Girl Next Door

1 That Girl...


Notas iniciais
Espero que gostem da minha "primeira" song-fic, pois fiz com carinho e estou feliz em postá-la! ^^

P.O.V Sasuke

Estava calmamente andando pelos corredores de minha escola, vamos dizer que sou o tipo de pessoa que os outros encaram como popular que está acima de tudo e todos. Não diria que sou assim, não julgo alguém por ser estudioso ou por estar em qualquer clube que essa escola ofereça. Mas as pessoas insistem em classificar-me como alguém famoso e que só por ter vários amigos e uma situação financeira alta, tenho que destratar os outros e ser o Bam-Bam-Bam da fita. Não importa o quanto eu seja justo com todos, sempre acharão que eu sou cruel com quem não é “popular” como eu. Malditas séries de televisão!

Me chamo Sasuke Uchiha, minha família administra uma das maiores empresas de comunicação do estado. É desse jeito que todos me vêem, como o filho de Fugaku Uchiha e irmão de Itachi Uchiha. Mas podem acreditar, não é desse jeito que quero passar minha vida, sendo classificado como filho ou irmão de alguém, quero poder chegar em alguma garota e falar: “E aí, eu sou o Sasuke! Quer sair por aí?”, mas não, é só verem meu rosto que já vem estampado em suas mentes “Garoto de família rica”.

– Sasuke! – Ouvi Karin me chamando, suspirei e ignorei seu chamado.

Apressei meu passo, deixando-a para trás.

– Se eu fosse você não deixaria minha prima assim. – Naruto riu dos gritos esganiçados da ruiva.

– Por quê? Vai fazer algo? – Arqueei a sobrancelha apenas para irritá-lo.

– Não, ela que vai me importunar a tarde inteira. – Me empurrou de leve. – Mas é sério, fugir não funciona para sempre.

Naruto é meu melhor amigo desde... Bem, desde sempre. Não tenho em minha mente um tempo em minha vida que ele não fosse meu amigo, estamos juntos desde que nascemos já que nossas mães eram grandes amigas. Ele também é taxado como “popular no topo da cadeia alimentar”, mas preciso dizer que é mais gente fina que eu com as outras pessoas.

– SASUKINHO! – O grito aumentou.

O loiro me lançou um olhar de “E agora?”.

– Fugir não funciona sempre, mas até agora tem dado bastante certo. – Falei entregando/jogando minha mochila nele e começando a correr. – Até mais tarde!

– EI! – Reclamou ao cair no chão por tentar pegar o peso a mais.

Sorri de canto imaginando o surto que a Uzumaki deve ter dado ao perceber que eu não estava mais em seu campo de visão, mais tarde me desculpo com meu amigo por ter lhe dado essa dor de cabeça.

Depois de certo tempo parei de correr e comecei a caminhar, pus as mãos nos bolsos de meu casaco e tentei fazer com que minha respiração voltasse ao normal. Mas assim que consegui essa proeza, mais um motivo para meu coração acelerara apareceu e acredite, não foi por causa de amor.

– Saí da frente! – Mas era tarde demais para o aviso.

Antes que pudesse ter a chance de me safar, a bicicleta veio com tudo para cima de mim. O barulho foi alto e o estrago foi grande. Fiquei espatifado no chão do passeio com a bicicleta ao meu lado e a garota em cima de mim.

– Ai meu Deus, d-d-desculpa! – Tentava falar, mas ria exageradamente. – E-e-eu sinto m-muito!

– Sério? Não, ai, parece. – Falei tentando ignorar a dor que sentia nas costas.

A garota em questão era ninguém menos que Sakura Haruno, a pessoa mais estranha que o Konoha High School já teve como estudante. Não que eu implicasse com ela, mas a Haruno é realmente “original”, se é que me entendem. Começando pelo seu cabelo, que era de um rosa chocante, dando um contraste com a pele branca e os olhos verdes. Não a considero uma garota feia, mas parece que ela força para que não a achemos escandalosamente bela. Sempre vai para escola com roupas de estampas diferentes e luvas que chegam até o cotovelo em cores do arco-íris, usa o cabelo em tranças mal feitas e eu juro que uma vez foi para a escola com um tênis de cada cor! Suas atitudes também não colaboram muito com a imagem dela, a vemos bastantes vezes sendo escandalosa e desengonçada, sua coordenação motora é uma das piores que eu já vi e parece que a palavra desastre sempre anda ao seu lado.

– Tudo bem com você? – Perguntou entortando sua cabeça e diminuindo as risadas.

– Estaria melhor se você saísse de cima de mim. – A olhei irritado.

Seus olhos arregalaram e deu um sorriso do tipo “desculpa”. Saiu de cima de mim e estendeu a mão para que eu também me erguesse, mas ignorei o ato e o fiz sozinho, batendo em minhas calças para tirar os restos de grama que ficaram.

– De nada pela ajuda, educadinho. – Mostrou a língua enquanto levantava a bicicleta.

– Você me atropelou! – Exclamei.

– Já pedi desculpas. – Deu de ombros e se arrumou no veículo assassino. – Quer uma carona até sua casa?

Fingi pensar na resposta e depois dei um sonoro ‘não’ para a garota. Comecei a andar, mas senti que ainda me seguia, olhei para o lado e me deparei com Sakura sorrindo brincalhona.

– Se eu fosse você, aceitaria. – Cantarolou enquanto pedalava devagar.

– Eu já falei não. – Apressei o passo. – Pare de me seguir!

– Tudo bem então, Sasukinho. – Zombou e aumentou o ritmo das pedaladas, logo se afastando de mim.

Fiz uma cara irritada para suas costas enquanto sumia e logo suspirei. Essa garota é muito estranha, mesmo estudando em uma escola de alta classe (Não que despreze os menos favorecidos) se veste e age como se estivesse na quinta série e precisasse costurar suas próprias roupas para viver.

– Me atropela e ainda acha que aceitaria sua carona. – Bufei chutando uma pedrinha no caminho.

Foi só dizer essa frase que senti alguns pingos em meu ombro, olhei para o céu e percebi que várias nuvens cinzentas ameaçavam chover. Foi questão de segundos para que o verdadeiro dilúvio começasse. Grunhi e chutei com força a pedra, isolando-a.

– Maldita seja! – Gritei para os céus.

[...]

Adentrei em casa totalmente encharcado graças ao temporal que peguei durante o caminho. Minhas roupas e meu cabelo estavam pingando e deixando rastros de água por onde eu passava, ignorei os chamados da empregada e fui até meu quarto, me trancando lá. Estou muito irritado.

Nem pensei antes de retirar minha camisa e jogá-la no chão irritado, balancei meu cabelo para tirar o excesso e poder pelo menor ficar um pouco mais calmo. Quando retirando meu cinto ouvi alguém coçando a garganta. Olhei assustado para Naruto, que estava deitado em minha cama comendo um saco de Doritos, me olhava confuso e com um sorriso ao mesmo tempo.

– O que você está fazendo aqui?! – Joguei minha camisa nele com raiva.

– Ah, o meu show particular acabou? – Fingiu estar magoado, mas ao ver meu dedo mediano apenas riu. – Calminha, esqueceu? Combinamos de estudar juntos hoje.

Quando o loiro diz ‘estudar’, quer dizer que jogaremos vídeo-game, mexeremos em nossos próprios telefones e quando minha mãe aparecer para ver como estamos pegaremos os livros e eu fingirei estar explicando algo para Naruto. É sempre assim, isso explica as notas assustadoramente baixas dele, para minha sorte não tenho dificuldade e se ler um horário antes das provas já consigo tirar uma nota excelente.

– Mas por que não me avisou que estava aqui?! Eu estava tirando minha roupa! – Continuei com meu ataque de raiva.

– E lá é minha culpa se sempre foi seu sonho fazer um strip para mim? – Vendo meu olhar de puro ódio parou com as brincadeiras. – Foi mal, agora coloque alguma coisa aí, não sou obrigado a te ver sem camisa.

Suspirei pela décima vez, hoje não está sendo o meu dia. Peguei uma muda de roupa e fui até o banheiro tomar um banho para não ficar resfriado pela chuva. Depois de estar devidamente vestido volto ao meu quarto e encontro o loiro sorrindo enquanto olhava para a tela do celular. Joguei a toalha que usava para secar o cabelo nele, chamando sua atenção.

– Por que sorri para o celular? – Eu já sei a resposta, mas é engraçado vê-lo embaraçado.

Naruto, como esperado, ficou levemente vermelho e começou a gaguejar e a tentar explicar o porquê de sua atitude.

– Já entendi, você estava conversando com a Hinata. – Sorri de canto, fazendo com que me olhasse irritado.

– Eu não estava conversando com ela! – Defendeu-se emburrado. – Esquecendo isso... Por que chegou depois da chuva? No ritmo que estava, devia ter chegado antes dela começar.

O sorriso zombador que estava em meu rosto desapareceu ao ouvir a pergunta. Me lembrei da garota estranha que me atropelou e por causa dela peguei um temporal.

– Sabe aquela Sakura da nossa escola? – Assentiu. – Eu estava vindo calmamente para minha casa quando a maluca simplesmente me atropelou com sua bicicleta! Por causa dela peguei essa maldita chuva!

– Ela nem te ofereceu uma carona para se desculpar?

Abri a boca para insultá-la, mas me lembrei que a rosada tinha me oferecido duas vezes. Provavelmente percebeu que vinha chuva.

– Não, estou te dizendo, ela é estranha. – Bufei.

– Daqui a pouco você se apaixona. – O olhei ameaçadoramente novamente. – Para de fazer esse olhar caramba!

[...]

No dia seguinte a escola foi até normal, tive minhas aulas, conversei com meus amigos, tentei fugir da Karin, joguei a culpa no Naruto... Mas o intervalo veio para deixar meu dia um pouco mais complicado que o normal.

Estávamos meus amigos e eu sentados em um círculo no campo, as pessoas passavam, mas tinham medo de se aproximar da gente. Alguns de meus colegas tratam as outras pessoas como eu mais odeio: Como se fossem inferiores a eles. É por causa deles que me enquadrei como bully eminente. Mesmo não concordando, não posso mudar o jeito deles por isso, afinal, eles são eles e eu sou eu.

Conversávamos sobre o baile que teria no mês que vem em nossa escola, existe coisa mais clichê que um baile de primavera em uma escola? Eu mesmo respondo, não, não tem. Mas é meio complicado não ficar animado com a ideia de ir junto de seus amigos para um lugar com música, comes e bebes e garotas.

– Quem você vai convidar, Sasuke? – Neji me perguntou enlaçando sua mão na de sua namorada, Tenten.

– É Sasuke, quem você vai levar? – Karin se aproximou de mim quando insistiu na pergunta.

– Ninguém, não achei ninguém interessante. – Comentei me afastando alguns centímetros da ruiva.

Karin não é uma garota feia, tem cabelos repicados e ruivos, olhos magenta e um corpo bacana. Mas ao contrário de muitos, eu olho também o interior de uma garota antes de ficar com ela, e a Uzumaki não é a flor mais cheirosa do jardim.

– Olha só quem está ali. – Kiba apontou com a cabeça, com seu típico sorriso irônico.

Virei minha cabeça, desinteressado, mas ao ver Sakura com suas típicas roupas extravagantes meus olhos ficaram vidrados na imagem. A rosada estava junto de seus companheiros e parecia se alongar para algo, estalava os braços e tentava tocar em seus pés com suas mãos, sem sucesso é claro.

– O que ela vai aprontar dessa vez? – Perguntou Naruto interessado.

A pessoa que tanto encarávamos fez um sinal para um de seus amigos e esse apertou um botão em um rádio violeta que estava ao seu lado. “Die Young” começou a soar, chamando a atenção de algumas pessoas. Sakura não parecia ligar para que as outras pessoas estavam a encarando, apenas ria com seus amigos e dançava seus próprios passos, pelo seu sorriso e as risadas dos companheiros parecia ser algo divertido, mesmo para os outros parecer algo completamente constrangedor.

– Qual o problema dela? – Matsuri revirou os olhos. – Aposto que faz isso só para aparecer.

– Não, ela faz isso porquê acha divertido. – Temari defendeu.

Karin levantou e sorriu para Matsuri.

– Já volto pessoas. – Saiu tentando rebolar do círculo.

Apenas observei o que a ruiva faria, sem que a Haruno percebesse, Karin jogou algo no chão e segundos depois voltou para onde estávamos.

– O que você fez? – Naruto já a repreendia com o olhar.

– Olhe e entenda. – Piscou para o primo.

Agora estava prestando atenção dobrada para onde Sakura dançava, quando voltou para o refrão da música e ela foi rodopiar, passou pelo local onde Karin havia jogado algo e caiu com tudo no chão, batendo sua cabeça. Risadas passaram pelo pátio, sendo que apenas as pessoas que estavam se divertindo com a rosada foram ver se ela estava bem.

– Isso foi idiotice. – Falei olhando para a ruiva que ria junto aos outros.

Depois de um tempo as risadas foram acabando e o assunto foi esquecido, como se nada tivesse acontecido. Apenas eu ainda observava se a garota estava bem, mas arregalei os olhos ao perceber que agora ela estava rindo e cantando em alto e bom som “Tik Tok”. Revirei os olhos, irritado.

– Essa garota é realmente estranha. – Murmurei tentando ignorá-la.

[...]

Estou em minha casa, para ser mais especifico, na área da piscina com meu violão. Não sou fanático em tocar, mas algumas vezes quando sinto vontade o tiro de meu guarda roupa e resolvo deixar meus dedos rolarem pelas cordas. Já havia um tempo que estou tentando criar minha própria música, mas não consegui escrever uma letra, apenas o ritmo.

– She makes me feel alive... – Tentei. – Alive, a-a-alive, alive, alive.

Já era alguma coisa. Quando fui cantar o próximo verso fui acertado no meio da testa por um frisbee. O susto foi grande e deixei que o violão tombasse levemente, mas o agarrei a tempo.

– Droga. – Passei a mão no local onde ele havia batido.

Provavelmente a casa que estava para vender ao lado da minha finalmente foi comprada e agora tenho crianças hiperativas e irritantes como vizinhas.

– Sasuke! – Ouvi a pessoa me chamando.

Só pode ser brincadeira... Eu reconheço essa voz animada e otimista.Deixei o instrumento encostado e levantei-me para perto da cerca, queria certificar-me que era mesmo a pessoa que eu pensava ser. Antes que eu pudesse erguer minha cabeça sobre a cerca vi o rosto sorridente de Sakura pulando e segundos depois descendo, assim se repetindo várias vezes.

– O que você está fazendo?! – Perguntei franzindo o cenho para a garota que aparecia e desaparecia rapidamente.

– Pulando. – Falou rindo. – Obvio, não?

Respirei o mais fundo que podia e fui andando para fora da casa, fui até a casa ao lado e para minha sorte o portão já estava aberto. Andei meio confuso até chegar até a parte em que a rosada deveria estar pulando, mas quando cheguei apenas a vi presa no metal do pula-pula, tentava se soltar, mas não obtinha sucesso.

– Ajudinha? – Pediu de cabeça para baixo.

A olhei ainda não acreditando que teria aquele ser não identificado como vizinho a partir de hoje. Depois de um longo combate mental, resolvi ajudá-la a se soltar do pula-pula. Segurei sua cintura e a ergui.

– Prontinho e...

Antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa para Sakura me perdi em seus olhos. Claro que já havia reparado na Haruno, afinal, somos colegas de escola, mas nunca estive a tão poucos centímetros de seu rosto. Assim como sempre, seus olhos estavam verdes, mas analisando melhor pude perceber que eram de um verde esmeraldino, tinham o brilho e a inocência de uma criança de dez anos, mas a beleza de uma dama. Tinha seu eterno sorriso infantil no rosto, o sorriso mais contagiante e fofo que eu já havia visto, pequenas (Quase imperceptíveis) covinhas tentava aparecer quando o abria. Sua pele era clara como a neve e seus cabelos rosa permaneciam da mesma cor que sempre vi, rosas chocantes!

– Que tal me soltar agora? – Sugeriu piscando rapidamente.

Acordei do pequeno transe e a soltei, lançando um olhar irritado.

– Por que jogou aquele frisbee em mim? – A interroguei entregando o objeto vermelho.

– Meu frisbee! – O pegou de minhas mãos. – Obrigada! E eu joguei para você perceber que eu estava aqui.

– Mas por que?

– Ué, somos vizinhos, não? Preferia que eu tivesse entrado em sua casa? – Colocou as mãos na cintura e jogou o peso de uma perna para outra.

– Isso é o que pessoas normais fariam para conhecer seus novos vizinhos. – Usei um tom irônico.

– Obrigada pelo elogio. – Mostrou a língua e depois fez um bico. – Enfim, precisa de algo?

Hesitei antes de responder, mas logo disse com minha voz um pouco fria.

– Não jogue coisas em mim novamente. – E me virei indo para a porta de sua casa.

Fui andando até a porta, quando a estava fechando escuto Sakura me chamando.

– O que você quer? – Perguntei.

– Você canta bem. – Sorriu de maneira mais moderada. – Só isso.

Abri a boca para falar, mas apenas balancei a cabeça e fechei a porta de uma vez.

[...]

Desde o dia que descobri que Sakura Haruno, a estranha, era minha nova vizinha comecei e reparar em certas coisas. Primeiro: Ela era uma pessoa super feliz e vivia bem com sua família. Pelas coisas que escutava (E sim, estava ficando mais tempo na área da piscina para escutá-la) tinha um irmão mais velho, Sasori, e sempre brigavam, mas segundos depois faziam brincadeiras idiotas um com o outro. Segundo: Ela gosta de cantar e dançar. Seu quarto fica de frente para o meu e certa vez esqueceu-se de fechar a janela, sei que não foi por querer, pois ao perceber que eu estava observando ficou vermelha e logo a fechou. Terceiro: Não é apenas bonita (É, já entendi isso), mas também é gentil com as pessoas, esforçada e faz o máximo para que as pessoas que estejam a sua volta sejam felizes.

Certa vez a encontrei sentada na beirada da rua com uma fantasia mixuruca de entregadora de pizza, primeiramente achei que estava com alguma brincadeira, mas percebi que estava com algumas lágrimas silenciosas descendo pelo rosto.

– Sakura? – Chamei me aproximando. – Aconteceu algo?

A me ver, tratou de esconder o rosto com o boné vermelho que usava e fungou.

– N-não, está tudo bem. – Forçou uma risada.

Sentei-me ao seu lado e fiquei pensando no que falar, nunca havia visto a Haruno sem um sorriso no rosto ou rindo de algo.

– Quer me falar? – Tentei conversar.

Mais uma fungada, mas dessa vez Sakura retirou o boné e arrumou o cabelo, dessa vez não estava preso em pequenas tranças.

– E-eu... – Tentou falar. – B-briguei com meus pais. E-eles foram à escola outro dia e os professores falaram que alguns alunos me zoavam. – Limpou uma lágrima. – Ficaram discutindo comigo dizendo que eu devia parar de ser exagerada, ninguém entende que não faço isso para aparecer. Eu gosto de ser assim, Sasuke. É o meu jeito. Mas por quê as pessoas da escola me tratam assim? Só porquê sou diferente?

Não pensei que a rosada se importasse com o que os outros diziam sobre ela, afinal, sempre que acontecia algo apenas ignorava e voltava a rir.

Sempre fui péssimo com palavras de apoio, então simplesmente coloquei meus braços em seus ombros e a puxei para perto de mim, pareceu ser o mais certo a fazer.

– Não te acho exagerada. – Falei beijando seus cabelos. – Não se importe com os outros, eles invejam você por não poderem mostrar quem realmente são.

Ficamos um tempo assim, até que ela se afastou e mostrou um de seus sorrisos.

– Agora me explique... Por que a fantasia de entregadora? – Arqueei a sobrancelha.

Soltou uma risada animada.

– Longa história!

Depois daquele dia percebi que ela mesma sorrindo tem seus problemas, mas não é por causa deles que deixa de ser feliz. Fato que admiro muito nela.

Já faz duas semanas desse ocorrido e acho que isso foi uma brecha par que Sakura tentasse se aproximar de mim.

– Então Sasuke... – Ótimo, Naruto vai começar. – Você está mais próximo da Haruno ou eu estou doido?

– Simples resposta: Você está doido. – O olhei com um sorriso irônico.

– Não venha com isso! – Reclamou se emburrando. – Ali, ela está chegando com a bicicleta assassina.

Olhei para onde seu dedo apontava e vi a rosada andando até o estacionamento de bicicletas, assim que me viu acenou com um sorriso, apenas ergui minha mão com um sorriso mínimo. Antes que olhasse para frente novamente caiu da bicicleta e foi para o chão.

– Vai lá, garanhão. – Bateu em minhas costas e riu.

– Vai se ferrar! – Reclamei enquanto ia atrás da rosada.

[...]

A aula de ginástica é umas das muitas coisas que eu odeio na escola. Não gosto de me esforçar por nada, e considero Ginástica algo inútil para mim, afinal, irei cursar Administração, no que isso irá me ajudar?

– Sasuke! – Karin sentou-se ao meu lado enquanto eu descansava. – Faz tanto tempo que não ficamos juntinhos, o que aconteceu?

Fechei os olhos e contei até cinco.

– Karin, nós nunca “ficamos juntinhos”. – Imitei sua expressão estranha. – Por favor, não insista no assunto.

A ruiva choramingou e abraçou meu braço, provavelmente ignorando meu aviso.

– Já decidiu quem irá levar para o baile? – Jogou a indireta.

Percorri meus olhos pelo ginásio que era reservado para essa aula, parei quando achei meu alvo. Sakura tentava imitar Hinata nas acrobacias que o treinador ensinava, porém a perolada era uma grande ginasta e com a “grande” coordenação da rosada, o resultado não era o melhor. Fiquei com um sorriso bobo enquanto a assistia tentar sem sucesso fazer uma pirueta. O treinador logo apelou e mandou ela escalar a corda.

– Sasuke? – A Uzumaki me chamou.

– Já decidi. – Falei me levantando e indo fazer os alongamentos.

Enquanto esticava meus músculos observei Sakura subindo na enorme corda, mas não sei como ela conseguiu fazer com que a corda se movesse como um cipó. Ficou balançando desengonçada durante um tempo, até que do alto da corda caiu com tudo para o lado. Para sua sorte, o chão estava coberto com várias camadas de tatames fofinhos. A rosada caiu bem ao meu lado e estava com a cara no chão.

– Eu odeio ginástica. – Falou tentando se erguer e com uma cara amarrada. – E foi mal, atrapalhei seu exercício.

Sem aviso prévio sorri para a garota, essa se assustou, pois não sou muito de fazer isso, mas logo o retribuiu.

– Sakura. – A chamei.

– Meu nome. – Respondeu sentando-se.

– Você quer... – Tentei dizer. – Você quer ia ao baile comigo?

Sakura ficou um tempo apenas me encarando, atônica, pensei que diria não, mas se jogou em cima de mim e disse um sonoro e alto sim. É incrível como mesmo depois de levar um tombo consegue ser mais animada que eu.

[...]

Depois de vários dias de espera finalmente chegou o dia do baile. Pode parecer uma idiotice de garota, mas passei a semana inteira pensando nesse evento. Mesmo sendo vizinhos, combinamos de nos encontrar lá, Sakura queria me fazer uma surpresa e eu aceitei de bom grato.

O problema? O baile começava ás nove e já eram quinze para as nove. Eu estava igual a um idiota na entrada da escola esperando minha acompanhante, vi todos os meus amigos com suas namoradas, até Naruto estava com Hinata ao seu lado, mas apenas fiquei encostado olhando para o relógio.

– Aceite Sasuke, a esquisita te deu um fora. – Karin apareceu.

A ruiva vestia um curto vestido preto com um decote favorável e vários brilhantes enfeitavam a roupa. Estava bem vestida, mas meus olhos não ficariam brilhantes por sua causa.

– Ela já deve estar vindo. – Respondi convicto. – E ela não é esquisita!

Foram segundos para que eu ouvisse o som da buzina de sua bicicleta. Karin rosnou irritada ao vê-la e ainda soltou um “idiota” ao ver como ela estava vestida. Não pude evitar de sorrir de lado e ri de leve ao ver minha rosada descendo de seu veiculo. Vestia um vestido vermelho cheio de flores e enfeites nas cores laranja e leves toques de verde, com um corte com forro preto no canto. Usava um casaco curto e azul bebê, sem nenhum enfeite. Brincos de abacaxi e um sapato claro. Seu cabelo estava preso em tranças, mas dessa vez arrumadas.

– Ainda quer entrar no baile comigo? – Perguntou rodopiando até mim e segurando meu braço.

– Por que eu iria desistir? – Permaneci com o sorriso.

Ao entrarmos na festa, vários olhares pousaram em nós dois. Não sei se era pelo adorável traje de minha acompanhante ou se era pelo “grande” Sasuke Uchiha estar indo ao baile com Sakura Haruno, a garota esquisita.

– Obrigada por vir comigo. – Disse enquanto íamos para a pista de dança.

– Eu não poderia estar mais feliz. – Falei enlaçando sua cintura.

Dançamos boa parte do baile, até que Shino, o DJ, veio até mim e disse que estava tudo pronto.

– Pronto para o que? – Sakura perguntou com um sorriso, curiosa.

– Você verá, apenas espere um pouco. – Pedi a deixando na pista.

Subi no pequeno palco improvisado e peguei o microfone que Shino havia oferecido.

– Queria pedir a atenção de vocês um instante. – Todos pararam e me olharam. – Já faz um tempo que estou tentando escrever essa canção, mas não havia fonte para me inspirar, até que uma garota muito diferente virou minha vizinha. – Olhei para Sakura e ela sorria igual à boba que é. – Dei o nome de “Girl Next Door”, em homenagem a minha acompanhante.

“She walks around town with that pretty smile on her face
I’m running in circles,
This girl she loves the thrill of the chase
My heart skips a beat when she’s here next to me,
But I don’t know what to say
This feeling of love which is sent from above,
Gotta tell you here today

I’ve been waiting for her
All my life
So close, does she feel it?

She’s always been right here, just next door, yeah

She makes me feel alive,
Alive, a-a-alive, alive, alive
She's the girl next door, yeah
Alive, alive, a-a-alive
Alive, alive, she's the girl,
She’s the girl next door

Alive, alive, a-a-alive, alive, alive
She's the girl next door, yeah
Alive, alive, a-a-alive
Alive, alive, she's the girl,
She’s the girl next door

She talks about us like it’s happening when it ain’t
I’m wishing she’d see me for more than just somebody to play
It’s hard to imagine what life would be like if I let you slip away
I’m not giving up on this love between us
Gotta tell you here today

I’ve been waiting for her
All my life
So close, does she feel it?

She’s always been right here, just next door, yeah

She makes me feel alive,
Alive, a-a-alive, alive, alive
She's the girl next door, yeah
Alive, alive, a-a-alive
Alive, alive, she's the girl,
She’s the girl next door

Alive, alive, a-a-alive, alive, alive
She's the girl next door, yeah
Alive, alive, a-a-alive
Alive, alive, she's the girl,
She’s the girl next door

She’s walking away
Walking away from me
From me
It’s getting harder each day
And harder to say I need you

I’ve been waiting for her
All my life
So close, can she feel it?

She’s always been right here, just next door, yeah

She makes me feel alive,
Alive, a-a-alive, alive, alive
(She's making me feel alive)
She's the girl next door, yeah
Alive, alive, a-a-alive
Alive, alive, she's the girl,
She’s the girl next door

Alive, alive, a-a-alive, alive, alive
She's the girl next door, yeah
Alive, alive, a-a-alive
Alive, alive, she's the girl,
She’s the girl next door”

Terminei a música e fui ovacionado pelos meus colegas. Mas a única pessoa que me importava estava na platéia com os olhos brilhando mais que estrelas.

Desci rapidamente do palco e fui ao encontro de Sakura, a abraçando pela cintura e depois a girando no ar.

– Foi lindo. – Disse com seu sorriso. – Essa é a melhor noite que já tive.

– Espere que posso deixá-la um pouco melhor. – Sorri de canto.

– Como? – Tombou a cabeça confusa.

– Bem... – Aproximei meu rosto do dela. – Assim.

Selei nossos lábios em um terno beijo.

Notas finais
ROUPA SAKURA: http://www.polyvore.com/cgi/set?id=135315915&.locale=pt-br

Espero que tenham gostado tanto quanto eu, se quiserem, podem procurar minhas outras fanfics ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!