Gift Of a Friend
1 Capitulo Unico
Centro de Reabilitação, 2010.
Mais um dia nesse inferno. Era só mais um dia entre tantos outros que ela teria de passar na reabilitação. Tudo porque nunca foi capaz de resolver seus problemas e os deixou acumular, até que tudo desmoronou sob sua cabeça. Distúrbios alimentares, automutilação, término de namoro, briga com a amiga. Só de pensar nisso, Demi já sentia sua cabeça latejar e as lágrimas quererem verter dos olhos. Tinha sido difícil ver Joe com a nova namorada e parecendo tão feliz. O cheiro dele nem tinha saído dos lençóis e do travesseiro, as memórias ainda estavam tão vivas em sua mente, e ele já desfilava com outra. Tão difícil quanto isso foi aceitar o fato de que poderia ter perdido sua melhor amiga, porque foi cabeça dura e não aceitou os conselhos e a ajuda que Selena tinha oferecido. Tinha sido a pior briga que as duas já tiveram, cheia de palavras duras e desnecessárias que fizeram um estrago maior em ambas do que mil facadas. Não se falavam desde então. Mas Demi sabia que a maior parcela de culpa havia sido sua. Selena só tentou a ajudar, mais uma vez, e talvez aquela tenha sido a última.
Flashback on
Selena tinha recebido uma ligação desesperada da mãe de Demi, dizendo que a garota estava trancada no quarto há horas, gritando e chorando. A morena nem pensou duas vezes antes de ir em disparada para seu carro e dirigir até a casa da melhor amiga. Já a conhecia a tempo suficiente para saber que Demi tentaria fazer uma loucura. Temia não conseguir chegar a tempo de impedi-la. Encontrou Dianna desesperada, e a deu um abraço apertado.
- Eu vou falar com ela. – prometeu olhando nos olhos familiares da mãe da amiga. – Te prometo que ela vai ficar melhor. Só me deixa tentar sozinha.
Dianna assentiu, e Selena pode subir até o quarto da amiga. O silêncio imperava, e ela temeu o pior. Bateu na porta diversas vezes, mas não obteve respostas. Mas ela não ia desistir de salvar a melhor amiga.
- Demi, abre a porta, por favor. Sou eu. Abre a porta. – ela implorou.
Um pouco depois ouviu a porta ser destravada, mas não aberta. Selena empurrou a porta e ficou chocada ao ver o quarto da amiga praticamente destruído. Mais chocada ainda ficou ao ver Demi escorada na parede ao lado da porta, com um canivete na mão e o olhar vazio.
- Dems, por favor, solta esse canivete. – implorou mais uma vez.
— Eu não vou fazer nada. Eu não consegui. – Demi falou soltando o canivete. – Eu tentei Selly, mas não consegui. Só queria acabar com essa dor que eu tenho no meu peito. – começou a chorar, e foi amparada pelos braços finos, mas que passavam toda a força da amizade das duas.
- Chora Dems. Tira tudo de ruim que tem dentro de você. – Selena falou, apertando ainda mais a amiga em seus braços. Tinha ficado aliviada por ter chegado a tempo de impedir uma tragédia, mas a massacrava ver sua amiga chorando tanto, vê-la tão quebrada. – Demi querida, você precisa de ajuda. De ajuda profissional. Eu não sei se consigo te salvar numa próxima vez.
- Eu não preciso de ajuda Selena. – a garota falou soltando os braços que a amparavam como se tivesse levado um choque. – Eu não vou fazer isso de novo.
- Você falou isso da última vez Demi. Eu consegui te impedir por pouco, e nessa vez eu quase não consegui. E da próxima Demetria, você acha que eu vou chegar a tempo? Me mata um pouco cada vez que você tenta se matar. – Selena falou alterada. – Como você acha que eu me sinto quando te vejo chorando e com um canivete na mão? Como você acha que eu me sinto?
- Mas que droga Selena. Você viu que eu não me matei. Acha que é fácil ser a Demi Lovato? Acha que está tudo vem ver seu ex beijando outra?
- Eu nunca disse que achava fácil ser você. Que droga Demi. Eu só disse que você precisava de ajuda. É tão difícil entender isso?
- EU NÃO PRECISO DE AJUDA. – Demi gritou empurrando Selena. – Eu não preciso que você venha aqui e fale que eu preciso de um médico. Eu não quero ajuda de ninguém, nem a sua. Eu não pedi para que você viesse.
- Eu vim porque sou sua amiga. Me importo com você. – Selena retrucou.
- Agora você se importa né? Mas quando o meu namoro com o Joe estava desabando você não se importou.
- Deixa de falar besteira Demetria. Eu sempre me importei com você. Você é minha amiga.
- Pensei que era sua melhor amiga. – Demi debochou. – Ah é verdade. Você fez outras melhores amigas durante as gravações dos seus filmes estúpidos.
- Que saco Demetria. Você é e sempre vai ser minha melhor amiga. Nós nos conhecemos desde os 6 anos.
- Palavras Selena. Isso não quer dizer que você realmente sinta isso.
- Se você não fosse minha melhor amiga, acha realmente que eu iria vir aqui te ajudar? – Selena perguntou magoada. – Acha que eu colocaria minha vida em espera quando você precisasse de mim?
- Eu já disse que não preciso de ajuda. E não quero sua pena. Vai embora.
- Você que sabe Demi. É você que está me mandando embora. – Selena falou indo até a porta. – Eu juro que tentei te ajuda, mas não sei o que fazer. Se você não quiser a minha amizade, eu saio da sua vida. Vai doer muito, mas eu vou embora. – e falando isso saiu do quarto fechando a porta.
- Eu te odeio. – Demi falou fora de si e atirou o celular contra a porta, recomeçando a chorar.
Selena ouviu as palavras da garota, que cravaram fundo no seu peito, e deixou as lágrimas que segurava caírem. Foi parada pela mãe de Demi, mas não conseguiu fazer o choro cessar.
- Selena, o que aconteceu? Ouvi os gritos da Demi.
- Ela não aceitou a minha ajuda e nós discutimos. – Selena sussurrou. – Eu sinto muito por quebrar a promessa que tinha te feito, mas eu não consigo mais. – e dizendo isso saiu porta a fora.
Flasback off
Agora Demi remoia a briga, e pensava o que poderia ser diferente se tivesse aceitado o conselho de Selena. Elas provavelmente ainda seriam amigas, e Demi teria alguém para refrear todas as estupidezes que havia feito nos últimos meses. Pena que não havia percebido isso antes. A falta da melhor amiga era tanta que impossibilitava Demi de fazer o tratamento certo. Era um peso em sua consciência, que a acompanhava todo o dia. Sabia que só conseguiria concluir o tratamento se tivesse a força da melhor amiga junto de si. Aproveitaria a visita da mãe em algumas horas para lhe pedir um favor.
- Mãe, que saudade. – falou algumas horas depois, quando encontrou a mãe.
- Demi, que saudade de você filha. Como está se sentido? – Dianna perguntou.
- Estou bem. Mas eu preciso que você faça algo por mim. Peça para a Selly vir até aqui. Fui cabeça dura, e me arrependo muito de tudo que aconteceu. Eu sinto que preciso resolver isso.
- Vai ser muito fácil fazer isso filha. – Dianna sorriu. – A Selena vem aqui todo dia, desde que você entrou na reabilitação. Ela está lá fora, só esperando notícias suas, mas nunca teve coragem de entrar, com medo de atrapalhar seu tratamento.
- Você pode pedir para ela entrar? – Demi perguntou apreensiva.
- Claro, espere só alguns instantes. – Dianna falou saindo do quarto.
Longos minutos mais tarde, Demi viu o corpo da amiga entrar pela porta e hesitar um segundo antes de olhar em sua direção. Selena respirou fundo, pronta para mais uma rodada de acusações.
- Oi Sel. – Demi falou quebrando o silêncio desconfortável que tinha recaído sobre o quarto. – Nós precisamos conversar. Pode sentar.
- Eu prefiro ficar em pé. – falou Selena desconfortável.
- Então, eu queria te pedir desculpas por aquele dia. – Demi começou, e deixou Selena completamente surpresa. – Eu fui estúpida. Não queria ter tido todas aquelas coisas.
- Demi...
- Não. Me deixa terminar. – ela falou interrompendo o que Selena dizia. – Eu fiquei abalada por ter visto o Joe com a Greene, e não medi as palavras ao falar com você. Descarreguei toda a minha frustração em cima de você, que só tinha ido lá me oferecer ajuda e um ombro amigo. Eu lembro que você veio correndo até a minha casa quando eu terminei com o Joe, e me impediu de fazer uma burrada, e aquele dia eu teria feito mais uma se não tivesse ouvido a sua voz. Se eu tivesse te escutado e não discutido, as coisas não seriam assim hoje. Eu poderia estar melhor e ainda teria a minha melhor amiga.
- Você nunca perdeu minha amizade Dems. – Selena falou se aproximando da garota. – Eu fiquei magoada com você, mas nunca consegui fazer a nossa amizade morrer dentro de mim.
- Você me perdoa por tudo que eu te disse?
- Eu te perdoei no primeiro dia que vim aqui. – Selena respondeu. – Eu pensei que você não ia mais querer falar comigo.
- Porque você vinha aqui todo dia? – Demi quis saber.
- Demetria, você é minha melhor amiga, mesmo depois da nossa briga. – Selena falou fixando o olhar de Demi. – Ninguém nunca vai substituir você no meu coração. Eu vim aqui todo dia, porque me importo muito com você. E mesmo se você me odiasse, eu viria.
- Nós podemos apagar aquilo da nossa vida? – perguntou Demi. – Eu preciso da sua amizade. Parece que falta um pedaço de mim.
- Eu vou sempre estar aqui para você Dems. Sempre. – Selena falou abraçando a melhor amiga.
Demi sentiu que era como estar em casa de novo, e apertou fortemente os braços e chorou. Se sentia aliviada. Agora sabia que poderia continuar. Tinha a força da melhor amiga de volta. Elas passaram o resto do horário de visitas conversando e contando os dias que faltavam para Demi sair dali.
Dias Depois
Demi fechava a última mala. Tinha conseguido cumprir todo o seu tratamento, graças ao apoio de Selena, e tinha certeza de ter enterrado todos os seus fantasmas. Sua mãe a encarava da porta, e irradiava felicidade por ter sua Demi de volta.
- Filha, já acabou?
- Acabei sim mãe. – a garota falou sorrindo. – Eu quero ir para casa. A Selly veio?
- Claro que sim filha. Você tem sorte de ter uma melhor amiga como ela. – Dianna falou. – Sabe filha, naquelas primeiras semanas, eu realmente pensei que você não completaria o tratamento, mas desde que a Selena voltou para sua vida, você teve animo para continuar.
- Eu precisava do apoio dela mãe. Não podia dar certo se eu não tivesse a amizade dela.
- Eu sei filha. Eu sei. – Dianna a abraçou e depois as duas saíram do quarto.
Selena as esperava do lado de fora do centro e correu abraçar a amiga. A força da amizade das duas fez as coisas funcionarem. Bem que dizem que sem amigos não temos nada. Eles nos fazem ser fortes e passar os obstáculos.
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