Girl On Fire
1 Capítulo 1 - Lembranças
" –Vai ficar tudo bem. Eu prometo! "
E mais uma vez eu me pego pensando naquela última frase... aquela última promessa...
Parece que havia sido ontem, na verdade, sempre ira parecer que aquela data foi mais próxima do presente do que realmente foi.
–Não vai comer?- meu tio perguntou apontando para o último pedaço de frango que estava em meu prato.
–Fique a vontade.- falei inclinando a porcelana em sua direção.
Ele me lançou um sorriso e pegou a coxa de frango com a mão mesmo. Para quem já havia comido um balde inteiro de frango frito sem usar ao menos um guardanapo, repetir o feito não faria muita diferença.
–Eu estava pensando, suas aulas começam em uma semana, então poderíamos ir ao shopping comprar roupas novas, materiais... essas coisas.- ele falou gesticulando de modo um tanto engraçado.
–Acho que não vai ser uma boa ideia...- falei e ele revirou os olhos bufando.
–Planeta Terra chamando Sara! Alôôô! Sah, existe um mundo lá fora! Sabe, já faz um mês que você não sai daqui. Eu sei que é difícil, mas a vida segue, e você tem que seguir com a sua.- ele disse largando o que comia.
Ele sabia que eu não havia superado, na verdade, qualquer um que conhecesse minha história perceberia facilmente que eu não havia superado.
–Ta bom...- me dei por vencida e meu tio começou a saltitar igual a um retardado. Consegui dar um sorriso sincero com aquela palhaçada.
Depois da alguns minutos, arrumamos a cozinha e cada um seguiu para seus devidos aposentos.
Fui ao banheiro e em seguida me deitei em minha cama.
Fiquei um tempo a encarar o teto do quarto. Me sentia um pouco melhor do que antes. A dor passava aos poucos e eu estava conseguindo superar, mas esquecer seria impossível.
Virei para o lado, e lá estavam eles na cabeceira de minha cama. Meus pais.
FLASH BACK ON
–Boa noite querida! Durma bem, amanhã será um dia especial!- os dois disseram me dando um beijo estalado no rosto.
Isso pode parecer estranho, mas eu tenho 15 anos e meus pais ainda me poem para dormir.
–Boa noite!- sorri para eles antes que os próprios deixassem meu dormitório.
Em alguns segundos, fechei meus olhos e deixei meu corpo relaxar no colchão. Amanhã seria um dia especial. Eu e o restante do grêmio estudantil iriamos apresentar o projeto de encerramento de ano para o representante da diretoria de ensino de New York. Seriamos o primeiro grêmio de toda região a ter o privilégio de fazer uma palestra dessa importância.
O melhor agora era dormir.
* * *
TERCEIRA PESSOA
Era uma noite tranquila. Já se passavam das 2hrs.am. e tudo parecia ir bem. Poucos acidentes, poucas ocorrências no hospital... algo muito estranho para uma cidade como New York.
Na residência dos Donadio, a Sra. Donadio tomava um ar na varanda enquanto o Sr. Donadio procurava um pequeno frasco no escritório do domicilio. Quando o encontrou, correu até a esposa.
–Clive Christian's X?- a mulher perguntou ao pegar o frasco.- Onde estava? A tempos que não o vejo.
–Estava perdido no meio da papelada do escritório.- ele disse retirando a tampa do perfume que ainda estava cheio e aplicando um pouco em seu puço- Continua com o aroma perfeito!
–Concordo querido!- a mulher disse lhe dando um beijo.
O clima começou a esfriar, então o casal resolveu entrar para não pegarem uma gripe, pois Sara os mataria caso ficassem doentes em seu grande dia.
O frasco do Clive Christian's ficou ali fora.
Meia hora depois, um gato de rua que passava por ali, se interessou pelo brilho que o frasco de perfume refletia. Aproximou-se curioso e com receio começou a mexer no vidro. Depois de algum curto tempo, pegou intimidade com o objeto e lhe deu uma patada um pouco violenta.
O frasco rolou pela varanda de madeira e caiu pelos degraus que dava acesso a varanda. Com o impacto da queda, o frasco se abriu, deixando um rastro do perfume enquanto rolava. Foi assim até chegar ao início da rua, onde parou de rolar.
Um jovem rebelde que passava em alta velocidade pela rua jogou um cigarro aceso de cima de sua CVO Fat Bob. Em menos de um minuto, já estava longe daquele quarterão.
O cigarro, por puro azar, caiu bem em cima do resíduo do perfumo e uma chama se acendeu. Essa chama começou a tomar forma, tamanho e intensidade conforme seguia o caminho anterior que o frasco fez. Uma labareda de fogo se encontrava em frente a casa dos Donadio e, infelizmente, ninguém a viu antes que chegasse a varanda. A própria era composta 90% em madeira. Um material inflamável.
E dali, um grande incêndio começou. O fogo se acomodava em cada canto externo daquela casa e não demorou muito para passar pela porta principal. A sala de estar estava em chamas e o fogo já chegava a sala de jantar... a cozinha... o banheiro principal... agora subia as escadas.
Chegou ao andar de cima... estava tudo perdido.
O Sr. Donadio sentiu o cheiro de queimado e levantou-se assustado, correu para a porta do quarto e viu as chamas adentrarem o corredor. Acordou desesperadamente sua esposa que levantou-se assustada. Naquele momento os dois só conseguiam pensar em Sara, será que ela já estava acordada?
Sem perder tempo, foram para seu quarto e la estava a jovem dormindo. O Sr. Donadio tentou acordar a menina de modo que não a assustasse muito e, por um minuto de distração, percebeu que sua esposa não estava mais ali.
A Sra. Donadio havia corrido para pegar um institor no soton, e para isso se distanciou de mais do quarto de Sara. Ao tentar voltar, se deparou com uma labareda que cruzava seu caminho.
–Christiane! Está louca? Venha pra cá!- ouviu seu marido gritar preocupado com Sara se escondendo assustada em suas costas.
–Não consigo! Saí daqui Pierre! Eu vou atrás de vocês!- a mulher respondeu gritando e acionando o institor já que o fogo estava conseguindo alcança-la.
–MAMÃE!- Sara a chamou.
–Querida! Vá com seu pai! Eu vou depois!- a mulher praticamente implorou para que sua filha saísse dali.
Conhecendo o gênio forte de sua mulher, o Sr. Donadio pegou sua filha no colo e correu para a escada de emergência. Foi um pouco difícil descer por ela, pois o fogo já conseguia alcança-la. Queimou-se um pouco, mas ficou satisfeito ao perceber que Sara estava intacta.
Correu para o outro lado da rua, onde já havia várias pessoa desesperadas ligando para os bombeiros.
–Pa-pa... papai- Sara tentou falar, mas estava um pouco tonta.
–Ei! Não fale nada.-ele falou a deitando no gramado da vizinha- Vai ficar tudo bem. Eu prometo!
Logo ele sumiu e Sara apagou.
FLASH BACK OFF
Papai e mamãe não resistiram. E no final, não ficou tudo bem.
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