Batata Fri(t)a

Eu sabia que um dia eu teria de enfrentar minhas próprias esperanças, mas não sabia que seria tão cedo.

Nem sabia que eu teria de sacrificar um pedaço de mim.

Perdi meu olho direito.

O da mira... e o esquerdo só olhava pra dentro de mim mesma:

Isto é egoísmo

Olhos tortos, cabeças desenhadas, dedos pequeninos e mãos entrelaçadas:

Coisa de criança.

Paixonite de infância, mediocridade de elegância.

Quem fui eu?

Tonta a ponto de desligar as luzes e pedir para um cego guiar-me no escuro.

Mais burro foi ele que guiou e abandonou.

Mas mais aporrinhada fui eu, que caí e me machuquei.

Meu chinelo de dedo arrebentou, minha luva branca ensanguentou.

Meu joelho abriu

Meu pulso quebrou

Minha felicidade sumiu

E a dor não passou

Meu peito sentiu

E ninguém entrou?

Meu pé feriu

Sem razão eu estou

Ninguém me encontrou

Perdi meu sorriso a meio caminho da meta

E os lábios, eu esqueci em sua testa

Mas pior foi saber que tudo se fez festa

Na minha desgraça a dor se atesta

Que infinitas as promessas

Criatura canguru mais que eu

Sim, sim, você lê e sabe que é pra entender

Que mesmo odiando dizer eu só penso em...

Batata frita, uma hora dessas só penso em batata frita.

A dor dá uma fome e isso engorda os olhos

Tentei me acalmar, mas quanto mais doía, menos gritava e mais sorria, esperei alguns minutos, e lá vem a boia fria.

Desculpe-me, mas sabe que eu amo batata frita, só que fria.

Amo o livro que está escrito o poema amarelo, e jamais deixarei de “Amar é elo”, pois perder a si mesmo que é belo.

DC

23.07.14

23:13