Girl – Rose May
19 Truth or dare?
Notas iniciais
O caminho até a casa da Lindsay não é muito longo. – Estaria um silêncio no carro, se Izzie não estivesse falando sem parar. – A conhecia bem pra saber o quanto ela estava ansiosa para encontrar Briana hoje.
Quando Guss estaciona na frente da casa vemos alguns outros carros ali. – Uma música alta anuncia que a festa já começou, e algumas pessoas estão conversando enquanto bebem no gramado.
Descemos do veículo e caminhamos até a porta principal. – Guss está entre mim e Izzie.
— Você acha que a Lindsay não vai se incomodar de vê-lo aqui? – indago fazendo ele me olha.
— Acredito que não, pelo que a conheço Lindsay vai adorar. – Ele sorri e balança a cabeça.
Algo me dizia que os dois não ficariam separados por muito tempo. – E não sei se isso deveria me incomodar. – Não sei mais se estou apaixonada por ele.
Quando entramos no hall principal que separa a sala, algumas pessoas que circulam por ali imediatamente olham na nossa direção. – Guss é o motivo, óbvio.
A casa dos pais da Lindsay é enorme, uma mansão. – Muito bem decorada, com paredes branco/bege. – dois andares.
Andamos até a sala, onde há cerca de uns quatro sofás e algumas poltronas distribuídas. – Improvisaram um mini bar em um canto. – Aqui dentro a música estava ainda mais alta.
Lindsay estava sentada acompanhada de algumas das líderes de torcida. – Ela se levantou e veio até nós assim que nos viu entrar. – Os cabelos lisos e pretos iam até a metade das costas dela, um vestido curto da mesma cor modelava o corpo dela. – Lindsay era disparado uma das meninas mais bonitas da escola. – Me sentia envergonhada diante dela. Me sentia pouco.
Tentei afastar esse pensamento ruim. – Ela sorriu pra nós.
— Sejam bem vindos. – disse, contrariando a reação que esperava dela.
Ela e Guss trocaram olhares. – Eu e Izzie saímos da maneira mais sutil de perto deles.
— Um puta clima! – Izzie comentou enquanto paramos em um canto mais afetado da sala. – Desculpa... você ainda gosta dele?
— Não! – nego rapidamente. E pra minha própria surpresa, não estava mentindo.
— Você está diferente ultimamente May... – Izzie fala enquanto me analisa.
— Como assim?
— Não sei explicar... – diz pensativa. – Parece que está apaixonada. – eu arregalo os olhos pra ela.
— Você é quem está apaixonada Izzie! – rebato rindo. – Pelo amor de Deus.
Ela apenas ri, não nega e nem afirma nada. – Não demora para Briana chegar ao local, vejo os olhos da minha amiga brilhar quando a vê.
Conversamos por um tempo, a festa está mais cheia – Parece que toda escola está aqui. – As duas dizem que vão ali, e já voltam, mas sei que precisam de privacidade.
Me sento em uma das poltronas no canto da sala. – Pego meu celular e começo a navegar pelo Instagram, onde algumas pessoas que sigo começam a postar sobre a festa que estou. – Me sinto meio sozinha sem a Izzie aqui.
Guss se reaproxima e se senta no “braço” da poltrona. – Ele me olha e sorri, está com um copo descartável vermelho na mão. – Aqueles típicos de festa.
— Não quer algo pra beber? – indaga.
— Não sou muito fã de bebida alcoólica, você sabe. – digo e ele rir.
— Você é tão certinha. – Guss passa o braço por cima dos meus ombros e sinto meu corpo tenso.
Não que a gente não tenha contato físico, mas há dois pontos aqui:
Um, desde que nos afastamos era difícil esse tipo de contato, as coisas ficaram estranhas.
Dois, estávamos em público, e ele quase nunca fazia esse tipo de coisa abertamente, poderiam pensar que estávamos flertando.
E tenho quase certeza de que foi isso que se passou na cabeça da Lindsay sentada no outro lado da sala com algumas outras pessoas.
— Faz assim, segura meu copo enquanto eu vou ver se acho algum refrigerante pra você lá na cozinha... – Guss me entrega o copo dele e logo saí.
Balanço minha perna acompanhando a música, algumas pessoas estão dançando, outras conversando, rindo.
— May... – Tyler Moroles se aproxima de mim. Ele para de pé na minha frente com um copo de bebida na mão. – Estranho ver você em uma festa. – diz rindo.
Tinha um receio em conversar com ele, Tyler não foi muito legal comigo no sétimo ano, fazendo brincadeiras totalmente sem graça, e me colocando apelidos sem noção pelo simples fato de eu estar de fora de um padrão.
Só balanço a cabeça em confirmação – penso que se não dizer nada, ele vai embora.
— Sabe ultimamente você está ficando mais... – Tyler fala e faz uma pausa rindo de um jeito estranho. – Você é uma gordinha bem gosto... – antes que ele possa terminar a palavra que eu presumir ser “gostosa” Guss chega.
— Tyler! – Guss põe uma mão no ombro dele e lança um olhar intimidador.
— Calma Guss, eu só estava conversando com a sua protegida... – Ele diz e me lança mais um sorriso antes de sair.
— Você está bem? – Guss indaga voltando a sentar no braço da poltrona ao meu lado. Ele me entrega o copo de refrigerante, enquanto eu devolvo o dele.
— Estou. – respondo ainda chocada com o que Tyler ia dizer. – Que história era aquela de que sou sua protegida?
— O que? Isso é besteira! Ele acha que vou bater nele caso fale alguma besteira pra você.
— E você bateria?
— Provavelmente. – Guss rir e eu sorrio pra ele.
Dou uma boa olhada no local analisando os rostos conhecidos. – Vejo Diana do grêmio dançando com um jogador do time, olho para a porta no momento em que Sam Scott está entrando. – Ele parece meio desconfortável em roupas mais despojadas. – Quando Sam passa pelo hall e adentra a sala, vejo Elliot logo atrás.
Ele está lindo. – usando uma calça jeans azul clara com alguns rasgos, uma blusa preta de uma banda, sua jaqueta de couro da mesma cor. – tudo isso combina perfeitamente com ele.
Percebo que não sou a única que olha em sua direção. – Mas sou a única que captura seu olhar. Elliot me olha por alguns instantes, depois analisa Guss ao meu lado, até desviar os olhos.
Vejo Lindsay se levantar e ir até eles. – Os cumprimenta e sorri mexendo no cabelo. – Prefiro não olhar a cena.
Guss e eu engatamos uma conversa qualquer por alguns minutos. – Vejo pelo canto do olho Elliot conversar com Sam Scott perto do hall.
— VERDADE OU DESAFIO! – Lindsay grita pegando uma carregava vazia de cima da pequena mesa de centro.
— Vamos sair daqui antes que eles tentem nos arrastar pra isso... – Guss levanta e eu estou prestes a fazer o mesmo quando Tyler passa o braço por cima dos ombros de Guss.
— O Guss vai jogar com a gente! – diz e ele parece não ter como recusar.
Algumas meninas da torcida levantam indo recrutar mais gente pro jogo. – Três delas praticamente obrigam Sam Scott e Elliot a jogar.
Lindsay vem na minha direção e todos da sala olham.
— Vamos jogar, May. – ela sorri desafiadora pra mim.
Balanço a cabeça em negativo, meus dedos apertam o copo, me sinto nervosa.
— Qual é... Vai fugir de um joguinho bobo? – indaga, ela está literalmente me desafiando.
Se até Sam Scott está ali, penso que fugir disso seria muita covardia.
Me levanto da poltrona ficando frente a frente com ela.
— Tudo bem. – concordo em participar do jogo.
— Ótimo.
Vou me sentar na rodinha que se formou no chão, em volta da garrafa de vidro. – Me sento entre Guss e uma outra garota.
Assim que Lindsay senta – entre uma de suas amigas, e Tyler, ele diz algo no ouvido dela.
— Regras! – Ela fala sobrepondo a voz ao barulho. – Não tem regras! – Ela ri quando vê a cara de espanto da maioria. – Brincadeirinha. As regras são, não vale nada que coloque a vida do amiguinho em risco, nem nada que seja caracterizado como crime. – Lindsay se inclina e toca na garrafa. – Como anfitriã, sou a primeira a girar!
As perguntas começam, e os desafios também. – sigo apreensiva cada vez que alguém gira a garrafa.
Elliot, eu, e Sam somos os únicos que a garrafa ainda não apontou.
Após cumprir o desafio que Tyler impôs a ela – beber tequila – Lindsay gira a garrafa.
Ela me olha como se soubesse que a garrafa apontaria pra mim. – Minhas mãos soam quando vejo a garrafa parar entre nós duas.
— Ora ora. – Lindsay sorri, a sala parece menor, estou nervosa pra caramba. – Verdade ou desafio?
Ambos os dois serão terríveis. – ela pode perguntar algo horrível, ou me desafiar a fazer uma coisa tão ruim quanto. – Mas vou no que acho mais confortável.
— Verdade. – digo minha escolha e escuto risadinhas de suas amigas.
— Sério? – Tyler ironiza rindo.
— É verdade que... – Ela faz uma pausa. – Que você vai fugir dos desafios porque é uma covarde?
Lindsay estava me afrontando na frente de todos. – Não poderia deixar ela fazer isso.
— Não! – rebato com firmeza.
— Então eu te desafio, May. – ela fala autoritária. – Te desafio a passar meia hora em um dos quartos com o Elliot.
Meu Deus.
Qual era o problema dela?
Vejo o olhar de Lindsay se desviar de mim, e ela olha com provocação pra Guss. – Então era sobre isso.
Olho rapidamente pra ele também. – Guss parece que vai gritar com ela a qualquer momento.
— Eu aceito! – digo olhando pra Elliot, sentando do outro lado da roda.
Ele assente com a cabeça brevemente, quase imperceptível.
— Isso aí caralho! Agora esse jogo tá ficando interessante. – Tyler diz virando sua bebida na boca.
Quando me levanto Elliot faz o mesmo. – O olhar de Guss é quase incrédulo.
— Os dois primeiros quartos estão trancados, usem um dos outros três. – Lindsay diz em tom de malícia antes de sairmos da sala. – Estou contando meia hora no relógio. – diz antes de rir.
Subimos as escadas em silêncio. – A casa parece ser maior do que imaginei.
No topo da escada chegamos a um corredor. – Aqui a música ficava mais ao longe, meus ouvidos sentem alívio.
Passamos pelas duas primeiras portas, Elliot parou de frente para a terceira.
— Pode ser aqui? – indaga.
— Tanto faz. – dou de ombros, ele gira a maçaneta e abre a porta.
Entramos em um quarto com uma cama de casal, ele é decorado nas cores bege e cinza, tem uma TV LCD na parede e uma pequena mesa.
Parece muito um quarto de hóspedes, por mais que haja poucas coisas nele é bem chique. – Tem também uma outra porta que presumir ser o banheiro, e um grande guarda roupas.
Quando ele fecha a porta mexo nervosamente em uma mecha do meu cabelo.
Me viro de frente pra ele e o vejo mexer no celular.
— Se passaram dois minutos, faltam vinte e oito. – diz e vira a tela me mostrando um contador de tempo.
— Ainda bem que ela escolheu você. – digo e ele sorrir. – Garotos como Tyler são idiotas.
— Tá dizendo que não sou idiota? – Ele me olha com divertimento.
— Não. Continuo achando você idiota, mas é diferente... – digo.
— Interessante. – Elliot sorri e meu coração dispara.
Desvio o olhar pra qualquer outro lugar do quarto. – Sei que tem uma tensão entre nós. – Imagino também o que as outras pessoas lá embaixo estão pensando.
— May? – Elliot me chama capturando minha atenção.
— Sim?
— Você enfrentou ela lá embaixo... – ele sorri em aprovação.
— Não foi nada demais... – mexo no cabelo envergonhada.
Vou até a janela contemplando a noite estrelada, me recordo da noite em que nós dois ficamos no telefone falando sobre as estrelas. – Sinto a presença dele ao meu lado um pouco depois.
Ficamos em silêncio durante algum tempo, até minha voz rompe-lo.
— Acha mesmo que vou me apaixonar por você? – indago retornando ao nosso último assunto.
— Rose May, como eu te disse, não quero te fazer sofrer, eu vou embora no final do ano letivo...
— Não foi isso que eu perguntei Elliot. – digo olhando em seus olhos, ele sustenta meu olhar com intensidade.
— Você é romântica May... – ele mantém seu olhar. – Pode se apaixonar por mim se continuarmos...
— Se continuarmos nos beijando? – pergunto interrompendo. – Eu não estou te pedindo em namoro! – Falo com impaciência.
— Então o que você quer? – sinto ele se aproximar ainda mais de mim. Meu olhar descer para os seus lábios e quero tanto beijar ele mais uma vez.
— Eu quero você. – digo olhando em seus olhos.
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