Gibbs

8 Capítulo 08


Capítulo 08 –

Midokawa, enquanto beijava Kyoko, perguntou:

— O que há de errado com a sua amiga? Ela fez tudo errado hoje e provavelmente vai tirar nota baixa, ainda mais com você como parceira. Não faça essa carinha. Foi a desculpa que tive para te roubar.

E Kyoko contou a história, sobre o islandês baixinho e enfezado que conquistara o coração de Rimeko.

— Ah, bem... – disse Nekoi. – Ela tem um gosto peculiar.

— Você nem o conhece. Só me beija.

Nekoi deu uma risadinha.

— Só isso?

Kyoko mordeu o lábio.

***

Samuel e Asato passavam cada vez mais tempo juntos. Num dia em que estavam assistindo a variedades na TV de Kyoko, Samuel soltou:

— Asu, eu sou seu tipo?

Na hora ele se arrependeu. Asato o encarou como se ele estivesse dançando nu ao som de “Somebody that I used to know.”

Mas respondeu, comendo pipoca, friamente.

— Não, Samuel. Claro que não. Aliás, eu acredito que você não seja o tipo de ninguém.

E isso encerrou o assunto.

***

Rimeko e Hiei se beijavam num canto escondido da vasta propriedade da garota.

“Sim, ela cheira a pêssego. Queria tocar ela toda...”

— Hiei... Acho que estou apaixonada por você.

Isso o fez acordar de um sonho.

Ele deu um risinho sarcástico.

— Você nem me conhece.

— Ora... Algumas coisas só se sente.

Hiei se afastou de Rimeko.

— Desculpe. Não pretendia pressioná-lo.

Ele ficou em silêncio um tempo.

— Quero você, Rimeko. Mas se te contar algumas coisas do meu passado, vou perder seu cheiro de pêssego para sempre.

Ela riu.

— Do que está falando?

Ele tocou-lhe os cabelos.

— Só o Shuichi sabe disso. E depois você não vai mais querer me ver.

— Nada vai me afastar de você!

— Além disso ter sido muito repentino, não houve nenhum teste.

Rimeko estava confusa.

— Eu sempre morei na Islândia. Meu pai era um bêbado que batia na gente. Um dia, minha mãe ficou com um talho enorme na testa, que a matou. Eu provoquei um incêndio e o tranquei na casa. O que eu não sabia era que Yukina ainda estava lá. Eu tive que voltar para resgatá-la. Éramos crianças. Meu pai estava apagado pela bebida. Ninguém nunca soube que fui eu quem provocou o incêndio. Nos mudamos e foi só paz.

Rimeko não sabia se ficava horrorizada, escandalizada ou admirada.

Mas quando ele foi tocar nela, ela se esquivou.

— E é assim que acaba.

Hiei se levantou e foi andando para ir embora.

Rimeko queria chamar, mas não tinha voz.

***

Rimeko chorava no colo de Kyoko quando o celular da amiga buzinou.

— Hiei está voltando para a Islândia. Era para ele ficar mais uma semana, algo aconteceu?

— Oh, Shu-chan! Vou avisar a Rimeko! Qual o aeroporto, portão e voo? Mmm. Valeu.

Rimeko fungou.

— Eu entendi. Não vou atrás dele.

Kyoko a sacudiu.

— Só se encontra o verdadeiro amor uma vez na vida! Vamos chamar um táxi!

***

Antes, Rimeko não queria. Agora estava desesperada para encontrar Hiei.

E ele não estava em lugar nenhum! Merda!

Rimeko chorando, Rimeko desesperada por um homem que mal conhecia! Rimeko, magra, perfeita, que podia ter quem quisesse, fazendo joguinhos!

— Rimeko?

Ela quase deu um grito.

— O que faz aqui?

A voz de Hiei e o sorriso de Minamino eram inconfundíveis.

— O que acha que faço aqui, imbecil?

Rimeko voltava ao normal aos poucos, perdendo a pieguice.

Mas Hiei, não.

— Meu voo já vai sair. – ele tirou um cordão com uma pedra branca, reluzente – Aceite isto. É o que eu tenho de mais precioso. Uma lágrima da minha mãe.

Rimeko arrancou o colar que estava usando e o colocou.

— Tem mesmo que ir?

Ele segurou a mão dela.

— Precisamos desse tempo. Mas eu vou voltar.

— É bom mesmo!

Os dois se encararam como se quisessem se beijar e Hiei se foi, sem olhar pra trás.

— E o pior foi que ele veio me visitar – disse Minamino.

Rimeko ensopou o vestido de Kyoko com suas lágrimas, perdendo a pose.

***

Durante as aulas, Rimeko só ficava brincando com a pedrinha, disfarçadamente. E Samuel faltara mais de três dias.

— Não acham melhor ir visita-lo? – sugeriu Hiro.

— Vamos hoje. – concordou Kyoko.

— Euzinha não vou. Ele me passou uma cantada e eu podei ele na hora – disse Asato.

Todos ficaram em silêncio.

— Eu tenho obrigação de ir, depois de tudo o que fiz – disse Sashikko.

E ficou combinado que todos, menos Asato, iriam.

***

Tocaram a campainha milhares de vezes e então, chamaram um chaveiro. Ninguém queria ajudar. Diziam que não morava ninguém ali, que a casa era mal-assombrada, etc.

Kyoko foi a primeira a entrar.

— Samuel?

— Oh, não... – falou Minamino. – Eu sinto cheiro de... de... Não gosto do cheiro que sinto.

Kyoko correu por todos os cômodos e encontrou Samuel deitado, morto por uma overdose de comprimidos. Quais, ninguém sabia.

Rimeko pegou o telefone e discou.

— Pra quem tá ligando? – Hiro chorava.

— Asato? Lembra quando o Samuel te “cantou”? Sei lá o que você falou pra ele, mas ele está morto aqui, suicídio! Hmm hmm! Sim! Agora não adianta chorar!

Rimeko desligou.

— Você quer ter outro cadáver? – perguntou Sashikko, tão chocado como todos lá.

— Ele era o que mais precisava saber. Bem, Samuel. Agora tudo acabou!