Girls On Fire

48 Capítulo 48


Notas iniciais
Mais um cap saindo no capricho! ;)

Quinn e Rachel foram até o quarto, colocaram seus pijamas e enquanto Rachel ia para banheiro fazer seu ritual de beleza, a loira respirava fundo, pensando em tudo que havia falado a alguns minutos. Não se sentia arrependida, queria agora somente lidar com a verdade. Queria esperar a morena para lhe dar um “boa noite”, mas ela parecia demorar tanto e seus olhos pesavam de cansaço. Havia carregado um peso dentro de si por muito tempo.

Rachel voltou para o quarto e se encantou ao ver aquele belo anjo adormecido. Seu peito subia e descia rápido, ela dormia de lado, em posição fetal e tinha uma expressão tranquila no rosto apesar dos espasmos do choro ainda aparecerem e suas costas tremerem as vezes. A morena se aproximou devagar e a cobriu com carinho. Depositou um beijo casto em sua testa e deitou ao seu lado, adormeceu enquanto observava aquela bela imagem angelical a sua frente sabendo que teria belos sonhos.

XXX

Jessica despertou e como sempre percebeu que tinha feito isso antes da latina que ainda dormia profundamente com uma expressão calma no rosto. Olhou pra si e percebeu que mais uma vez tinha dormido nua. Se enrubesceu lembrando da noite passada e tudo que aprontaram. Sentiu seu coração bater mais forte quando olhou para a correntinha que pendia próxima ao seios da sua namorada. SUA. Era ótimo pensar assim. Passou a mão pelos longos cabelos de Santana e lhe deu um beijo próximo a boca. Com o mínimo de movimentos possíveis saiu da cama e foi em direção ao banheiro, tomou um banho demorado enquanto pensava sobre sua vida. Pretendia mudar de ares, gostava de trabalhar no Coyote, mas sentia que devia fazer algo mais útil para a sociedade, desde pequena gostava de ajudar e ser útil a outras pessoas. Talvez fazer uma faculdade era o principio para as coisas mudarem e ela arrumar um emprego que a proporcionasse isso. Pesquisaria mais sobre o assunto depois. Pensou em Santana, ela também era tão nova... Precisava dar um rumo na vida logo, se decidir sobre o que fazer. Sabia que ela era talentosa e tinha uma bela voz, era necessário trabalhar e canalizar seu talento.

Saiu do banheiro e ainda enrolada na toalha sentiu imensa vontade de falar com sua mãe. Era domingo, contando pelo fuso-horário a missa já devia ter acabado. A ligação chamou algumas vezes e ela logo ouviu Bellatrix.

Filha! Já estou com saudades! – falou toda alegre

– Eu também mãe... tudo bem por aí? Nenhuma freira pirando? – ela brincou enquanto se deitou no sofá mexendo numa mecha de cabelo.

Ah o de sempre aqui filha, as crianças aqui aumentaram, temos 52 agora e precisamos mais do que nunca de doações. O que o governo nos fornece é suficiente somente para as necessidades básicas e você sabe, eles também precisam de um pouco de diversão.

– E como sei... viver aí com essas freiras que só dizem que a gente vai pro inferno quando fazemos algo errado é cansativo – ela riu – E o leilão? Arrecadaram bem?

Ah sim, ficamos tão felizes! Recebemos muitas doações para leiloar e conseguimos ganhar um bom dinheiro em cima delas, graças a Deus! As crianças também ganharam brinquedos e roupas – estava animada.

– Eu sinto saudades daí as vezes... quem sabe no final do ano eu não volte para fazer uma visita... – Essa ideia surgiu e Jessie gostou. New York era ótima, mas nunca seu país natal pode ser substituído.

Também acho que você deveria! Tanto tempo longe... Ahhh você não sabe quem apareceu aqui! – tinha um tom misterioso na voz.

– O Jhonny Depp vestido de Jack Sparrow pra ler pras crianças? – a ruiva gostava de sonhar.

Talvez isso um dia aconteça... – a freira riu – Mas não, foi alguém que me deixou mais surpreendida do que se fosse o Jhonny... Meu pai!

– Não creiooo! – Jessie até se sentou no sofá pra ouvir atenta. Tinha rancor daquele homem sem mesmo conhecê-lo, ele tinha lhe rejeitado quando era apenas um feto – Como ele descobriu?

Eu não sei... mas assim que ele entrou por aquela porta que você já trombou tantas vezes enquanto corria aqui no saguão, eu o reconheci! Está praticamente igualzinho... depois de 23 anos o filho da mãe não envelheceu quase nada, só tem algumas rugas, deve ser de remorso.

– E o que ele queria? Você falou com ele?

– Não queria que as outras freiras desconfiassem de nada... ele deu um lance magnífico num quadro que tínhamos e depois veio falar comigo. – ela respirou fundo – Ah minha filha, eu não conseguia encará-lo nos olhos! Tudo pareceu voltar na minha mente, todas as palavras ofensivas que eu ouvi, o abandono covarde que ele me deu, você tão pequena e indefesa crescendo dentro de mim... – parecia emocionada – O perdão é divino minha filha, mas eu não sou santa! Fui cordial com ele, como fui com os outros colaboradores do leilão mas olhar para ele ainda me trazia lembranças tristes demais.

– É compreensível... eu que não o conheço sinto raiva, imagina você!

Ele perguntou por você, Jessica! Ele quer te ver, te conhecer! Soube a pouco tempo que tinha uma neta. Ele não sabia nem se era menino ou menina.

– E o que você disse?

– Que você estava em New York, atrás dos sonhos que me foram tirados um dia e eu não fiz o mesmo com você! Parecia cena de novela filha, adorei falar aquela frase – ela riu meio tristonha – Ele quer conversar comigo e disse que está a disposição para o que precisarmos...eu não sei o que pensar Jeh... por você eu perco todo meu orgulho e ressentimento.

– Não mãe! Vivemos bem sem ele até agora, conseguiremos assim! A não ser que você queira vê-lo por sua vontade. Não pense em mim nesse caso!

Eu vou pensar... estou orando, refletindo... quando for a hora certa vou ter a resposta para a minha aflição!

– Nossa, parece uma freira falando... – a ruiva tentou descontrair.

Ouviu um barulho no quarto e logo Santana apareceu na porta toda descabelada, com cara de sono olhando pra Jessie curiosa. Estava com uma camiseta cinza que ia até seus joelhos, cobrindo sua nudez. Ficou observando a namorada enrolada na toalha, sentada no sofá ao telefone.

Força do hábito – ela riu – Mas e você, como anda filha? Tudo bem com a Santana?

– Tudo ótimo mãe! Estamos cada dia mais felizes! – ela olhou pra latina com um olhar apaixonado e foi retribuída – Ela se mudou pra cá agora – ela não sabia se devia contar, talvez sua mãe chamaria isso de precipitado mas resolveu arriscar – Vamos dividir as despesas e teremos uma a outra como companhia!

– Morando juntas? Estão realmente apaixonadas! – a mãe falou animada – Confio em você e o que mais quero é vê-la feliz e se isso lhe faz bem só quero que continue assim!

Santana percebeu que ela estava com sua mãe no telefone, pois falava em Português e ela nada entendia da conversa. Resolveu deixar as duas conversando, foi para o banheiro tomar seu banho. Sentia falta do colo da sua mãe também e subitamente uma vontade de abraça-la surgiu. Iria ligar pra ela mais tarde e contar sobre as novidades com sua namorada. Essa semana havia sido tão corrida e ao mesmo tempo pareceu durar uma eternidade com tantos acontecimentos.

Estava perdida em pensamentos e por vezes sorria sozinha lembrando de como estava feliz depois que conhecera o seu raio de sol. Estava de frente para a parede, de olhos fechados enxaguando o shampoo dos cabelos quando sentiu uma mão gelada tocar sua cintura e não pode evitar dar um grito assustado.

– Puta que pariu! – ela gritou engolindo um pouco de sabão de descia pelo seu rosto e sentiu seus olhos arderem.

– Nossa, como você tá arisca! – Jessie deu um sorriso – Vim ver se você precisa de ajuda pra se esfregar... – ela estava enrolada na toalha, próxima ao Box que a latina tinha deixado entreaberto.

– Eu quero é me esfregar em você, delícia! – a latina terminou de lavar o cabelo e a olhava safada – Não me assusta assim poxa! Lembrei daquela merda de filme que vimos ontem!

– É verdade! Estava tão cansada essa noite que nem tive pesadelos, só sonhos com meu caramelo dourado – falou com uma cara inocente que não enganava ninguém.

– Huum, chupou muitos caramelos no seu sonho? – Santana mordeu o lábio inferior enquanto desligava o chuveiro.

– Não tanto quanto eu chupei quando estava acordada... – dessa vez a garota ficou envergonhada olhando pra namorada.

– Mas não vale nada mesmo... – a latina sorria enquanto via a ruiva pegar sua toalha.

– Vem cá, não ajudei a lavar, mas ajudo a secar! Aqui é trabalho em equipe! – ela abriu os braços segurando a toalha e mais que depressa Santana foi até ela.

– Falou com sua mãe? – ela puxava assunto tentando se controlar enquanto a ruiva deslizava a toalha pelo seu corpo. Ela não fazia de forma provocante mas mesmo assim seu toque lhe causava arrepios, principalmente quando ela passava o tecido por partes mais sensíveis.

– Falei... estava com saudades dela! Contei que estamos morando juntas e pensei que fosse ouvir um sermão mas ela acha bom que eu tenha companhia – ela agora secava o cabelo da namorada que a observava encantada. Estavam frente a frente. Santana nua e Jessie enrolada na toalha. A latina não resistiu e tocando rápido o nó da toalha da ruiva fez com que ela caísse do seu corpo também.

– Ops! – ela colocou a mão na boca fazendo cara de menina travessa e a namorada lhe olhou fingindo estar brava.

– San... desse jeito eu vou ficar assada... – a ruiva falou de forma espontânea já pensando no que a latina pretendia.

– Aiii quem vê pensa que sou uma maníaca sexual... – ela fazia cara de ofendida enquanto deslizava os dedos pela cintura da ruiva – Só queria ver minha delícia peladinha – ela deu de ombros puxando a garota mais pra perto de si.

– Sei... – ela riu da cara de pau que Santana tinha – Te amo, safada! – ela passou seus braços ao redor do pescoço dela e a puxou para um beijo de bom dia, cheio de amor.

Se separaram antes que começassem a pegar fogo novamente e foram para o quarto.

– O que acha de tomar um café na Doceria e depois um passeio no parque? – a ruiva sugeriu vendo a latina penteando os cabelos enquanto ela própria procurava uma roupa mais esportiva na gaveta.

– Acho ótimo! – ela sorriu toda boba – Aliás, se você me convidasse pra ir limpar o bumbum do elefante do zoológico com confete eu iria, o importante é sua companhia!

– Hum assim que eu gosto! – a ruiva riu se aproximando pra lhe dar um beijo – Namorada pra todas as horas! – ela ficou pensativa a encarando séria – Se você quiser, depois podemos dar uma passada no zoológico e sabe...

Caíram na risada imaginando a cena.

XXX

Quinn acordou cedo e depois de um tempo se situando lembrou-se que estava na cama com Rachel, que ainda dormia, toda encolhida, virada de costas pra ela.

Se levantou cuidando para não acordar a outra e foi para a cozinha preparar o café da manhã. Se sentia animada hoje. Tinha prometido a si mesma que teria uma nova vida e faria tudo pra provar a morena o quanto se importava com ela e não queria vê-la sofrer. Espiou o quarto e viu que Kurt estava lá e dormia profundamente. Ela tinha dormido cedo e nem o ouvira chegar. Lamentava não ter aguentado esperar Rachel sair do banheiro também.

Selecionou algumas frutas, cereal, fez até um suco de laranja. Estava inspirada a fazer com que todos os momentos dela com a morena fossem especiais. Não queria mais se lamentar nem se fazer de vítima do que lhe acontecia. Era dona do seu próprio destino.

Voltou para o quarto e viu que Rachel parecia estar despertando. Colocou a bandeja de lado, na cômoda e se aproximou para observar os olhos da garota se abrirem e ela sorrir sonolenta ao ver aqueles olhos esverdeados a olhando.

– Oi – ela falou se espreguiçando

– Oi – Quinn respondeu tímida, pensando na noite passada e no tanto que havia chorado – Fiz café pra gente!

– Acordou a muito tempo? – a morena se sentou na cama – Ontem nem deu tempo de te dar boa noite e você já tinha desmontado!

– Você que demorou uma eternidade com o seu ritual de beleza – ela deu de ombros – Não sei porque, se já é tão linda – sorriu.

Quinn era um perigo. Naturalmente conseguia ser apaixonante. Falava coisas que encantavam as pessoas, as palavras saíam suavemente naquela voz rouca, daqueles lábios tão lindos, num rosto angelical. Era uma sedutora nata! Um olhar e você já estava escravizado. Rachel não era diferente, sempre ficara hipnotizada por essa reação que a loira causava nas pessoas e principalmente nela.

– Quinn... – ela lhe olhava tímida – Como você consegue?

– Consigo o que? – fez uma cara curiosa.

– Sempre me fazer ter vontade de te abraçar mil vezes e te beijar sem parar!

– Ah... – ela riu tímida – Não precisa passar vontade, estou aqui – ela abriu os braços em sinal de rendição – Para lhe satisfazer!

Ficaram estáticas, sem saber qual reação ter. A vontade de se agarrarem parecia igual nas duas e era grande, só perdia para o receio que tinham, algo ainda as segurava. Se olhavam sorridentes.

– Huum, o nosso café! – a loira quebrou o silencio e se levantou pra pegar a bandeja e a colocou sobre a cama – Tem um pouco de tudo!

– Está lindo Quinn! – a morena olhava para a bandeja e pra loira – Vamos comer!

Comeram e conversaram sobre coisas bobas. Rachel falou que estava ansiosa para sua audição de Funny Girl. Sobre como estavam amadurecendo vivendo longe de casa e riam enquanto ambas contavam o que aprontavam com essa vida de morar sozinha e ter que se virar com roupas, limpeza e preparo das refeições.

– Meus pais sempre fizeram essas coisas pra mim... – Rachel falava lembrando deles com saudades.

– Em casa era a empregada e minha mãe, sempre com um olhar atento pra tudo impecável, como meu pai gostava – ela revirou os olhos – Até ele a trocar por uma moça com metade da idade dela... Agora minha mãe está bem vida loca sabe... – a loira sorriu pensando – Estou feliz por ela, está vivendo o que nunca pode quando se casou tão cedo com meu pai. Está viajando por vários países, conhecendo pessoas...

– É bom pra ela – Rachel lhe deu um sorriso consolador e pegou na sua mão – E bom pra gente ficar sem eles. Temos que ser adultas agora! – sorriam cúmplices e Quinn não resistiu e deitou a cabeça no ombro da morena que fez carinho.

– Ahhhhh então é aqui a festinha! – Kurt parou na porta de braços cruzados olhando pras duas com um ar de riso – Nunca me chamam! – correu e pulou na cama pegando um cacho de uva da bandeja.

– E como estão vocês minhas lindas sensuais?

– Ótimas! E você? Viu um periquito verde? – Quinn perguntava sorrindo, era bom ver o amigo – Tá sempre sumido...

– Deve estar caçando os periquitos né? – Rachel provocava e Kurt só se fingia de ofendido.

– Ai acho que nem vou mais convidá-las...

– Pra quê, pra quê? – a morena falava toda empolgada igual criança

– Querida, Isabelle me deu 4 ingressos! Eu disse 4 ingressos para o musical Billy Elliot que eu estou looouco pra ver! Aquele garoto... ahhh é um bailarino no palco! – falava suspirando.

– Vamos, vamos! – Rachel olhava pra Quinn que apenas concordou. Não poderia negar nada diante da empolgação dela.

– Ótimo, o espetáculo é as 17! Iremos eu, Adam e vocês duas...! – ele olhou curioso pra elas – Aliás, vocês duas... – ele deixou a frase no ar esperando uma resposta.

– Nós duas...? – Quinn se fingia de desentendida.

– Já se pegaram ou ainda estão escondidas no armário? – Kurt perguntou sem rodeios e começou a rir por ver Rachel envergonhada.

– Eu acho que... bom, estamos um pouco apegadas ao armário...estamos saindo aos poucos dele – a morena falou hesitante olhando pra loira.

– Ahh então já se pegaram! E pela cara de safada das duas, sei que gostaram – ele riu ao levar um tapinha no ombro de Quinn – Eu sabia, desde sempre não estava enganado! Essa sua cara má Fabray, era amor reprimido pela Rachel! Meu gaydar não falha!

Rachel ficou calada. Era tão obvio assim a atração de Quinn por ela? Como nunca havia percebido?

– E aí, quem vai fazer o almoço? – Kurt se perguntou levantando da cama e levou um monte de travesseiros na cara pela pergunta inconveniente – Tá bom, tá bom... eu faço! Estou em dívida com vocês! – ele parou pensativo – E Santanás, cadê?

– Casou! – Rachel falou séria.

– QUÊ!? – ele deu um grito agudo, com uma mão no peito contendo o susto.

– Ela foi pra casa da Jessica... oficialmente agora.

– Gente, então o babado tá sério mesmo hein! – ele se sentou na cama cruzando os braços – Espero que tomando chá de xana todo dia, agora ela fique mais calma...

– Kurt!! – as duas falaram rindo ao mesmo tempo.

– Eu prefiro chá de picão, mas tem gosto para tudo nessa vida – ele deu de ombros olhando safado pra elas – E vocês, já tomaram?

– O que? – Rachel falou tímida imaginando a resposta.

– Chá de chavasca ué! – caiu na risada vendo como as duas se olharem tímidas.

– Bicha podre... – Quinn o empurrou e não conseguiu evitar rir também ao ver a morena ficar com as bochechas vermelhas ao pensar nessa possibilidade.

Notas finais
É Rachel... logo você vai provar desse chá hauahua
Santana e Jess é puro amor, como sempre *-*

Bom domingo a todas!

Pessoas lindas, nas duas próximas semanas as coisas vão ficar corridas pra mim, vou viajar e talvez não dê tempo de escrever muito. Vou tentar postar pelo menos um capítulo por semana pra não deixar ninguém na espera. Estou postando hoje o que era pra ser ontem hauahua