Gibbs

9 Capítulo 09


Capítulo 09 –

Samuel foi velado apenas pelos amigos. Hiro, Minamino, Kyoko, Rimeko, Sashikko, Asato, que chorava como se não houvesse amanhã e um ruivo que apareceu do nada, que ninguém convidara ou conhecia, de cabelos curtos alaranjados, maçãs do rosto protuberantes e olhos negros.

— Você passou pouco tempo conosco, mas foi muito especial – disse Kyoko, depositando uma rosa na tumba.

— Eu não o conheci muito bem, mas gostava de você. – Hiro depositou uma margarida.

— Eu gostava de você, Samuel. Você não merecia nada do que lhe aconteceu. – Minamino depositou um buquê de rosas.

Rimeko tentava ser forte e não chorar, mas não conseguiu falar e jogou um lírio.

— Eu fui ruim contigo, cara – disse Sashikko. – Não deu tempo de consertar. O remorso vai perdurar. – jogou um cravo.

Asato soluçava.

— Se Sashikko foi ruim, eu fui um monstro. O remorso vai me acompanhar. Eu amo você.

E não jogou nenhuma flor.

O garoto estranho vestia um uniforme azul e disse:

— Sou amigo do Shuichi e quem é amigo dele é meu amigo. Lamento as circunstâncias trágicas da sua morte. Espero que no Além você encontre paz.

E jogou duas tulipas.

***

Como em todo Funeral, a chuva se fez. Rimeko acossou o outro ruivo.

— Oy! Quem é você?

Quando ele olhou para ela um brilho se formou em seu olhar.

— Kazuma Kuwabara, gatinha, ao seu dispor.

Rimeko ficou possessa.

— O que faz aqui? Sua presença é uma profanação! Você nem conhecia Samuel!

Kuwabara respirou fundo.

— Entendo. Você gostava muito dele.

O cheiro de chuva acentuava um olor em Rimeko que fez Kuwabara fungar sem querer. E ela parecia tão vulnerável. Ele queria beijá-la, como nunca quis a nenhuma outra garota.

— Ele era seu namorado?

— O quê?

Vindo das reações de Rimeko, era uma pergunta perfeitamente normal.

Antes que ela o socasse, o pessoal apareceu sugerindo ir a algum lugar tomar alguma coisa quente. Hiro abraçava Kyoko, que tremia. Mas não gostava do abraço.

E foi a vez de Minamino abraçar Rimeko. E ela chorar em seus braços.

O que ela estava pensando? E Hiei?

E ele? Minamino sentia algo de agridoce por trair o melhor amigo assim.

Mas o ruivo a beijaria naquela noite, pois já esperara demais. Não, ele não perderia Rimeko, a forte, feroz e ao mesmo tempo frágil, Rimeko.

Eles resolveram comer sushi. Kuwabara sentia seu estômago revirando. Quem era aquela garota incrível?

Ele decidira, em seu íntimo, que ela seria sua primeira. Kuwabara sentia que Rimeko era uma boa pessoa.

Agora era só investir.

Mas como?

***

Durante todos esses dias, Minamino estava sendo mais que gentil com Rimeko, chegando a chamar a atenção de todos. Kyoko tentava desviar, mas Hiro e Asato comentavam. Sashikko não estava nem aí e parecia bem deprimido.

— Qual é a sua? – Kyoko perguntou a Sashikko. – Está agindo como um peixe.

Ele sorriu amarelo, mal comendo essa semana.

— Sashikko, fale comigo.

— Você sabe por quê – ele sussurrou.

— Sashikko, você sabe que não posso lhe dar o que quer! – os dois sussurravam.

— Sim, por causa do seu namorado que ninguém sabe, ninguém vê! Mas pode pelo menos usar as coisas que te dei!

— Oy, o que estão sussurrando? Isso é muito suspeito! – comentou Rimeko.

Todos sabiam o que era suspeito ali, mas não falariam...

***

Após a aula, Shuichi acossou Rimeko e todos entenderam.

— Rimeko, preciso falar com você. – a sala estava vazia.

— Fale logo. Estou com pressa.

Será que ela não tinha nenhum sentimento por ele?

— Estou apaixonado por você. Sei que tem sentimentos pelo Hiei e ele é meu amigo, mas eu não posso evitar. Desculpe.

Rimeko parecia estar fazendo barulhos estranhos. Era muita informação. Samuel morre, Hiei a abandona e Shuichi se declara.

Como a covarde que escondia ser, ela correu, apertando a pasta contra si.

E chocou-se contra algo, caindo no chão e batendo a cabeça.

Ele a ajudou a levantar, mas Rimeko estava muito tonta.

— Calma. Talvez você tenha uma concussão.

Era aquele outro ruivo de uniforme azul.

— Me larga! Eu não tenho uma concussão!

— Nesse caso, quer tomar sorvete comigo? Agora?

Rimeko riu.

— Não.

— Ensopado? Lá em casa? Minha irmã está fazendo.

Rimeko não sabia que clique deu nela que aceitou. Devia ter batido a cabeça bem forte.

Ao chegar e tirar os sapatos, uma garota de cabelos escorridos, castanhos e olhos igualmente castanhos foi lhes receber.

— Oi, povo, a comida tá pronta! Sou Shizuru Kuwabara. Pode me chamar de Shizuru!

Rimeko estava muito nervosa, não comeu muito. Pensava em Hiei, Samuel, Shuichi...

E começou a chorar.

— Desculpe. – se recompôs.

— Imagina, querida, o Kazuma falou que você passou por maus bocados.

Kuwabara deu a Rimeko um lenço.

— Por que ele falaria sobre mim?

Os dois irmãos riram.

— Por que será?

— Quer ver meu quarto, Rimeko-san?

Rimeko arqueou uma sobrancelha.

— Não vou transar com você, Kuwabara-kun.

— Não foi por isso—

— Isso foi bem indelicado, Kazuma.

Rimeko já achava que ultrapassara os limites.

— Bem, foi maravilhoso. Se puderem me mostrar a saída...

Kuwabara parecia ter tido alguém da família morto.

— Claro, antes você pode me mostrar seu maldito quarto.

O rosto dele se iluminou e ele atrevidamente a puxou pela mão.

Shizuru sorria.

***

Havia uma cama de solteiro, uma mesinha com um laptop e uma cortina enorme.

— E você jura que não veio me estuprar?

Kuwabara apagou a luz.

— Olhe para o teto.

Havia várias estrelinhas coladas e brilhantes, daquelas que ela sempre quis ter. Então, ele pegou um controle remoto e as cortinas da janela se abriram para uma noite estrelada.

— E se tivesse chovido?

— Bem, eu não poderia impressioná-la, não é?

Ele tocou-lhe os cabelos de leve.

— O que você quer, Rimeko?

Ela respirou fundo e se afastou.

— Eu não sei. Achava que soubesse, mas não sei mais.

Então, ele a beijou. Um beijo cálido, selvagem, que aqueceu Rimeko.

— Eu sei o que você quer... – Kuwabara enfiou a mão por baixo da saia dela, surpreendendo-a.

Ela segurou a mão dele para aumentar a intensidade e gemia até chegar ao ápice. Então, ele abriu-lhe a blusa e fez uma exclamação ao contemplar a lingerie. Ao passar os dedos por seus seios, os dois sentiram um calor, uma vibração.

— Não, demais! – gemeu Rimeko.

— Ah, Deus. – Kuwabara apertou os dentes até a cabeça doer. Se algum dia nos encontrarmos de novo, Rimeko, não deixo você escapar!

***

Pessoas aleatórias tiravam fotos de Kyoko no Parque.

— Olha lá, mamãe, eu quero ser assim!

— Talvez.

De vez em quando ela se vestia como GothLoli nem mesmo por hobby, mas por vontade, mesmo. Sashikko dava-lhe cada vez mais aparatos.

E ela estava bombando no Instagram.