Give Me Love

18 -Capítulo 18-


Notas iniciais
Bem, estou postando mais cedo, para compensar a minha demora. Mais uma vez peço desculpas, mas é que foi de última hora. Viajei e passei o ano novo fora, voltei apenas ontem, dia 05/01/14. Aqui está. Bem, a fic ainda não está acabando, está no meio, mas eu já estou escrevendo os capítulos da reta final. Vai ter acho que 31 capítulos e o epílogo, e não se preocupem, pois ainda vai ter a continuação. Será uma trilogia, então se preparem!

Give Me Love

–Capítulo 18-

Por JefCokkie

Era como atravessar água em alta velocidade e depois era como flutuar em gravidade zero. Uma brisa gelada acariciava meu rosto, fazendo os pelos de minha nuca se eriçar. Uma claridade fora do comum invadiu meus olhos quando eu os abri. Fechei-os novamente, colocando uma mão sobre eles, e depois os abrindo. Pude ver que eu estava no portão que dava entrada ao enorme reino da Dimensão Celeste. O portão estava completamente aberto. Olhei para dentro, vendo a cabine do anjo sentinela que estava lendo um pergaminho.

Uma sensação de nostalgia me invadiu e eu soube que eu já não sentia que ali era a minha casa. Era estranho estar ali novamente, depois de tudo o que aconteceu – mas agora já não havia mais voltas, eu sabia muito bem daquilo. Coloquei minhas asas para fora, sentindo a roupa continuar intacta. Era muito leve a forma como minhas asas saíam quando eu estava na Dimensão Celeste. Eu nem as sentia.

Flexionei os joelho e dei impulso, batendo as asas para baixo fortemente. E logo eu estava no ar. Segurei a mochila com as duas mãos pela alça e inclinei meu tronco para frente, juntamente com as pernas – voar não era tão fácil quanto parecia. Voei pelo imenso céu límpido, avistando o castelo médio que pertencia à meu pai.

Senti meus ombros ficarem tensos quando comecei a pousar em frente ao enorme portão dourado. Olhei para dentro da propriedade, avistando o jardim da frente. Toquei a grade, ainda com a sensação de nostalgia me invadindo. Novamente dei impulso com os joelhos e voei para cima, saltando o portão e pousando dentro da propriedade.

Comecei a caminhar em direção à porta que estava fechada. A cada passo era como se uma lembrança de repente dançasse em minha mente. O ruído dos meus passos ecoavam de um jeito abafado no chão duro, e eu não sabia como eu estava conseguindo andar normalmente, pois eu sentia como se eu fosse ter um pire-paque a qualquer momento.

Logo eu estava em frente á porta, em silêncio, tomando coragem para bater. Com a mão trêmula e respirando fundo, finalmente bati na mesma, fazendo um barulho oco ecoar um tanto alto pelo eco que soava dentro do castelo.

Logo ouvi alguém puxando a enorme maçaneta que ficava por dentro e a porta foi puxada para trás – senti meu estômago se revirar. Logo pude vislumbrar Chyo, nossa governanta.

Por um momento, pensei que Chyo teria um infarto, pois seus olhos pararam em mim e depois de cinco segundos se arregalaram, fazendo com que suas rugas pendessem para o canto dos olhos. Chyo já era uma senhora de idade, mas era extremamente saudável. Ela me criara desde que minha mãe morrera, me tratava como uma filha.

Chyo abriu a boca e respirou mais forte, como se estivesse com falta de ar. Dei um passo à frente, preocupada.

– Está tudo bem, Chyo-baa-chan? – perguntei com o tom de voz preocupado.

Chyo não respondeu, ela ainda respirava descontroladamente. Até que então fui envolvida em seus braços num aperto de urso. Chyo me abraçava fortemente, como se nunca mais fosse me soltar.

– Oh, pequena! Por que andou tão sumida? – sua voz continha certa tristeza – Este lugar não é o mesmo sem você.

Retribuí o abraço, fechando os olhos. Foi então que percebi a saudade e a preocupação que ela havia carregado o tempo em que eu não havia retornado para casa. Eu sabia que não merecia isso. Eu me senti culpada naquele momento, pois eu percebi as pessoas que realmente se importavam comigo, mesmo quando eu agi de modo tão egoísta, para o meu próprio bem — por mais que as coisas não estivessem tão boas entre eu e meu pai pouco antes de eu fugir. Eu me sentia desprezível, e por um lado eu gostaria de ser desprezada, assim eu não teria que ficar com a culpa martelando em minha consciência como um martelo pesado — ou então uma marreta. Seria tudo mais fácil se eu simplesmente fosse desprezada, eu sabia disso.

– Oh! Seu pai vai ficar tão feliz em vê-la — ela separou-se de mim, seus olhos castanhos claros brilhando por conta das lágrimas acumuladas que percebi que ela tomava cuidado para não deixar escorrer.

Eu não teria tanta certeza – pensei soltando um suspiro quase imperceptível.

Feliz não seria a palavra que o descreveria quando soubesse que eu voltara para casa. Ele iria na verdade ficar profundamente irado, me daria sermões até o final dos tempos e provavelmente me prenderia no porão para que eu nunca mais saísse e visse a luz do sol.

– Não tenho tanta certeza se ele ficará feliz — repliquei num tom de voz um tanto tímido.

Chyo-baa-chan me puxou para dentro delicadamente, e fechou a porta.

– Mas é claro que vai, menina! Você não tem noção do quanto ele sente a sua falta — Chyo ergueu uma mão e acariciou minha bochecha — Pelo visto você ganhou suas asas.

Assenti, sorrindo minimamente.

– Você está tão mais bonita, menina — ela sorriu do jeito materno que sempre me sorrira.

Você não merece isso, Sakura! , minha mente bradava raivosamente. Engoli em seco.

– São seus olhos, Chyo-baa-chan — eu disse e ela riu — Precisa usar colírio para melhorar a visão, pode ser grave.

Era impossível não me sentir bem com a boa e velha gargalhada de Chyo. Era contagiante.

– Então tenho problemas sérios nos olhos desde sempre, pois sempre vi uma bela garota de cabelos róseos por aí — ela revirou os olhos enquanto ria.

Sorri abertamente. Eu realmente havia sentido falta daquilo.

– E onde está meu pai? — mudei de assunto um tanto delicada.

– Oh, ele está numa reunião com a corte do rei, menina. Todos os anjos das primeira e segunda Tríade estão presentes na reunião.

– Que reunião é essa?

– Sobre uma possível Guerra, se não conseguirmos impedir — seu olhar mudou, para preocupado e um tanto ansioso — Não sabemos qual é o objetivo dessa Guerra. Outro dia chegou uma carta vinda diretamente da Dimensão Inferum dizendo que não haveria acordos, que o que eles queriam estavam aqui guardados na nossa Dimensão.

– Não há nada de muito valor guardado aqui? — perguntei com o cenho um tanto franzido.

– Há muitas coisas importantes guardadas aqui, querida. O problema é que não sabemos o que é. Algumas coisas são guardadas pelo próprio rei, outras estão escondidas.

– Onde? — perguntei sentando-me no sofá branco de camursa elegante que costumava ler quando estava chateada.

– Ninguém sabe onde — Chyo sentou-se também — Acho que nem mesmo o rei.

Mordi o lábio inferior com força.

– Chyo, foi justamente por conta dessa guerra que voltei para casa — confessei e não precisei erguer meus olhos para saber que ela olhava-me com espanto e confusão.

– Do que está falando, menina?

– Estou falando que eu já sabia sobre essa guerra. Eu soube de tudo em primeira mão — murmurei ainda não a olhando.

– Sakura, você está me confundindo. Você voltou por conta dessa guerra cuja você já sabia que ia acontecer? — sua voz estava carregada de confusão.

– Sim, Chyo-baa-chan — eu disse quase num sussurro e finalmente criei coragem para encará-la — Eu estou no meio dessa guerra agora. Eu me envolvi com uma pessoa que na verdade é mais importante do que eu penso para o Clã dos Descendentes de Baal.

Chyo arregalou os olhos.

– Do que está falando, menina?!

– Calma, eu irei explicar. — respirei fundo.

Eu sabia que aquilo era profundamente chocante para ela. Chyo esperou, os olhos castanhos brilhando de ansiedade avassaladora.

– Chyo, eu me envolvi com Uchiha Sasuke.

Nos primeiros três segundos, passou pela minha cabeça de que Chyo teria um infarto bem ali na minha frente e morreria — aquilo me desesperou. Mas depois apenas continuei calma, ou tentei, pois os olhos de Chyo estavam tão, mas tão arregalados que pensei que saltariam de suas órbitas.

– Você não está brincando, não é? — ela travou o maxilar por um momento.

– Não, Chyo — neguei com a cabeça — Sabe que eu nunca falaria algo desse tipo se não fosse verdade. Não sou do tipo que brinca com isso.

Vi Chyo engolir em seco e olhar-me com preocupação.

– Como isso foi acontecer, menina? — sua voz estava calma e baixa.

– Eu não planejei nada disso, Chyo. Juro. — comecei e respirei fundo para continuar a falar — Eu me matriculei numa escola mundana...

– Mas como? Você não atingiu idade para fazer isso sozinha na Dimensão Mundana.

– Eu nunca expliquei para ninguém como é que eu consegui parar lá, e vou contar apenas para a senhora — eu disse e ela assentiu. — Fui para a escola mundana de Tsunade.

Chyo arregalou os olhos mais uma vez.

– E ela concordou?

– De início não, mas depois ela cedeu — eu disse me lembrando daquele dia.

"Ela jogou uma madeixa de seus cabelos loiros para trás do ombro e voltou a apoiar o cotovelo na mesa, me olhando de modo avaliativo, procurando algo que eu não tinha a mínima ideia. Seus olhos castanhos brilhavam de forma instensa e quando encontravam os meus faziam com que eu me estrmecesse ligeiramente na cadeira de estofado vinho. Tsunade era uma mulher muito bonita para quem tinha 53 anos. Ela usava a energia celeste para canalizá–la numa pequena pedra que ficava sempre presa à sua testa, incrustrada em sua clara pele, mas apenas seres Celestes consguiam vê–la.

Era um tanto estranho ver Tsunade, que criou-me como filha até meus 14 anos, trajando um blazer verde aberto e uma blusa social preta um tanto decotada na parte de seus enormes seios. Usando uma saia social preta também e saltos incrivelmente altos, mas que a deixavam simplesmente bela com uma presença esmagadora onde quer que fosse.

– Não sei se posso fazer isso por você, Sakura — ela pegou uns papéis que estavam em cima da mesa e os olhos de maneira tediosa.

– Por favor — pedi-lhe — Sabe que eu não suporto mais viver um dia naquele lugar sem poder sair nem para a varanda de meu quarto direito.

Tsunade guardou os papéis em alguma gaveta de sua mesa. Ela suspirou pesadamente.

– Como posso permitir que fique nesta dimensão e depois olhar para seu pai e fingir não saber de nada? — seus olhos castanhos voltaram a arder sobre mim.

Senti meu estômago se revirar.

– Se me deixar ficar, serei a aluna mais aplicada dessa escola, não lhe darei problemas e ainda trarei seu saquê sempre que precisar.

Os olhos dela brilharam e logo um sorriso divertido formou-se em seus lábios rosados.

– Você nunca perde seu senso de humor — e então ela riu e eu a acompanhei.

– Só... Por favor. Não quero voltar para aquela prisão – eu baixei meus olhos, vendo minhas mãos juntas com os dedos entrelaçados de modo ansioso.

Ouvi-a suspirar.

– Posso mesmo dar minha cara a tapa por você, pequena?

Ergui meus olhos e sustentei nosso olhar com firmeza.

– Sim — proferi do modo mais confiante que consegui.

Tsunade abriu alguma gaveta e tirou de lá uma garrafa de saquê. Eu ri.

– Então está bem, Sakura. Você fica — ela tirou a rolha da garrafa e levou a boca da garrafa aos lábios. Um longo gole foi dado.

Sorri aliviada.

– Obrigada, Okka-san — eu disse e de imediato seus olhos voltaram-se à mim, em completa surpresa.

– Faz muito tempo desde a última vez em que você me chamou assim — outro gole.

– Mesmo você não sendo a mãe que não tenha me dado à luz, não me importa. — murmurei e sorri de modo aberto, me sentindo bem com aquele momento.

– Também não me importa — ela disse e sorriu de modo materno, aquele sorriso que ela sempre abria quando estávamos conversando sozinhas — Você sempre vai ser a minha filha."

.^.^.^.

Chyo havia me selecionado um vestido bem bonito — bastante diferente dos vestidos da Dimensão Mundana, mas ainda sim era belo.

O pano era fino, cobria apenas a parte da frente de meus seios e abertos nas costas, trançado com cordões de prata. Ele modelava meu corpo, pelo fato do pano ser fino e leve. Uma faixa prata era presa em um lado de meus quadris e o resto pendia até um pouco abaixo do bumbum, do outro lado de meu corpo. Havia um vão de tamanho médio na lateral do vestido, que com toda a certeza desnudaria minha perna conforme eu andasse. Uma pequena barra se arrastava no chão.

Peguei uma capa cinza claro e passei o suporte de ouro que a prendia pelo pescoço, o repousando em meu colo. Pelo menos assim eu ficaria mais à vontade — eu me sentia nua. Eu havia me acostumado com os vestidos grandes, rodados, cheios de pano e pesados da Dimensão Celeste e quando voltei a usar os típicos panos de minha dimensão, estranhei completamente.

Eu mesma havia arrumado meus cabelos. Eu havia o prendido num rabo de cavalo usando uma de minhas próprias madeixas para prendê-lo e havia prendido minha franja num leve topete preso com um grampo em formato de lua crescente.

Olhei-me no enorme espelho que cobria boa parte da parede do meu antigo quarto. Eu não estava me reconhecendo. Nem mesmo quando eu não havia fugido eu não usava aquele tipo de vestido — talvez pelo fato de eu ser nova no tempo. Eu estava passando um ar um tanto místico até, eu parecia alguma ilustração de livros mitológicos. Eu sinceramente estava bonita daquele jeito, por mais que eu estivesse ainda sim sentindo-me um tanto nua.

Quatro batidas ocas e rápidas soaram na madeira branca da porta grossa.

– Sim? — perguntei ainda olhando para o espelho.

– Chyo mandou avisar que seu pai já retornou — a voz de uma mulher, provavelmente a arrumadeira, soou por detrás da porta.

– Obrigada. Estarei descendo em breve.

– Sim, senhora — e então não ouvi-a mais dizer nada.

Um temendo frio na barriga me subiu naquele momento enquanto eu imaginava que depois de um ano e meio eu voltara para casa e veria meu pai. Como será que ele estaria? Como ele reagiria? — Eram inúmeras perguntas que rondavam minha mente sem parar por um segundo, deixando-me apreensiva. Eu não conseguia sequer dizer a mim mesma para me acalmar, mas quando eu o fiz, tive de respirar fundo três vezes seguidas e olhar-me no espelho mais uma vez, para tomar coragem.

Andei até a porta, a cada passo sentindo como se eu afundasse num mar de turbilhões de sentimentos. Eu ainda estava muito nervosa. Minha mão foi até a maçaneta vagarosamente, um tanto trêmula. Girei a maçaneta redonda prateada e puxei a porta. Logo eu havia saído de meu quarto e estava andando pelo imenso corredor clareado — quase reluzente até.

Um nó se formou em minha garganta quando comecei a descer as escadas. Eu não conseguia raciocinar direito, tanto que eu havia me esquecido de levantar a barra do vestido para não tropeçar. Assim que percebi que se eu continuasse daquele jeito eu iria cair, levantei o fino e leve pano branco com um brilho de pérola e continuei descendo, só que com mais facilidade e sem tantos riscos de tropeçar e cair.

Quando enfim desci todos os degraus, rumei até a grande sala que era destinada apenas para estar e lazer. Meu coração estava batendo rápido demais, o que fazia com que minha respiração se acelerasse mais ainda — eu sentia que iria morrer com as veias entupidas de tanto meu coração bombear sangue.

E finalmente abri a porta, fazendo um barulho de madeira se chocando brevemente. No instante em que eu entrei, senti uma súbita vontade de retornar meu caminho de volta ao meu quarto e me trancar para nunca mais sair. Me pai estava de costas, e ainda não havia virado-se para me olhar. Ele então virou num movimento vagaroso, e seus olhos pairaram em mim.

Os cabelos róseos de meu pai estavam presos num rabo de cavalo baixo, ficando da cor branca nas pontas do cabeço. Seus olhos castanhos claros quase meu me olhavam de modo que eu não consegui decifrar. Apenas consegui ver que ele estava forçando-se a acreditar se eu realmente estava ali. Seu rosto anguloso e másculo — até um tanto rude — estava suavizado, mas numa expressão de descrença. Ele trajava uma calça cinza claro e botas negras. Uma camisa totalmente frouxa e um colete da mesma cor que a saia. Ele estava mais jovem do que eu me lembrava, ele estava bem bonito.

– Sakura — ele proferiu meu nome. Ele virou-se para Chyo, que estava sentada no encosto ja enorme janela.

Era como se ele quisesse saber se Chyo também estava me vendo ou se era apenas imaginação dele. Chyo apenas assentiu.

Meu pai deu um passo à frente.

– Você... Você está aqui — a voz dele saiu num murmúrio.

Assenti, sem saber como encará-lo. Ele deu mais um passo à frente.

– Você voltou — ele parou e me encarou, analisando meu rosto — Você mudou.

Assenti outra vez e então coloquei as asas para fora, o sobressaltando levemente. Ele olhou com um brilho de fascinação em seus olhos.

– Você já ganhou as asas — um sorriso mínimo brincou com o canto de seus lábios finos — Estão bastantes grandes.

Novamente assenti — era tudo o que eu conseguia fazer naquele momento. Ele surpreendeu-me quando andou rapidamente para minha direção, fazendo-me me assustar um pouco e recuar um mínimo passo, mas ele me envolveu em seus braços. O calor de seu abraço transmitia um ar paterno que eu não sabia que estava precisando tanto. Novamente, a sensação de culpa me alcançou naquele momento, e tudo o que eu conseguia fazer era fechar os olhos fortemente e retribuir aquele abraço.

Logo ele se afastou de mim e segurou-me pelos ombros.

– Por onde andou, minha filha? Por que foi embora? O que houve para que tudo isso tivesse acontecido? Pensei que você tivesse sido raptada ou algo parecido. Você não sabe o quanto eu te procurei, em todos os cantos.

Pisquei, olhando surpresa para meu pai. Normalmente não conversávamos abertamente. O máximo de contato que tínhamos depois da morte de minha mãe, era apenas sobre o casamento que ele arranjara com Sasori. Nada mais que isso, pois ele sempre vivera ocupado demais para me dar atenção. Eram muitas reuniões, ele tinha — e ainda deve ter — milhões de tarefas, no entanto, ele estava ali naquele momento. Ele estava bem à minha frente.

Eu não conseguia descrever o que eu estava sentindo naquele momento. Era simplesmente inebriante o modo como eu sentia meu coração pulsar de modo mais forte e contente por eu estar ali. De certa forma, eu precisava daquilo, por mais que eu adorasse a liberdade que eu havia experimentado na Dimensão Mundana.

–É muita coisa para contar, papai — eu disse num tom um tanto tímido.

Ele olhou-me profundamente, procurando vestígios da filha que ele achava ter de um modo. Pelo menos na visão dele. Eu sabia que eu parecia ter mudado muito e de certa forma, essa ideia me agradava. Apenas me deixei ser conduzida até o sofá macio de camurça branco por sua mão em meu pulso puxando-me delicadamente antes de começar a contar realmente tudo o que aconteceu.

Notas finais
Até mais, meus lindos!