Give Me Love
6 -Capítulo 6-
Notas iniciais
Give Me Love
–Capítulo 6-
Por JefCokkie
Acordei sentindo um familiar aroma de hortelã. Abri os olhos lentamente, percebendo então que eu estava com a jaqueta de Sasuke. Eu havia adormecido com a mesma. Sentei-me lentamente, sentindo não tanta dor quanto eu estava sentindo anteriormente, me amaldiçoando por ter dormido com aquela jaqueta.
O problema de estar com algo dele, era que seu cheiro viciava. E eu não poderia simplesmente me viciar em alguém que eu nem conhecia.
“Sakura...”, sua voz sussurrando ecoou em minha mente.
Como ele sabia o meu nome?
Sem nem sequer querer pensar, arranquei a jaqueta de mim e joguei-a no colchão. Bufei, passando os dedos pelos meus cabelos cujos não pareciam estarem nem um pouco embaraçados.
Olhei para o velho relógio que havia pendurado na parede e arregalei os olhos. Eu estava atrasada. Saí correndo, pegando meu uniforme cujo eu deixava pendurado num cabide velho num prego preso à parede e o vesti rapidamente.
Vesti o uniforme em um tempo impressionante e logo saí de casa, com a mochila nas costas e a jaqueta em minhas mãos. Eu praticamente corri para a escola, sentindo falta de ar, mas não me importando. Atravessei a rua no farol vermelho, ouvindo várias buzinas soarem furiosas para comigo.
Continuei meu caminho correndo, até que enfim chego em Konoha Gaksuen.
Passei correndo pelo enorme campus e adentrei o segundo pavilhão. Subi rapidamente dois lances de escada até que enfim consigo adentrar a minha sala.
Para a minha surpresa, a sala ainda estava vazia, o que me fez suspirar de alívio.
Olhei para a jaqueta de couro negro que estava em minha mão e suspirei – eu ainda me perguntava o que o levou a me ajudar, pois se eu estivesse no lugar dele quando tivesse visto-me com as asas, eu sairia correndo para nunca mais voltar. Érh..! Mas eu não era ele, definitivamente.
Dobrei a jaqueta do modo mais bonito que consegui e então deixei sobre sua mesa, que ficava sempre a frente da mesa de Uzumaki Naruto. Eu apenas torceria para que o mesmo aparecesse na aula, pois ele sempre cabulava.
Suspirei e sentei-me em minha carteira, que ficava o mais distante possível daquele Uchiha. Minha mente rodava na hipótese dele fazer algo depois de ter me visto daquele jeito.
“Ele te ajudou, sua idiota. Ele não te machucaria depois de ter te ajudado.”, isso ecoava em minha mente – o que sinceramente não estava me ajudando nem um pouco.
Logo vi os alunos adentrando a sala de aula, e de imediato senti a falta de Ino, lembrando-me da conversa de ontem.
“Grandes olhos azuis me fitavam.
– Sasuke? Você quer dizer, Uchiha Sasuke? – ela mal podia expressar a surpresa que ficara.
Assenti, procurando olhar para o chão, desviando daquele olhar devorador.
– Explique isso.
– Eu fui para a sala de música depois de ter saído correndo da classe, minhas asas estavam prestes a sair e eu não podia controla-las. – suspirei, lembrando-me do ocorrido – Mal entrei no anfiteatro e minhas asas saíram. A dor foi tão grande que eu não consegui conter o grito. Ele deve ter me ouvido gritar e foi ver o que era, e então ele me viu.
– Ele viu suas asas? – ela perguntou com olhos contidos de preocupação.
– Santo Kami! – ela tapou a boca com uma das delicadas mãos enquanto arregalava os olhos – Mas e agora, Sakura?
– Não sei, Ino – admiti – Estou com medo.
– Medo o que?
– Dele.
Um silêncio estranho instalou-se entre nós duas.
– Mas e depois, o que aconteceu? – ela perguntou tentando amenizar aquela tensão estranha.
– Umas pessoas entraram no anfiteatro – respondi – Ele deu-me a jaqueta dele para que eu vestisse e saísse dali, antes que me vissem. Então eu fui embora, e depois de ter pulado o muro da escola, desmaiei na rua.
Ela meneou a cabeça e ficou em silêncio.
– Amanhã terei que viajar para a casa dos meus avós – ela mudou de assunto – Minha vó adoeceu e minha mãe está em viajem de negócios com o meu pai, então terei que ir.
Assenti, suspirando cansadamente.
– Você vai ficar bem? – perguntou-me veemente preocupada.
– Promete?
– Sim, Porquinha.”
Logo a sala estava cheia, até que então certo loiro dono de belos olhos azuis adentrou, com seu sorriso ardente de sempre. Logo atrás um garoto de cabelos castanhos cumpridos e olhos cinzentos meio perolados. Ah sim, Hyuuga Neji.
E então ele entrou. Ele passou os dedos pelos cabelos negros, os bagunçando ainda mais, deixando com um ar mais belo do que arrumado. Seus olhos estavam voltados ao chão, parecendo estar pensando. Ele tinha um headphone pendurado em seu pescoço, dando destaque à camisa do uniforme com dois botões abertos e a gola meio levantada. A camisa estava para fora da calça, apenas um pedaço estava preso. Ele tinha um ar de garoto mau, o que o deixava mais interessante.
Santo, Kami! Por que ele tinha de ser tão belo?
Vi ele parar em frente à carteira que costumava sentar e olhar para a jaqueta que eu havia deixado ali. Ele virou a cabeça e nesse momento eu olhei para minhas mãos que estavam em cima da mesa, fingindo que não havia o visto. Sorte a minha que ele não percebeu.
Pude sentir que seus olhos estavam sobre mim, mexi os ombros imperceptivelmente, fazendo com que uma parte de meus cabelos caísse entre meu rosto, para que ele não conseguisse o ver.
– Todos sentados – ouvi a voz da professora de Biologia e suspirei de alívio.
Ouvi as pessoas tomando seus assentos e arrastando suas cadeiras para mais perto da mesa. Eu não iria o olhar, não mesmo. Eu precisava fingir que eu nunca havia o visto e assim as coisas voltariam a serem as mesmas.
– Matéria nova, classe – olhei para a professora e vi que ela pegava um livro que havia na estante que ficava encostada ao canto da parede.
Anko era nossa professora de Biologia, apenas de eu achar que ela se daria bem dando aula de Educação Física. Ela estava sempre em forma, com sua habitual roupa: um sobretudo bege meio cáqui, com uma blusa de malha por baixo. Ela deixava apenas um botão aberto, deixando aparecer um pouco do vão de seus seios. Ela era muito bonita, pelo menos em minha opinoão. Seus curtos cabelos negros meio arroxeados estavam sempre presos num pequeno rabo de cavalo virado para cima.
Ela começou a falar sobre a matéria cujo estaria passando nos próximos dias, e enquanto isso olhei vagarosamente para o lado, espiando dentre os fios róseos de meu cabelo e vi que ele havia vestido a jaqueta e estava com o rosto dentro da mesma, parecendo estar respirando.
Ele estava cheirando a jaqueta? Será que estava fedida?
Ah, Kami! Eu havia esquecido de lavar!
Ouvi a professora pigarrear de modo brusco demais para uma mulher – o que era a especialidade dela. Olhei-a assustada, aliviada quando percebi que não era comigo. Segui seu olhar e então vi que a mesma olhava para Sasuke.
– Senhor Uchiha – ela o chamou e o mesmo pareceu não ter ouvido e continuou com o rosto dentro da jaqueta, ainda cheirando a jaqueta. – Senhor Uchiha! – ela o chamou mais alto.
Ele então ergueu a cabeça e a olhou.
– Algum problema, professora? – ele perguntou e a professora suspirou pesadamente.
– Posso saber o que faz de tão interessante para deixar de prestar atenção na minha aula? – Anko cruzou os braços.
– Eu estava cheirando minha jaqueta – ele respondeu simplesmente.
Risadas foram ouvidas e a professora pareceu contar até dez para manter a calma.
– E posso saber o que a jaqueta tem tão mais de especial do que a minha aula? Sua empregada mudou o amaciante que usa para lavar as suas roupas?
– Não, senhora – ele respondeu recostando-se na cadeira – Apenas porque a Srta.Haruno a usou e devolveu-me com seu cheiro, que por sinal é tão viciante quanto sua beleza.
Nesse momento senti que meu coração havia falhado, e então vi que haviam pares de olhos voltados para mim – muitos pares de olhos. De imediato senti meu rosto esquentar.
A professora então olhou para mim com uma sobrancelha arqueada.
– Você é essa tal Haruno? – ela perguntou-me e eu assenti, olhando para Sasuke com olhos arregalados. – Então, diga-nos, Uchiha. O senhor está tão apaixonado assim pela Srta.Haruno a ponto de dizer isso na frente de uma classe inteira?
Os cochichos começaram. Eu nunca me senti tão quente em toda a minha vida. Eu sentia que minhas bochechas iriam derreter de tão quentes que estavam. A única coisa que ecoava em minha mente era “Por que ele está dizendo isso?”.
Ele apenas deu um suspiro rápido, sorrindo de canto de um jeito tão sexy que por um momento me perguntei se eu estava respirando direito. Ele virou a cabeça e seu olhar negro como carvão encontrou o meu, e então me vi presa em seu olhar, como um animal indefeso que acaba de cair numa armadilha de caça.
– Voltemos à matéria – ouvi a professora dizer e pigarrear, enquanto eu dava graças a Kami por ela ter conseguido desviar minha atenção para ela novamente.
A aula passou-se estranhamente rápida, e eu me continha para não olhá-lo – nunca foi tão difícil ficar quieta como estava sendo naquela hora. Senti meu celular vibrar no bolso dianteiro da saia e o peguei vagarosamente, procurando não chamar atenção da professora.
O abri e então olhei para o visor.
Nova mensagem de texto recebida.
Cliquei e a abri.
“Precisamos conversar.
U.Sasuke.”
Olhei estática para a tela do meu celular. Onde diabos, ele havia conseguido o meu número de celular?!
Segurei-me para não olhar para ele. Apenas apaguei a mensagem e guardei o celular novamente.
Eu não iria ohá-lo. Eu não podia olhá-lo. Não mesmo.
Logo o sinal bateu, anunciando o fim daquela aula, e eu saí em disparada para fora da sala, sem espera-lo, sem olhá-lo, sem nada dizer. Eu não podia falar com ele, não podíamos nos aproximar. Eu não podia confiar nele.
Peguei um caminho diferente para chegar a minha próxima sala, cujo ninguém usava. Eu andava rapidamente, com os pensamentos voltados a ele, pensando em como eu faria para que ele pensasse que o que ele viu não foi real.
Meu celular vibrou e eu tive medo de pegá-lo.
Mesmo assim o peguei e novamente havia uma nova mensagem de texto recebida. Abri e senti minha respiração falhar.
“Você sabe que eu irei te encontrar de qualquer jeito.
U.Sasuke”
Apaguei a mensagem e fechei o visor do celular com uma força desnecessária. Eu deveria teme-lo?
Não! Não!
Prossegui andando, enquanto meus pensamentos estavam voltados à ele. Eu andava com pressa pelos corredores. Subi um pequeno lance de escada, dando a volta numa parte fechada da escola, para depois descer mais um lance de escadas.
Dobrei o corredor e senti meu coração parar quando ergui a cabeça.
Ele estava de braços cruzados, encostado à parede clara, com o head-phone ainda pendurado em seu pescoço. Estava com os braços cruzados, me olhando com um sorriso com um ar de divertimento.
Sinceramente? Senti-me indefesa diante daquele olhar e daquele seu sorriso.
– Eu disse que iria te encontrar – ele disse e senti meus pelos do braço se arrepiarem ao ouvir sua grave voz.
Fitei-o incrédula.
– O que você quer? – perguntei da forma mais fria que consegui.
Ele arqueou uma sobrancelha.
– Precisamos conversar – ele respondeu no mesmo tom de voz que eu havia usado para com ele.
– Não temos nada para conversar – eu disse e ele suspirou pesadamente, revirando os belos olhos negros.
– Acha que vou deixar você me taxar de louco depois do que vi? – ele então descruzou os braços e deu um passo à frente. Recuei um passo de imediato.
– E o que você viu? – perguntei, desviando daquela pergunta.
Ele olhou-me como um predador olha sua presa.
– Você sabe o que eu vi – ele colocou as mãos nos bolsos dianteiros de sua calça.
Não respondi, apenas o encarei.
Não havia como mentir para ele, ele não era nem um pouco ingênuo – muito pelo contrário.
– Vai parar com a frescura de não querer conversar, agora?
Arqueei uma sobrancelha e fuzilei-o com o olhar, mas depois assenti, derrotada.
– Então vamos conversar — ele então pegou meu pulso e me puxou, começando a andar.
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