Cassandra sabia pouco como ser um fantasma, uma silerca incrustada em madeira úmida e esquecida no mato; uma figurante esquecível. Segundo Edgar, era esse estado necessário para se dissolver do aqui e do agora. Só não precisava ser deprimente.

“Há vantagens de ser translúcido e invisível. Sequer é permanente.”

“Então você consegue voltar a ser de carne e osso quando quer?”

“Não exatamente, mas é pela minha condenação. E nem seria sensato te abordar assim, não acha? Sólido.”

“Você se tornaria um tal espírito morto mesmo. E como você soube que sou meio fantasma igual?”

“É como olhar no espelho.”


Notas finais
Tenho plena convicção que uma pessoa solitária reconhece outra.