Ghost Queen
1 Chapter 1 - You can see the sun again.
Notas iniciais
Lysander
Era véspera de Ano Novo.
Minha família deve estar se divertindo. Comemorando com os amigos que são apenas a distração para um passado nunca revelado. Pessoas felizes, sorrindo, brincando, correndo. Coisas que eu nunca entendi e não entendo. Contagem regressiva, festas que duram até o dia seguinte. Presentes, oferendas. Esperança de um ano melhor.
Enquanto isso a neve estava batendo na janela do meu quarto enquanto eu me aquecia sobre um cobertor gelado em meu quarto escuro. A chama do lampião, a única coisa que ilumina meu quarto nesse momento, falhava. Às vezes, uma corrente de vento frio passava e apagava a chama, me deixando na escuridão que meu quarto me oferecia. Tive que pegar fósforos constantemente.
Não estou em uma prisão. Estou apenas na minha casa fria, em Nova York. Sim, Nova York. Em uma área com poucos moradores, no fim do mapa. Isso se é que existe Icyland no mapa. Icyland é o nome daqui. Fica dentro de Nova York, porém bem no final. Aqui em Icyland neva o ano inteiro, no verão é melhor, pois é -10 na vez de -30, que é a temperatura normal daqui. Se eu não morro congelada? Eu não saio de casa, e não é por causa da temperatura.
Podemos dizer que tenho uns probleminhas. Dislexia, TDAH, e uma incrível e assustadora habilidade de achar caminhos secretos, passagens subterrâneas, e mais algumas coisas que não podem ser explicadas, como quando na 1ª série – o ano que começou tudo – eu fiz uma menina me obedecer, não sei como, mas ela foi parar em cima do ventilador.
Desde isso, passei minha vida toda dentro do meu quarto, que antes era colorido, iluminado – a medida do possível que chega energia aqui em Icyland. – e acima de tudo vivo. Agora, não passa mais do que uma prisão. Minha mãe morre de vergonha de mim. Vergonha e... Medo. Eu não sou assustadora, apenas as coisas acontecem sem eu perceber!
Cobertas, escuridão, várias roupas com tentativa de se esquentar e pouca comida é minha vida. Eu tenho uma irmã, Emma. O orgulho da minha mãe. A única coisa que ainda a mantem “junta”. Nem preciso contar que Emma me vê como uma aberração também.
Claro que posso sair do meu quarto. Posso sair de casa. Não posso ir longe. Mas prefiro ficar por aqui mesmo. Prefiro ficar sozinha á com pessoas morrendo de medo de mim. Emma um dia tentou falar comigo, mas saiu apenas quando olhou nos meus olhos. Eles são apenas escuros, não tem nada de errado com eles!
No começo, isso me derrubou para caramba. Eu tinha apenas sete anos quando comecei a ser considerada um monstro. Minha mãe que antes eu admirava, virou as costas para mim e tentou me esconder da sociedade o mais rápido possível. Emma, que era um bebê de seis meses, que me fazia sorrir todo instante, se apegou a esse modo, com apenas essa idade. Isso me fazia chorar todo dia que um dia até desmaiei de tanto chorar. Minha família nem percebeu que eu estava desacordada.
- Lysander? – disse uma voz fininha, meio tremula. Acima de tudo, familiar. – Você está... Viva?
Reconheci a voz como Emma. Não me surpreendeu que ela perguntou se estou viva, e aposto que ela está torcendo para que ela não ouça minha voz agora. Sei que minha mãe a obriga a fazer isso toda noite. Elas chegaram em casa. Olhei para o relógio, que marcava seis horas da manhã. Passei a noite toda em branco e já é outro ano.
- Uhum. – eu disse sem animo.
Ouvi passos, e soube que ela já tinha saído da porta.
Levantei da cama e peguei o lampião com a chama que falhava até agora. Fui descalça em caminho a porta, e cheguei á conclusão que o chão está tão gelado quanto se eu estivesse pisado na neve lá em baixo. Abri a porta devagar e vi um prato redondo sob uma bandeja. Dentro do prato, tinha uma sopa, e um pedaço de pão e um copo de água rachado. Ótimo banquete, feliz ano novo.
No momento que peguei o prato, uma luz se ascendeu dentro do meu quarto. O antigo abajur da época que eu ainda era considerada humana brilhou não muito forte. Acontece isso todo dia. Minha mãe tem controle desse abajur, e na hora que vou fazer minhas refeições ela liga, e quando acabo de comer, tenho que eu mesma desligar, se não ela não liga a luz por um mês e eu vou ter que comer sobre a única luz do meu quarto, a do lampião, e acredite isso já aconteceu.
Sentei a pequena mesa gelada que tem no canto do meu quarto, e comecei a comer minha janta-café da manha. O pão incrivelmente está quente e macio, porque sempre ele está velho e duro. Em algumas situações não dá para nem dar uma mordidinha nele.
Quando terminei de comer, ouvi um barulho na janela. Fui até ela, mas lá na rua estava à escuridão de sempre, iluminada apenas por algumas luzes, afinal já estava tarde. Devia apenas ter sido o vento.
Voltei à mesa, e peguei a bandeja vazia. No mesmo instante, o mesmo barulho na janela se repetiu.
- Você já terminou? – gritou minha mãe brava. – Vou desligar as luzes!
Mantive o olhar na janela.
- Não! – gritei. – Espere um pouco!
Ouvi minha mãe resmungar. O barulho na janela se repetia ficando mais intenso.
- Hey. – ouvi uma voz. – Abre a janela.
Isso me fez gritar. Ouvi passos se aproximando da porta, e eu recuei para lá mesmo. Se eu não estou enxergando coisas... Tem alguém lá. Dizendo para abrir. Senti medo e deslizei para o chão gelado, que me fez soltar um grito baixo. Fechei os olhos e ouvi minha mãe gritando, e depois de um tempo, socando a porta. A luz se desligou, e a chama do lampião acabou.
- Calma. – disse a mesma voz de antes, baixo. – Eu não vou fazer nada.
Abri os olhos e encontrei o lampião com a chama acesa. As batidas na porta pararam. Virei para frente, ainda com medo.
Encontrei um menino abaixado na minha frente. Um com cabelo preto, e pele pálida. Ele está usando uma jaqueta de aviador, uma calça jeans e uma blusa preta com uma caveira.
- Quem é você? – eu disse tremula. Me perguntei se isso é o que as pessoas sentem quando me vêm. – Como você entrou aqui?
- Meu nome é Nico. – o menino falou. – Nico di Angelo. Você é Lysander Faith, certo?
Antes que eu pude questionar, ele continuou.
- Aqui não é seguro para você. – o tal Nico disse. – Você precisa fugir.
- Hã... – eu falei. – Mas, porque eu fugiria?
- Porque você não é mortal. – Nico explicou. – Mas também não é imortal.
O observei confusa. Primeiro esse menino entra no meu quarto do nada, sabe meu nome, quer que eu fuja, e agora diz que eu não sou mortal e nem imortal.
- O que? – perguntei.
- Você nunca conheceu seu pai não é? – ele perguntou demonstrando uma certeza. Concordei com a cabeça. – Bom, sabe mitologia grega? Que os deuses descem a terra, se apaixonam por mortais, e tem filhos, chamados semideuses?
Percebi onde ele queria chegar.
- Sei. – eu disse ofegante.
- Então... Os deuses existem. E a história dos semideuses é real. Posso te dar a certeza porque eu sou um. E acredito que você seja minha irmã.
Isso de certa forma pareceu ter sentido. Várias coisas acontecem comigo, coisas que não pode ser explicadas. E é verdade, eu nunca conheci meu pai.
- Hm... Isso... É... Quem... é... Seu pai? – consegui formar essas frases.
Nico suspirou.
- Hades. – disse ele. – Deus do mundo inferior. Você acha muitas passagens secretas, tuneis e essas coisas se você quiser. Por isso é minha irmã. Eu não sou o único que acha isso. Você precisa ser levada ao acampamento... Hã, Existem milhares de semideuses pelo mundo, e a maioria deles mora no único lugar seguro para nós. Esse lugar chama Acampamento Meio Sangue. Para onde você precisa ir nesse instante.
- Por quê? – consegui perguntar, tentando entender tudo isso.
- Pois tem um monstro na escada nesse momento subindo. – Nico me ofereceu sua mão. – Talvez isso seja um pouco enjoativo.
Peguei sua mão, sem entender nada.
- Você poderá ver o sol novamente.
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