado no Ichiraku e comprado ramén para os três. É claro que não eram somente eles que vieram de Suna, mas o resto da comitiva do Kazekage (que estava hospedada em outros quartos do hotel) que se virasse para comer alguma coisa.

— Sim. — Francamente, ela queria detalhes! Por que era tão difícil de manter uma conversa com Gaara?

— E então? — Forçou mais um pouco. Ela e Kankuro olhavam curiosos para o ruivo, que parecia não perceber a intenção deles... ou simplesmente ignorava.

— Então o que?

É, essa ia ser difícil.

— O que achou dela? Ino pode ser bem barulhenta, mas é uma ótima pessoa e excelente kunoichi. — Temari recebeu um olhar repreensivo de Kankuro, sinal de que ela exagerara demais e ela sabia disso. Na verdade a loira mal conhecia a tal Yamanaka, e as poucas vezes que conversaram ela soube que Ino era o tipo de menina barulhenta, e principalmente irritante, especialmente com todas aquelas provocações para cima dela e do Nara.

— Ela é estranha. — E novamente foi tudo o que Gaara disse, sem nem ao menos tirar seus olhos do prato.

Ele terminou de comer silenciosamente, se levantou e se dirigiu para os seus aposentos, desejando um curto “boa noite” para os irmãos que continuavam à mesa processando todas as respostas dadas pelo ruivo a respeito de Ino.

— Bem, ela é estranha mesmo. — Temari disse finalmente, rompendo o silêncio, agora que estava finalmente sozinha com Kankuro.

— Mas é gata. É, essa vai ser difícil.

— Mas se ele disse que a Yamanaka é estranha, então talvez tenha ficado curioso com o jeito dela, não?

— Bom, isso é um começo, eu acho. — Kankuro suspirou. — Precisamos trabalhar nisso.

— Com certeza.

Enquanto os dois discutiam sobre a vida amorosa de Gaara, o mesmo se encontrava em seu quarto, porém completamente acordado. A época em que Shukaku habitava seu corpo, forçando-o a não dormir fizera o ninja se acostumar com tal ato. E embora agora dormisse mais do que antes, ter insônia ainda era algo bastante comum em sua vida.

Mas o que lhe tirava o sono naquela noite logicamente não era nada relacionado ao Shukaku, e estava longe de ser algo sobre seu trabalho de Kage. Inexplicavelmente o que não saía de sua cabeça era aquele par de olhos azuis que conhecera mais cedo naquele dia.

Ele se lembrava muito vagamente da garota na época do exame chunnin, prestara pouca atenção na luta dela nas preliminares, apenas o suficiente para saber que ela odiava perder. Mas diferente de Temari, que era a única mulher com quem Gaara estava acostumado, Ino não tinha um gênio difícil e violento, pelo menos não tanto. Ela parecia... estranha. Diferente. Talvez um pouco irritante, mas provavelmente esse aspecto a tornava tão interessante. Ele estava curioso a respeito dela, e isso não era o tipo de coisa que acontecia com frequência com o Sabaku.

E Gaara não sabia explicar por que estava pensando tanto assim nela. Era apenas uma kunoichi de Konoha que até poucas horas atrás ele mal sabia o nome... e que agora parecia não sair de sua cabeça.

“Yamanaka Ino...”

Notas finais
Essa é a primeira vez que estou escrevendo sobre esse casal, portanto espero mesmo que tenham gostado. Peço também (imploro, na verdade) que deixem seus comentários. Por ser um casal que nunca escrevi antes, fico mais nervosa que o normal pra saber se ficou bom. Preciso do feedback de vocês! Ah, uma última coisa: eu fiquei puta preocupada com o desenrolar da relação dos dois, de estar sendo rápido demais ~MAS~ escrevi levando muito em conta a personalidade da Ino, dela gostar de caras mais fechados e dela, francamente, ficar toda caidinha sempre que vê um garoto gostoso huahauahua. Espero que levem isso em conta, sei lá -q. Até o próximo capítulo (ou os reviews ~olhar pidão~).