Gibbs
10 Capítulo 10
Capítulo 10 –
Rimeko nunca pensou que fosse andar na escola de cabeça baixa. Mas Minamino estava em toda parte.
Enquanto abria o armário, derrubava a chave inúmeras vezes. Kyoko sussurrou “você está bem?”
Ela sabia que Minamino jamais a perdoaria.
E ao abrir o armário lá estava, uma rosa.
“Perdão por abordá-la de maneira tão brusca. O que me disser para fazer, eu faço.”
— Que lindo! – Kyoko chorava. – É do Shu-chan, né? Vocês seriam a Rosalie Hale e o Edward Cullen da escola!
Rimeko bateu a porta do armário, irritada com a amiga bisbilhotando.
— Eles nem fazem par!
— Mas agora fariam!
Enquanto elas andavam, conversavam.
— E você e o Hiro?
Kyoko revirou os olhos.
— Odeia ele tanto assim?
— Rimeko, eu o amo. Mas não como ao Mido—
Rimeko ficou alerta.
— O Sensei?
— Quer falar mais baixo? Não, o dublador, Midorikawa Hikaru. – suou Kyoko.
Rimeko arqueou uma sobrancelha e abriu a porta da sala. Kyoko foi invadida por uma torrente de garotas.
— Kyoko-chan me dá um curso de maquiagem!
— Kyoko-chan, eu te sigo no Instagram, você parece mesmo o Mana-sama!
— Kyoko-chan, adoro seu estilo!
Kyoko ficou perdida. Rimeko já sabia lidar com situações como aquela e a ajudou a contornar a multidão.
E de repente você é popular?
***
Durante o intervalo para o almoço, Sashikko e Kyoko planejavam novas estratégias. E Shuichi jogou um assunto:
— Lembram do ataque que teve à Kyoko?
— Por que tá falando nisso agora, cara? – reclamou Hiro.
— Acontece que descobri uma coisa. Foi um professor quem denunciou. O de Química. Deveria ter sido a Kyoko, o Sashikko, mas o que o Midokawa tem a ver com isso?
Rimeko olhou para Kyoko, irada. A outra estava branca feito cera, mas disfarçou.
— O dublador? – Rimeko foi sonsa.
— Rimeko, isso é sério – disse Minamino.
— Não é nada! O Sensei só quis ajudar!
Todos olharam para Kyoko.
— Não... – Hiro derrubou os hashi.
Kyoko tentava não chorar.
— “Tenho namorado.”, imitou Sashikko. – E agora, Kyoko, ele existe.
Kyoko tinha lágrimas nos olhos. Assim como Hiro, que tentava disfarçar.
— Nada que não aconteça em escolas. – Rimeko comeu um sushi. – Vamos, quero terminar meu almoço.
***
À noite, Hiro não apareceu na casa de Kyoko. Sashikko e Asato estavam nos quartos. Asato não saíra o dia todo.
Então, alguém entrou.
Era aquela cabeça loira, de madeixas curtas.
— Eu não vou, Kyoko. Não vou perguntar “o que ele tem que eu não tenho.” Minha vontade é reporta-lo, mas a deixaria infeliz.
Kyoko chorava.
— Eu fiz de tudo para ser amado por você...
— Hiro!
E, naquela casa de Estilo Oriental, ela correu para seu abraço.
— Eu nunca mais vou amar ninguém... – chorava Hiro, molhando os cabelos ruivos de Kyoko.
Os dois choraram até não poder mais, não havia palavras. Hiro foi embora e Kyoko sentiu que não o veria mais.
***
No dia seguinte, nem Asato nem Hiro, como esperado, estavam na escola.
Asato voltaria eventualmente.
Mas Hiro, já estava num avião para os Estados Unidos.
Kyoko podia sentir, pois eles eram como um só.
Se ao menos ele tivesse entendido!
Midokawa passava pela mesa dela com um olhar triste e preocupado.
— Vou liberar vocês mais cedo hoje.
O pessoal tentou não fazer estardalhaço. Os amigos de Kyoko a olharam cheios de raiva e se foram.
— O que houve?
Kyoko caiu no choro, assustando Midokawa.
— Hiro estava apaixonado por mim, sabe? Ele finalmente percebeu que não tinha chance e foi embora.
Os amigos de Kyoko estavam espiando e Midokawa bateu a porta na cara deles.
— Isso estava fadado a acontecer. – ele a beijou suavemente. – Ele era egoísta.
— Não fale mal do Hiro!
Midokawa riu, limpando os óculos.
— Não é “falar mal”. Pelo que eu soube do comportamento dele, ele faria isso. O que é uma pena... Eu tinha algo pra te falar, mas o timing é ruim.
Kyoko olhou para ele.
Então, Midokawa deu a Kyoko uma pequena caixinha azul.
— Isso n—não é...
— Abra.
Era uma Safira Rosa.
— Eu acho uma Safira vagabunda – ele disse – Mas rosa é sua cor favorita...
Ela se atirou em cima de Nekoi.
— Aceito!
***
Os amigos estavam irritadíssimos quando Kyoko saiu da sala com aquele olhar sonhador.
— Nem precisa explicar! Valeu por não falar que o Hiro foi embora! – reclamou Rimeko.
— Estou—estou noiva!
E todos olharam a Safira no anular direito de Kyoko, prendendo a respiração.
— Minha nossa! – exclamou Sashikko.
Shuichi conseguiu um pouco de privacidade com Rimeko, já que Sashikko e Kyoko pareciam em seus próprios mundos.
E era justamente o que ela não queria.
— Ri-rimeko-chan... Eu gostaria de saber sua resposta...
Ela o olhou. Não, o viu. Não poderia haver pessoa melhor nesse mundo. Ele seria como um Príncipe Encantado.
Seria... perfeito.
Chato.
Seria chato.
Ela olhou para ele com aquele sorriso arrogante e disse:
— Minha resposta é não.
E se foi, pois essa era Rimeko Kaike, e quem visse algo diferente estaria enganado.
***
Todos comiam sukiyaki na casa de Kyoko para comemorar o noivado dela. Asato usava um vestido que lhe caía muito bem, mas não conseguia comer. Perdera bastante peso desde a morte de Samuel.
Até que alguém tocou a campainha e Kyoko foi atender.
— Oi!
Era um garoto da idade deles, pele branquinha, olhos verdes, cabelos negros cortados até a nuca.
— Primo William! O que está fazendo aqui?
— A tia falou que você estava na casa da “devassa” e eu não entendi, mas me deu o endereço.
— Meu nome é Aikawa Kyoko-chan, sou a devassa! Estamos comemorando meu noivado!
— Que legal—
E ele parou. Asato e William ficaram se encarando.
— Quem é você? – perguntou William.
— Não! – gritou Rimeko. – “Ela” não é ninguém!
Asato se virou e William pôde ver grande parte das costas dele.
— Mas eu quero saber! Eu sou William! William T. Fitzgerald III! E antes que a senhorita diga que meu nome é estranho, eu o sei!
Asato se voltou. Que sorriso.
Todos ficaram esperando.
— Erm... Sou... Mona.
— Mona o quê?
— Só Mona!
— Desculpe. Mona. Eu nunca vi nada tão lindo.
— Ah, Deus. – Rimeko pensou em arrancar os cabelos.
— Vamos dar um passeio, Mona?
— Agora?
— Tem hora melhor?
Asato ajeitou o vestido e correu para o sol com William.
— Acho que vou desmaiar. Quando ele descobrir...
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