Give Me Love
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Obrigada pelos reviews
Na ida para casa, o Cameron exigiu trazer o carro com a desculpa do “está tarde e escuro, é melhor ser eu a guiar”. Ele é tão ou mais teimoso que eu, por isso deixei-o trazer a Becky (o carro até tem nome!) embora, sem tentar nada. A meio do caminho, paramos numas bombas de gasolina para atestar o depósito. Ele saiu e eu, para me distrair (e curiosa como sou), abri o porta-luvas e tirei uma caixa que continha diversos CDS. Peguei num à sorte e coloquei-o, quando o Cam entrou de novo no carro.
— O que é que estás a fazer? – Perguntou, desconfiado.
— Trocar de CD — respondi – não há problema pois não?
— Não, não. Onde queres que te deixe?
— Em minha casa, se faz favor. – Pedi – Se precisares que te diga o caminho, avisa.
Ele assentiu e ligou o carro, e andamos mais uns minutos ao som do primeiro álbum da Pink!. Numa das músicas fiz uma dancinha que, na altura do lançamento do CD, eu e a Lay tínhamos inventado. O Cam ficou a rir-se a viagem inteira. Era bom saber que, em pouco tempo, ele já estava assim tão há vontade, com a capa de “mau” escondida no fundo do armário.
Quando estacionou o carro, ao pé de minha casa, eu fiquei sem saber o que fazer. Ele sabia, vá.
— Qualquer coisa avisa-me, ok? – Quebrou o silêncio – E a geladaria era ótima.
— Eu só vou a lugares de topo, pensas o quê?! — Atirei o cabelo para trás, estilosa, e voltei ao assunto – Eu ligo, se precisar. Boa noite. – Sorri-lhe e saí do carro, sem olhar para trás.
Depois de bater a porta de casa… Inferno.
— Quem era aquele pãozito, Ella? — A minha mãe questionou-me, vindo a correr da sala.
— Tinhas mesmo de que estar a espiar? – Perguntei, tentando manter uma postura séria.
— Quem era ele, Ellinha? Para estares a fugir, é alguém importante!
— Credo, é só um amigo, mãe.
— Amigo?
— Amigo.
— Amigo, amigo? – Perguntou e eu ri-me – Amigo, ok. É pena, é muito bonito.
- E tu viste isso da janela como!?
- Binóculos – explicou, como se fosse a coisa mais lógica do mundo.
- Não acredito! – Fechei os olhos – És pior que eu, mãe!
- Também te amo! Agora vai chamar o teu pai ao escritório, para ele nos ajudar com o jantar.
- Ok.
Pousei o casaco em cima de uma cadeira à entrada e fui ao escritório. Bati à porta e ouvi um “entra” muito alto. Fiz como ele tinha dito e abri a porta, corri para o colo do meu pai e abracei-o.
- Anda ajudar a mãe – pedi.
- Estás a ficar demasiado pesada para isto, Eleanour. — riu-se e fez cara de sofrimento – Muito pesada.
- Pai!
- Ella, Ella! — Corrigiu-se – Enganei-me.
- Obrigada! – Agradeci de modo sarcástico — Caso não te lembres, já não tenho dois anos.
- Quem dera, assim sabia que nenhum rapaz andava atrás da minha menina – beijou a minha bochecha – mas já não é assim. Agora, levanta-te e vamos ajudar a dona decoradora de interiores.
— Às suas ordens, cozinheiro chefe! — E fiz uma continência.
Descemos a escadas juntos e começamos o jantar. A minha mãe é um zero à esquerda na cozinha, e o meu pai compensa esse facto, graças a deus. Eu também herdei um pouco das habilidades do meu pai.
Durante o jantar, a minha mãe propôs um churrasco com os colegas da banda, pais e irmãos. Há mais de um ano que a mulher anda a chatear o meu pai para organizar uma coisa destas, para celebrar o sucesso da banda, recentemente. A reacção do meu pai foi: fazemos isso nas minhas férias, antes do fim do mês.
Era uma ótima ideia, até para “apresentar” o Cam, fazê-lo sentir-se integrado na banda e sentir-se bem no nosso meio.
[…]
Os dias foram passando e de dia para dia, os dias em si iam ficando cada vez maiores. A neve caía, dia sim, dia não, dificultando tudo e atrasando o nosso churrasco. Mas o tempo melhorou, finalmente, e a comemoração tinha data marcada para o sábado seguinte, o último de Fevereiro. Já eram quase dois meses com o Cam na banda!
A maré de concertos, habitual nesta altura, tinha abrandado, e aquele era o primeiro sábado livre em semanas.
Por volta das quatro da tarde, o meu pai chamou-me para o ajudar a pôr os grelhados no jardim e começar a aquecer as brasas. Com quanta mais calma elas fossem preparadas, melhor era para depois se grelhar a carne. Fizemos isso juntos. O jardim estava cheio de neve, mas o dia estava relativamente soalheiro e, de qualquer modo, nos tínhamos uma churrasqueira exterior, fechada, com vista para o relvado vestido de branco. Apenas o grelhador ficava no exterior, debaixo de um pequeno coberto para o caso de começar a nevar de novo.
Quando o meu pai viu que já estava tudo bem encaminhado, mandou-me para dentro, para me preparar e acabar de ajudar a minha mãe com o resto dos doces (a minha parte favorita, já agora). Na cozinha, vi pratos e pratos cheios de comida, e supus que tudo tinha de ser levado para o jardim.
- Mãe, é preciso mais alguma coisa? – Perguntei, depois de pôr todos os pratos na mesa, já farta do corre-corre.
— Não, vai lá tomar o teu banho. Nós tratamos do resto.
[…]
-Olá, olá! — A Lay disse enquanto tirava o casaco quente que trazia vestido e o pousava no cabide junto à porta – Chegamos tarde?
- Não, não, chegaram na hora! – Respondi – Para a churrasqueira, sabes onde é. Ah, e olá! – Cumprimentei os pais dela.
A Laila encaminhou-os para às traseiras e eu fui á cozinha ver se lá estava tudo bem.
- Então, pai, isso está direitinho?
Ele acabou de mexer a panela do arroz e voltou-se para mim.
- Mais quinze minutos para o arroz ficar no ponto e as batatas ficarem crocantes e estaladiças.
- Pai, não estás num programa de culinária, sabes? – gozei.
- Ai, Ella, deixa-me ser como sou! — Deitou-me a língua de fora – E olha a porta, tocaram à campainha. Vai atender, senhora porteira.
Virei-lhe as costas e voltei até ao hall de entrada, onde a minha mãe já estava com a porta aberta, a falar com os convidados.
- Derek, Gabe e o Cam, o novo baterista – apresentei-os á minha mãe, embora ela já conhecesse os dois primeiros.
Notas finais
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Beijos das escritoras :*
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