Give Me Love
4 Essa garota ainda vai conseguir tirar o resto de juízo que me resta!
Notas iniciais
Pov's Miguel
Uma fração de segundo. Faltou apenas uma fração de segundo para que eu a beijasse. Por uns instantes eu senti um desejo quase incontrolável de senti seus lábios nos meus. Droga! Que merda é essa? Só posso está ficando louco.
– Você quase estraga tudo — sussurrei comigo mesmo, enquanto virava os sanduíches na chapa.
Talvez eu devesse começar a fazer, sei lá, terapia. Talvez assim eu voltasse ao normal, antes que fosse tarde e eu tivesse que ser internado para o resto da vida.
Comecei a colocar os sanduíches em um prato, peguei uma jarra com suco da geladeira e tirei a pipoca do micro-ondas, coloquei tudo em uma bandeja e me direcionei à escada.
Samira estava deitada de bruços em minha cama toda esparramada, vendo trechos de filmes recentes. Coloquei a comida sobre a escrivaninha.
– E aí? O que vamos assistir?
Samira se ajeitou na cama e me deu espaço.
– O que acha desse? — ela perguntou levantando a capa do DVD.
– Acho meloso — disse revirando os olhos e curtinho uma com a cara dela.
– Não estou nem aí... — ela disse revirando os olhos também. — Será esse e pronto.
Levantei as mãos em posição de rendição. Ela riu e se esticou para pegar um sanduíche. Observei fascinado o quanto sua risada era linda, ecoando como música pelo quarto. Como eu não tinha notado isso antes?
– Por que está me olhando desse jeito? — Samira perguntou, as sobrancelhas se unindo de confusão. A risada de sinos se foi.
– Desse jeito, como? — perguntei dando de ombros, fingindo não entender. — Estou olhando você como sempre olhei. — Como eu queria que isso fosse verdade.
Sam revirou os olhos turquesa e voltou sua atenção para a TV. O filme finalmente começou, o casal protagonista era o tipo conhecido "tapas e beijos", as brigas eram hilarias e eu e Sami não conseguíamos parar de rir por muito tempo. A risada dela não deixou de me hipnotizar, me desconcentrando do filme. E quando este estava no fim, não consegui mais tirar os olhos dela. Sam se sentava na ponta da cama, completamente parada, meio inclinada em direção à TV, a testa formando uma pequena ruguinha de tensão. Os olhos brilhavam de expectativa enquanto ela assistia concentrada às declarações finais, como se fosse algo de importância crucial. Ela sempre ficava assim quando via um romance e eu nunca conseguia entender o motivo. Era só um filme.
Quando os créditos começaram a aparecer na tela, vi pelo canto do olho que ela suspirava satisfeita, os olhos cheios de lágrimas.
Não pude evitar revirar os olhos.
– O que foi? — Sam perguntou confusa, enquanto me analisava.
– Nada — dei de ombros.
Ela me encarou por mais alguns segundos, antes de fixar o olhar na minha varanda.
– Droga! — exclamou — Já está anoitecendo. Tenho que ir.
Era verdade, já estava escuro lá fora. Me perguntei porque Susanna, a mãe de Sam, ainda não tinha notado a falta da filha. Ela era o tipo super-protetora.
Sam se levantou lentamente da cama, ajeitou as roupas esticando o corpo e flexionando cuidadosamente os músculos. Olhei boquiaberto enquanto ela se direcionava as portas duplas da minha varanda e as escancarava. Ela não ia fazer o que eu pensava que ela estava pensando em fazer né? Frase confusa! Só tive a certeza quando vi ela ficar nas pontas do pés com o intuito de alcançar o galho.
Me levantei apressado e corri para alcançá-la. Sam me olhou confusa quando a peguei pela cintura e a puxei para longe da varanda de volta ao quarto.
– O que está fazendo? — Sam perguntou com as sobrancelhas franzidas. Eu podia ver cada detalhe minúsculo de seu rosto com ela tão próxima assim.
– Você não pensou mesmo que fosse deixar você se arriscar desse jeito novamente mesmo né? — perguntei, por fim, conseguindo me lembrar como se usava a boca.
– Arriscar? Do que está falando? — ela perguntou ainda aparentemente confusa.
Soltei sua cintura, me afastando dois passos de seu corpo, não conseguiria forma uma única frase coerente com ela tão próxima como estava.
– Você viu a altura daquele galho? Se você escorregar ou ele quebrar, será morte certa!
Samira apenas revirou os olhos e caminhou novamente em direção à varanda, me ignorando. Segui aquela maluca e a puxei de novo.
– Que droga é essa Miguel? Preciso ir embora — ela disse tentando se soltar de mim, mas meus braços formaram uma pequena prisão em sua cintura. Eu não ia deixar ela cometer suicídio na minha frente.
– Não assim — disse autoritário.
Samira bufou irritada e parou de lutar.
– Não posso voltar pela porta da frente, sua mãe vai ver. E a minha tambem, ela não sabe que eu saí — ela disse ainda presa em meus braços.
Pensei por alguns segundos.
– Minha mãe não estava na sala quando desci para preparar os sanduíches. Deve está no quarto. Ela não vai te ver.
– Tá! E a minha mãe? Ela com certeza não está no quarto.
Precisei pensar novamente.
– Bem, com ela você vai ter que se virar sozinha — disse sorrindo.
Samira se desvinculou de mim e me deu um soco no ombro. Ela tentou voltar para a varanda, mas eu segurei seu braço.
– Que saco Miguel! Quero ir embora — ela disse irritada.
– E eu já disse que você não vai por aí — eu disse sério. — Sam, sua mãe não vai se importar,
Samira suspirou derrotada.
– Tudo bem, vou rezar para que ela não esteja no térreo e não me veja pular a janela da cozinha.
– Você é excessivamente dramática Samira Parker — suspirei. — Vamos.
Sam me seguiu a contra gosto até a porta. Reclamava baixinho a cada segundo enquanto descíamos as escadas. Eu apenas revirava os olhos e permanecia calado.
– Ah! Não! — ouvi Samira exclamar quase inaudível encarando a sala de olhos arregalados.
Olhei na direção em que olhava e o que vi não foi grande coisa. Minha mãe repousava no sofá branco concentrada em um livro.
– Deixe de bobagem — sussurrei para Sam ainda da escada. — Vou dizer a ela que você entrou enquanto ela estava no quarto.
Mesmo assim, ainda tive que tirar Samira de seu atual status de estátua, puxando-a levemente pelo braço.
– Boa noite mãe! — disse quando chegamos ao último degrau. Samira estancou logo atrás de mim.
Minha mãe levantou os olhos minimamente e pude ver surpresa neles ao notar Sam ali.
– Olá querido — ela disse docemente, mas olhava com um riso nos olhos na direção de Sami, me virei e vi que as bochechas dela estava coradas. Sami era uma boba. — Sam? Como está meu anjo?
–Estou bem, obrigada — Sam disse com sua voz soprano de sinos.
– Eu não ouvi você entrar — mamãe disse, agora voltando os olhos para me encarar. A pergunta era óbvia.
– Não queríamos incomodar seu descanso. Sam tem um caminhar muito discreto. — dei de ombros. Mas Sami revirou os olhos.
Minha mãe assentiu.
– O que fizeram? — minha mãe perguntou com um ar zombeteiro.
– Assistimos a um filme — Sam respondeu simplesmente.
– Ah! E se divertiram? — Aquele sorriso era mais que suspeito.
– Sim, foi legal — continuei dando de ombros.
Mamãe olhou de Sam a mim, avaliando nossas expressões. Quando achou algo, a coisa mais esquisita do mundo aconteceu, Célia começou a rir histericamente. Sério, ela pirou. Ria como uma criança que comeu doce demais.
Quando por fim, terminou seu showzinho, cruzei os braços e levantei as sobrancelhas.
– Desculpem-me — minha mãe disse arfando, ainda tentando controlar o fluxo das risadas. — É que... Vocês estão com cara de que aprontaram algo. É muito suspeito.
Respirei fundo e continuei calado. Não tinha resposta para aquilo e Samira aparentemente também não. Girei em sua direção e vi suas bochechas novamente coradas. Sami-bobona-cara-de-tomate!
– A expressão de culpados de vocês é muito engraçada. É uma pena que não podem ver — mamãe continuava lutando com as risadas.
Eu realmente me sentia culpado. Isso eu não conseguiria negar nem para mim mesmo. A forma como tinha perdido o controle horas atrás foi simplesmente... Ultrajante? Vergonhoso? Estúpido? Nem sabia descrever. Mas e quanto a Sami? Ela não tinha feito nada. Por que teria motivos para se sentir culpada? Monopolizei a situação o tempo todo... A impressão que tive foi que ela apenas ficou confusa, sem reação. Mas e quando... Bem, eu não podia esquecer o momento em que senti seu corpo se arrepiando junto ao meu ou a forma como seus lábios tremeram quando me aproximei ainda mais. Por um momento tive a ligeira impressão que ela também queria, mas não fui corajoso o suficiente para ir a diante. O que foi o certo, eu poderia muito bem estar enganado e colocar tudo a perder. Uma amizade de uma vida inteira por causa de hormônios desvairados. Não era um risco que eu estava disposto a correr.
– É realmente uma pena — disse baixo, ainda pensativo.
Dona Célia já parecia ela mesma novamente.
– Bem — Sami começou -, foi um prazer revê-la tia Célia. É melhor eu ir indo.
– Mas já? — minha mãe perguntou fazendo um muxuxo — Fica para o jantar, Sam.
Sami sorriu levemente.
– Talvez em um outro dia tia, hoje...
– Sam, por favor. Passei quase um mês fora, e mesmo antes disso, já fazia tempos que você não vinha ficar comigo. — minha mãe sabia fazer drama quando queria. Sami voltou seus olhos para mim. O pedido de socorro era óbvio.
– Mãe, — me meti. — Sam tem razão. Talvez em um outro dia, hoje ela nem mesmo avisou a mãe dela que...
– Isso não é problema. Faço uma ligaçãozinha e resolvo tudo. Você tem que parar de ser tão egoísta Miguel! — Hoje dona Célia estava impossível.
– Egoísta? O que meu egoísmo tem a ver com a história? — perguntei chocado.
– Você monopoliza a pobrezinha da Sam. Não sabe dividir. Quer ela só pra você — acusou-me minha mãe. Como se Samira fosse a indefesa do enredo. Bastava olhar para meu nariz e veria quem era realmente o indefeso.
Sami revirou os olhos, como se desta vez lidasse com duas crianças invés de uma.
– Tia é que realmente eu não sei se minha...
– Sami, eu já disse que sua mãe não vai se importar. Por favor, mandei fazer seu prato favorito. — Eu podia ver que aquela era a verdadeira jogada. Comida!
– Strogonoff de frango com creme de milho? — Samira perguntou sonhadora.
Minha mãe apenas assentiu sorridente. Pronto! O jogo estava ganho!
– Bem, é muita gentileza.
– Isso mesmo — concordou minha mãe ainda risonha. — Seria uma indelicadeza tremenda se você recusasse.
– Quer saber de uma coisa tia? — perguntou Samira séria. — A senhora tem total razão! Seria muita indelicadeza da minha parte.
Não deu pra segurar essa! Samira era tão fácil de convencer. Tão bobinha!
– Do que está rindo Miguel? — Sam me fuzilou com os olhos. Aquilo só aumentava minha vontade de rir.
– Miguel! — minha mãe me repreendeu. — Não irrite a Sam.
Minha mãe sempre tinha que defender Samira. Parecia que ela que era a filha dela. O que talvez fosse um pouquinho.
Respirei fundo algumas vezes e consegui parar de rir. Minha barriga doía.
– Ótimo! — minha mãe sorriu satisfeita. — Vou ligar pra Susanna.
Dona Célia se levantou e pegou o celular na mesa de centro. Sami tentava manter seus olhos focados em qualquer ponto da casa, menos na minha direção.
– Desculpe, Sami — eu disse me aproximando.
– Você estava tirando uma com a minha cara — a voz dela era irritada. Ela insistia em não olhar pra mim.
– Me perdoe Sami — disse delicadamente -, não quero que fique zangada. Acabamos de nos entender.
Sami suspirou.
– Talvez fosse mais fácil se você não fosse tão chato.
– Ou talvez fosse mais fácil se você não fosse tão engraçada.
Samira bufou, dramática. Eu já estava onde queria.
– Eu não sou engraçada — ela disse pausadamente, mas não parecia mais querer me matar, acho que só torturar mesmo.
– Eu acho você engraçada — rebati -, principalmente quando você faz esse biquinho.
Sami se virou para me lançar seu pior olhar de revolta. Foi então que percebeu o quanto eu estava próximo. Os olhos se arregalaram quando ela notou alguma coisa em minha expressão.
– Você não vai... — tentou se opor, mas já era tarde.
Levei minhas mãos com rapidez à cintura dela, tocando os pontos onde eu sabia que eram mais sensíveis. Sam começou a gargalhar imediatamente. Meus dedos passeavam com delicadeza e força por sua barriga. Lágrimas se formaram em seus olhos.
– Miguel — ela gritava em meio aos risos. — Pa-pare... Com i-isso.
Mas eu não podia parar. A risada dela parecia aquecer tudo dentro de mim. Era bom. Samira continuou tentando me afastar, mas eu parava apenas por alguns segundos para que ela retomasse o fôlego. Ela drobava o corpo de tanto rir e mesmo não sendo eu o alvo das cócegas, não consegui deixar de acompanhá-la.
– Por-por... favor — ela gaguejou entre uma pausa — Minha barriga... doendo.
Analisei seu rosto todo vermelho e me afastei um pouquinho. Samira respirava com dificuldade.
– Tudo bem — falei sorrindo. — Vou te dá um descontinho. Sua cabeça parece prestes a sacar do pescoço.
– Eu... — pausa para arfar — Odeio... — outra pausa — Você.
– Não odeia não — disse ainda sorrindo.
– Odeio sim — Sami disse conseguindo respirar normalmente. — Odeio muito.
– Não mesmo. Eu sei que não.
– Ah é? — ela perguntou arqueando uma sobrancelha. — E como você sabe?
– Hum — coloquei a mão no queixo -, deixe-me ver.
Samira semicerrou os olhos e esperou.
– Bom, você... — comecei, a olhei nos olhos. Ainda estávamos muito próximos, vi que Samira ficou tensa, porém não desviou os olhos. Talvez eu tivesse que nascer novamente para que ela desse uma de covarde. — É... claramente louca por mim.
Pensei que Samira fosse começar a rir, negando. Mas ela apenas continuou, parada, me olhando com aqueles olhos azuis enlouquecedores de tão bonitos. E então ela deu mais um passo, ficando ainda mais próxima. A expressão séria, os olhos dentro dos meus, escavando cada centímetro da minha alma. Ela estendeu a mão e afagou meu braço, e mesmo parecendo impossível, se aproximou mais. Sua mão deslizou por meu ombro e desceu por meu peito. Aquilo era diferente. Nós nunca tivemos frescura em relação a contato fisico, crescemos e juntos e já até chegamos a tomar banho pelados, — Calma! Minha mãe disse que éramos bebês e não ouse comentar isso perto da Sam ou ela me mata — só que quando se cresce, você inevitavelmente se torna mais reservado e não, isso não muda pelo fato de Sam ser minha amiga de infância, afinal de contas ela é uma garota.
– Quer saber de uma coisa? — Sam perguntou, levantando-se na ponta dos pés pra sussurrar em meu ouvido. Sua mão ainda estava em peito. Um arrepio insolente se estendeu por meu corpo. Apenas assenti levemente.
– Você... — ela continuou. A voz macia preenchendo cada espaço mínimo em meu cérebro — É... — e então se afastou para que eu pudesse ver seu rosto. Aquela expressão...
– Você não vai... — comecei, mas sabia que era tarde antes mesmo de pronunciar a primeira sílaba. Samira me lançou seu velho sorriso de pirraca e eu estava perdido.
Vi estrelas! Juro. Milhares de pontinhos brilhantes circulando minha cabeça como nos desenhos animados. E sem sombra de dúvidas a joelhada de Sami estava mais potente. Meu amiguinho de baixo havia acabado de comprovar.
– Você é um bobalhão mesmo! — Samira ria como se estivéssemos assistindo a um episódio dos Simpsons.
– Acho... que... fiquei... estéreo — falei tentando respirar. Era a segunda vez no dia que Samira me acabava. Será que ia virar rotina?
– Deixe de exagero Miguel. Nem foi tão forte assim.
– Você sentiu? — gemi.
Samira bufou e se aproximou de mim. Depois do impacto, não sei como, fui parar perto da porta, talvez por medida de prevenção. Nunca se sabe. Mas, o que eu queria frisar mesmo é que Sami parecia arrependida, eu disse parecia, porque ela tentou acariciar minhas costas, minha posição protetora para defender meu amiguinho devia ser engraçada, pois percebi que ela se segurava para não rir.
– Miguel, deixe de bobagem. Não vou machucar você.
– Sério? Primeira vez hoje!
Samira engoliu em seco e vi que ela estava mesmo arrependida.
– Desculpe — ela disse com doçura e dessa vez deixei que ela chegasse perto o suficiente para afagar minha costas. Cuidado nunca era demais.
Indiretei a postura e permiti que ela bagunçasse meus cabelos.
– Estou desculpada?
– Vou pensar no seu caso.
– Ah! Miguel, me poupe! — ela revirou os olhos. — Já estou pedindo desculpas.
– Se você não aprontasse tanto não teria que pedir desculpas — retruquei.
Sami me mostrou a língua.
– E então? — perguntou levantando as sobrancelhas.
– Tá. Mas só dessa vez. Na próxima vez em que você tentar liquidar meus descendentes, eu juro que vou...
– Vai? — Samira me perguntou me provocando. Ela adorava fazer isso.
– Vou... — Vou o quê mesmo? Uma ajudinha aí.
– Sim? — ela continuou me provocando. Que mala!
– É... Eu vou... — Droga!
Ela sorriu e me encarou. Os olhos turquesa faiscando. Como eu poderia ameaçar algo tão... Tão... Tão belo.
– Eu. Vou. Dar. Um. Fim. No. Chuck. — Samira empalideceu.
– Você não teria coragem.
– Teria sim. Pelo bem dos meus filhos.
Samira tentou engolir. Vi com prazer que uma gotinha de suor havia se formado em sua testa. Meu legado estava a salvo por enquanto.
– Você é uma pessoa desprezível Johnson.
Ri e a puxei para um abraço.
– Só estou me precavendo Sami. Não me leve a mal.
Ela encostou a cabeça em meu peito.
Ouvimos um leve suspiro e nos afastamos sobressaltados. Minha mãe estava ao pé da escada em um ponto estratégico e nos olhava com uma expressão estranha, como se estivesse longe. Como se estivesse fora de órbita. Ela sorria como uma boba adolescente que via seu romance favorito. Samira assumiu sua cara de pimenta.
– Mãe? A quanto tempo está aí?
– Ah! — ela suspirou. — Por que pararam? Eu estava me divertindo. Vocês são tão fofinhos.
– Mãe! — reclamei. — De novo não. Sam vai passar mal com todo esse sangue no rosto.
– Sami tem razão. Você é um chato.
Revirei os olhos, imitando o gesto favorito de Sami.
– Já podemos ir comer ou vocês vão continuar tentando me deixar esclerosado? — perguntei.
Mamãe e Sami começaram a rir.
– Era só o que me faltava. Esclerosado pelo que eu estou vendo — reclamei.
Sami e Célia me puxaram para um abraço em grupo. Eu estou recebendo muitos abraços hoje. Não que eu esteja reclamando...
O resto da noite foi tranquilo, comemos strogonoff com creme de milho e batata palha e rimos do êxtase declarado de Sam a cada garfada. Expressões como "Minha nossa! Isso é melhor que sorvete de nuvem" e "Caviar? Esqueça isso! Estou comendo um pedaço do paraíso." não podiam simplesmente passar despercebidas.
Depois do jantar, levei Sam em casa e ela não pulou a janela da cozinha. Quando cheguei em casa fui direto para meu quarto. Me sentia cansado por conta dos sonhos e do estresse dos últimos dias.
– Até nos meus sonhos você me persegue garota! — sussurrei para a foto em meu criado mudo. Nela eu e Sam estávamos sorridentes fazendo piquenique no Central Park quando estivemos a dois anos em Nova York.
E com a imagem do sorriso enorme de Sam em Nova York dormi. Só para encontrá-la depois no Brasil.
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