Ginny Weasley - A Vida Através de Seus Olhos
4 A história de Cho
Notas iniciais
P.O.V. Ginny
— A séculos, o japão mágico ficou mais culto, escondido, tradicional e violento. Até demais, eu diria. Principalmente com as meninas e mulheres. Começou a fazer os homens superiores às mulheres e permitir que os homens fizessem o que quisessem, seja lá o que quisessem, e a mulher não. Se os homens traíssem as mulheres, ela não podia fazer o mesmo, e ainda tinha que aceitar isso de boca fechada, de cabeça abaixada. Ela tinha que fazer o trabalho doméstico, cuidar e criar as crianças. Ela ensina as meninas a servirem os homens e o pai ensina os meninos a mandar. Depois permitiram agressões físicas e agressões sexuais foram consideradas sexo consensual. Óbvio que era apenas para mulheres. Depois permitiram os homens matarem as mulheres, torturassem elas e etc.
— Ninguém nunca fez nada a respeito?!
-Já tentaram mas todas morreram por desacato à autoridade. Alguns meninos foram mas foram mortos também. Não tentaram mais nada. Meu irmão é contra também mas ele quer me proteger no futuro, quando começar a trabalhar. Minha mãe é contra também, mas o máximo que ela pode fazer é assumir os erros que eu cometi. Eles querem que eu um dia possa ser diferente desse mundo. Mas eu não posso. Ninguém pode.
Cho abaixou a cabeça e começou a chorar em silencio. A minha única reação foi abraça-la e deixar que ela chorasse. Quando ela se acalmou um pouco, eu falei para nós irmos nos trocar para dormir. Levava um dia e uma noite para ir de Londres até Tóquio. Portanto tínhamos que dormir.
Enquanto me trocava pensava no que tinha acabado de descobrir. No que Cho me contara. Será que minha mãe sabia disso? Será que eu conseguiria manter minha virgindade aqui? Será que eu conseguia livrar a Cho desses abusos e estupros? Não sei o porque, mas eu, depois de tudo que ouvi, passei a sentir um pouco mais de simpatia por ela. Não que eu fosse lésbica, não, era mais fraternal.
Quando nos deitamos na cabine (os bancos viravam camas que cobriam todo o espaço, parecendo uma cama de casal) eu ri um pouco.
— Por que está rindo? — perguntou Cho.
— É que... É meio icônico, não? Ninguém fala nada com você sobre essas coisas, mas quando você vê, acontece com você.
Ela deu um sorriso mínimo. Fiquei pensando por um tempo, e percebi que Cho, de tempos em tempos olhava a porta da cabine.
—Colloportus! — apontei para a porta e ela deu um click, se trancando. Ela olhou para mim. — Fique tranquila, aposto que eles não sabem esse feitiço nem o contra.
— Como você sabe?
— Já vi minha mãe fazer isso, apenas prestei atenção.
Ela sorriu em agradecimento e se virou para dormir. Fiz o mesmo, me prometendo uma coisa: eu ia mudar essa história, nem que seja a última coisa que eu faça.
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