Girls On Fire

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Espero que gostem ;)

A parceria tinha dado certo e apesar da lentidão para esfregar as panelas, Santana se saía bem na lavagem enquanto era observada pela ruiva que tinha um sorriso fraco, debruçada na mesa achando uma graça a cara que a latina fazia, focada na louça.

- Que foi? – a latina percebeu que tinha plateia.

- Eu já enxuguei o que tinha... esperando mais, só isso...

- E porque tá com essa cara de perdida na selva?

- Perdida na selva? Eu tô perdida é na latina de bundinha arrebitada!

- Olha... — Santana parara de esfregar e encarava a ruiva com olhar malandro — acho que você já teve uma amostra do que acontece com quem provoca Santana Lopez...

- Eu tive... e por isso tô fazendo de novo – Jessie sorria esperando que a latina fosse pra cima dela, mas isso não aconteceu.

- Quando você menos esperar...- Santana cantarolou calmamente, continuando a lavar a louça deixando a ruiva na vontade.

Terminaram a tarefa e foram para a sala ver se havia algo na TV mas o que queriam mesmo era a chance de deitarem juntinhas num mesmo sofá e ficarem pensando na vida. A ruiva estava deitada no peito de Santana que acariciava seus cabelos enquanto fechava os olhos lentamente, lutando contra o sono. Sentia-se cansada, a primeira aula de dança tinha acabado com ela.

- Jess... qual é o seu sonho? – ela disse de olhos fechados já.

- Ser feliz... de novo e pra sempre – a ruiva disse baixo sendo dominada pelo sono também.

- Espero que eu te ajude a realizá-lo... – Santana falou baixo com a voz rouca.

- Já está... – a ruiva respondeu com um sorriso, levantando a cabeça e vendo a morena sorrir de volta pela resposta.

Adormeceram juntas, embaladas por doces sonhos. Sem pesadelos, sem choros...por enquanto tudo era tranquilo.

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- É...acho que não temos mais uma companheira de moradia – Rachel constatava sentando-se no sofá, depois de procurar a latina por todos os cantos da casa. Tinham acabado de chegar de NYADA – só porque agora tinha me acostumado com a ideia de morar com a Santana e aguentar seus insultos todo dia?

- Está sentindo falta dos insultos dela? Ou dela fuçando até no lixo do banheiro pra encontrar seu teste de gravidez? – Kurt saía do banheiro e se sentou ao lado dela – Não, acho que ainda não fiquei tão masoquista assim...

- Vamos chamá-las para um passeio? Estou afim de um karaokê! – Rachel ficava de joelhos no sofá e pulava pra atazanar o garoto.

- Ora, que grande novidade você querendo cantar hein Berry? – Kurt falava irônico colocando as mãos na cintura – eu topo! Vou ligar pra ela, antes que interrompamos alguma coisa e sejamos assassinados como quase aconteceu da outra vez!

O celular chamou algumas vezes, até que uma voz sonolenta atendeu.

- Porcelana...

- Espero não ter atrapalhado de novo...

- Atrapalhou, dessa vez os meus sonhos...

- Sonhos molhados.

- Eram mesmo! Vocês são “empata-foda” até nos meus sonhos!

- Porque tá cochichando?

- A Jessie tá dormindo...aqui perto.

- Owwn que coisa mais fofa! Que voz de apaixonada! Santana, você foi pega pelo vírus do amor!

- O que diabos, afinal você quer Kurt?

- Estão afim de um karaokê hoje? Eu e Rachel estamos querendo soltar a voz!

- Grande novidade... Vocês dois querendo soltar a voz! Não sei se eu vou aguentar a Berry querendo se mostrar para todos no bar pensando que está cantando no Grammy. Não quero expor a pobre Jessica a esse tipo de coisa, a pobrezinha pode se traumatizar com a hobbit.

- Ela está mandando um beijo pros seus insultos e disse que quer fazer um dueto com você!

- Um dueto, ela não é a diva dos solos?

Jessica começou a despertar e olhou pra cara da latina escutando a ultima parte e fazendo uma cara confusa de sono.

- Santanás, você vai ou não vai?

— Vou perguntar pra Jessica... ela acabou de acordar. Já te dou uma resposta Lady Hummel!

Desligaram o telefone e Santana olhou pra ruiva que tinha os olhos abertos mais ainda estava deitada em seus braços.

- Não dormimos quase nada – Jessica dizia olhando para o relógio da cozinha.

- Culpa do Porcelana... – Santana fazia carinho nos cabelos ruivos – Estamos de folga do trabalho hoje não é?

- Sim...

- Tá afim de sair hoje? Apesar ter a companhia da Berry e com o Kurt podemos tornar isso divertido!

- E onde iremos? – Jessica se sentou no sofá demonstrando empolgação.

- Eles sugeriram um karaoke – a latina revirou os olhos demonstrando tédio, mas sorriu. – Tão previsível.

- Você já foi num karaoke? É muito divertido! – ela batia palmas e dava saltitos. Que tal se eu convidar minha mãe? Será que ela ainda está dormindo?

- Acho que ela iria se divertir! No convento deve ser muito chato... – a latina deu de ombros.

- Lá a gente tem aula de música sabia? Minha mãe é uma das professoras! Ela adora cantar!

- E ela canta o que? “Oh Happy Day”, “Say a Little Pray for you”?

- Também! – ela riu – Mas caso você não saiba, no Brasil temos muitas músicas de qualidade, com letras bonitas, não necessariamente sobre religião...

Ouviram a porta do quarto se abrir. Bellatrix vinha enrolada num roupão, com os cabelos molhados enrolados numa toalha. Jessie já foi falando indo em sua direção.

- Mãe, quer dar uma volta?

- Nossa, que empolgação! Qual é proposta? – ela abraçava a filha.

- Um bar com karaoke. O que acha Bella? – Santana agora se levantava também.

- Se vocês quiserem a companhia de uma velha, eu aceito sim! – ela fez drama

- Ah mãe, menos vai... velha? Tava aqui dizendo pra Santana que você arrasa nos vocais!

- É... mas não em bares...acho que vou ficar com vergonha — dizia encabulada para as meninas que riam.

- Ninguém nos conhece pra quê vergonha? – Jessie se virou para a latina- Vamos sim!

- Então... vou pra casa e já te ligo combinando o horário.

- Ok. Vou tomar banho, porque a senhorita Bella aqui já se antecipou!

A ruiva acompanhou a latina até a porta e despediram-se com um beijo rápido. Ficaram se encarando por alguns segundos, de mãos dadas. Não era necessário dizer nada, a simples proximidade era suficiente para se sentirem bem.

Jessica rumou para o banheiro toda saltitante e sua mãe a seguiu.

- Jessie... a Madre Superiora me ligou... tá igual doida lá e implorou, ou melhor exigiu que eu esteja lá no máximo até as 5 da tarde! – a mulher falava enquanto se penteava, sentada no cesto de roupas.

- Mas porque? Sendo assim você vai ter que sair daqui no máximo até a hora do almoço... – a ruiva lamentava – elas não conseguem se virar sem vocês mesmo hein?

- Tenho que pensar que ela pelo menos me deixou vir... não posso ser ingrata! Vou tentar voltar ainda esse ano pra cá...quem sabe?

- As vezes eu sinto falta do Brasil... quem sabe um dia não junto uma grana legal pra passar umas férias lá.

- Eu estava pensando sozinha antes de tirar meu cochilo hoje a tarde... quem sabe eu não deva procurar meu pai e ver o que ele tem a dizer? Algo me diz que essa é a hora!

- Se você acha que chegou a hora, então vai atrás! Não dá pra arrumar o passado, o jeito é tentar ajeitar o que resta do futuro não é? É o que eu mais ouvi nos últimos tempos...

- É...vou pensar bem nisso... – a mulher falou dando um suspiro – E Santana?

- O que tem ela? – Jessica agora saía do banho e sorria por pensar na morena.

- Não pude conversar muito com ela, mas acho que você sabe escolher bem com quem compartilha sua vida. Ela parece gostar e se preocupar com você. Vejo seu sorriso bobo. Fico tranquila. Espero que dê certo entre vocês... que isso que eu presenciei esses dias torne-se uma relação duradoura.

- Vou fazer o meu máximo para que isso aconteça! Mas você sabe, as vezes o destino zomba com nossos planos. – ela agora se secava com a toalha – A Santana nunca foi grossa comigo, nem irônica... e eu vejo ela fazer isso com outras pessoas... me sinto especial por ela me tratar diferente, mas as vezes me incomodo com a maneira que ela trata os outros. Mas acho que com jeitinho posso convencê-la a ser mais gentil.

- Ah você consegue tudo com seu jeitinho... Lembro-me de quando você quebrou aquele vaso super antigo que ficava no saguão do orfanato e conseguiu convencer a madre superiora que não era sua culpa!

- Mas não foi minha culpa mesmo! Eu não tive a intenção de quebrá-lo quando passei correndo pelo saguão e escorreguei batendo o pé na mesinha que ele ficava!

- Não preciso dizer que não se pode correr no saguão de entrada! Era um vaso de porcelana chinesa!

- E eu quebrei o braço! Meu braço deveria ser mais importante pra você que um vaso de porcelana! – ela apontava pra mãe, fingindo um ar ressentido.

- Graças a Deus seu braço os médicos conseguiram remendar, já o vaso... Teve que ir para o lixo – a freira ria lembrando. — Apesar de toda a tensão que eu passava naquela época te vendo no orfanato sofrendo o risco de ser adotada e tirada de mim, eu às vezes sinto saudades. De você pequenininha... Tão linda e muitas vezes tão triste, misteriosa – ela abraçou a ruiva.

- Era muito difícil ser eu... – ela disse meio cabisbaixa – me sentir diferente, abandonada. Eu dormi várias noites chorando, achando que ia para o inferno quando me pegava pensando nas outras meninas de jeito diferente, olhando enquanto elas se trocavam e sentindo borboletas no estomago. Aquilo não era normal. Eu era uma aberração! Como a madre superiora fez questão de me lembrar quando... bom, você sabe, quando me pegaram dormindo na cama com a Lola!

- Você também, brincou com sua sorte aquele dia! – a mãe lembrava balançando a cabeça – não era uma simples soneca, vocês estavam abraçadinhas quando a irmã Glória entrou no quarto!

- Aquele dia, tirando a parte em que nos pegaram no flagra, foi inesquecível pra mim! – Jessica tinha os olhos sonhadores – não fizemos nada, eu te juro! Mas eu descobri que não estava sozinha! Que lá no orfanato mesmo, tinha alguém que também gostava de garotas! Pelo menos eu teria companhia no inferno!

- Ahhh a Dolores... Sempre foi uma ótima menina, apesar das rebeldias frequentes... Vocês sempre foram bem parecidas! – a mãe resolveu mudar de assunto vendo que a filha manteve seu olhar perdido em lembranças e tinha um sorriso triste – Bom, o importante é que hoje você está feliz! Bem resolvida, sem sentir-se abandonada!

- É... eu estou feliz – dizia afirmando pra si mesma, pareceu voltar ao presente e sorriu para a mãe que a olhava preocupada – Estou pronta! Faz uma trança em mim?

Sentaram-se no sofá e continuaram conversando enquanto Bella arrumava seu cabelo. Risos, lembranças... no dia seguinte a mãe voltaria ao Brasil e sabe-se lá quando voltariam a se ver.

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- Berry, se controle! Tem pulga na sua cadeira? Fica aí, batendo palminha e dando saltitos – Santana repreendia a amiga que já queria começar a cantar.

- É, vamos comer primeiro! – a pequena se conteve relutantemente – Mas esse moço que acabou de cantar acabou com meus ouvidos! Só quero dar uma boa trilha sonora pra acompanhar nosso jantar e a comida descer melhor!

- Mas a gente vai comer lanche e batata frita! Não é tão especial assim... – Jessica falou hesitante.

- Pra Rachel o simples fato de respirar é um motivo para iniciar uma canção! Ela vive num musical o tempo todo – Santana provocava.

- Teremos muito tempo ainda! Também estou criando coragem pra cantar – Bellatrix falou e todos sorriram em aprovação.

Estavam sentados numa mesa próxima ao palco. Rachel havia escolhido e todos concordaram para não contraria-la. Ela andava com os nervos a flor da pele esses dias, preocupada com sua próxima audição pra Funny Girl.

- Você e Kurt são só amigos? – a mãe da ruiva queria puxar assunto enquanto observava Jessica e Santana se interagindo entre elas. Conversavam bem próximas e eram só sorrisos.

- Ah sim... Somente companheiros de quarto e partilhamos do mesmo sonho! – Kurt explicava achando absurdo a mulher não ter notado que ele era gay. Achava que até uma criança perceberia isso. – Somos todos amigos do colégio, participávamos do Glee Club de lá.

- Glee Club... – a mulher repetiu pensativa.

- Isso, um grupo de coral! Participávamos de várias competições e vencemos o ultimo Nacional! – Rachel explicava vendo que Bella não havia entendido. – Santana também participava do grupo!

- Se tornaram minha família... e como tal, vivíamos brigando! Foi lá que eu tive ajuda para... bem, aceitar o jeito que eu era – Santana agora participava da conversa. Ela segurava a mão de Jessie sobre sua perna e a ruiva parecia muito sorridente ouvindo-a falar – Não é fácil ter fama de vadia no colégio e de repente perceber que todo mundo descobriu que na verdade você gosta mesmo é de colar velcro. – Quer dizer, continuo sendo uma bitch cruel, mas que gosta de colocar as aranhas pra brigar!

- Você é fod..- Jessie olhou pra mãe corando – Gosto da sua sinceridade para encarar os fatos.

- Desculpa, mas é o que fazemos. – a latina olhava para Bella que fazia um gesto de “não se preocupe”. – E Kurt é gay também!

- San-ta-na... – o garoto falou entre dentes.

- Nosso grupo sempre aceitou as diferenças sabe? Todos poderiam entrar, desde que tivesse vontade. – Santana continuava a explicar sem ligar pro garoto – E quando eles vieram pra New York – indicava Rachel e Kurt – um pouco depois eu vim e eles me receberam de braços abertos, cheios de alegria! – ela dizia com ar irônico.

- Não tivemos muita escolha – Rachel em tom de confissão colocando a mão ao lado da boca, mas deixando a latina ouvir de propósito.

- Vocês estavam morrendo de saudades de mim! – a latina deu um tapinha no ombro da morena – são filhotinhos perdidos nesse mundo cruel nova iorquino... Enfim, eles não conseguem sobreviver meu terceiro olho mexicano, dona Bella!

- Alguém vai beber álcool? – Jessie falou tentando mudar de assunto enquanto olhava para o cardápio em suas mãos e recebeu um olhar espantado de todos – Gente, voltaremos de taxi!

- Eu me abstenho, mas sintam-se a vontade para comemorar o que quer que seja – sua mãe falou. – Eu dirijo um coral onde trabalho também... – ela voltou a falar com Rachel.

- Isso é muito bom! – Rachel falou empolgada – Podemos cantar juntas hoje!

- Na verdade, eu gostaria de provar algum drink... Parecem saborosos – Santana falou alto pra Rachel parar de falar em cantar, enquanto pegava o menu da mão da ruiva e conferia – Mas não quero causar uma má impressão em sua mãe. – ela sussurou enquanto dava uma piscadela pra garota que sorriu.

- Mais sincera que você já é sóbria você não vai ficar...! Ainda não percebeu que a minha mãe é uma mulher sem preconceitos e tabus? – a ruiva dizia divertida – Posso te acompanhar num drink!

- Danadinha... – Santana apertava sua cintura, provocando cócegas na ruiva.

Os pedidos chegaram e todos se calaram para se concentrar na comida. Todos estavam com fome. A conversa foi pouca enquanto saboreavam seus hambúrgueres e Rachel sua batata frita. Era a única coisa vegetariana que encontrou no cardápio.

Depois de todos alimentados, Jessie pegou uma caipirinha e Santana preferiu um Sexy on the Beach enquanto observavam Rachel rumar para o pequeno palco e começar a cantar com todo drama e emoção que lhe eram característicos. Disse que estava emotiva, então escolheu a música “My Heart Will go on”, http://letras.mus.br/celine-dion/50244/#traducao tema de TITANIC. Bella se emocionou com a interpretação e elogiou com fervor a garota quando terminou a música. A latina virava os olhos enquanto ouvia os elogios. Sabia que Rachel era muito boa, mas também sabia que seu ego quase explodia quando recebia elogios. Era como dar água pra um Gremlin e ver ele virar um monstro.

Kurt então foi até o palco e cantou “Fadding Like a Flowerhttp://letras.mus.br/roxette/34437/traducao.html, do Roxette, enquanto pensava um pouco em Blaine. Quando terminou todas elogiaram e bateram palmas. Santana se aproximou olhando- o com um olhar compreensivo e cochichou:

- Parabéns Porcelana, mais gay impossível – ela riu enquanto dava um tapinha em seu ombro.

Bellatrix se levantou, encorajada pelas performances e anunciou que seria sua vez. Nesse momento o bar todo já estava de olho neles, achavam que eram artistas. E muitos ficaram intimidados em ir ao microfone depois de performances tão profissionais. Resolveram somente assistir e aguardar com ansiedade qual seria a próxima.

A mulher subiu ao palco e surpreendeu até a filha quando começou a cantar “Like a Prayer” http://letras.mus.br/madonna/63184/#traducao da Madonna. Ela e Santana gritavam elogios do tipo “gostosa”, “diva” enquanto Kurt e Rachel se surpreendiam com a boa voz da mulher. Estavam alheios ao fato dela ser uma freira, o que tornava o fato dela cantar essa música algo irônico.

Santana estava em seu 5º drink. Ela agora resolvera provar uma caipirinha. Jessie havia dado essa dica quando elas pediram o primeiro copo, mas só agora ela tinha resolvido acatar. O que preocupou a garota. Essa misturança de bebidas não ia dar certo, ela sabia disso por experiência própria. Já havia parado no primeiro copo. Era fraca para bebidas e um só já havia sido suficiente para deixá-la rindo a toa. A latina cumprimentou Bella que havia terminado a música e tinha as faces rosadas de vergonha pelos aplausos de todo o bar. Sentia-se liberta e ria bastante.

Santana então se levantou toda sorridente, virando seu copo tomando o que restava da sua caipirinha.

- Minha vez! – Deu alguns passos cambaleantes para frente, mas Jessie segurou sua mão.

- San, agora é a vez da Rachel, ela já tinha avisado! – a ruiva tentava disfarçar, mas estava preocupada com a latina que aparentava estar um pouco alta e temia que ela fizesse algum vexame quando subisse ao palco.

- Mas a Anã Berry já foi! Não é justo ela cortar minha vez! – Santana falava alto como criança emburrada – A gente não pode ficar exposto a voz dela por muito tempo, é perigoso... pior que radiação!

A ruiva olhou pra Rachel que não havia dito nada sobre ser sua vez, mas logo entendeu o que Jessica pretendia vendo seu olhar enquanto tentava fazer Santana voltar a se sentar. A latina estava de vestido justo, que acentuava seu bumbum e os seios apareciam sutilmente através do decote modesto. Cabelos soltos, com ligeiras ondas e uma bota que ia até quase seus joelhos. Tirava a respiração de qualquer um e já haviam vários espertinhos de olho nela, observando a cena se desenrolar. Aquela parecia ser a mesa dos “artistas” e estavam chamando a atenção.

Rachel então colaborou (o que não foi nenhum esforço para ela) e subiu ao palco recebendo aplausos, o que fazia seu ego inflar. Não importava onde ela ia cantar, o importante era receber os aplausos dos admiradores! Escolheu uma música mais leve e descontraída, para mostrar que era bem versátil em suas apresentações, poderia haver um olheiro ali naquele bar! Começou a cantar U+Ur Hand, da P!nk http://letras.mus.br/pink/453763/ e os clientes pareceram gostar bastante. O dono do bar também assistia sorridente as performances. Era a primeira vez que ele ouvia gente que cantava bem no seu karaokê. Geralmente eram bêbados alegres aproveitando seu happy hour depois do trabalho.

Santana estava sentada novamente, com a cara emburrada e os braços cruzados. Parecia uma criança bicuda quando a mãe não compra a boneca que ela havia pedido. Olhava de relance com cara feia pra ruiva que preferiu ficar quieta para não provocá-la mais ainda e apenas sorria como se nada tivesse acontecido.

- Vou no banheiro – a latina se levantou sem nem dar tempo de Jessie ,que conversava com sua mãe, raciocinar. Ela dava passos rápidos meio perdida e quase entrou no banheiro masculino. A ruiva observou mas achou melhor deixá-la sozinha, afinal ela devia estar realmente com vontade de ir ao banheiro e se não pediu sua companhia, não ia se intrometer. Não queria ser grudenta.

- Jess...vai atrás dela, o álcool deixa a Santanás mais temperamental que o normal! – Kurt aconselhou depois de Rachel terminar a música e a latina ainda não ter voltado.

A ruiva achou melhor seguir o conselho e resolveu ir atrás da garota. Deixou a mãe com Rachel e Kurt conversando e rumou para o banheiro. Entrou e não havia ninguém nos espelhos, os 4 compartimentos estavam ocupados e ela começou a espiar por baixo das portas pra encontrar a latina. Estava na segunda.

- Sant... –ela falou hesitante – tá tudo bem aí?

- Tudo bem... – a latina tinha a voz diferente — não posso ter dor de barriga?

- Ah...desculpe... – a ruiva desconfiou – Vou voltar para a mesa, te espero lá! – Aguardou mas não recebeu resposta. Então ela apenas se afastou da porta e sentou-se no puf que ficava ao lado das pias, imaginando até que horas a latina ficaria por lá. Depois de alguns minutos lá sentada, ouvindo Kurt cantando lá fora, ela viu a porta abrir e Santana sair fazendo cara feia quando a viu esperando.

- Mentirosa...disse que ia voltar pra mesa! Qual seu problema? – a latina tinha os olhos vermelhos e dava a impressão que ia começar a chorar – Eu só queria cantar uma música pra você! – ela dizia de modo choroso e mole ao terminar a frase tinha um biquinho que quem segura o choro. – Acha que estou tão bêbada que vou passar vergonha?

- Acho. – a ruiva sorriu e levantou-se ficando com o rosto na mesma altura que o da latina.

- Pois eu já bebi muito mais que isso e não fiz nada que me envergonhasse – ela ameaçou sair do banheiro com passos cambaleantes mas a ruiva segurou seu braço.

- Nada que você se lembre né?! – ela acariciava o braço da latina que mantinha a expressão fechada – É impressão minha ou entrou cisco nos seus olhos? Eles estão vermelhos... se eu te conhecesse mais, diria que você estava chorando...

- Impressão sua – ela tentava se desvencilhar das mãos da ruiva, mas estava prestes a chorar novamente.

- San, eu quero muito te ouvir cantar, mas acho que você acabou bebendo um pouco além, só isso... – ela passou os braços pela cintura da latina que não demonstrou relutância, mas ainda não a encarava nos olhos. Ficava olhando para as paredes, mas uma lágrima acabou escapando. – Mas se quiser pode ir lá e dar um show...não vou te impedir... não vai ser isso que vai nos fazer brigar!

- Eu... só estava me sentindo feliz – ela disse ainda sem a olhar nos olhos. – queria comemorar e acho que exagerei nos copos! Mas quem se importa, sou uma vadia perdida em New York mesmo! – ela deixou um soluço escapar e os olhos voltaram a ficar marejados.

- Que isso? Auto-piedade? Não combina com você! Não está perdida aqui, tem seus amigos e a mim! E não acho que seja uma vadia! – ela passou as pontas dos dedos no rosto da latina enxugando o caminho molhado que uma lágrima percorreu. – Você é perfeita, pelo menos pra mim, é!

Santana finalmente olhou nos olhos verdes a sua frente... as mãos da ruiva continuavam na cintura dela e permaneceram se encarando.

Duas garotas entraram rindo no banheiro e pararam assim que viram as duas naquele clima. Se olharam e voltaram a dar risadinhas enquanto se olhavam no espelho.

- Vem, aqui no banheiro não é lugar de conversa – a ruiva cochichou indicando com a cabeça as meninas que riam feito bobas.

Santana olhou com cara feia pra elas enquanto saía de mãos dadas com Jessie e pararam na hora de rir, entrando cada uma em uma cabine e fechando rápido a porta.

Notas finais
E aí? Capítulo muito parado? Comentem!

Assim como Rachel é igual a Sininho e precisa de aplausos pra viver, eu preciso de comentários para me inspirar!