Ghost

1 Capítulo Único.


Notas iniciais
Apreciem, boa leitura. ;*

Myghost
Where'dyou go?
Whathappened to the soul that youused to be?

.

Passei os olhos ao redor, tentando reconhecer o lugar onde estava. Mas tudo parecia tão estranho, tão diferente, tão distante.

Era um salão grande e iluminado, com lustres caindo como cascatas do teto, iluminados por velas aqui e ali espalhadas por todo o lugar.

Haviam pessoas ao meu redor, mas eu não conseguia reconhecer ninguém. Todas vestiam roupas de época, os homens em suas túnicas e casacos e as mulheres em vestidos volumosos.

E todos usavam máscaras.

Eu ainda tentava entender onde eu estava quando passei frente à uma parede espelhada e me surpreendia ao notar que também usava uma máscara, embora permanecesse com minha camisola.

Naquele momento algumas coisas fizeram sentido para mim. Eu não estava mais em meu quarto na república, e tudo ali era real e vívido demais para ser apenas um sonho.

Foi quando alguém parou ao meu lado. Desviei os olhos do meu reflexo por um momento, concentrando no indivíduo.

Ele ajeitava o lenço imaculado envolto no pescoço, praguejando baixo. Parecia muito nervoso e juro que vi sua mão tremer algumas vezes em sua tarefa.

Eu sorri, e ia me oferecer para ajudá-lo quando se voltou para mim. Foi uma fração de segundo. Como piscar os olhos.

Estanquei no lugar no mesmo momento, sendo capaz de enxergar seus olhos através das aberturas da máscara.

Eram negros. Tão negros quanto seus cabelos longos ou a máscara que os envolvia. E pareciam ainda mais negros em contraste com a pele branca de seu rosto.

Me pareciam um poço, profundo e sombrio, me sugando para suas profundezas. Seus mistérios e seus segredos.

E de repente, era como se eu o conhecesse.

Conhecesse seus medos, seus segredos, seus desejos. Mas ele ainda era um completo estranho para mim.

Louis logo voltou à olhar para o espelho, me ignorando totalmente e desistindo de arrumar o lenço. Vi-o suspirar, e se virar, caminhando para longe de mim.

Subitamente, um nome me escapou dos lábios, como um sussurro, um lamento:

— Louis.

Minhas pernas agiram por si só e me levaram à segui-lo através do salão, percebendo naquele momento que ninguém ao meu redor parecia me ver.

Ele parou, não muito longe de mim e abriu um sorriso misterioso, como quem possui muitos segredos.

Ele esticou a mão, e eu acompanhei o gesto, encontrando com a visão de uma moça em um lindo vestido branco. Ela lhe reverenciou e aceitou sua mão.

Me afastei acompanhando as pessoas ao redor, quando começaram a dançar. Rodando pelo salão, dançando envolvidos no olhar um do outro. Pareciam se completar, como se um fosse parte do outro.

E talvez fossem, eu não poderia dizer.

Mas, algo aconteceu naquele momento, em um piscar de olhos, todo o salão se calou, e o casal sumiu de meu campo de visão.

Já não estava mais no salão, agora me encontrava um corredor de portas fechadas e entreabertas. Ainda não reconhecia nada ao meu redor, nenhum quadro, nenhuma lembrança.

Mas Louis e a moça estavam bem a minha frente, agora sem máscaras, trocando um beijo apaixonado.

Ele a tinha entre os braços, abraçando-a com ternura e suavidade, como se fosse seu mundo.

Porém;

Algo aconteceu naquele breve momento. Minha visão escureceu, como se apagassem as luzes. Eu estava avulsa, perdida e desorientada ali. Tentava me segurar em alguma coisa, mas nada parecia sólido, firme ou real.

Ouvi passos curtos e a sensação de perigo eminente próximo de mim. Houve um grito, o som de vidro se partindo e passos se afastando.

Lentamente, minha visão foi se restabelecendo, e eu vi as luzes, as cores e as formas. Quando voltou ao normal, percebi que havia me afastando um pouco e que me agarrava à uma mesa.

Mas algo terrível havia acontecido, eu sinta isso.

Me aproximei novamente de Louis, e levei a mão aos lábios, contendo o grito de pavor e dor.

A moça ainda estava nos braços dele, mas o olhava com olhos vazios, e sangue manchava o chão e seu vestido branco.

Sangue dela.

Não, sangue meu, por que a moça era eu.

Eram os meus olhos que olhavam para Louis sem vida. Era meu sangue que manchava o chão e as roupas dele.

Fechei os olhos tentando escapar daquele pesadelo e quando os abri estava de volta ao salão.

Ninguém dançava mais, ninguém ousava dizer nada, mas era possível ouvir o lamento, a indignação e a confusão.

Todos olhavam para Louis que carregava o corpo dela... Não, o meu corpo. O sangue deixou um rastro no chão lustroso e bonito, maculando para sempre aquele lugar.

A imagem tremeluziu e se desfez, como nevoa aos meus olhos. Uma luz forte cresceu acima de mim e fui obrigada a fechar os olhos ao sentir o chão tremer e quando retornei abri-los, estava de volta ao meu quarto.

Respirei fundo algumas vezes, sentando-me sobre a cama e dizendo para mim mesma que tudo não passará de um pesadelo.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Obrigada por ler.

Uma curiosidade: Louis, nessa história se pronuncia na forma francesa do nome.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!