Ghost
1 Morte súbita
Notas iniciais
Era uma noite fria e bastante nebulosa, típica do outono na Carolina do Norte, a luz da Lua atravessava a copa das árvores e dissipava parte da névoa à nossa frente. Eramos um pequeno grupos de soldados e estávamos indo para a casa do comandante para pegarmos comida e primeiros socorros quando ouvimos os barulhos.
–Não – sussurrou um dos soldados prximo à mim- de novo não.
Era a segunda vez que estávamos sendo atacados em dios dias, e à julgar pelos muitos ferimentos e ossos quebrados de todos não conseguiríamos escapar dessa como escapamos da luta de ontem.
O capitão bufou.
–Estamos tão perto...
–Será que eles chegaram lá antes?
Perguntei. E ele torceu o nariz.
–Tomara que não.
Olhei para ele e percebi na mesma hora que não devia ter dito nada, pois agora havia um olhar de preocupação em seu rosto já cansado que só aprecia em seu rosto quando falavam de sua família, ele passou uma das mãos no emaranhado de cabelos negros e lisos e apertou o passo, seus olhos azuis fixados à frente.
–Vamos Cathy.
Ele era o filho mais velho de uma família bem respeitada de New Liverpool com 18 anos havia se tornado um dos mais novos comandantes do exercito e era o único que podia me chamar por aquele nome sem ter aluma parte do corpo quebrada. E eu, bem eu sou uma garota esquelética de 11 anos que havia sido tomada como espólio de guerra dos ingleses que me perderam para os americanos, o único motivo existente para que eu pudesse ficar no exercito junto ao comandante Thomas eram minhas habilidades um tanto fora do comum com armas.
Os barulhos começavam à se aproximar. E os homens estvam ficando tensos. Então os ingleses saíram do meio dos bosques, consegui ver que não eram tantos quanto pensamos segundos antes de cairem em cima de nós. Mesmo assim ainda estávamos em desvantagem.
–Recuar!
O comandante disse já se virando para corre por uma pequena trilha no meio das árvores, antes de adntrar a trilha olhei para tráz e vi que a maioria dos soldados nos seguira, e o resto ficou perdido no meio dos ingleses.
Corremos até conseguirmos ver os lampiões da casa acesos, era exatamente como me lembrava, um casarão de madeira azul e branco no meio de um campo aberto, com um enorme salguiero de um lado, um armazem vermelho do outro e terras cultivadas na parte de tráz.
–Catherine, assim que chegarmos lá corra para o armazem e avise os outros assim que possível – disse o comandante enquanto nos aproximávamos- eu vou tentar tirá-los de perto da casa.
–Mais sehor..
–Sem mais! Ande logo.
Assenti e contra a minha vontade disparei em direção o armazem, porém chame sem querer a atenção de 3 dos soldados britânicos, que não ficaram nada satisfeitos ao me ver fugindo e torceram ainda mais suas caras feias.
–Ora, ora oque temos aqui?
Perguntou o feio um.
–Parece um pedaço de graveto. Oque faz aqui menino?
Nessa hora eu já estava com as costas na porta do armazem, mais sabia que se entrasse eles me seguiriam. Então fiz a única coisa que pude fazer, cuspi nos pés do feio dois e na hora que ele olhou para baixo peguei minha faca e dei um golpe em suas costelas. Ele gritou de indignação.
–Peguem esse rato!
Porém, para a minha sorte eles eram muito lentos, então na hora que o feio três estava colocando a mão no cabo de sua espada eu abaixeia a minha e cortei seu braço na altura do cotovelo. Ele caiu no chão gritando.
Olhei para os lados, apenas para ver que os dois homens feios restantes vinha em minh direção ao mesmo tempo,. Assim que chegaram perto o suficiente aceritei um golpe certeiro no coração do feio dois, e cortei a garganta do feio um. Olhei par ao chão e descobri que o feio sem braço havia fugido.
Mais talvez essa fosse a menor das minhas preocupações no momento, pois quando levantei minha cabeça descobri porque ele havia fugido. Não sobrara quase ninguém de pé, todos haviam se ferido gravemente, os ingleses que conseguiam andar iam de volta para as matas, e os americanos estavam ajudando uns aos outros como podiam.
Meus olhos porém, se fixaram em uma figura de cabelos negros, deitada à alguns metros de mim. Reconheci na mesma hora como sendo o corpo de Thomas Martin. Corri até la e me ajolhei ao seu lado. Ele estava com uma espada enfiada em seu peito e muitos cortes feios pelo corpo todo, assim que peguie em sua mão e vi que tinha pulso soltei o ar que nem sabia que estava prendendo. Então peguei um de seus dedos e apertei a unha co força.
Ele arregalou os olhos e apertou minha mão.
–Cathy?
Ele perguntou com um suspiro.
–Estou aqui.
Respondi chegando mais perto, mais ele não olhava para mim, e sim para o céu. Com os olhos vidrdos.
–As luzes estão brilhantes hoje...
Deuses ele estava delirando.
–Sim estão, aguente só mais alguns minutos senhor, eu vou buscar ajuda.
Tentei me levantar mais ele segurou minha mão e me puxou para baixo.
–Não. Você sabe que não da mais tempo — infelizmente eu sabia mesmo, pois sua respiração já estava falhando, assim como seu pulso – apenas faça uma coisa por mim.
–Qualquer coisa senhor.
–Fique com eles. Ajude a cuidar deles. Sei que não é justo eu pedir isso para você mais não quero te ver de volta nas ruas quand eu me for. E tenho certeza que meu pai não irá te jogar para fora.
–Sim senhor.
–Agora vá contar aos meus parentes oque aconteceu aqui.
Ele curvou a cabeça para frente e tossiu sangue em suas roupas. E então fechou os olhos e afroxou o aperto em minha mão. Na mesma hora soube que havia morrido.
Não chorei, pois não era da minha natureza chorar, mais corri o mais rápido que pude até a casa. Parei na varanda hesitei um pouco, afinal, estávamos no meio da noite não era normal estranhos entrarem em sua casa no meio da noite falando que seu filho havia morrido na porta de casa.
Porém havia uma leve chance de eles já estarem acordados por causa do barulho do grito dos homens. Com esse pensamento andei até a porta girei a maçaneta e descobri que estava certa, ou percialmente. Havia sim alguém acordado e esse alguém estava com uma baioneta apontada diretamente para mim, que tremia do gatilho até a ponta do cano. Gabriel Martin abaixou a arma assim que me viu. Ele tinha mais ou menos a minha idade, cabelos loiros e olhos verdes, e estava me olhando como se eu fosse um fantasma.
–Eu conheço você...
–Claro que conhece, sirvo om seu irmão – disse um pouco bruscamente – você pode chamar sua mãe? É urgente.
Oque houve lá fora? — perguntou ele – ouvi gritos e tiros.
Chame sua mãe, então conversamos.
Só ai ele pareceu dar falta de Thomas.
–Onde meu irmão está?
Não vi razão para esconder, por isso mandei-lhe um olhar pesaroso. Foi o suficiente para que ele disparasse escada à cima ritando que Thomas havia morrido.
A primeira à sair do quarto foi a Sra. Elizabeth, que desceu as escadas pulando os degraus de dois em dois, com seus pijamas e cabelo desgrenhado. Ela só parou quando me viu.
–Onde ele está?
Ela perguntou desesperada. Eu não disse nada apenas fiz um gesto para que ela me seguisse. Asim que pisei no primeiro degrau ouvi a voz do Sr. Martin se aproximando e perguntando para a mulher oque havia acontecido.
É o Thomas...
Mais ela interrompeu sua fala, pois haviamos chegado na parte do jardim onde os corpos começaram a aparecer, e quando olhei para tráz vi que a Sra. Elizabeth começara a ficar branca.
Então eu vi o corpo de Thomas e tardiamente pensei se não teria sido melhor tirar a espada de seu peito antes de mostrá-lo à seus pais, pois a imagem não era nada bonita.
Mais agora isso não era uma opção, pois eu ouvi um grito lacinante e Elizabeth passou correndo por mim e se atirou ao lado do filho, chorando e acariciando seus cabelos.
Não querendo mais olhar para a cena me voltei para a casa e vi as Gabriel e Stan parados na porta segurando um pequeno Ben no colo.
Talvez não fosse hora de ir lá. Então senti uma mão em meu ombro e lembrei que o Sr. Martin não havia ido com sua mulher até Thomas. Ele tinha os olhos vermelhos, mais quando falou sua voz era calma.
–Você sabe que pode ficar aqui certo?
–Sei sim senhor, mais não acho que seria o certo a fazer.
Falei, a promessa que havia feito estava ecoando am tda minha cabeça, mais eu não poderia morar na casa de meu falecido comandante.
–Tudo bem então, eu até discutiria com você, mais pelo que Thomas fala.. falava sobre você não adianta nada.
Então ele realmente escrevia sobre mim em suas cartas, sempre achei que não fosse verdade...
–Obrigado senhor.
–Mais posso perguntar se não gostaría nem de ficar para comer alguma coisa, ou se precisa de algum cuidado médico?
Fiz uma rápida avaliação de meu estado. Não tinha fome, pois havia comido à menos de três horas, e só tinha pequenos arranhões da batalha. Definitivamente não precisava de nada que me oferecia.
–Não senhor, muito obrigado, mais eu acho que já vou indo.
–Tudo bem- ele falou a contragosto- nos encontramos de novo por aí.
–Sim, quem sabe um dia.
Então me virei para ir embora.
E essa foi a primeira promessa que eu quebrei.
Acordei de meu sonho com o dono da estalagem onde eu estava batendo na porta, ele não entrou e nem falou nada, mais eu já havia ficado em muitos locais como esse e sabia que as batidas significavam que era hora de quem tinha pago somente por uma noite ir em bora.
Me levantei para trocar de roupa. Faziam cinco anos des de o incidente, mais lembrar dele ainda fazia eu me sentir culpada, após dois dias vagando pel cidade recebi de um vendedor de frutas na rua uma carta. De início achei que era engano, só poderia ser. Afinal, quem mandaria uma carta para uma criança de rua. Mais assim que vi a assinatura do Sr. Martin no verso todas as minhas dúvidas se foram, perguntei para o fruteiro como ele havia descberto que era eu e ele contou que o homem que lhe entregara a carta havia falado de uma menina magricela que vagava pelas ruas, e que ele estava me observando des da hora em que chegara com medo de que roubasse sua mercadoria.
A carta apenas dizia para onde deveria enderessar se um dia tivesse vontade de falar com o Sr. Martin. Passei um tempo apenas examinando a ídeia, mais no final acabei escrevendo para ele. E des de então lhe escrevo quase todo mês, por mais longe que esteja, foi assim que fiquei sabendo do nascimento de Susan e da morte da Sra. Elizabeth, e des de então o peso na minha consciência só crecseu, pois eu havia quebrado a segunda promessa que fizera à Thomas.
E hoje, depois de tanto tempo iria reencontrá-los pois recebi, na minha última carta um convite para me juntar ao renomeado comandante Beijamin Martin. E vendo essa como a perfeita oportunidade de redimir meus erros agora me encontrava em New Liverpool.
Assim que terminei de colocar o incomodo e pesado vestido aul claro, coloquei meus poucos pertences em uma sacola, e minha faca em um pequeno buraco do vestido, que se abria discretamente e minha cintura. Depois fui até o balcão pagar pela noite e até os etábulos para pegar meu cavalo Hermes. Ele era praticamente o único ser vivo com quem me comunicara nesses últimos 3 anos, e parecera bem feliz quando o tirei de seu dono. Seu pelo era tão preto quanto tinta, oque já me ajudara com muitas fugas à noite, e era muito inteligente.
Talvez até mais doque eu, pois só fui perceber que havia montado de vestido quando ele ficou preso no canto da sela.
–Droga!
Eu chinguei baixo. Então tentei retirar a parte presa com o maior cuidado possível para que não rasgasse, e isso atraiu o olhar de meu cavalo e do cocheiro, que deveria estar se perguntando porque uma dama estava montada em um cavalo e nem sela de mulher usava.
Apenas ignorei o olhar. Quando finalmente tirei o vestido da sela arrumei minha sacola atráz da sela e me acomodei de um jeito que conseguisse ficar com as duas pernas para o mesmo lado, oque iria me causar uma certa dor nas pernas depois, mais era melhor doque ter meu vestido levantado pelo galope do cavalo.
A viagem não foi longa, e quando cheguei em New Liverpool fui recebida por um cocheiro sorridente que tomou as rédeas de minhas mãos e após eu dizer quanto tempo talvez demorasse apenas falou o preço e foi dar água para Hermes.
Eu olhei em volta, a cidade não havia mudado muito des de que havia estado aqui da última vez, talvez a feira estivesse um pouco mais organizada e houvessem muito mais soldados nas ruas, mais isso era normal, pois hoje era dia de alistamento.
Andei um pouco até chegar no centro da cidade e conseguir me sentar em um tronco de árvore, um pouco longe da bagunça das mesas de alistamento.
O Sol já estava no meio de sua trajetória quando finalmente vi o Sr. Martin junto de toda a sua família, eles haviam acabado de chegar e pareciam procurar um banco. Se não tivesse prestado muita atenção talvez não o reconhecesse. Seus cabelos haviam ficado com mais mechas brancas doque me lembrava e seu rosto com mais rugas. Ele passou o olhar por mim mais pareceu não me reconhecer.
Assim que ele voltou a atenção para uma de suas filhas, à julgar pela idade deveria ser Sophie, eu me aproximei. A única pessoa que me viu chegar foi um garotinho de mais ou menos 11 anos com olhos castanhos e cabelos pretos, eu sorri e abanei a mão para ele.
–Pai – disse ele puxando a manga da blusa do Sr. Martin – quem é aquela?
Quando ele se virou eu já havia chegado perto, primeiro ele me olhou como se eu fosse uma estranha, então resolvi falar.
–Olá Sr. Martin.
Um brilho de reconhecimento passou pelos seus olhos,
–Catherine! Meu Deus, olhei para você duas vezes e nem te reconheci, como crecseu.
Ele disse enquanto se abaixava para beijar a parte de cima de minha mão.
Deve lembar de meus dois filhos mais velhos, Gabriel e Stan.
Sim, eu lembrava deles, porém lembrava como dois garotos de 12 e 10 anos, e não como os dois homens que estavam na minha frente. Stane havia perdido totalmente seu rosto redondo de menino e agora era tão alto quanto seu pai e pela sua aparência, devia passar seu tempo livre se divertindo com todas as garotas que encontrava. Gabriel estava um pouco maior do que Sr. Martin mais suas expressões se pareciam muito com as dele, tinha um rosto um pouco mais serio doque seu irmão e com certeza ele havai ganhado alguns músculos. Os doi s eram exatamnete o tipo de pessoa que Catherine costumava à evitar.
–Claro que lembro
Disse me curvando para eles, depois olhei para o resto da família. Eles eram, um garoto de maiso ou menos onze anos que pela idade só podeia ser Ben, tinha enormes olhos castanhos e cabelos castanhos até o pescoço. Tinham também duas meninas, a primeira aparentava ter sete anos, com cabelos ondulados e cor de mel um pouco a baixo dos ombros e olhos azuis, devia ser Sophie. A segunda, era uns 3 anos mais nova, e estava dormindo no colo de sua ama, eu só consegui ver seus cabelos castanhos e suas bochechas cheias.
Segurando a mão de Sophie estava a irmã de Elizabeth, a Sra. Charlotte, me espantei ao ver como elas eram diferentes uma da outra , Elizabeth tinha uma cascata de cabelous dourados que caiam até o meio de suas costas e olhos azuis elétricos, Charlotte tinha cabelos da cor do fogo que estavam prsos em um coque bem apertado e olhos verde muito vivos. Elas eram iguais apenas em sua estatura e semblante sério.
Depois de cumprimentar à todas as crianças, menos Susan que dormia, foi a vez de falar com a Sra. Charlotte.
–Então é você a garota das cartas.
Disse ela se curvando
–Sim sou eu, e a senhora deve ser a Sra. Charlotte...
–Depende doque Beijamin andou falando de mim sou.
Ela disse rindo, e eu me recordando de tudo que ele havia falado sobre ela nas cartas apenas respondi.
–Nada de ruim com certeza.
Ela olhando para as pessoas à nossa volta disse
–Porque não prcuramos algum lugar para pararmos?
Ao que respondi
–Eu tentei hoje mais cedo, porém a praça está cheia por causa do recrutamento.
–Talvez se tentarmos agora poderemos dar alguma sorte.
Disse Gabriel
–Por falar em sorte..
Sussurrou Stane no ouvido de seu irmão, taleves ele achasse que mais ninguém escutaria, e provavelmente não tinham, pois ninguém deu atenção quando ele saiu atráz de um grupo de meninas risonhas que acabara de passar por nós.
Gabriel escondeu uma risada e eu rolei os olhos e segui o resto da família pela praça.
–Não foi você que disse que não gostava de vestidos?
Perguntou o Sr. Martin se aproximando.
–Eu realmente odeio usar essas coisas, mais não podia vir de homem para o meio da cidade e eperar que ninguém percebesse.
–Verdade. É uma pena que não goste de usa-los, pois fica muito bonita com eles.
Com isso eu ri
–Eu te garanto que nenhum elogio jamais me fara gostar de usar esses instrumentos de tortura.
–Tudo bem você ganhou.- e depois de uma longa pausa ele disse- E como estão as coisas nesses últimos meses?
–Bem. Na verdade eu passei bastante tempo aqui por perto mesmo. E o senhor?
–As crianças, principalmente as meninas ainda sentem um pouco a falta de Elizabeth, mais Charlotte está me ajudando com isso...
Enquanto ele falava Gabriel veio até nós.
–Não achamos lugar nenhum, então Charlotte e as crinças foram dar uma volta e eu sugiro que nós peguemos logo a fila de alistamento.
Cortamos pelo meio da multidão e andamos até a mesa onde os soldados estavam sendo atendidos.
–Como vai se alistar?
Perguntou o Sr. Martin para mim.
–Simples, eu não vou.
–E como pretende entrar na reunião?
–Bem....
–Você vai se esconder em algum lugar não é?
Ele perguntou fingindo indignação.
–É o único jeito, eles vão achar que sou louca se tentar me alistar, e mais ainda se entrar na sala do conselho.
–Tudo bem então, acho que o conselho será naquele prédio ali – ele apontou para um edifício sustentado por colunas romanas – te encontramos na esquina assim que a reunião acabar.
–Vou estar esperando.
E disse assim que me virei para ir escutei Gabriel dizendo
–Ela já é louca...
Eu ri e continuei andando até o edifício. Não consegui encontrar um bom lugar para escutar a reunião logo de início, porém vi que por algum descuido alguém deixou a porta dos fundos aberta. A porta dava para um corredor com várias outras portas trancadas de cada lado, cada vez que chegava mais perto da curva do corredor mais nítido ficava que havia uma voz vindo de lá, testei todas as portas até descobrir que a última antes da curva estava destrancada. Ótimo! Pensei, assim poderia escutar tudo sem risco de em encontrarem, mais assim que entrei na sala descobri porque estava aberta.
A primeira coisa que senti foi o cheiro, como se tivessem deixado algo para apordecer lá por anos, e assim que havia entrado por inteiro na sala vi que o cheiro vinha realmente de um defunto, apodrecido e estatelado no chão com uma corda pendurada em seu pescoço. Devia ser algum homem que havia sido condenado a forca e jogado aqui para apodrecer, apenas não sabia porque o haviam colocado aqui ao em vez de joga-lo na água. Mais não tive tempo para pensar sobre isso, pois ouvi passos no corredor e entrei rápidamente na sala, fechando a porta atrás de mim.
As pessoas do outro lado da porta passaram pelo corredor cochichando baixinho, fazendo com que eu conseguisse entender apenas algumas palavras dispersas. Como Beijamin Martin, Coronel Harrys e cargo.
Me senti tentada à abrir a porta e ir atrás deles, mais meus pensamentos foram novamente interrompidos, dessa vez por várias marteladas na mesa. A reunião havia começado.
Me acomodei ao lado de meu amigo defunto, e ouvi a reunião.
Os homens reclamavam incansavelmente de alguns grupos de soldados que atuavam sem a permissão do governo e que saqueavam todas as vilas em que passavam, alguns dos jurados eram contra e outros à favor desses homens, dizendo que por não seguirem nenhum comando eram um bom elemento surpresa, mais outros descordavam plenamente, dizendo que eles eram ladrões e estrupadores que usavam a guerra como uma desculpa. Depois de muitas discussões e gritos vindos de todos, foi decidido que criariam um grupo parecido com esse, porém que seguisse algumas regras enviadas de tempos em tempos do modo mais discreto possível, para os ingleses nunca perceberem sua presença, também não precisariam usar uniformes pois assim se misturariam em qualquer cidade, e a única condição imposta era que cada homem tivesse suas armas. Depois de mais alguns acertos nas regras se iniciou outra discussão para decidir quem iria liderar essa milícia, como eles chamaram.
Ocorreu uma nova sessão de gritose brigas até que o som ensurdecedor do martelo volotou à ecoar. Todos os homens se calaram, todos menos o dono do martelo
–Proponho uma votação.
Todos os homens concordaram, então o homem do martelo começou a falar muitos nomes e a contar o número de pessoas que haviam levantado a mão. Minha mente começou àprocurar novas hipoteses do porque o homem morto ao meu lado acabara parando lá, quando escutei um nome muito familiar.
–Beijamin Martin.
Depois várias vozes contando ao mesmo tempo, até que
–Parabéns o senhro será o novo comandante, me encontre de volta as cinco para ser apresentado à seus soldados. Sessão encerrada.
Falou o homem com alívio. Minha ment ecomeçou a girar. Talvez eu tivesse uma chance, mínima mais era mais doque tivera nesses ultimos meses, de finalmente lutar nessa guerra. Sabia que a chance era real des de que o Sr. Martin pediu que eu viesse para New Liverpool, mais agora a chance era bem maior doque antes.
Olhei pela última vez para o defunto antes de abrir uma fresta da porta e constatar que não tinha ninguém passando, então sai para o corredor e pela porta dos fundos.
Andei até a esquina e esperei lá. Depois de pouco tempo vi Gabriel e o Sr. Martin vindo em minha direção, eles pareciam discutir sobre algo,e Gabriel estava muito chateado.
–Porque você pode ir e eu não?
–Por que você tem só 16 anos, e por que alguém tem que tomar conta das crianças.
Sabia perfeitamente bem que isso era mentira, ele apenas não queria deixar Gabriel ir pois tinha medo doque poderia acontecer com ele.
–Você tem tia Charlotte para fazer isso!
–Olha como fala, ela não é minha empregada.
–Não, mais ela bem que faria qualquer coisa que pedisse, e vice versa.
Meus olhos se arregalaram um pouco, não havia passado pela minha cabeça que eles se gostassem desse jeito.
–Ora Gabriel deixe disso!
Nessa hora eles estavam parando na minha frente, eu não querendo ouvir mais a briga falei
–Então Sr. Martin, ouvi que você comandará os homens dessa tal milícia..
Só então ele percebeu que eu estava lá.
–Catherine. Você conseguiu escutar a reunião, e – ele parou para cheirar o ar – esta fedendo à carne podre, porque?
Só então percebi que devia estar com um cheiro desagradável por causa do defunto na sala.
–Digamso que o meu companheiro de sala não ligava muito para sua higiene..
–Era um morto?
–Sim..
Ele fez uma cara estranha.
–Como um morto foi parar em uma das salas do tribunal?
–Não sei, ele tinha uma corda de forca em volta de seu pescoço, e parecia estar lá a bastante tempo já..
–Bem, não vamos entrar e detalhes. Tenho que estar de volta aqui as cinco, nós podemos almoçar e dar uma volta ou podemos ir para casa e voltar.
–Acho melhor ficarmos aqui.
Disse Gabriel numa voz arrastada.
–Tudo bem então, Catherine, eu e Gabriel vamos procurar Charlotte e as crinças, porque não procura um lugar para comermos.
–Tudo bem, nos encontramos aonde?
– Daqui à meia hora nesse mesmo lugar.
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