Give Me Love
11 -Capítulo 11-
Notas iniciais
Give Me Love
–Capítulo 11-
Por JefCokkie
E então ele sorriu, olhando-me pelo reflexo do espelho. Um sorriso de pura satisfação. Era como “Minha obra-prima está terminada”.
– Terminei – ele disse e deu um suspiro.
Olhei-me no espelho, não reconhecendo quem estava refletida naquele espelho. Metade da parte superior do meu cabelo estava preso com um indo arranjo de asas de anjo – sim, aquio era bem irônico. Era incrustado de brilhantes. Todo o meu cabelo estava puxado para o ombro esquerdo, em formosos cachos cheios. Meus olhos estavam ressaltados com rímel, destacando o verde esmeralda de meus olhos com uma média linha de lápis preto embaixo dos olhos, puxados numa linha para cima no final dos olhos.
– Agora só falta o vestido – ele disse e então pegou a caixa que ainda estava em cima da cama em que eu dormira.
Eu ainda não havia aberto a caixa, não havia visto o vestido. Vi-o tirar a tampa da caixa e então puxar um pano branco, descobrindo o vestido.
– Você simplesmente vai ficar maravilhosa neste vestido – e então ele puxou o vestido.
Era um azul marinho intenso, que cintilava à luz do elegante candelabro pendurado no teto. Ele entregou-me o vestido.
– Vista-se – ele disse sorrindo-me ternamente.
Deidara era um excelente profissional, além de ser engraçado. Seus cabelos loiros cumpridos eram os cabelos mais bem cuidados que eu já havia visto em toda a minha vida. Sua franja cumprida cobria uma metade do seu belo rosto. Seus olhos eram num azul intenso, destacando-se na pele clara que ele possuía.
– Vou ficar de costas para você, virado para a parede – ele disse e foi para o outro canto do quarto, virando-se de costas para mim.
Despi-me da camisola branca e do shorts que fazia conjunto com a mesma e tratei de vestir aquele imenso vestido.
Caíra-me como uma luva. Era frente única, trançado nas costas com delicados fios azuis claro quase brancos – sim, eu já estava achando meio pessoal isso, pois sempre que alguém me dava algo para vestir sem era aberto nas costas. Era justo na cintura, deixando-me quase sem ar e ressaltando perigosamente os meus seios com o mínimo vão em V. O vestido escorria até o chão, aberto como uma pequena montanha, num azul marinho tão intenso que fez-me sorrir. Havia uma cauda que arrastava-se um pouco no chão. Um pano transparente fino e cintilante cobria o vestido, dando um destaque que eu havia adorado.
– Pronto – eu disse.
– Bem, com toda a certeza do mundo isso será uma bela de uma... – Deidara parou de falar quando virou-se e me viu – Explosão.
Ele olhava-me de cima a baixo.
– Kami, você está simplesmente... Está... – ele parecia não encontrar a palavra certa – Você vai ser a moça mais bela de todo o baile.
Sorri, corando com seu elogio exagerado.
Virei-me de costas para ele.
– Ajude-me a fechar isso – eu disse apontando para os cordões na parte das costas.
Ele se aproximou.
– Por Kami, onde conseguiu essas cicatrizes? – ele perguntou e na hora eu senti um frio na barriga – eu teria que mentir, novamente.
– Não me lembro – respondi mantendo-me calma – Acho que eu era pequena demais para conseguir me recordar agora.
Ele ficou em silêncio, parecendo refletir – ou então ele havia engolido aquela história, que até que soara convincente. Pelo menos um pouco.
– Mantenha-se ereta – ele disse puxando os cordões, fazendo-me prender o ar – Estufe o peito e coloque os ombros para trás. Terminei.
Eu virei para ele e lhe sorri.
– Obrigada.
– Eu que agradeço, garota – ele disse sorrindo também, mas antes de eu perguntar o por que ele continuou – Por me deixar fazer você tão linda essa noite.
Corei novamente, sorrindo para ele docemente.
– Agora vá, e impressione a todos – ele deu-me um beijo na testa.
Assenti e então rumei até a porta do quarto.
– Espere – ouvi-o dizer e virei-me de imediato – Tome isso.
Ele pegou algo que havia dentro de sua maleta prateada e aproximou-se de mim.
– Quero que o use – ele mostrou o belo colar prateado com uma pedra média da cor vermelha semelhante ao rubi, envolta de uma pequena cúpula aberta de prata. Era lindo.
– Oh, não – eu disse o olhando sem saber o que dizer – Eu não posso aceitar.
– Tsc! – ele estalou a língua enquanto revirava os belos olhos azuis – Claro que pode.
Ele me lembrava a Ino, na verdade, eu estava seriamente cogitando que haviam criado uma versão masculina da Ino. Eles eram idênticos. E estava assustada ao perceber o quanto se pareciam – tanto fisicamente quanto na personalidade extrovertida e sincera.
– Vire-se – ele pediu e eu o fiz.
Ele passou o colar pelo meu pescoço e então o fechou. Virei-me para o fitar.
– Obrigada.
Ele sorriu.
– Ande, chispe daqui! – ele abriu a porta – Já passou da hora de você sair.
Eu ri minimamente e então saí, mas antes virei-me e olhei-o enquanto sorria ternamente.
– Obrigada, novamente – eu agradeci e ele fitou-me em silêncio por um momento.
– Não há de quê, anjo – ele sorriu-me.
Paralisei por um momento ao ouvir a palavra anjo, mas logo voltei ao meu normal. Apenas fiz um aceno com a cabeça e retirei-me, andando pelo enorme corredor com passos não muito rápidos. A bela sandália prateada de salto-alto não me permitia andar mais rápido do que aquilo.
Desci a escada segurando a parte da frente do vestido para não tropeçar no pesado pano até que então ouvi uma suave música vinda do lado esquerdo do corredor.
– Senhorita! – ouvi uma voz feminina chamar-me e virei-me na direção onde eu havia ouvido. Vi a mesma senhora que havia me entregado andar rapidamente em minha direção.
– Sim?
– O Senhor Uchiha pediu-me para lhe entregar isso – ela disse e me estendeu uma pequena caixa média prateada.
Tirei a tampa da caixa que ainda se encontrava nas mãos da mulher e vi um pano prateado de seda cintilante que ali estava. Tirei-o dali e embaixo havia um cartão pequeno da cor branca.
“Para as suas cicatrizes.”, estava escrito numa elegante caligrafia.
Coloquei o cartão dentro da pequena caixa novamente e sorri para a mulher.
– Obrigada – eu disse e ela fez uma breve reverência, saindo dali em passos rápidos.
Desdobrei o refinado pano e o coloquei sobre os ombros, cobrindo-os. O pano era mais largo que eu previra, e cobrira a parte superior de minhas costas. Minhas cicatrizes não seriam vistas.
Segui para o lado onde eu ouvia a música que parecia ser clássica. Violinos soavam com contra baixos estupendos. E então, ao virar o enorme corredor eu vi pessoas entrando para um cômodo, que indicava-se ser o salão. As pessoas estavam vestidas de modo antigo, mulheres usavam vestidos longos e belos, com um ar meio medieval. Os homens trajavam belos ternos com detalhes minúsculos das bordas de suas golas, deixando-os simplesmente elegantes.
Era tudo muito belo.
Cheguei mais perto e então vi o enorme salão. Era gigantesco e iluminado, o elegante e enorme candelabro de cristal pendia no fabuloso teto em formato de concha, brilhando tão magnificamente que me peguei hipnotizada.
Havia uma escadaria que dava ao salão, uma larga escada, coberta com um tapete cumprido da cor vermelha. Estava lotado. Aquilo era muito diferente dos bailes que ocorriam na Dimensão Celeste. Na Dimensão Celeste, tudo era muito brilhoso, tudo muito cintilante... Mas aquele baile... Era tudo com cor. Com vida – o que me excitava mais para descobrir mais sobre aquele mundo.
Adentrei o enorme salão, olhando maravilhada para aquilo tudo. Segurei a frente de meu vestido quando comecei a descer os degraus e com a outra mão segurei o pano que repousava em meus ombros cobrindo minhas costas. Foi então, que quando eu ergui os olhos, encontrei vários pares de olhos voltados para mim. Senti-me um tanto indefesa diante daquilo tudo.
Mais ou menos uns dois metros à frente da escada, estava Sasuke. Ele estava de costas para mim, conversando com dois homens. Percebi o quão elegante ele estava, mesmo de costas. Os dois homens cujo ele estava conversaram então passaram seus olhos à mim, enquanto eu ainda descia os degraus. Sasuke virou-se, seguindo o olhar de ambos os homens e deparou-se comigo.
Seu olhar estava diferente, ele parecia estar hipnotizado. Corei com isso – acho que mais do que eu devia. Ele trajava um belo terno negro – elegante até demais -. Usava uma busa de seda branca social por baixo, perfeitamente colocada, com uma gravada em formato de coração em cima, presa embaixo do colete cinza claro que usava. Aquela roupa lhe favorecia muito, o deixava mais desejável do que já era.
Ele então veio andando para mais perto da escada e parou em frente à mesma, olhando-me dos pés a cabeça.
– Oi – eu disse e vi o canto de seus belos lábios sedutores se erguerem num sorriso que acho que ainda não havia visto.
– Vejo que o vestido lhe caiu muito bem – ele disse e ofereceu-me o braço direito, curvando-o em formado de concha.
– Como uma luva – eu disse aceitando seu braço.
Passei meu braço esquerdo pelo vão.
– Você está ótima – ele disse perto de meu ouvindo, fazendo-me sentir seu hálito refrescante em meu pescoço causando arrepios que não deveriam ser causados.
– Você também não está nada mal – eu disse e vi sua bochecha se erguer.
– Fique perto de mim, não saia do meu lado nem por um segundo, a não ser que eu queira – ele disse e senti uma pontada de irritação.
Lá vinha ele com suas ordens – mas eu não estava disposta a discutir àquela altura.
– Por quê? – decidi perguntar.
– Todos os que estão aqui fazem parte do Clã de Descendentes de Baal – ele disse e eu procurei não demonstrar o quanto aquilo me afetou.
– Sasuke, como é que você traz um Serafim para um baile infestado de pessoas do seu clã? – perguntei com uma pontada de incredulidade.
Ele deu de ombros e eu apenas revirei os olhos.
– Isso é perigoso – murmurei.
– Para mim ou para você mesma?
– Para ambas as partes – repliquei com um suspiro sufocado.
– Eu a trouxe para que todos a vissem comigo, assim nunca iriam desconfiar de você. Eles nunca iriam imaginar um Serafim com um Descendente de Baal. Em hipótese alguma eles pensam que eu estaria com um ser celeste, muito menos num baile cheio de Descendentes de Baal, então de certa forma, é seguro.
Pisquei, refletindo. Ele tinha toda razão.
– Assim será mais seguro quando precisarmos sair.
Olhei-o procurando entender o que ele quis dizer com aquilo, mas deixei isso de lado. Quando finalmente decidi dizer algo, vozes começaram se juntar, quase gritando. Todos pareciam estar eufóricos. Sasuke virou-se, puxando-me junto e então eu direcionei meus olhos à escada, que era para onde todos estavam olhando.
Um homem bonito, trajando um belo terno negro, com apenas uma camisa branca social elegante por debaixo de um paletó negro fechado até a metade e uma calça negra social de porte antigo. Ele era incrivelmente belo. Seus cabelos eram quase tão negros quando o paletó que usava, que lhe iam até um pouco acima do quadril. Seu cabelo era belo e volumoso. Seus olhos negros varriam pelo são, até então olharem para algo que estava ao meu lado – na verdade alguém.
– Meu tio chegou – o tom de voz de Sasuke era de total frieza.
Senti um frio na barriga no qual não me agradou nem um pouco.
O belo homem desceu os degraus sorrindo à todos que estavam ali, e seus olhos pararam em mim por um momento e em meu braço enlaçado com o de Sasuke. Senti-me ameaçada.
Sasuke faz um breve aceno com a cabeça para o homem, que retribui e então me puxa dali, arrastando-me com ele. Passamos por entres os convidados que tinham sua atenção voltada ao tio de Sasuke.
Sasuke levou-me para um canto onde ninguém prestasse atenção e virou-se para mim.
– Sasuke, o que está fazendo? – perguntei e ele enfiou sua mão dentro da gola de sua blusa, tirando o pingente.
– Tome isso – ele tirou o pingente enquanto eu o fitava com as sobrancelhas arqueadas.
– Não vou colocar isso, Sasuke – eu disse entredentes.
– Preciso disfarçar a sua energia, Haruno. Os outros podem não perceber sua energia, mas meu tio não é tolo, ele perceberá.
Olhei-o – na verdade o fuzilei com os olhos e peguei o pingente de suas mãos.
– Coloque onde meu tio não veja – ele disse e eu arqueei uma sobrancelha – Mas tem que estar em contato com a sua pele.
Revirei os olhos e então puxei um pouco do vão da parte de cima do vestido, depositando o cordão de prata com o pingente entre os meus seios. Era o único lugar seguro.
Ergui meus olhos para olhá-lo e o mesmo estava olhando demoradamente para os meus seios.
– Haruno, acho que você não percebe que é perigoso fazer esse tipo de coisa na minha frente – ele subiu o olhar para meu pescoço, ohando para o colar que Deidara havia me dado. – Onde conseguiu isso?
Olhei para o colar em meu próprio pescoço e o ajeitei ali.
– Deidara me deu.
Ele assentiu e soltou um suspiro.
– Ótimo. Venha – ele puxou-me pela mão, entrelaçando seus dedos nos meus.
Olhei para nossas mãos e senti meu estômago se revirar numa sensação não muito confortável.
Ele me puxou, passando entre os convidados, que pareciam olhar-me com curiosidade.
Sasuke parou e puxou-me para mais perto de si, depositando uma mão em minha cintura enquanto a outra ainda estava segurando minha mão. Eu estava de cara com seu peitoral, procurando não arfar.
Por que é que ele tinha de ser tão belo? ,era o que vagava em minha mente.
Olhamos para uma roda, onde o homem elegante que era tio de Sasuke se encontrava, conversando e sorrindo. Ele parecia ser importante ali.
– Desde a morte dos meus pais ele age como se fosse o herdeiro – ouvi Sasuke murmurar e olhei para cima, vendo-o olhar na direção de seu tio com certa raiva contida em seu olhar.
– E o herdeiro na verdade é você, não é? – perguntei e ele assentiu, sem me olhar.
Ele virou a cabeça e olhou-me profundamente nos olhos, e por um segundo pensei que ele me beijaria.
– Meu tio está vindo – ele falou baixo – Finja que estamos falando sobre qualquer outra coisa.
Assenti, inebriada pela beleza de seu rosto anguloso. Ele sorriu pouco.
– Meu caro sobrinho – uma voz masculina e grave foi ouvida.
Sasuke desviou os olhos de mim para o homem, que agora estava parado bem à nossa frente.
– Tio – Sasuke murmurou – Como chegou de viajem?
– Melhor impossível – os olhos negros daquele homem voltaram-se para mim e depois para Sasuke novamente – Já resolvi tudo o que eu tinha para resolver na Dimensão Inferum.
Sasuke assentiu e então vi que o tio dele olhava-me fixamente agora.
– E quem é a bela moça? – ele perguntou olhando-me.
– Bem, essa é a minha única e fiel amiga – Sasuke disse e Madara sorriu.
Amiga. Aquilo ecoou em minha mente.
– Permita-me apresentar-me – o belo homem disse e sorriu – Uchiha Madara, ao seu dispor.
Ele estão estendeu uma mão. Olhei para Sasuke e ele assentiu brevemente. Soltei a mão de Sasuke e estendi-a para Madara, que pegou-a delicadamente e depositou um beijo demorado na mesma.
Um arrepio correu-me por todo o corpo. A presença daquele homem era simplesmente esmagadora.
Ele soltou minha mão e eu a recolhi de imediato, depositando-a no peito de Sasuke, que trocou o peso do corpo para uma das pernas. Madara olhou-nos por um momento.
– Sasuke, – Madara disse e deu um suspiro com um ar decepcionado – pelo o que eu sei e pelo o que todos sabem, Uchiha Sasuke não tem amigas.
O silêncio entre nós instalou-se e então eu senti medo. Medo de tudo ter sido descoberto. O frio desgraçado na barriga crescia cada vez mais.
Ouvi Sasuke suspirar, com ar frustrado.
– Desculpe mentir, tio – Sasuke disse e uma batida de meu coração se acelerou. O que diabos, ele estava fazendo?!
Olhei para Sasuke, com desespero contido em meu olhar. Ele iria trair-me?
– Eu sabia que o senhor nunca acreditaria que ela era uma amiga – Sasuke continuou.
Eu ia me afastar de Sasuke, mas ele segurou minha cintura fortemente, impedindo-me.
– Claro que não, garoto – Madara replicou – Acha que eu iria acreditar que uma beldade dessa seria sua amiga?
Pisquei, não entendendo o rumo da conversa dos dois.
– Então permita-me apresenta-la devidamente – o canto dos lábios de Sasuke ergueram-se num sorriso – Esta é Tasui Sakura, minha namorada.
Meu coração falhou uma batida e eu senti minhas pernas bambearem. Namorada?! O que é que estava se passando na cabeça daquele Uchiha para dizer aquilo?!
Madara pousou seus olhos negros sobre mim.
– Então o coração de meu sobrinho finalmente foi fisgado – ele sorria, parecendo estará creditando naquela história.
– Espero que sim – murmurei automaticamente e Madara riu, fazendo eu sentir um alivio mínimo.
– Coloque-o na linha, querida – Madara sorria.
– Sim, senhor – eu sorri forçadamente, tentando fazer parecer natural.
– Bem, terei que cumprimentar o resto dos convidados. Fique à vontade, querida – Madara disse lançando-me um breve sorriso – Depois venha falar comigo, Sasuke. Tenho boas novas para lhe contar — e lançando um olhar à Sasuke, saiu.
Suspirei de alívio olhando o belo homem afastar-se e então ergui a cabeça, encontrando um par de olhos negros sobre mim. Sasuke me fitava profundamente, sem nada dizer. Senti minhas bochechas esquentarem de imediato.
– Atuou bem – ele disse próximo ao meu rosto.
– Obrigada – minha voz saiu num sussurro embargado.
Ele olhou para os meus lábios, fazendo meu coração bater mais forte. Tudo bem que eu gostaria de ser beijada por ele, mas aquilo já estava passando dos limites. Empurrei seu peito, afastando-me dele.
Ele olhou-me com certa confusão contida em seus olhos.
– Por que disse aquilo?
– Não tenho amigas, Sakura. Ele nunca iria acreditar – ele replicou e eu sustentei o olhar.
– Mas dizer que eu era sua namorada?
Ele deu de ombros e eu suspirei.
– Venha, vamos dançar.
Ele puxou-me pela mão para a pista, onde alguns casais dançavam elegantemente. Depositou uma mão em minhas costas enquanto a outra segurava minha outra mão no ar. Minhas costas estavam eretas e meu peito estufado – como Deidara havia me falado – e ele do mesmo modo. Nossa postura parecia estar maravilhosamente bem.
Sasuke deu um passo à frente, me conduzindo sem problemas. Logo um passo para o lado foi dado, enquanto eu o acompanhava. Procurei ignorar os bastantes pares de olhos voltados à mim e à ele, apenas me concentrei em olhar para seu rosto, e seus olhos nos meus.
– Acha que ele acreditou? – perguntei veemente tensa.
– Provavelmente – murmurou – Apenas sinta-se lisonjeada.
Franzi o cenho. Ele girou-me e voltou a conduzir-me.
– Pelo quê? – perguntei.
– É uma honra ser mulher de um Uchiha – ele disse com um rastro de divertimento em seus olhos negros.
– Honra?! Vá para o Inferno – eu disse entredentes.
– Apenas em finais de ano, amor – ele disse estampando um sorriso cínico.
Me segurei para não revirar os olhos.
Sasuke era um excelente condutor. Fazia-me sentir bela e elegante ali naquela dança, mesmo eu estando irritada com ele. Até que a música sessou e ele curvou-se, enquanto beijava minha mão.
– Vou procurar meu tio para saber o que ele tem a me contar. Toda informação vale – ele disse e eu assenti – Coma algo. Logo a encontrarei.
Assenti e saí da pista de dança quando ele fez o mesmo.
Andei até a enorme mesa onde havia variados pratos de comidas. Eu estava quase lá, até que então avistei cabelos ruivos. No momento senti algo me parar. Eu só podia estar ficando louca!
Afastei-me dali, onde o ruivo que estava de costas para mim não conseguiria me ver mesmo se virasse em minha direção. Eu tinha de ver com os meus próprios olhos.
Foi então que ele virou-se, sorrindo para uma mulher que havia chegado e que conversava com ele.
Seus cabelos ruivos estavam mais cumpridos do que eu me recordava. Seus olhos cor de amêndoa eram os mesmos, a não ser por algo oculto que ao meu ver, eu não saberia nem tão cedo – ou então simplesmente não saberia. Ele trajava um belo terno negro, que se destacava dentre os demais e eu sabia porque: fora feito na Dimensão Celeste. Simples assim.
O que diabos, ele estava fazendo ali?
Não tive tempo de pensar ou fazer mais nada, pois toda a atenção minha e dos convidados se voltaram para a escada. Madara estava em pé, sorrindo para o público.
– Meus caros – ele pronunciou, sua voz grave soando pelo salão quando todos se calaram para ouví-lo -, é om grande prazer que lhes digo sobre minha chegada bem sucedida na Dimensão Mundana novamente. Agradeço à todos por terem comparecido, e como sempre, nunca estou de mãos abanando.
Ele fez um aceno para que alguém se aproximasse. Vi Sasuke subir e ficar ao seu lado, apenas um degrau abaixo de onde Madara estava. Os olhos negros de Sasuke vagavam à procura de algo, até que me encontraram e um arrepio tomou-me novamente.
– Recebi uma notícia que alegrou meus nervos – Madara prosseguiu – Para a alegria de meu sobrinho querido e para a infelicidade das moças, eis que meu sobrinho finalmente tem seu coração fisgado.
Os convidados se agitaram, cochichando ao mesmo tempo.
Arregalei os olhos ao ouvir aquilo. Do que ele estava falando?
– Quero que recebam com grande fervor o relacionamento amoroso de meu sobrinho com sua mais nova e belíssima namorada, Tasui Sakura.
Meu coração parecia que saltaria pela boca. Os olhos de Sasuke, mas não somente os dele como os de Madara, me encontraram. Madara fez um gesto para que eu me aproximasse.
Sasuke fez um aceno leve com a cabeça, assentindo para que eu me aproximasse. Engoli em seco e caminhei sem pressa até a escada, com os convidados abrindo passagem, olhando-me fixamente.
Sasuke estendeu o braço oferecendo-me sua mão, que aceitei de bom grado, me colocando ao seu lado.
– Aqui está a moça – Madara disse – Recebam Sakura, agora membro de nossa família.
Todos aplaudiram. Olhei para Sasuke, que me sorriu, mas parecia estar mais inseguro do que eu.
– Tem algo a nos dizer sobre isso, Sasuke? – Madara perguntou com um sorriso que lhe repuxava os belos lábios.
– Simplesmente aconteceu – Sasuke disse para todos, fazendo meu coração disparar – Ela é o meu bem mais precioso.
E todos aplaudiram novamente. Baixei os olhos, constrangida e confusa com aquilo tudo. Aquilo havia passado dos limites, mas agora não havia volta.
Quando ergui os olhos, encontrei Sasori. Senti uma breve falta de ar ao ver que o mesmo me encarava. Todos ainda estavam aplaudindo, enquanto eu ainda o olhava.
Eu nunca imaginaria o encontrar ali, mas agora era tarde.
E então, apertei a mão de Sasuke, que me olhou de imediato.
Os olhos de Sasori ardiam sobre mim.
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