Give Me Love
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Enjoy!
O ensaio correu mil vezes melhor que o esperado. Tivemos tempo de ensaiar todo o alinhamento de sexta e eu ainda cheguei a casa antes das cinco. Graças a deus pela memória fotográfica do Cameron!
Depois do jantar com os meus pais, subi para o meu quarto e liguei à Lay.
- […] Viste como é que o Gabe olhava para ti? — Disse para o telefone que segurava entre a orelha e o ombro enquanto pintava as unhas — É puro amor! – Ri-me.
- Oh, nem venhas! Eu e o Gabe? Tipo, n…
- Sim! – Interrompi-a – Vocês são perfeitos um para o outro e estão caidinhos um pelo outro também, só não o vêm porque são uns deficientes mentais!
- Podemos mudar de assunto? Afinal não íamos falar do ensaio? – Ela perguntou.
- Foge do assunto, foge! Mas está bem, chata.
- Boa! – Ela exclamou, toda feliz – Agora, o Cam é um natural! Combinou perfeitamente connosco, tipo peça de puzzle, entendes?
- Hun, hun, ele toca mesmo bem.
- Pena ser tão reservado – ela suspirou, mas continuou logo, mais alegre – Oh, ele há de sair da casca, eventualmente.
- Espero é que corra tudo bem na sexta.
- Com mais dois ensaios ele fica pronto para “rockar” — rimo-nos as duas.
Ouvi um Bip e o som da Laila a afastar o telefone do ouvido.
- Ella, tenho de ir, tenho o Gabe em espera – desculpou-se, quando encostou o telefone de novo à cara.
- Pois, o Gabe, né? – Gozei – Até amanhã.
- Xau Ella.
E desligou o telefone.
[…]
«A ou B… A ou B» perguntava-me à mais de 10 minutos, na aula de ciências. Aquela pergunta estava a dar-me a volta à cabeça! Num ato desesperado, toquei no braço da Lay e ela olhou logo para mim.
- Pergunta 7, Lay. A ou B? – Questionei, enquanto mexia no teste para o professor não reparar no que estava a fazer.
- É a A, Ella! – Respondeu, a rir-se do meu fail, como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo.
- A que horas é o ensaio geral? – Aproveitei que estávamos a falar para perguntar.
- Ás 4. O concerto é ás nove.
- Algum problema, meninas? – o professor aproximou-se e olhou para nós, com uma cara de reprovação.
Aproveitando a deixa, baixei a cabeça e regressei ao teste.
Quando todos terminamos o teste, saímos mais cedo e encontramo-nos com o Cameron na sala de convívio. Estes dias, ele tem vindo a soltar-se, tal como a Lay havia dito na terça. Aos poucos, pouquinhos, mas estava a soltar-se.
- Estou tão nervosa! — A Lay reclamou baixinho, sentada numa cadeira.
- Até parece que é a 1º vez que vais atuar ao vivo — o Gabe riu-se.
- Oh, vais-me dizer que nunca ficas nervoso, logo na 1º atuação com o baterista novo!? – A Lay perguntou – Sem ofensa, Cam.
- Não ofendeu – o Cam sorriu. Estava, como sempre, de capuz e boné — uma semana connosco e ainda não lhe vimos o cabelo.
O Gabe não respondeu, e a Lay viu isso como uma vitória.
O resto do dia passou a voar, tal como acontece sempre depois de uma aula de teste. No fim do dia, encontramo-nos todos à entrada da escola para irmos juntos para o bar onde íamos tocar. Eu, a Lay e o Derek fomos no carro do Gabe e o Cam foi na moto dele.
No bar, estava tudo preparado para a grande noite. O gerente, amigo dos pais do Gabe, adorava vir cá sempre, assistir às nossas atuações, mesmo quando o trabalho era muito.
A minha guitarra já lá estava, linda, no centro do palco.
Acomodamo-nos para lanchar, antes de tudo, e depois fomos ensaiar. Eu e a Lay adoramos este local por causa das divisões. Temos o palco de madeira castanha clara, e ao lado um vidro que vai do chão ao teto e separa o espaço do concerto do bar. É à prova de som, para que quem não quisesse ouvir música e preferisse estar a conversar com os amigos o pudesse fazer sem incómodos.
- Gosto deste lugar — O Cameron comentou, com os olhos postos nos sofás.
- Este é um dos bares a que costumamos vir – O Gabe explicou, agarrado ao seu baixo – Falta conheceres os outros 3.
O Cameron não estava a ouvir, continuava com os olhos presos nos sofás, no seu próprio mundo a parte.
-Senta-te logo – disse-lhe, aproximando-me dele para me ouvir.
Ele olhou para mim, confuso.
- Os sofás – expliquei – estás aí a olhar para eles e quase que te babas.
O Cameron soltou uma gargalhada alta e eu olhei para ele, admirada. Afinal, era a primeira vez que o ouvia a rir assim.
Seguindo o meu conselho, foi para o sofá.
- Melhor?
- Muito.
Relaxamos todos um bocado nos sofás, e depois fomos cada um para sua casa, aperaltar-nos para a atuação. Quase que nem paramos uma hora em casa, porque íamos todos jantar no bar – oferta do gerente. Quando me pus pronta, a minha mãe levou-me ao bar.
- Só cá estamos nós?
Com, que estava sentado atrás da bateria a examinar uma das baquetas, deu um salto, alarmado, e olhou na minha direção.
- Ai, és tu! – exclamou, aliviado – Sim, só nós.
Subi para o palco enquanto observava o que me rodeava. Do lado de lá do vidro viam-se cinco ou seis amigos, todos num grupo, a conversar e a rir alto, enquanto bebiam. Começavam cedo!
Já no palco, agarrei no meu banco e arrastei-o para a beira do Cam, sentando-me de seguida.
- Então, muito nervoso? – perguntei.
- Eu? Achas? – sorriu, e podia ver o nervosismos nos olhos dele.
Sorri de volta.
-E tu? – ele continuou.
- Só um boca…
Num segundo estava na bar, a responder ao Cameron, calmamente. Noutro, ouviu-se um “bac” e o som de um vidro a partir-se, seguido de estilhaços a voar por todo o lado. Á minha volta, o bar tinha desaparecido. Medo, dor, frio. Gritos. Os meus gritos.
Notas finais
Comentem com as vossas opiniões :)
Beijo das autoras *
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