Ghosted
25 Invisibilidade e solidão
Notas iniciais
As MPs voltaram a funcionar e eu quero fofocas, me chamem por lá!
Após certo treino ficando invisível na feira e voltando alguns minutos no passado para observar o movimento na cidade, Cassandra sentia-se menos temerosa para ser um vicário de Edgar ao resolver a situação de Cecília. Ou ao menos tentar.
Era estranho sentir estremecimento do corpo, a pele levemente formigante, e então entender que não estava mais conectada, de fato, á esse mundo.
Cassandra refletiu.
"Então é verdade? Nasci assim, fantasma mesmo em vida? Para a solidão?"
"Ah, querida. As pessoas que escolhem nos ver ou não. Quantas não enxergam um fantasma só quando convém? Mas nunca estará verdadeiramente sozinha."
Notas finais
Conversei um tico com a Polaris sobre isso e decidi colocar aqui nas notas finais. Uma coisa interessante sobre solidão é que ela é particular e também meio ordinária. As histórias de solidão costumam ser relativamente parecidas... e no caso de Cassandra, foi esse isolamento moderno + família nada acolhedora, mesmo que nada grave tivesse acontecido.
Acho intrigante a ideia de que as pessoas não precisam estar mortas para assombrar, mesmo que a gente pareça o fantasma invisível nessas relações. Quantas vezes, nessa solidão em vida, nós fomos para o passado e depois para o futuro, sem habitar nenhum lugar fixo na memória e nem mesmo o presente? Então o conceito aqui de fantasma é diferente de espírito, aquele que morreu. E os fantasmas também atravessam esse tempo, nem cá, nem lá.
É claro que eu não queria que esses fantasmas fossem pessoas condenadas à eternidade infeliz e solitária. Não acredito nesse destino, nem mesmo pra um espírito de quem morreu. Um fantasma reconhece o outro. Podem se encontrar nessa tal cidade fantasma que nao deu tempo de explorar aqui (como vocês vão ver nos próximos capítulos). E quem é sensível, mesmo não sendo um fantasma, pode ver um e interagir com ele, querendo o seu bem.
Tô poética hoje. Tive uma notícia boa-ruim. Vamos ver o que mais vem por aí!
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