Ghosts that we knew

1 Hope in the darkness


Notas iniciais
Olá! Esta é a primeira vez que posto aqui no site, então sintam-se à vontade para comentar, avaliar, criticar e dar qualquer tipo de sugestão!

Podia senti-la respirar. Eu estava deitado ao seu lado ainda não acreditando que estava mesmo ali. Que estava sentindo seu cheiro. Ela olhava para mim com os olhos mais cansados que já havia visto. Não fazíamos nada além de nos comunicar a partir do silêncio. Não era preciso dizer nada. Não estávamos nos tocando também. Eu focava em seus olhos negros que pareciam dizer tudo o que era preciso. Tudo o que eu precisava. Toquei sua bochecha e, como se fosse algo planejado, uma única lágrima caiu preenchendo seu rosto gelado. Ela fechou os olhos em uma tentativa de espantar seja lá o que a atormentava. Aproximei-me e levemente beijei sua testa, puxando-a para mais perto e a envolvendo com meus braços. Seus olhos ainda estavam fechados, mas as lágrimas disparavam sem descanso. Passei a mão em seus cabelos macios, agora mais compridos do que da última vez, fazendo-a soluçar de maneira abafada. Apertei-a mais forte ainda de encontro ao meu peito, beijando o topo de sua cabeça. Não tínhamos pronunciado uma única palavra desde que entramos no quarto iluminado apenas pela luz fraca do abajur. Desde que dissemos boa noite para os meninos que agora provavelmente estavam dormindo profundamente no quarto ao lado depois de um longo dia cansativo. Eu tinha tanto o que falar e ao mesmo tempo queria manter aquele silêncio, dar a ela o tempo que fosse preciso para o que fosse preciso. Eu ouvia seus suspiros no meio de soluços rapidamente interrompidos com fracasso. Coloquei minha mão em seu queixo e levemente levantei seu rosto para olhar em seus olhos ainda fechados e molhados. E no exato instante em que pronunciei seu nome, ela os abriu como se tivesse aberto sua alma diretamente para mim. Eu queria retirar toda aquela dor que estava vendo transbordar descontroladamente, eu queria arrancá-la com tanta força que fizesse tudo de ruim desaparecer para sempre. Acariciei sua bochecha mais uma vez, limpando as lágrimas que continuavam caindo ali. Ela me encarava como se também não acreditasse na veracidade do momento. “Eu estou aqui”. Foi a única frase que consegui pronunciar diante de tudo o que eu queria dizer. Repeti-a mais uma vez para tornar aquilo mais real, tanto para mim quanto para ela. E de novo. E de novo. Eu ainda estava sendo observado por dois misteriosos olhos negros, que agora demonstravam um pouco mais de controle, quando senti uma lágrima cair do meu olho. Não sei se o que senti foi por ela ou por mim. Ou por nós dois ao mesmo tempo. Ela instantaneamente secou meu rosto com suas mãos trêmulas e geladas que agora repousavam em meu pescoço, provocando-me arrepios. Tentei falar algo que ainda não sei exatamente o que era e fui interrompido pela sua voz falhada e até um pouco rouca. “Senti sua falta”. Abracei-a com toda a força que pude e a senti me abraçando também, escondendo seu rosto no meu ombro e provocando mais lágrimas em meus olhos. “Também senti sua falta” eu disse em seu ouvido enquanto ouvia e sentia seus suspiros cada vez mais fortes. Ela se afastou e voltou a me encarar, agora com um leve sorriso ainda um pouco fraco, mas que mesmo assim fez meu coração bater mais forte ainda do que já bate quando eu estou perto dela. Instantaneamente sorri de volta, fazendo seu sorriso crescer e fazendo mais lágrimas (agora quem sabe de alegria) rolarem pela sua face. Passei novamente a mão em seu cabelo. Ah, como eu amo aquele cabelo! Apoiei delicadamente minha testa na dela e, com os nossos lábios quase se tocando, disse o que eu senti vontade de dizer desde que meu olhar reencontrou-se com o dela mais cedo naquele mesmo dia: “Regina, eu te amo”. E isso foi o que bastou para que nossas bocas se encaixassem em total sincronia, misturando nossas respirações agitadas. Sua resposta veio logo após nossos olhos voltaram a se encontrar: “Também te amo”.

Não sei exatamente o que aconteceu durante aqueles meses em que estive longe da cidade. Não sei quem a confortava. Não sei dos seus maiores pesadelos ou medos que vagavam em sua mente nos piores dias. Não sei se, assim como eu, ela também pensava em nós todas as noites antes de dormir e, em uma tentativa de manter o controle, acreditava naquela esperança que uma vez nos surpreendeu. Não sei de muita coisa de seu passado. Mas naquele momento, naquele exato momento em que a segurava em meus braços e sussurrava que tudo ficaria bem e que eu não deixaria mais nada machucá-la, percebi que seu passado, seu pior inimigo, assombrava sua vida constantemente e a impedia de aceitar muitas coisas. Então prometi não deixar tudo aquilo controlar nosso destino. Eu faria meu destino. Nosso destino.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.