Give Me Love

2 After all, we are brothers, right?


P.O.V Katie

Acordei mais uma vez. Engraçado, eu comecei a ter aqueles sonhos ruins que eu tinha desde criança, acho que foi de pensar muito sobre minha mãe. Meu segundo dia nesse cidade sinistra, era até um tanto engraçado eu não gostar de algum lugar, mas esse lugar me dava alguns calafrios mas eu só precisava ver ela.

Vi que alguém bateu na minha porta, olhei para meu relógio, eram ainda 8:15 da manhã, mas quem diabos estaria batendo na minha porta a essa hora?

Me levantei rapidamente e fui abrir a porta, não hesitei em abrir mas deveria pois não estou vestida apropriadamente para ver alguém. Eu estava com um short e de sutiã, então eu realmente não estava pronta para ver alguém. Puxei meu lençol para mim e abri a porta, vi Henry.

– Você não tem escola, garoto? – Perguntei, vi ele dar de ombros e entrar no meu quarto. – O quê está fazendo? – Perguntei quando o vi entrar no meu quarto.

– Você ainda não está pronta? – Ele perguntou se sentando na minha cama, eu neguei com a cabeça. – E por que está com esse lençol? Está tarde – Ele falava, me parecia bastante animado mas não havia combinado nada com ele hoje.

– Eu estou de sutiã – Falei enquanto ele tentava me tirar do lençol, e logo ele entendeu o que eu havia falado e logo se aquietou. – Ok, garoto. O quê vamos fazer hoje? – Perguntei me rendendo ao seus tormentos. Ele logo abriu um sorriso, e ele não era um sorriso pequeno, era um sorriso bastante largo.

Iremos conversar, saber mais sobre nos dois, afinal de contas, somos irmãos, não é? – Ele falou tão empolgado, não queria ter de magoar aquele pequeno garoto mas não sabia o jeito que iria me sentir, o olhei um tanto atônita mas ele logo entendeu. – Quer dizer, eu não queria te pressionar muito, sei que não quer ver a Emma – Ele falou e eu me virei. – Ao menos não por agora – Ele concluiu e eu o olhei concordando.

– Obrigada! – Falei. Entrei dentro do banheiro e me olhei no espelho, refleti um pouco, pensei se aquilo era a coisa certa a se fazer, penso que não é. Tomei meu banho rapidamente e saí do banheiro mas antes dei uma longa respiração, eu estava com medo? Assustada?

Eu nunca tinha medo, o mundo me fez uma garota fria, calculista e inconsequente, eu tinha plena consciência disso, eu não ligava mais para nada, admito que já liguei. Mas se você é órfã, você sabe como é se sentir tão... Incompetente, ao ponto de um de seus pais lhe dar para estranhos. Já doeu aquilo mas agora eu falar em órfã não era nenhuma novidade e eu não ligava para o que as pessoas pensavam sobre mim, soube apenas que minha mãe me deixou, e eu tinha um pequeno colar. Aquilo era duro, mas era a realidade. Ela me deixou, e eu estava sendo uma patética por ficar. Como eu poderia ficar? Mas eu pensava como eu poderia ir? Afinal de contas, eu já estava aqui. Poderia doer a verdade, poderia bater raiva mas eu precisava vê-la ao menos uma vez de toda minha vida, não queria nem mais nem menos, mas apenas queria vê-la. Não precisava de conversas, não sou sentimental, mas é algo que eu estava disposta a fazer desde que cresci sabendo que ela não se importasse.

Henry ainda estava no mesmo lugar e vi que ele tinha um livro em suas mãos, parei de enxugar meus cabelos e me sentei na cama ao seu lado, eu queria saber mais sobre ele, mesmo que doesse.

– O quê é isso? – Perguntei apontando para o livro.

– Não sei se está pronta para o que tem aqui – Falou.

– Vamos lá! Apenas diga o que é – Insisti.

– Está bem! Está bem! – Ele falou abrindo o livro, vi que é um livro com muitos contos de fadas.

– Então, você gosta de contos de fadas? – Perguntei analisando o livro e lendo algumas páginas. Ele puxou o livro para si e apontou para uma página que falava sobre a filha da Branca de Neve.

– Isso é mais que um livro – Ele falou e eu arqueei minhas sobrancelhas. Ele bufou e se rendeu.

– Todos os personagens dessa história está aqui – Ele falou e eu o olhei um tanto atônita. O que será que esse garoto tem na cabeça? Qual seu ponto?

– O quê quer dizer com isso? – Perguntei.

– Teve uma maldição que a rainha Má encantou, e agora todos os personagens estão aqui, presos aqui! – Ele falou vi sua animação e vi que ele estava sério.

– Não sei se sabe mas pelo o que eu conheço do mundo, eu sei ver quem fala a verdade e quem está mentindo – Insisti para ele parar com aquilo, mas vi seriedade em seu rosto.

– Tente, eu não estou mentindo – Ele falou segurando mais o livro.

– Ok, você não está mentindo, garoto – Falei e ele me lançou um sorriso.

– Eu disse, não estou mentindo, é verdade – Falou ele.

Garoto, não é só porque acredita em algo que esse algo vai ser verdade– Falei me levantando para colocar minha maquiagem.

– Viu? – Ele gritou baixo. Eu o olhei atônita e ele pediu desculpas, continuei a caminho do banheiro. – Ela falou o mesmo! Mas é verdade! – Ele falou, e eu entendi que ele estava falando de Emma, me virei e o encarei, vi que ele falava a verdade então resolvi entrar em seu jogo.

– Volto logo – Falei e me tranquei no banheiro fazendo minha maquiagem rápida, eu tinha uma maquiagem escura nos olhos mas esse era apenas meu estilo de ser. Saí do banheiro e vi Henry ainda segurando seus livros. – Vamos? – O chamei abrindo a porta e ele concordou e se levantou vindo em minha direção, coloquei as mãos em seus cabelos e o baguncei um pouco, saímos e eu tranquei a porta.

– Então... Você vai me contar a história ou, sei lá? – Perguntei.

– Então, a história é basicamente isso mas temos segredos, não pode contar a ninguém pois todos aqui já sabem mas querem esconder pois você é uma visitante – Ele cochichou, vi que quando descemos para ir para a lanchonete que tinha lá muitas pessoas e elas me encaravam, talvez seja verdade, não a parte dos contos de fadas mas sim a parte que eles tinham algum segredo mas eu era nova na cidade, então, provavelmente estariam escondendo. Entramos na lanchonete e nos sentamos e vi alguém chamar por Henry, era uma mulher loira, muito bonita por sinal, ela me lembrava um pouco eu e Henry. – Mãe! – Ele gritou indo abraçar a loira que o abraçou de volta, rindo. Meu coração começou a doer, e a bater mais forte, tudo doía em mim naquele momento. Vi que eles falavam algo mas eu não conseguia ouvir, eu só ouvia sons na minha cabeça, meu desespero.

Percebi que meus olhos estavam um tanto presos neles dois e logo tentei disfarçar.

– Já está irritando a visitante? – Ela perguntou se aproximando e vi Henry rir e se posicionar ao meu lado, de repente, me deu um medo dele contar toda a verdade. Mas eu tinha medo de eu falar toda a verdade no calor do momento. – Me desculpe, eu sou Emma – Ela falou estendendo a mão, passei um pouco tempo para voltar ao normal e fingi um sorriso apertando de volta.

Sou Katie, prazer em conhecê-la – Falei apertando sua mão, ela tinha um sorriso para mim, acho que essa seria a parte que ela descobriria mais sobre a nova “moradora”.