Give Me Love
14 -Capítulo 14-
Notas iniciais
Give Me Love
–Capítulo 14-
Por JefCokkie
Tudo bem que o conforto de minha casa não chegava nem a ser comparado com o conforto da enorme casa de Sasuke, mas eu ainda sim me sentia aliviada por estar na minha casa – um cubículo. Eu não precisava me obrigar a manter meus pensamentos em foco o tempo todo por estar sendo tentada constantemente em agarrar Sasuke. Era mais fácil de respirar ali.
Terminei de vestir meu uniforme e peguei a mochila que havia ganhado de Ino no começo do ano passado, quando eu havia entrado na escola. Tranquei a porta ao sair, com a cabeça totalmente cheia. As lembranças da noite passada dançavam em minha mente, como um filme.
Andei pela calçada que estava um pouco mais vazia do que o normal. Talvez porque fosse segunda-feira. Atravessei a rua na faixa de pedestres e prossegui, não prestando atenção nem no céu azul com algumas nuvens coloridas em vários tons quentes, atingidas pelos raios do sol.
Um leve buzinada de carro tirou-me de meus devaneios e num movimento automático, virei a cabeça, vendo um carro negro familiar me acompanhando lentamente. Por um momento, quase gelei, mas a janela fumê do lado do motorista abaixou-se, revelando um certo Uchiha com um sorriso divertido nos lábios.
– Sasuke? – eu disse debilmente.
– Em carne, osso e sedução – ele deu um sorriso brincalhão. Eu segurei a vontade de rir.
– O que está fazendo aqui? – aproximei-me da janela.
– Vim te buscar. Entra.
Eu abri a boca para lhe dar uma bronca, mas me ocorreu de que não seria boa ideia. Apenas contornei o carro e abri a porta do carona, entrando logo em seguida. Ele logo deu a partida no carro, parando no sinal vermelho, atrás da linha branca pintada no asfalto escuro.
Ele aumentou o volume do rádio e prestei atenção na sinuosa e viciante melodia que reproduzia. A voz masculina do vocalista soava de modo tão perfeito naquele momento, que me perdi numa sensação de paz e liberdade do qual eu nunca havia sentido.
Quando me dei conta, eu estava sorrindo.
– Não conhece Led Zeppelin? – ele perguntou sem me olhar.
– Não – murmurei, anestesiada pela voz do vocalista e a melodia do violão – Como eu havia dito, não conheço nada da música mundana.
– Essa música se chama Thank You. – ele deu a partida no carro quando o sinal abriu, contornando uma pequena praça e adentrando uma rua à esqueda.
– Qual é a tradução dessa música? – perguntei curiosa.
Ele hesitou por um momento.
– Se o sol se recusasse a brilhar, eu ainda estaria amando você. Quando as montanhas desmoronarem rumo ao mar, ainda assim haverá você e eu – ele disse, proferindo as palavras de forma tão bela que meus olhos cravaram-se em seu rosto. Ele esperou o vocalista cantar novamente, para traduzir — Mulher bondosa, eu te darei tudo. Mulher bondosa, nada mais. Pequenas gotas de chuva, sussurros da dor. Lágrimas de amor se perdem com o passar dos dias. Meu amor é forte, com você não existe erro. Juntos nós ficaremos até morrer.
Sasuke parecia sentir cada palavra daquela música, e ele parou de traduzir, deixando o resto da música tocar. Era realmente uma música muito bela, e fazia com que eu me sentisse simplesmente feliz e num estado de espírito sereno. Um silêncio agradável se instalou entre nós, o que realmente me deixou mais à vontade o que já estava.
O caminho foi feito em silêncio.
Logo chegamos na escola e Sasuke colocou o carro no estacionamento da escola. Ele apertou um botão que ficava no rádio e o mesmo se apagou, sendo desligado. Saímos do carro e Sasuke apertou um botão que ficava no pequeno controle pendurado na chave do caro, fazendo o carro apitar e trancar-se.
Sasuke contornou o carro e passou um braço por meus ombros. Instantaneamente eu o afastei, por mais que eu gostasse dele perto. Não era como se estivéssemos juntos, era?
Ele me lançou um olhar um tanto irritado, mas não fez objeções, apenas me guiou com uma mão pousada em minhas costas.
– Vamos ali falar com os garotos – ele disse apontando para um canto onde três garotos estavam sentados no capô de um belo Audi A8 prateado. Os três olhavam em nossa direção.
– Sasuke, eu não sou o tipo de garota que é falante. Eu sou tímida com quem não conheço e no momento, eu estou bastante constrangida – eu murmurei rápido, tentando parar, mas Sasuke continuava me empurrando.
– Não tem motivo para constrangimentos, são meus amigos. Você vai gostar deles – Sasuke replicou – Só não goste demais. Isso tem que ser reservado apenas para mim.
O fitei incrédula, corando inevitavelmente.
Decidi não me opor, pois Sasuke poderia ter razão. Eu poderia fazer novos amigos.
Reconheci Naruto, que olhava-me com um sorriso enorme. Ele era bastante simpático. Havia um rapaz ruivo ao seu lado que possuía cabelos vermelhos como sangue e olhos num tom esverdeado meio azul. Sua pela era pálida, num tom que entrava em perfeito contraste com seu cabelo cor de sangue. Ele era alto, do mesmo tamanho que Naruto – ou um pouquinho maior, quem sabe. Seu belos rosto tinha uma expressão vazia, um tanto indiferente.
E havia mais um garoto ao lado de Naruto. Este era completamente o oposto do garoto ruivo. Possuía cabelos castanhos escuros cumpridos, caindo-lhe sobre os largos ombros. Seus olhos perolados brilhavam na luz do sol, deixando-os mais claros ainda. Ele tinha o rosto anguloso e um tanto moreno. Era muito bonito e tinha um ar mais pesado do que os outros – pelo menos foi o que eu consegui perceber.
Nos aproximamos mais e então chegamos. Procurei controlar o rubor em minhas bochechas.
– Teme! – Naruto disse de modo escandaloso – O que fez durante o final de semana? Liguei para você e caiu na caixa postal.
– Nada demais, Dobe – Sasuke murmurou.
– Olá, Sakura-chan – Naruto abriu um de seus grandes e belos sorrisos para mim.
– Oi – o cumprimentei também, sorrindo – claro, não tanto quanto ele, mas ainda sim sorrindo.
– Gente, essa aqui é a Sakura-chan, que eu tinha falado – Naruto disse para os outros dois garotos, que me olhavam sem dizer nada. – Sakura-chan, este aqui é Neji – ele apontou para o garoto do cabelo castanho e depois apontou para o garoto ruivo – E este é Gaara.
Cumprimentei-os e eles também retribuíram o cumprimento – a não ser o ruivo, que apenas meneou a cabeça de modo breve, logo após olhando estranho para Sasuke, que também o olhou de modo irritado.
– Você não perde tempo, não é, Teme? – Naruto disse e eu pude sentir um tom sério na voz dele.
Sasuke trocou um estranho olhar com Naruto, mas procurei não me importar – aquilo não era assunto meu. Ouvi o sinal do início das aulas soar e virei-me para Sasuke.
– Vou para a sala, não quero me atrasar – eu murmurei para apenas ele ouvir.
– Não pode esperar um pouco? Já vou subir também – ele disse no mesmo tom de voz que eu.
Neguei com a cabeça.
– Vou subir – eu disse e ele suspirou, assentindo. Virei-me para os garotos – Até mais, estou indo para a sala agora.
Acenei para eles e sorri.
– Até daqui a pouco, Sakura-chan – Naruto disse e eu assenti.
Neji acenou para mim e Gaara não disse nada, apenas me olhou e desviou os olhos. Algo nele me chamou atenção – talvez fora seu estado de espírito. Ele parecia estar bastante irritado.
Deixei isso de lado e olhei para Sasuke.
– Vou indo – eu disse, mas antes que eu pudesse sair ele puxou-me segurando meus braços e colou seus lábios sobre os meus, fazendo com que um arrepio gostoso percorresse por todo o meu corpo.
Fechei os olhos, sentindo seus lábios e o apreciando. Ouvi Naruto pigarrear.
Me afastei de Sasuke, corando violentamente e saí andando sem olhar para mais ninguém. Sasuke estava atrevido demais para o meu gosto.
Subi para a sala de aula e sentei-me em minha costumeira cadeira. Olhei para o lugar vago ao meu lado e suspirei. Eu estava realmente sentindo a falta de Ino, eu estava quase chorando de tanta saudade em que eu me encontrava.
Vi Sasuke e Naruto entrando e desviei os olhos instantaneamente. Eu me perguntava o que realmente estava acontecendo entre eu e Sasuke. Não planejamos nada, mas assumir que tínhamos algo em pública poderia ser um passo perigoso – eu nunca iria entendê-lo.
Senti alguém sentando-se ao meu lado. Num breve momento uma chama de esperança de eu fosse Ino se acendeu, mas quando virei-me, tudo o que eu consegui fazer foi apenas encará-lo.
– Sasuke – eu proferi seu nome e arqueei uma sobrancelha. – Você não vai me desgrudar de mim, não é?
– Não – ele respondeu apoiando seus cotovelos na mesa.
Revirei os olhos – seria difícil me concentrar na aula com ele do meu lado.
Baixei a cabeça e foquei meus olhos em minhas mãos, que estavam em cima da mesa. Eu preferia realmente prestar atenção nas minhas mãos do que nele, se não um desastre iria acontecer. Às vezes não temos de nos perguntar porque uma pessoa é tão bonita, mas sim apenas manda-la se ferrar com sua beleza de dar água na boca.
– Não sei se você sabe, mas essa cadeira me pertence, Uchiha – uma voz conhecida foi ouvida e eu ergui a cabeça de imediato, me deparando com Ino.
Ela me olhou e sorriu, mas fez um sinal para que eu esperasse e voltou a olhar para Sasuke.
– Não mais – Sasuke murmurou olhando-a com aqueles seus olhos negros.
Será que Ino perderia o ar igual a mim toda vez que ele me olhava? Provavelmente não. Ino era forte.
– Diga-nos você, Saky – Ino sorriu confiante – Você mais do que ninguém sabe de quem é esta cadeira.
Os dois olharam para mim, esperando que eu dissesse algo. Engoli em seco, procurando não olhar para nenhum deles, mas era impossível.
– De quem é a cadeira, Sakura? – Ino apoia as mãos na mesa e me olha sorrindo.
– Não sabia que seu nome estava na cadeira – Sasuke debochou e Ino continuou a olhar-me.
– Isso é o que ela vai nos dizer. – Ino murmurou.
Revirei os olhos e virei para Sasuke.
– Você nunca sentou aqui, Sasuke. E não vai ser agora que você vai sentar – murmurei e vi seus olhos negros olhar-me com certa irritação.
Sasuke tinha de aprender a ser um bom perdedor, ou então sempre brigaríamos, isso era óbvio.
– Saia, ande logo! Chispa, Uchiha! – Ino murmurou contente e Sasue levantou-se sem nada dizer e saiu pisando duro – Eu, hein! Qual o problema desse garoto?
Eu ri brevemente, mas então Ino puxou-me para um abraço tão apertado que a passagem de ar estava realmente difícil de ser completada. Ino soltou-me e sentou-se, com um enorme sorriso estampado nos lábios.
– Senti saudades – murmurei sorrindo também.
– Eu também, testuda, e muito – ela me abraçou novamente e voltou a encostar-se nas costas da cadeira – Lá foi um tédio. Minha avó me ensinou a fazer crochê. Crochê! Eu só tenho dezessete anos! E quando eu tentava escapar dela ela sempre dava um jeito de me manter lá. Era uma tortura.
Eu ri, Ino era realmente exagerada mas sempre conseguia fazer com que eu risse.
– Mas qual é a do Uchiha com você? – Ino sorriu um tanto maliciosa.
Senti meu coração bater mais forte.
– É complicado – murmurei olhando para baixo.
– Nem me venha com essa, Sakura. Sou sua amiga, lembra? – Ino cruzou os braços.
– Sasuke quer formar uma aliança comigo – falei num tom de voz mais baixo. Ino franziu a testa.
– Aliança? Que tipo de aliança?
– Ino, ele pertence ao Clã dos Descendentes de Baal.
– Não sei o que é isso — ela piscou seus grandes olhos azuis.
– Há uma lenda de que um dos quatro príncipes do Inferno possuiu o corpo de um homem mortal e teve um filho com uma mulher mortal também. A criança nasceu normal, mas com dons do elemento Terra, cujo o que Belzebu dominava. Baal é a abreviação de Belzebu. A criança foi criada como humano, casou-se e teve filhos. A continuidade do sangue de um demônio, e não um qualquer, corre nas veias do Clã dos Descendentes de Baal. – expliquei e ela piscava seguidamente, tentando absorver rápido aquela informação.
– São muitos?
– Eu pude ver com meus próprios olhos um tanto da quantidade deles – murmurei lembrando-me do baile lotado pelos convidados.
– Isso é ruim?
Assenti novamente.
– Muito? – Ino arqueou as sobrancelhas.
– Acho que mais do que eu possa imaginar. Mas esse não é o pior, Ino.
Ela olhou-me, esperando que eu prosseguisse.
– Haverá uma guerra – falei num tom de voz mais baixo e vi que os olhos dela se arregalaram um pouco.
– Guerra? Está falando de uma guerra de verdade?
– Sim. Provavelmente entre todos os Seres Impuros com Seres Celestes.
– Como você sabe de tudo isso?
– Sasuke – eu apenas disse isso e ela entendeu.
– Ele está te ajudando? – ela parecia confusa quando assenti mais uma vez – Mas ele não é um inimigo natural, seu?
– Eu só sei que ele tem motivos para me ajudar, mas ele ainda não me disse. Por mais arriscado que pareça, eu confio nele, Ino.
Ino encarou-me profundamente.
– Não sei, não – ela murmurou com um tom de voz de desconfiança – Ele não me passa confiança nenhuma.
– No começo é assim – falei sorrindo minimamente – Antes nós brigávamos demais.
– Antes? Espera aí! Que intimidade toda é essa entre vocês? Passo uma semana fora e vocês dois já estão coladinhos desse jeito? Se eu tivesse passado um ano fora e voltasse você estariam casados, então?! – Ino riu e eu corei – Sério, o que vocês dois têm?
Abri a boca para responder mas então a voz do professor soou, alertando sobre a matéria nova que estaria passando após aplicar um questionário de vinte perguntas sobre a matéria passada. Eu disse à Ino que contaria a ela depois e ela bufou irritada, com a curiosidade a mil, com toda a certeza.
A aula passou-se mais rápido do que eu imaginava, e eu adorei isso. Tudo melhorava quando Ino estava presente. Mais aulas ocorreram e logo o sinal bateu, anunciando o intervalo.
Levantei-me da cadeira e guardei minhas coisas na mochila novamente, esperando Ino fazer o mesmo. Ambas caminhamos para fora da sala.
– Agora desembucha – Ino disse dando pulinhos enquanto quase me devorava com os olhos brilhando de curiosidade.
– Bem, nós...
– Sakura! – fui interrompida quando uma voz masculina familiar chamou-me. Ino bradou um palavrão cabeludo por eu ter sido interrompida.
Virei-me e Sasuke estava parado atrás de mim. Recuei um passo com toda aquela aproximação. Ele pareceu se incomodar um pouco.
– O que você quer, Uchiha? – Ino perguntou, com uum tom de voz totalmente enraivecido.
Sasuke não se deu nem ao trabalho de olhá-la, apenas mante uses olhos negros focados em mim.
– Estarei com meus amigos, longe do refeitório, perto da árvore de cerejeira – ele disse e eu assenti.
– Tudo bem – murmurei.
– Se precisar de algo é só me chamar... – ele parou de falar quando Naruto o chamou.
Sasuke inclinou-se e encostou seus lábios nos meus num breve selinho e saiu andando, seguindo Naruto.
Quando olhei para Ino, ela estava boquiaberta e com as belas e desenhadas sobrancelhas loiras arqueadas.
– Vocês estão juntos?! – ela praticamente gritou – Ah, meu Deus! Como assim, Sakura? Me conta tudo!
– Não estamos juntos – murmurei e o brilho de alegria que havia em seus olhos morreu.
– Não? – ela arqueou uma sobrancelha.
– Sim.
– Sim o que? – ela perguntou confusa.
– Não sei – eu massageei minhas têmporas – Não é como se nós estivéssemos juntos.
– Ah! – ela me olhou de modo incrédulo – Sakura, vocês não pararam para conversar sore a relação de vocês.
– Isso não foi uma pergunta – resmunguei começando a andar em direção à escada.
– Claro que não. Não preciso perguntar algo que está na cara – ela suspirou pesadamente – Isso não pode ficar assim. Ele parece gostar de você, Sakura,
Eu não disse nada, apenas comecei a descer os degraus.
– No meu ponto de visão, o jeito frio e indiferente dele atrapalha um pouco...
– E o orgulho também – completei.
– Sim, o orgulho é um grande problema – ela murmurou, ainda atrás de mim – Você tem que ajudar ele a expor seus próprios sentimentos. Deve ser difícil para ele admitir que gosta de você.
– Ino, isso pode ser uma mentira.
– Como assim?
Contornei a pequena curva e tornei de descer o resto dos degraus.
– E se ele estiver fazendo isso apenas para que eu forme uma aliança com ele?
– Sakura, você mesma disse que confia nele, então por que isso agora? – o tom de voz dela mudou para mais sério.
– E eu confio – murmurei – Mas às vezes ele faz com que eu coloque um pé atrás, porque ele nunca se abre realmente. Seria tudo muito mais fácil se ele se comunicasse comigo.
– Foi o que eu acabei de dizer! – Ino resmungou – Pare com isso vocês dois e criem vergonha na cara. Vocês não são duas crianças.
Ino tinha razão, mas o que eu poderia fazer?
O intervalo passou-se rápido, como o resto das aulas também. Ino não tornou a tocar no assunto sobre eu e Sasuke, preferiu me dar espaço para pensar eu mesma. A professora Anko aplicou uma prova básica, e mesmo sem eu ter estudado eu me dei bem. Respondi as perguntas perfeitamente.
Sasuke não havia voltado para a sala depois do intervalo, o que me preocupou um pouco, mas procurei deixar aquilo de lado pois ele sempre fazia isso.
Ino e eu nos despedimos, e ela tornou a dizer para que eu tomasse alguma atitude. Eu apenas assenti e segui para o estacionamento. Logo pude reconhecer uma cabeleira ao longe, perto do carro de Sasuke. Antes que eu pudesse seguir para mais perto de Naruto, algo puxou-me rapidamente pela cintura e fazendo-me andar para frente.
Olhei para cima e vi Sasuke com um olhar raivoso enquanto seguia para seu carro.
– Sasuke, você está me machucando – eu disse e ele afrouxou o aperto em minha cintura, mas não desviou seus olhos do caminho e muito menos falou algo.
Meus olhos prenderam-se num certo ruivo, que estava encostado ao Audi A8 que eu havia visto com eles mais cedo. Ele encontrou meu olhar e por um momento olhou-me também, mas depois olhou para Sasuke e desviou os olhos, contornando o carro e entrando no mesmo.
Voltei a olhar para frente, confusa demais para perguntar o que estava acontecendo ali.
Sasuke abriu a porta do carona para mim e eu estava pronta para protestar, mas o mesmo olhou-me de modo tão mandante que eu desisti de discutir. Ele fechou a porta do carona e contornou o carro. Logo Sasuke entrou e bateu a porta com força.
– Quanta raiva – murmurei.
– Ele está com raivinha – uma voz foi ouvida logo atrás de mim.
Virei-me e vi Naruto sentado no banco traseiro, sua cabeça apoiada na janela de vidro que estava fechada.
– Naruto? O que está fazendo aqui?
– Explico quando chegarmos, Sakura-chan – ele disse e sorriu.
– Chegarmos aonde? – perguntei olhando para Sasuke.
Sasuke nada disse, apenas deu a partida no carro.
– O que aconteceu para ele estar tão rabugento? – perguntei para Naruto.
– Ele está com raivinha porque o Gaara brigou com ele – Naruto murmurou.
– O que houve?
– Gaara ficou extremamente irritado, aliás, eu nunca tinha visto ele com raiva, mas hoje foi realmente surpreendente. Os dois quase se bateram – Naruto respondeu.
Olhei de canto para Sasuke, que apenas suspirou de modo cansado e irritado.
– Qual foi o motivo? – perguntei curiosa.
Naruto não respondeu e Sasuke suspirou novamente.
– Você – dessa vez não foi Naruto quem disse. Sasuke acelerou o carro e o silêncio instalou-se ali.
Pisquei, não entendendo aquilo.
– Eu? – minha voz saíra entrecortada.
– Gaara gosta de você mesmo antes de você ficar gos... – Sasuke pigarreou, fazendo Naruto parar de falar – Ficar bonita – ele corrigiu.
Senti minha boca secar.
– O que?! – eu não conseguia acreditar.
– Gaara gosta de você mesmo antes de ficar bonita desse jeito – ele repetiu.
– Eu entendi, Naruto! – repliquei – Eu quero saber... Eu... Como assim?!
– Gaara não ficou nada satisfeito quando Sasuke te beijou na nossa frente – Naruto disse, mas eu ainda não estava entendendo nem um pouco.
– Por que ele gosta de mim?
– Não sei, Saky. Mas ele gosta – Naruto disse e vi Sasue apertar o volante com força – Ele acha que você nunca se interessaria nele por ele ser um Impuro. Aliás, como todos nós.
Arregalei os olhos. Naruto havia dito Impuro?!
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