Notas iniciais
Olá meus amores!! Desculpem a demora e espero que gostem deste capítulo!! Boa leitura!! (não se esqueçam de comentar)

A minha cabeça trabalhava a mil. Todos os detalhes daquela pessoa pareciam demasiado femininos para ser o George. A leveza do toque no meu ombro era de alguém do sexo feminino, isso tinha eu a certeza.
O meu "Obrigada" saiu um pouco enferrujado devido ao toque que me foi dado no ombro, e os meus olhos estavam ainda postos no chão, à procura de alguma coisa que estivesse perdida. Mas quando levantei a cabeça para tirar a limpo todas as minhas questões sobre aquela figura estranha, o meu coração parou.

Aquela pessoa não era o George. Era ela. Aquela criatura mística de olhos verdes e cabelos ruivos, que andava a assombrar todos os meus sonhos e pensamentos dia após dia. Era o meu único e grande amor. O meu anjo. A minha Gabriella.

O chão fugiu-me dos pés, o meu corpo perdeu a noção dos movimentos, perdendo o controle. Eu e ela estávamos iguais: imóveis, com o coração descompassado, respirações alteradas, um calor infernal a invadir as nossas faces, choques elétricos a percorrerem o nosso corpo.
Por mais que eu quisesse, eu não me conseguia mexer. Muito menos falar alguma coisa.

Ela estava mais linda do que nunca. Notava-se que o seu corpo tinha sofrido alterações: tinha os seios maiores e bem feitos, as curvas elegantemente delineadas, pernas na medida perfeita, cabelo ruivo e brilhante até ao rabo como ela sempre usou e os olho tinham uma cor muito mais viva, era um verde mais brilhante mais límpido, perfeito. Os seus olhos estavam perfeitamente delineados com um risco preto sobre as pálpebras e os seus lábios com um leve toque de batom vermelho para complementar a sua beleza, que sempre fora uma beleza fora do comum. Uma das coisas que ela nunca perdeu foram as sardas. Aqueles pontinhos delicadamente pousados sobre a sua face e seu corpo, davam-lhe um certo poder de sedução, de charme. Mas uma coisa me chamou a atenção foi o seu olhar. Ela sempre tivera um olhar muito meigo e sempre muito brilhante, mas desta vez estava baço, sem brilho. O olhar dela transmitia mágoa, sofrimento.. Como se estivesse magoada. E estava. Por minha causa.

O tempo parou à nossa volta. Era como se fosse só eu e ela.
Tudo o que eu pensava que já não sentia, voltou como uma rajada de vento, que derrubou todas as barreiras que tinha colocado no meu coração.
A cada segundo que passava, a minha respiração ia ficando cada vez mais pesada, como se estivesse lentamente a perder ar. O meu motor trabalhava a mil, bombeando litros excessivos de sangue para o meu corpo, que começavam a ferver cada vez que era expelido. O meu estômago tinha sido violentamente invadido por milhões de borboletas, deixando-me com sensação de enjôo.
No meio desta surpresa confusão, ouvi uma voz. Aquela voz que me acalmava, que me excitava, que me deixava louca e ao mesmo tempo em paz.

— Ariana? — pronunciou num sussurro, ficando quase inaudível
Ela estava com a face voltada para o chão, levemente envergonhada e assustada. De certeza que pensava que nunca mais me ia ver, por causa da porcaria que fiz.

— Gabriella... — olhei fundo nos seus olhos, lendo cada pedaço da alma dela. Ela odiava quando eu a olhava assim.

— Não me olhe assim... — disse ela, já muito vermelha e envergonhada, fazendo-me lembrar de tudo o que passamos, voltando assim, uma saudade louca e avassaladora.

— Já sabia que ias dizer isso — sorri para ela

— Pensei que nunca mais ia ver você — a voz dela falhou, demonstrando o quanto quebrada estava, fazendo o meu coração se apertar.

— Eu pensei quando é que ia encontrar-me contigo outra vez — dizendo isto ela olhou para mim e deu um leve sorriso

— Eu nunca me esqueci de você, mesmo passando estes anos todos..

— Eu jurei a mim mesma que te ia esquecer, mas quando fui a ver, não consegui tirar-te da minha cabeça. — aproximei-me dela e segurei-lhe a mão, sentindo um choque elétrico a passar por todo o meu corpo

— Eu não posso, outra vez não! Fui uma boba quando pensei que você ia voltar para mim, que você nunca me ia deixar, que sempre iria estar comigo quando mais ninguém estivesse... Mas a única coisa que você fez foi ir embora, deixando-me sozinha, amargurada e destruída! Fui uma babaca quando me entreguei para você.. Não venha com conversas lamechas e de reconciliação, que isso não vai colar não. Você me machucou Ariana. E eu amava você, mais do que tudo na minha vida. E sabe uma coisa? Eu sou uma burra, uma boba, uma idiota, uma babaca.. Por sentir uma porra de uma saudade de você, de nós.. E ainda pior, de continuar amando você. Mas eu não quero falar mais disso. Continuei com a minha vida, tenho namorado e estou feliz!!

Fiquei destruída. O meu coração doía. O meu sangue gelou. Tudo ficou mais frio. Senti-me a pior pessoa do mundo. Aquelas palavras atingiram-me como facas. Cada palavra era uma dor absurda, demasiado difícil de suportar. A palavra "namorado" quebrou-me. Foi a gota de água.
Ela estava a chorar, despedaçando-me ainda mais o coração. Eu também estava cheia de vontade de desabar mas não quis demonstrar a minha parte fraca para ela.
Inspirei o máximo que pude, engoli o choro e falei:

— Ainda bem que estás feliz, gosto de saber que estás assim. Espero que um dia me perdoes pelo que te fiz. — uma lágrima involuntariamente desceu pela minha face, deixando a Gabriella sem palavras — Eu vou fazer de tudo para te ter de volta, mesmo que isso custe a minha vida. Não te vou deixar escapar mais.

Dizendo isto, dei-lhe um beijo no canto da boca, sentindo milhares de coisas dentro de mim devido ao contato das nossas peles e dos nossos lábios. Milhares de correntes elétricas invadiram o meu sistema e o meu coração já quase não se aguentava dentro de mim.
Ela ficou paralisada, sentia cada músculo dela a reter-se. Era mágico o poder que eu tinha sobre ela, mesmo passados tantos anos.
Peguei nas sacas e voltei para o meu apartamento, sentindo demasiadas coisas ao mesmo tempo, nomeadamente: tristeza, saudade, mágoa.. Eu estava devastada, destruída, quebrada. Só me apetecia desabar. E foi o que fiz. Cheguei a casa, atirei com as sacas e deixei-me cair no sofá, sentindo uma cascata de lágrimas a descer-me pela face.
Com tanto choro, soluços, gritos e coisas partidas, deixei-me levar pelo cansaço e adormeci.

Estou deitada na minha cama a olhar para o teto para ver se o tempo passa. A Gabriella convidou-me para ir dar um passeio e eu estou à espera dela. Aquela menina dá-me voltas à cabeça. Tudo o que sinto é tão estranho. Nestes últimos dias, ela tem habitado cada canto da minha mente. Estou com medo.
Ouço batidas na porta e num pulo fui abri-la. É ela. A Gabriella está tão linda. Tem o cabelo caído em cascata, perfeitamente penteado; uma leve maquiagem; um vestido floral muito leve; e um sorriso brilhante nos lábios. Parece um anjo.

— Vamos? — perguntou-me sorrindo

— Vamos lá!

Fomos ao parque da cidade e comprámos, como ela diz, dois sorvetes. Sentámo-nos na relva a apreciar cada ser vivo, incluindo pessoas, animais e objetos que se mexiam.
Conversámos de tudo um pouco, falamos das nossas vidas, mas, nada assim de muito pessoal.
Cada vez estamos mais próximas, eu já sentia o calor de seu corpo e a minha mão está prestes a tocar a dela. Ganho coragem e pego na sua mão. Correntes elétricas passeiam pelo meu corpo, deixando-me arrepiada.
Ela está completamente estática e vermelha, e no seu peito nota-se um cima/baixo constante demonstrando que a sua respiração está completamente descontrolada.
Viro-me para ela e tento ao máximo fixar cada detalhe daquela cara angelical, deixando o meu coração cada vez mais acelerado.
Ganho coragem, toco-lhe no queixo faço com que ela olhe diretamente nos meus olhos. O choque do castanho e do verde, fazem o meu corpo estremecer. Vou-me aproximando, já sentindo a sua respiração descontrolada a bater de leve na minha face. E chegando aos seus lábios, dou-lhe um beijo casto.
O meu mundo parou, só ouço anjos a cantar e os animais todos a aplaudir. Uma festa se forma à nossa volta, celebrando a nossa união.
Mas de repente, sinto a sua figura a desvanecer e tudo ao meu redor a ficar escuro. Sinto o meu corpo a ficar mais leve e adormeço.

Acordei num quarto estranho, muito bem ornamentado. Tem uma decoração leve, azul e roxa, dando um ar afrodisíaco ao ambiente.
Mas uma coisa me chama a atenção. Uma cama ao fundo do quarto que apresenta algum movimento nela. Dava para ver duas pessoas a dançarem sincronizadas, numa dança sensual. Aproximo-me dela e reparo nas pessoas. Era a Gabriella e um homem que não consigo identificar. Lágrimas escorrem pelos meus olhos. Tento gritar mas o som não sai, quero fugir mas não tenho saída e então desespero, esperando que alguma coisa me acalme a minha dor e sofrimento, até que...

Acordei sobressaltada e em prantos. A minha garganta doía, como se tivesse estado a gritar, mas ninguém me tinha ouvido. O meu corpo latejava e sentia-me fraca e vulnerável. Apetecia-me dormir por anos.
A partir daí não consegui dormir mais. Fui para a sala e fiquei a ver a publicidade que passava na madrugada fria e vazia de Nova Zelândia. E com uma certa ruiva a habitar os meus pensamentos.

Notas finais
Espero que tenham gostado :) Comentem!! Obrigada a quem comenta e a quem acompanha!!!