Give Me Love
6 Melinda me paga por essa
Notas iniciais
Pov's Miguel
Mais um aviãozinho de papel pousou na sacada. Eu e Sami já estávamos conversando a horas e já passava das uma hora da madrugada e não podíamos usar o método tradicional.
Desdobrei com cuidado o papel e li.
Por favor. Só umzinho. Prometo que não vou exagerar.
Revirei os olhos para ela da varanda e escrevi um enorme NÃO no papel. Já tinha uns quinze minutos que eu tentava convencer Samira a não estapear minha prima. Foi preciso um esforço gigantesco para convencê-la a não jogar um tijolo na cabeça de Melinda e agora tinha me aparecido essa.
Observei Sami pegar o aviãozinho no ar e o desdobrar ansiosa. Ela usava um moletom amarelo e pantufas de coelhinho, seus cabelos estavam presos em uma trança malfeita que caia por seu ombro direito, estava bizarra, mas não menos bonita. Sam bufou ao ler o bilhete e em seguida começou a escrever a resposta.
Ela me olhou concentrada e depois jogou outro aviãozinho. Peguei o papel e comecei a ler.
Você é um CHATO, nem sei porque ando com você! Melinda é tão antipática e mimada que eu estaria fazendo um bem pra ela lhe dando uma surra. Pense nisso. É para o bem dela! Estarei fazendo uma boa ação.
Suspirei e escrevi a resposta.
Sei o quanto Melinda pode ser irritante, mas ela é totalmente inofensiva. Ela gosta de você. Dê uma chance a ela. E a propósito, você anda comigo porque é viciada na minha companhia.
E joguei o papel de volta. Samira bufou ao ler e me olhou com a sobrancelha esquerda arqueada. Dei de ombros. Ela começou a escrever novamente. Peguei o papel já surrado no ar.
Não dou a mínima pra sua companhia e muito menos para a da sua priminha. Uma ova que vou me transformar em amiguinha de Melinda. Vá catar coquinho você e ela!
P. S. Estou indo dormir.
Mal terminei de ler e vi Samira entrar em seu quarto e fechar as portas duplas dramaticamente. Revirei os olhos e me joguei na cama.
– Por que você tem que ser tão irritante sempre, garota? — perguntei para a Samira sorridente da foto no criado mudo. Com os olhos azuis cintilando, os cachos macios emoldurando o rosto e o sorriso gigante parecia um anjo, mas ali, bem no fundo, escondido por trás daquele sorriso casto, estava o brilho travesso que eu conhecia como ninguém. E aquele brilho só a deixava ainda mais bonita.
– Você vai acabar comigo. Só espero que não seja tão devastador.
Suspirei e dormir.
...
Acordei assustado. Por muito pouco não tive um enfarte. Melinda me balançava e gritava tanto que minha cabeça doía
– Vamos, Miguel! Levante. Temos milhões de coisas para fazer hoje. — Melinda continuava me sacudindo.
– Ah, não! Tá cedo demais para fazer milhões de coisas. — sussurrei e virei para o outro lado.
– Você não vai mais dormir, Mimi... Por favor, primo!
– Melinda dá um tempo!
– Por favor! — Melinda contornou a cama e ficou me olhando com os enormes olhos verdes. Ela era parecida demais com minha mãe.
– Tá bom. — Suspirei derrotado. — O que você quer?
– Passear! — gritou se jogando na cama e quase me acertando. — Podemos ir à Chinatown, preciso de um kimono novo. Depois podemos andar de bonde ou quem sabe ir à praia.
– Pra quê você precisa de um kimono?
Melinda revirou os olhos.
– Pra quando eu quiser fazer King Fu! Uma garota precisa está preparada para tudo.
– É kung Fu. — disse me levantando da cama. — E você nunca vai praticar isso. E eu não vou a lugar algum com você.
– Ah, Miguel! — lamentou-se. — Quando você vai me ver de novo? Sua priminha vai ficar só até domingo. Temos que aproveitar.
– Provavelmente vou vê-la nas férias de verão ou nos feriados prolongados. Você sempre dá um jeito de fazer uma visitinha.
– Talvez seja porque pensei que você também sentisse a minha falta. — ela disse com a voz tremendo.
Olhei em seus olhos e os encontrei lacrimosos. Melinda era sensível demais.
– Desculpe, Linda. — disse deixando a voz mais serena e a chamando pelo apelido que ela adorava. — É claro que gosto quando você vem nos visitar.
– Mesmo? — ela perguntou enxugando os canto dos olhos.
– Mesmo. — disse sorrindo e lhe dando um abraço — Eu adoro você sua doidinha. — De vez em quando.
– Ótimo, então você vai me levar para passear hoje. Vamos fazer turismo.
Suspirei.
– Não vai dá Melinda. Tenho aula.
– Você pode faltar hoje.
– Não posso não.
– As aulas mal começaram, não vai fazer diferença.
– É claro que vai fazer diferença.
– Não vai não
– Vai sim.
– Não vai não.
– Vai sim.
– Não vai não.
– Vai... Ah, já chega! — Vou me arrumar que tenho que ir para a escola.
E me enfiei dentro do banheiro.
– Mimi, por favor, me leva pra sair. Estou louca para ir ao Parque Golden Gate. — choramingou do lado de fora.
– Não me chame de Mimi! — gritei de dentro do box.
– Samira chamava você o tempo todo de Mimi quando éramos crianças! — ela gritou enquanto eu me ensaboava.
– Ela não chama mais!
– Aposto que se ela chamasse você não se importaria!
– Aposto que você ganharia mais cuidando de si mesma! — E saí do banheiro com uma toalha enrolada na cintura. Melinda andava atrás de mim como um carrapato enquanto eu passeava pelo closet escolhendo minhas roupas.
– Por que está calada? O modo matraca desligou?
– Isso foi maldade, Mimi! — ela riu brincando. — E respondendo a sua pergunta, só estou admirando meu priminho. Você está cada vez mais gato.
Corei.
– O quê?
– Você sempre foi bonito. Mas agora... Meu Deus! Se você não fosse meu primo, eu juro que te dava um trato.
– Meu Deus digo eu... Saí daqui, deixa eu me arrumar.
– Ah, desisto! Vá pra sua escola chata que lá é seu lugar mesmo. — disse saindo — Quando você voltar conversamos.
Passei a chave na fechadura e comecei a me vestir. Era só o que me faltava. Mais uma doida na minha vida. Pelo menos essa era temporária.
...
– Isso só pode ser uma pegadinha! — Samira gritou enquanto saía do carro e batia a porta com um pouco de força a mais.
– Sami, por favor tenta entender. Não é minha culpa. — falei tentando amenizar a situação.
– Não vem com essa de "não é minha culpa", garoto. Isso é muito injusto!
– Sami, teremos outras sextas-feiras. O mundo não vai acabar amanhã.
– Como você pode ter tanta certeza? Amanhã pode ser o Apocalipse! O sol pode engolir a terra a qualquer momento.
– Você está sendo dramática!
– Não interessa. Todo mundo sabe que as sextas são minhas! — Samira bateu pé.
Estávamos discutindo desde que contei a ela que não íamos na sexta ao cinema, como era de costume desde que fizemos doze anos de idade.
– São ordens do meu pai. Melinda o convenceu desde cedo, durante o café da manhã. Você sabe que ele a adora.
Sami encontrou seu armário e começou a remexer nas coisas dentro. Estava tão furiosa que tive medo que sua veia da testa eclodisse.
– Diga que prefere ficar comigo. Que vou ficar chateada. Ele também me adora.
– Não vai ser tão fácil. Melinda deu um jeito de termos programação para o final de semana todo.
Samira franziu o cenho.
– Não acredito que você vai ceder Miguel!
Olhei para ela impotente. Não queria decepcioná-la, mas não via como não fazer isso sem desobedecer ao meu pai.
– Tudo bem. Deixa pra lá. — E fechou o armário com força, já partindo.
– Sami, por favor... — Peguei em seu braço.
– Tá tudo bem — ela disse sem me olhar nos olhos. — Não tem importância. — E saiu pisando duro.
Melinda você me paga .
Fiquei lá parado, me sentindo o maior mané da história. Eu odiava quando ela ficava chateada e eu não podia fazer nada para mudar a situação.
– E aí cara! O que faz aí paradão olhando pro nada?
Suspirei. Eu andava fazendo isso bastante ultimamente.
– Oi Jake. Não é nada cara. Só estou meio pensativo.
– Cara, você faz isso demais. — Jake disse colocando o braço ao redor dos meus ombros e me conduzindo pelo corredor. — Você devia relaxar mais. Desse jeito você vai acabar pirando.
– Pirando?
– É. Eu tenho um primo de quinto grau que mora na Escandinávia que ficou lê-lê da cuca só de pensar.
– Escandinávia?
– É. Ele pirou. Doidinho da silva!
– Que bobagem Jake!
– É sério Mimi-Miguel, você devia parar com essa mania esquisita de ficar pensando o tempo todo e tirando boas notas. Caras como nós não precisam disso.
– Caras como nós?
– Caras Boas Pintas. Você devia parar de ficar repetindo tudo o que eu falo em forma de pergunta. É coisa de gente nerd.
– Coisa de gente nerd? — perguntei tirando sarro da cara dele.
– Você tá me tirando né cara?
– Tirando você?
– Há-há! Como você é engraçado. — ele disse rindo falsamente.
– Eu sei que sou.
– Eu estava sendo sarcástico.
– Sendo sarcástico?
– Ah, vá pentear macaco Miguel! Só eu posso curtir com a cara dos outros aqui, Mimi.
Fechei os punhos e os levantei na altura do rosto.
– Me chame de Mimi novamente e eu te dou um soco. — brinquei.
Jake rolou os olhos e levantou os punhos também.
– Venha e vamos nos embolar. — chamou.
Começamos a andar em círculos, mirando um ao outro.
– O que está acontecendo aqui? — uma voz masculina estrondosa ressoou.
Jake e eu baixamos nossas mãos ao mesmo tempo e nos viramos em direção ao som. O monitor Hess se aproximava com os olhos estreitados. Sua expressão severa parecia mais irritada que de costume.
– Vocês estavam brigando seus arruaceiros?
– Brigando? — Jake perguntou arregalando os olhos. Engoli o riso.
– Bom dia sr. Hess. Eu e meu amigo Jake estávamos apenas brincando. Perdoe-nos pelo mau entendido. — falei tentando ser cordial.
O monitor nos olhou desconfiado por alguns segundos antes de dá de ombros.
– Não quero saber desse tipo de brincadeiras no meu corredor.
– Perfeitamente — concordei.
O sr. Hess torceu a boca a contra gosto.
– Agora vão pra sala que o sinal já vai tocar. — E saiu.
Jake respirou fundo ao meu lado e sorriu de canto para mim.
– Você parece um velho falando, cara. — Riu Jake.
– Vamos pra aula antes que ele volte.
Samira não falou comigo durante as aulas e me ignorou no almoço. Tentei várias vezes durante as aulas puxar assunto, mas ela apenas assentia. Aquilo era frustrante demais.
– Samira por favor, você vai me ignorar por quanto tempo?- tentei de novo, já perdendo parte do autocontrole.
– Não estou ignorando você.
– Está sim. Você não fala comigo direito desde que eu te contei que não íamos ao cinema amanhã.
– Eu já disse que isso não tem importância.
– Mas você age de forma contrária — retruquei.
Samira lançou os olhos turquesa em minha direção contrariada.
– Miguel como você mesmo disse, você não pode fazer nada. Vamos pra aula antes que eu comece a estrangular você por ficar enchendo meu saco.
Rolei os olhos e a segui até a aula de arte. A professora Benin continuou sua aula sobre Surrealismo, mas desta vez, inspirada por mim, nos mandou pintar quadros conhecidos de grandes artistas só que no estilo. Eu comecei uma réplica de "A madona das rochas" de Da Vinci.
– O que eu faço? — Samira sussurrava olhando para a tela branca em sua frente.
– Você pode fazer Picasso, Michelangelo, Botticelli, ou como eu Da Vinci. — falei baixinho esperando ajudar.
– Estou perguntando para a minha tela, Miguel. — sussurrou sem tirar os olhos do quadro vazio.
– Você quem sabe... — E continuei minha réplica.
De rabo de olho vi Samira suspirar, olhar mal humorada para a tela e pegar o pincel o lambuzando na tinta, aos poucos uma Mona Lisa malfeita e estranha começou a surgir. Essa Sami...
– Estou indo para o estacionamento. Não demore que estou morrendo de fome.
– Você é muito mandona!
– E você deveria aprender a controlar sua bexiga. — E me deu as costas. Samora pisava duro enquanto saía da escola. Não pude deixar de notar o movimento que seus cabelos faziam nas costas, o sol os deixando ainda mais brilhantes e em um tom que me lembrava um vermelho escuro.
Balancei a cabeça, tirei os olhos da figura que se aproximava cada vez mais do estacionamento e me direcionei ao banheiro mais próximo.
Não havíamos tido aula de educação física hoje. O professor Clark havia tido uma diarréia ou algo parecido, ou pelo menos era o que estavam comentando pelos corredores. Sem a educação física, Sami ficou ainda pior. Um montante de ira e revolta só esperando por uma oportunidade de me agarrar.
Saí do banheiro apressado, louco para não levar mais um esculacho. E nessa pressa boba e insana só percebi o que havia na minha frente quando já era tarde.
– Mil perdões, Carlie. — falei para a garota estatelada no chão, cercada por papéis.
– Você sabe o meu nome? — ela perguntou de olhos arregalados por detrás dos óculos imensos.
– Claro, você é da minha turma de biologia desde o quinto ano. — disse, estendendo a mão para ajudá-la.
Carlie me olhou insegura por alguns segundos, como se tentasse entender uma equação com números imaginários, depois piscou algumas vezes e pegou em minha mão, engolindo em seco.
– Você está bem? — perguntei a avaliando. — Você bateu a cabeça?
– Eu-Eu... Es-Estou. — gaguejou, mexendo na franja comprida e puxando o capuz para cobrir a maior parte dos cabelos cor de areia.
– Tem certeza.
– Tenho — ela disse olhando para baixo, tentando não fazer contato visual.
– Bem, que bom. Desculpe pelo atropelo, eu não vi você.
Carlie sussurrou algo, mas não consegui entender. Ela falava tão baixo que eu tinha que me concentrar para ouvi-la a maior parte só tempo.
– O que você disse?
– Eu-Eu? Eu não disse... Ah, meu trabalho. — E se ajoelhou para recolher os papéis no chão. Imediatamente me pus a ajudá-la.
– Não precisa, Miguel. Eu posso pegar tudo sozinha.
Continuei a catar os papéis.
– Você sabe o meu nome? — brinquei.
– Qual garota nessa escola não saberia? — sussurrou tão baixo que tive dúvidas se tinha entendido direito.
– Perdão, o que você disse? — perguntei curioso.
Carlie levantou os olhos para os meus, para logo depois desviá-los. Suas bochechas assumiram um tom intenso de vermelho e eu soube que tinha entendido direito. Sorri. Me levantei com a maioria dos papéis nas mãos e a puxei novamente para cima.
– O que é tudo isso? — perguntei olhando para as imagens de plantas nos papéis, desviando o assunto.
– É para o trabalho de biologia na segunda feira. Sobre plantas aquáticas. — falou aleatoriamente.
– Trabalho?
– É, sobre plantas aquáticas. Em duplas.
– Trabalho? — tentei lembrar novamente. — Ah, claro! Como eu pude esquecer?
– Você precisa se apressar. A data está muito próxima.
– Sobre o que você está pesquisando?
– Os lírios de água tropicais.
– Água doce? — adivinhei.
Carlie balançou a cabeça, concordando. E então em um rompante a ideia chegou. Como não havia pensado naquilo antes? Um sorriso se formou em meu rosto e a empolgação se instalou em mim, me preenchendo por inteiro.
– Obrigada, Carlie. Você salvou minha vida! — disse abraçando a garota na minha frente.
– O quê? — Ela parecia atordoada quando a soltei.
– Não é nada. Tenho que ir. — E lhe dei um beijo na bochecha, já correndo até o estacionamento.
Samira estava encostada no carro trambolilando os dedos no teto do BMW. Seus olhos formaram uma fenda quando ela me viu. Destranquei o carro.
– Até que enfim! Eu estava preste a ir ver se você tinha caído dentro do vaso. — disparou abrindo a porta e entrando no veículo. Eu a segui.
– Eu estava falando com a Carlie.
– Quem?
– A Carlie. Da turma de biologia.
– Não me lembro dela. Como ela é?
– Cabelos louros, óculos, aparelho, olhos castanhos, magra. — Ou pelo menos eu acho que é magra. É meio difícil saber debaixo daquelas roupas largonas.
– Ah, o Pinguim do Cantinho! — exclamou.
– O que?
– Jake chama ela assim. Porque ela é baixinha e senta distante de todo mundo.
– Não a chame assim. O nome dela é Carlie. O Jake é um bobalhão. — falei incomodado.
– Não sabia que vocês eram tão próximos. — Samira disse fechando a cara.
– Não somos próximos. — disse enquanto manobrava para sair do território da escola.
– Pelo jeito que você falou pare...
– Não somos. — cortei. — Quero falar com você sobre outro assunto. — Tentei deixar a voz neutra.
– Desembucha!
– Esquecemos de fazer o trabalho de biologia.
– Você não quer falar sobre isso agora né?
– Precisamos tomar providências para mudar isso. — continuei.
– Hoje não, Miguel.
– Senão vamos levar bomba.
– Não quero falar sobre isso agora.
– Vale 15 porcento da nota final do semestre.
– A gente recupera. Não quero fazer esse trabalho. Não quero nem saber sobre o que ele é.
– É sobre plantas aquáticas.
– Não dou a mínima. Pra quê isso vai melhorar a minha vida?
– 15 porcento da nota final do semestre.
– Além do mais você pode colocar meu nome, certo?
– Não. Não posso.
– Miguel, sou sua melhor amiga.
– Isso não quer dizer que vou passar a mão na sua cabeça e facilitar o máximo a sua vida.
– Não? Pensei que fosse para isso que os amigos servissem.
– Como o trabalho é sobre plantas aquáticas em geral, pensei que podíamos...
– Não quero ouvir. — Samira disse tapando os ouvidos. — Os detalhes técnicos são com você.
– Acho que você devia ouvir.
– Não estou ouvindo. Lá lá lá lá — Começou a cantarolar. Ela estava atrapalhando minha surpresa.
– Tá bom então. Pensei que você fosse querer saber que estou indo ao lago amanhã.
– Lá lá lá lá lá lá lá!
– Pensei que talvez você quisesse ir comigo depois da aula amanhã ao LAGO. — tentei novamente.
– Lá lá lá lá lá lá lá lá la-lago? — Sam me olhou de olhos arregalados.
– É. Acho que lá tem vários espécimes de plantas aquáticas que podemos usar na pesquisa.
– Não vamos ao lago?
– Vamos. Dá para parar de agir como uma lesada?
– Cala a boca. Estou tendo meu momento. Nós vamos ao lago! — Samira gritou com os olhos brilhando.
– Estou perdoado pelo cinema? — perguntei esperançoso.
– Se você está? Mas é claro. Você vai me levar ao lago. — Ela sorria como uma boba.
Samira gritou durante todo o percurso, mas isso não foi o pior. O pior foi quando ela começou a cantar musiquinhas de acampamento. Pensei que nunca mais fossemos chegar em casa. Deus, ninguém merece!
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