Get Away With Murder
21 "Obrigada."
Notas iniciais
Fazer biscoitos havia se tornado um hobby para Asgore desde que ambos, ele e sua esposa antes de Toriel, faziam para o pequeno Asriel levar para a escola. Com a morte de sua esposa, Asgore rapidamente achou uma substituta a nível, seu nome era Toriel e junto dela veio o rapaz Flowey, ao qual tinha resolvido adotar para melhorar a sua imagem de um homem bondoso e sensato.
Toriel se acostumou rápido a rotina, mantendo um sorriso nos lábios, ela conquistou a Asriel e a Flowey não com biscoitos mas sim com suas tortas de caramelo e canela. Podia-se perceber isso quando Asriel comia e um sorriso sempre botava de seus lábios e quando Flowey comia justificando não querer por odiar tortas, todavia achava delicioso e elogiava especialmente a Toriel.
Mas então veio Chara, e ela obviamente também respondia positivamente a Toriel querendo sempre aprender a fazer as deliciosas tortas.
Só que nesse momento, Asgore estava fazendo biscoitos e algumas tortas, contanto não seriam como as de Toriel, não haveria respostas positivas de Asriel, Flowey e de Chara e muito menos seriam deliciosos. Estava odiando aquilo, mas tudo o que ele cozinhava era veneno, um veneno para dormir. Sim, a metanina era seu ingrediente secreto.
Com a música do pequeno rádio tocando música clássica, “Danse Macabre” de Camille Saint-Saens, a leve remexida em seu corpo que poderia ser considerada uma dança era algum meio de seus pensamentos perturbadores pararem de invadir a sua mente. Toriel morta por suas mãos, pessoas presas em sua casa, Chara e Asriel longe deles, Flowey desaparecido mas que tinha deixado contato. Tudo pareceu ir contra ele.
Foi então que de repente ele olhou para o resto de massa de biscoito que estava em suas mãos e viu lágrimas caírem na massa.
Deveria manter a postura. Mesmo que ele tenha perdido tudo, deveria agir como um Dreemurr até o fim e recordava-se de sua infância de nunca ver seu pai, ou seu avô chorando ou se arrependendo de algo que tinham feito. Cabeça erguida, olhos centrados para a forma untada e colocando pequenos biscoitos em formato de flores, coração e redondo.
— É engraçado como a morte pode ter vários formatos não é Asgore? Especialmente no formato de biscoito. — Undyne perguntou rindo para o loiro, estava com os pés cheios de correntes pesadas e as mãos também, usando a mesma roupa daquela noite, ela viu Asgore oferecer a ela um copo de leite.
Era esperado como resposta que a ruiva empurrou a mão dele e tudo o que eles ficaram vendo foi o copo quebrado e o leite misturado com toda a sujeira do quarto.
As vezes se perguntava se aquela era a Undyne que um dia conheceu.
— ME TIRA DESSE QUARTO MALDITO! EU QUERO VER MINHA ESPOSA! — A ruiva exigia assim como todos sempre exigiam dele. Uma hora era Mettaton exigindo que queria ver Papyrus e sair da casa, outra hora era Alphys, que mesmo com medo, dava para ver em seu olhar a suplica de querer sair do local e a preocupação com todos e então tinha Papyrus, ele estava também preocupado mas especialmente com Sans.
— Por que está fazendo isso Senhor Dreemurr? — Papyrus perguntou vendo Asgore deixando os biscoitos no local, o grisalho olhou curioso.
— Não posso deixar vocês me denunciarem.
— Eu, o grande Papyrus quando vi que estava preso em um quarto grandioso estava preparado para que fosse torturado por você! Mas NYEH! Não tem acontecido nada! Por que Senhor Dreemurr?
— Eu… Mesmo que eu queira fazer algo, eu sinto que vocês todos não mereciam estar aqui. Eu sou uma vergonha para minha família, minhas gerações... — Asgore falou vendo Papyrus com o olhar curioso.
— Senhor Asgore, ainda da tempo de interromper isso tudo. — Alphys falou sentada na cama e olhando o loiro, viu o olhar dele se direcionar a garota que tinha emagrecido bastante por esse tempo no quarto.
— Acredito que se todos nós nos sentarmos podemos conversar e resolver isso sem sequestros e o Senhor poderá manter a sua dignidade de um Dreemurr. Acredito que todos os seus parentes pensariam assim então... Por favor, eu só quero ficar com minha esposa e meus amigos.
— Senhor Dreemurr eu sempre vi você como um anjo cheio de glamour e maravilhoso.
— O-Obrigada pelo elogio Mettaton. — Asgore falou rindo e viu o jovem olhar serio a ele.
— E… bem, você podia ter me deixado morrer com o machucado que Chara fez em mim e já seria uma tortura de cativeiro, mas não… Você me curou. Por isso ainda acredito que esse anjo que eu vi quando estava louco existe ai dentro.
— EU ACREDITEI EM VOCÊ! VOCÊ ERA A MINHA MAIOR INSPIRAÇÃO ASGORE! — Undyne gritava chorando enquanto ia para cima do loiro o puxando pela gola da blusa dele.
— O QUE EU TENHO VONTADE É DE TE MATAR. FAZER VOCÊ ENGOLIR ESSES MALDITOS BISCOITOS E… E… — Undyne foi soltando o loiro aos poucos e abaixando a cabeça, odiava aquele sentimento de perdão que estava nela. Ou talvez fosse pena? Não sabia e saiu apressada de perto dele.
— EU ODEIO ISSO ASGORE. POR QUE?
Isso mesmo… Por que? Asgore se perguntava, se lembrou que no calor do momento acabou concordando com tudo que Chara tinha falado para ele fazer por ter sempre essa personalidade de aceitar tudo no desespero e sem pensar.
Não tinha sido assim também com as crianças do Orfanato Winter? Sim, era muita pressão e desespero e uma voz do mal foi em seu ouvido sussurar: “Se livra delas”. Até a pequena, ao qual tinha nenhum mal e sempre o tratara bem, não fugiu de sua crueldade.
Odiava ser inconsequente, por conta disso perdeu a sua amada Toriel e aquelas crianças que eram inocentes e pagavam por seus erros.
— A-ALPHYS…
— UNDYNE! — A loira gritou com os olhos marejados vendo a ruiva começar a chorar e gritar correndo para abraça-la, não paravam de tocar em seus próprios rostos pensando se aquilo era realidade ou se era mais um sonho, os beijos trocados por ambas mostravam o contrário. Mettaton que parecia confuso estava do lado de Asgore e com as mãos entrelaçadas as de Papyrus.
— Vocês acham… Acham que eu posso fazer certo dessa vez? Pelo menos dessa vez não ser inconsequente e medroso e arcar com minhas responsabilidades? — Asgore perguntou vendo Papyrus e Mettaton se olharem e sorrirem para Asgore.
— Não importa o que aconteça a você Senhor Dreemurr.
— Nós estaremos ao seu lado.
— Mesmo que seja um grandalhão medroso! Eu te perdoo! — Undyne gritou correndo e pulando em Asgore quase o derrubando, todos riram vendo aquela cena e Asgore começou a chorar.
— Acho… que tenho que falar com uma pessoa, Flowey também pode me ajudar.
Capítulo Final ~ Em outro lugar...
Frisk acordou daquele sonho tendo a vista embaçada, acabou olhando em uma direção qualquer vendo uma pessoa a encarando atentamente de longe, usava um suéter verde com amarelo e estava perto da saída, os cabelos castanhos lisos e curtos com uma faca na mão não fizeram a garota tomar um grande susto como talvez imaginasse, do contrário um sentimento de saudades lhe invadiu; De repente ela sentiu alguém começar a puxar uma das mexas de seu cabelo castanho médio, olhou surpresa vendo uma pequena criança que estava nas suas pernas e parecia agitada.
— O que foi garotinho da mamãe? — Frisk perguntou pegando a pequena criança no colo e se levantando mexendo com ela, observou novamente para a porta e viu que havia ninguém. Miragem talvez? Ignorou isso e voltou a olhar a pequena criança.
Cabelos castanhos como o seu, a pele clara como a de Sans e os olhos azuis com uma expressão doce. Podia se de dizer que o pequeno Narrow era um garotinho filho dos dois com certeza. Vendo o garotinho puxando um cordão com formato de coração vermelho sendo tocado pelas pequenas mãoszinhas curiosas, sorriu triste.
— Quer saber do papai né? Ele está trabalhando sabe… Só vem de noite.
— Minha jovem nora. — Gaster falava entrando no local e vendo o olhar surpreso da morena, o homem ainda estava com o jaleco e usando por baixo um terno preto, e em seu rosto uma expressão alegre por ver a garota.
— Não está na hora ainda?
— De ir para a faculdade? Hoje não tenho aula, mas vou dar uma passada em alguns locais. Você pode ficar com o pequeno Narrow hoje no seu dia de folga junto com Sans?
— Não tem coisa melhor do que ficar com meus netinhos Wing Dings ~. — Gaster falou sorrindo e olhando a criança no colo que primeiramente olhou curioso e logo depois começou a gargalhar com as palhaçadas do avô e em seguida olhou a barriga de Frisk e ela sentiu as bochechas esquentarem e ficarem avermelhadas.
— S-Senhor Gaster!
— O que foi? Eu sei que já está novamente com sintomas de gravidez, sou médico e Sans deve ter percebido.
— Ainda não, ele não me viu passando mal… E bem, eu vou falar ainda. – Os dois foram andando juntos fora da enorme casa de madeira quente e aconchegante da família, mas fazia tempo que Papyrus não estava nela, somente Frisk, Sans e o pequeno Narrow, futuramente mais uma criança e algumas vezes o Gaster ia visitar, a garota antes de entrar no carro de Gaster olhou mais uma vez a casa.
— Frisk? — Gaster chamou e a garota despertou vendo a porta do carro aberta, imediatamente começou a colocar o pequeno Narrow na cadeirinha de bebê e o homem mais velho ficou olhando estranho ela, olhou em direção a casa e pareceu ter nada ali, Somente a cinco anos atrás que tinha acontecido a muitas coisas...
— Aqui é… O Sanatório Underground? Parece com o Orfanato Winter. — Frisk perguntou ao Asriel que respondeu atencioso a ela, o grisalho podia dizer pelo olhar dela, super parecia encantada com a beleza e a preservação do local, especialmente quando atravessaram os portões de ferro e pararam em frente a porta enorme do local.
O grisalho de olhos esmeraldas olhou para o local e tudo o que lhe vinha eram lembranças em sua mente dos momentos passados com todos lá, a maioria sua mãe sempre estava ao seu lado, lembrar-se disso o fazia ter uma vontade enorme de chorar.
— Vamos todos juntos. — Disse o homem com expressão séria tirando do porta mala interno do carro um enorme machado que assustou a todos que estavam ali.
— Hey amigo você guardava isso para que?
— Caso de engraçadinhos que fazem piadas ruins virem aqui no carro. — O homem falou vendo Sans engolir seco, saindo primeiro do carro e logo depois Sans que andou até a porta que Frisk abriu para sair e ele estendeu a mão para ela segurar.
— Ele parece estar nervoso pra cachOSSO. — Sans falou vendo Asriel rir de longe e Frisk olhou um pouco braba. Asriel imaginava como aquele casal era engraçado, de algum modo Frisk lhe lembrava na aparência a Chara, entretanto em personalidade ela se parecia um pouco com sua falecida mãe adotiva Toriel, especialmente dela ser carinhosa e atenciosa como foi com ele.
— Está trancado Senhor Doggo? — Asriel perguntou vendo que ele estava preparado para bater com o machado na porta, levantando alto o objeto, Asriel pode ver que aquilo parecia ter sua altura, todavia eles se assustaram quando ouviram o barulho da porta destrancando sozinha.
*click*
— Parece que as lendas eram verdadeiras, o Sanatório tem os fantasmas das amálgamas. — Sans brincou ouvindo o susto de Asriel e uma risadinha do Sr. Doggo que rapidamente ficou sério e o facepalm de Frisk.
— Mas… Vamos entrar mesmo? Se ela se abriu sozinha assim de repente quer dizer que pode ter alguém controlando tudo.
— Tem razão Sans… Parece perigoso entrar por aqui, Você ou Asriel sabem de alguma outra entrada? — Doggo perguntou vendo o olhar curioso de Sans e Frisk ficou olhando atentamente pelo vidro da porta, enquanto eles conversavam ela via como a estrutura era semelhante ao do Orfanato.
— Eu conheço a entrada dos fundos, só que teríamos de quebrar a porta e isso chamaria a atenção de quem está ai dentro. — Asriel comentou e Sans concordou, tinha conhecimento dessa porta.
— … Não tem nenhuma entrada secreta? — Frisk perguntou vendo o olhar curioso dos três homens e Asriel olhou surpreso.
— Sim! CLARO QUE TEM! Chara usava essa entrada secreta para sair escondida do sanatório e se encontrar comigo. Mas não tenho ideia de onde é…
— No antigo Orfanato Winter tinha uma porta perto das escadas, e lá tinha um túnel que ia para fora e ia em direção a umas árvores.
— Não temos tempo para suposições, vamos pelo fundo e ponto final. — Sr. Doggo falou saindo andando dali, e como parecia que aquele tinha sido realmente o ponto final os três foram andaram em direção a porta dos fundos. Frisk andava segurando a mão de Sans e apertando.
— Você acha que… Quem está aqui é quem?
— Eu sinto que é Asgore. Mesmo que Flowey tenha dito que ele está em outra casa eu sinto que ele pode estar aqui, junto com meu irmão.
— … Tenho medo de ver minha irmã. Talvez ela me odeie até hoje. — Asriel que estava ouvindo a conversa concordou internamente, Chara apesar de sempre tentar ser a Frisk imitando o comportamento dela e justificando sendo dupla personalidade, sempre teve raiva. No geral, ódio pela Frisk. Pode ter vindo do passado das duas, algo que nem Chara e nem Frisk fizeram o favor de contar, talvez nem Sans soubesse. Mas de repente uma conversa que ele ouviu de Chara com Flowey veio em sua mente.
“— Por que o odeia tanto Chara? – Flowey perguntava olhando a garota de cabelos castanhos olhando o loiro, ela estava com um vestido verde simples e bebendo chá enquanto que Flowey estava com uma blusa social branca e a calça preta com o colã preto.
— Eu o odeio pelo que ele fez a Frisk e a todas as crianças do Orfanato, mas você... Você não entenderia se eu contasse o meu ultimo motivo.
— Tem haver... Com o passado?
— ... Mais ou menos, é difícil demais de explicar Flowey. Você já acordou um dia sentindo que todo o seu objetivo de vida é ser a vilã e alguém te impôs isso? Fazer o papel de vilã para que outra pessoa fosse a boazinha e ela tivesse um final feliz?”.
Chegando à porta dos fundos, com as fortes batidas vinda do machado de Doggo, os quatro entraram no local e quem mais parecia se surpreender com a estrutura do local era Frisk, que observava como o local estava preservado e o clima estranho que tinha nele, com o vazio e apenas com a canção do silêncio tudo parecia favorável para que Sans encontrasse alguma prova e então fosse finalmente livre.
— Sans me mostre onde foi a última vez que você atendeu Chara.
— Foi na sala de Psicologia.
— Vocês esperem aqui. — Doggo falou e Sans saiu andando do lado dele, mas antes Frisk percebeu o olhar atencioso dele e a mesma fez apenas um movimento com as mãos de que estava tudo bem e que não havia com o que ele se preocupar, Asriel percebendo a atenção dele imaginou se com Toriel Sans também era atencioso.
— … Você e ele se conhecem a bastante tempo?
— Eu sinto como se fossemos amigos de anos, mas acho que nós nos conhecemos a um ou dois meses… perdi as contas. — Frisk falou cruzando os braços e olhando Asriel, o grisalho pode perceber que ela também observava curiosa.
— E você com minha irmã… Ela…
— Ela?
— Ela era boa? — Perguntou por fim e Asriel soltou uma risada leve aparentando nostalgia em seu rosto.
— Ela era meio violenta, boca suja, esperta e nada delicada. Era totalmente diferente de quando ela assumia a personalidade Frisk que era educada, delicada, burrinha e fina. Mas gostava muito mais da personalidade Chara, ou ela mesma. — Asriel falou e continuou.
— E ainda nós nos conhecemos quando ela acabou mostrando sem querer a verdadeira Chara, foi até engraçado porque eu não estava entendendo uma explicação dela e como esperado por parte dela xingou um “Caralho filho da mãe, presta atenção nessa porra.” e eu percebi que aquela era uma personalidade diferente de Frisk.
— … Você se apaixonou por ela xingando e pensando que era um alter ego?
— A-Acho que s-sim… Ou não, espera... Será que foi assim mesmo? — Asriel falou sem graça e Frisk começou a rir baixo se segurando para não gargalhar.
— I-Isso soa meio absurdo Asriel Dreemurr… Mas, ainda assim… — Frisk se recuperou e segurou na mão do rapaz o olhando com um sorriso nos lábios.
— Fico feliz que uma pessoa como você tenha sido o amor de Chara, assim como Chara foi o seu. Eu cheguei a pensar em uma época que o amor nunca existiu, mas quem me devolveu foi Sans.
— Mas… Ela me enganou tanto Frisk.
— … Eu sei que ela enganou e talvez fez muitas coisas contra você, mas você não acha que o amor não é feito de perdão?
— … Me pergunto as vezes se minha mãe perdoou meu pai, por que eu…
— Eu nunca o perdoei. — Os dois se surpreenderam quando ouviram uma voz familiar para Asriel e uma voz diferente para Frisk, ela então se surpreendeu ao ver uma jovem usando a calça jeans nova com uma blusa branca por dentro e o casaco verde que estava aberto, ela olhou surpresa para a moça a sua frente.
— Chara?
— Frisk se afasta dele!
— Não, chega de eu tentar acreditar em você! Tudo o que você fala são mentiras e mais mentiras! Duvido que um dia me amasse!
— O QUE VOCÊ FEZ COM ELE FRISK?
— Ela não fez nada! Não pense que minhas opiniões são apenas criadas a partir das dos outros! — Asriel gritou do lado de Frisk e a garota mordeu os lábios inferiores aparentando o nervosismo, Frisk observava a cena confusa e com os olhos marejados.
— PARA DE OLHAR ASSIM!
— Chara por favor, ainda podemos mudar essa realidade… — Frisk falou estendendo a mão para Chara segurar, com um olhar e sorriso doce nos lábios ver aquelas expressões davam na garota ânsia de vômito, nojo e tudo de ruim vinha a sua cabeça, todavia vinha também o sentimento de amor familiar, algo que não se lembrava de ter e seus sentimentos se misturaram mais ainda.
— Nós somos irmãs e…
— NÃO SOMOS! NUNCA FOMOS, EU TE ODEIO COM TODAS AS MINHAS FORÇAS FRISK! ME DEIXA EU TE ODIAR POR FAVOR! — Chara gritou pegando a arma e mirando em direção a Frisk pronta para atirar na direção dela.
Tudo o que ela ouviu o barulho do tiro sentiu seu corpo ser jogado contra a parede e o grisalho entrar na sua frente, com a arma o atingindo no ombro Asriel caiu no chão e Frisk também. Chara e Frisk olharam surpresas para o sangue no chão se espalhando como se fosse uma doença, o olhar das duas mudaram desesperadamente com um olhar horrorizado vindo por parte de Chara e olhar assustado vindo da parte de Frisk.
— Meu Asriel…
— Asriel… Ai meu Deus…
— EU VOU TE MATAR FRISK! VOCÊ E ESSA SUA MALDITA SORTE. — Chara falou pegando uma faca da cintura e correndo para cima da morena com o intuito de acertar-la, Frisk ficou paralisada vendo aquelas cenas não sabendo absorver direito as informações, não sabia se chorava ou se gritava pedindo ajuda, de algum modo sentia que talvez ninguém aparece.
Frisk viu Chara de repente parar, ficou encarando a garota com a mesma aparência que a sua, mas com ambos os olhares diferentes. Em ambos os olhares dava para ser estampado a confusão. A faca de combate tremia nas mãos de Chara enquanto ela tentava comandar seu corpo a golpear sua irmã, e tudo o que seu corpo fez foi tremer e ela começar a chorar.
— Chara... Eu estou confusa...
— Eu também... Irmãzinha...
Frisk então foi puxada por Sans para atrás e Chara foi mobilizada sendo puxada pelos braços por Papyrus e Doggo, a faca caiu próximo do corpo de Asriel e Frisk, Os dois jogaram a garota contra o chão e ela soltou um grito sentindo o impacto no rosto e Frisk ia pedir para eles pararem.
— Não façam isso a ela!
— Frisk fica longe dela! – Sans falou a apertando mais no abraço e a puxando para longe, Chara gritava tentando se mover sentindo o peso dos dois homens contra si.
— CHARA JÁ CHEGA! — Asgore gritou entrando no local e vinham atrás Mettaton, Undyne e Alphys, os três pareciam preocupados com a situação mantendo olhares confusos e assustados, o loiro de repente olhou chocado o seu filho no chão, todavia do que Chara pensou que viria um olhar de ódio do loiro em sua direção veio um olhar de compaixão.
— Asgore onde você estava esse tempo todo? — Sans perguntou em um tom raivoso e Papyrus foi falando.
— NÃO SE PREOCUPE SANS, O GRANDE PAPYRUS E TODOS ESTAVAM BEM. COMEMOS BASTANTE BISCOITO COM SORVETE BOLO E CHÁ, E CLARO EU FIZ BASTANTE ESPAGUETE NYEH HEHE!
— Todos nós ficamos com dor de barriga por causa do Papyrus. — Undyne complementou e o mesmo resmungou um NYEH.
— Mas também passamos mal com seu espaguete darling peixe.
— PASSARAM NADA! ALPHYS NÃO RECLAMOU NÃO É… — Undyne percebendo o clima do local, parou imediatamente e Alphys continuou.
— Re-Resumidamente passamos férias na casa de campo do Asgore, apesar dele ter colocado metanina na nossa comida. Mas conversamos bastante e Asgore se arrependeu e ele tem algumas palavras a dizer. — Alphys complementou com um sorriso olhando Asgore e ele concordou olhando então para Chara.
— Chara, sei que todos cometemos erros e eu tomei a consciência de que devo fazer o certo. Tudo o que fiz até agora, todas as escolhas que fiz… Tudo pensando que seria o melhor para mim, passando por cima dos outros eram falsas esperanças que criei. Com você deve estar acontecendo o mesmo. — Todos olharam em direção ao loiro e ele bufou continuando.
— Eu espero que um dia vocês todos possam me perdoar, especialmente Toriel, Asriel, Sans e… e Frisk… Frisk. Minha criança, eu espero que um dia você possa me perdoar de tudo o que eu fiz.
— Eu já te perdoei a muito tempo papai. — Frisk respondeu sorrindo enquanto ela olhava docemente para Asgore, as roupas laranja com os cabelos mal penteados e barba mal feita agora eram normal a aparência dele, aquele homem que um dia tinha vivido tudo ao luxo agora estava vivendo daquele jeito. Ao seu lado estava Flowey, que olhava Asgore feio.
— Eu sei que você tem um coração grande Frisk, mas ainda sinto que preciso pedir perdão. Pedir a você e ao Flowey.
— Você já pode ter uma diminuição da sua pena Asgore, Acho que Frisk ficaria feliz se você saísse logo.
— Sim, mas… sinto que devo pagar por todos os meus pecados. Por isso ainda não quero sair.
— Mas pelo menos você não está apanhando mais.
— Sim! Estou até contribuindo com a horta de flores amarelas da prisão! — Asgore falou com um sorriso bobo nos lábios e Flowey bufou rindo da cara de Asgore e Frisk sorriu abraçando Asgore.
— Eu… eu estou grávida novamente do Sans, e se ele for um menino pensei em chama-lo de Asriel. — Frisk falou vendo a surpresa dos dois homens para a garota.
— Por que não chama de Flowey?
— Soaria horroroso e não queria um filho advogado sabe.
— Sim, tem que ser brilhante como o meu filho foi um dia. Queria ter dito essas coisas para ele... – Frisk olhou surpresa para atrás de Asgore vendo um rapaz de cabelos grisalhos e usando um moletom verde e que sorria vendo eles ali, novamente ao invés de sentir medo Frisk sentiu seu coração relaxar e a sensação de paz veio em seu peito, junto com a determinação.
Asgore olhou assustado para frente sentindo algo gelado em seu pescoço, Sans se surpreendeu quando viu que Asriel tinha conseguido tão rapidamente o controle da situação segurando uma faca, pronto para cortar o pescoço de Asgore e mata-lo na certa, Chara olhou surpresa vendo o olhar dele de carinho para a garota.
— Asriel… — Chara chamou baixo o vendo voltando a ter uma expressão fria e Frisk ficou olhando assustada.
— Eu jamais o perdoaria Asgore Dreemurr! Porque eu,Asriel Dreemurr, tenho vergonha e nojo de ter o mesmo sangue e sobrenome que o seu.
— M-Mas…
— Asriel por favor!
— Soltem Chara agora! E então não matarei Asgore Dreemurr! — Doggo ficou observando o olhar frio do garoto e se irritou.
— Você está me traindo agora rapaz?
— Desculpa senhor Dogamy Doggo. — Asriel falou quando ouviu o grito de Undyne indo para cima dele, rapidamente Asriel jogou Asgore para cima dela e ele saiu correndo empurrando Doggo e Papyrus. Dogamy pegou a arma na sua cintura e se preparou para mirar e atirar. Frisk olhou surpresa e algo em seu peito a fez entrar em desespero indo para cima do Doggo e o empurrando para ele errar o tiro.
— Não! — E quando eles viram Papyrus estava no chão e Asriel corria com Chara em direção ao terraço subindo as escadas.
— O QUE FEZ?
— Eles… ele… eu vou…
— Não Frisk! — Sans falou segurando a mão dela e a garota saiu correndo atrás deles, todos ouviram de repente as sirenes da polícia e Doggo relaxou.
— Agora não acontecerá mais nada… mantenham a calma senhores.
— FRISK! — Sans ia sair correndo, mas foi segurado pelo Papyrus pela perna e ele ficou olhando.
— Irmão.
— Paps! Me deixa ir atrás de Frisk!
No terraço, abrindo rapidamente a porta Asriel ficou respirando descompassadamente e demonstrando o nervosismo enquanto que Chara o olhava com os olhos marejados. Rapidamente o abraçou escondendo o rosto no peitoral dele.
— Aqui estaremos em silêncio… somente nós Chara.
— Você… você se lembrou de tudo não é?
— Sim… E acho que Frisk também. — Asriel falou beijando a testa de Chara e a puxando para mais perto da borda, onde eles viram a vista de toda a Snowdin.
— … Pensei que não me perdoaria, afinal eu que dei o chá de flor amarela silvestre para sua mãe, ela em excesso pode ser um veneno mortal... E ainda culpei a seu pai.
— Sim… Assim como eu te estuprei só para que a Frisk me odiasse, mas no fim das contas nos tornamos amigos de novo.
— E eu a odiei para… para ela me odiar, eu fiz toda essa maldade para ela e ela continua me amando. Eu a odeio por me amar tanto.
— Você é irresistível Chara, não há como negar. — A garota riu com a afirmação do rapaz, com um sorriso doce nos lábios ela pegou a mão dele o fazendo segurar em sua barriga.
— Acho que seríamos uma família feliz novamente não? — Chara perguntou e Asriel sentiu seus olhos marejarem e ele começar a chorar.
— Desculpa pequena Toriel, nesse Universo você não vai poder nascer e…
— NÃO! — Frisk gritou subindo correndo e olhando os dois surpresos.
— Não façam isso! Por favor! Chara, Asriel, eu…
— Para de ser fresca! Nós não fizemos essa merda toda para você ficar de cu doce!
— Tão Chara… — Asriel deu de ombro e continuou.
— Por que estão fazendo isso? Vocês podem ser felizes e… — Frisk perguntou vendo os dois sorrirem e ficarem mais próximos da borda, com as mãos entrelaçadas e com sorriso nos lábios os dois olharam então para a morena.
— Você… fez tanto pela gente Frisk, só queríamos um final feliz para todos e acredito que o nosso esteja longe daqui.
— Bem longe na verdade.
— Mas… Mas eu quero ter vocês dois ao meu lado, vocês são… foram meus melhores amigos. — Frisk falou andando até eles e vendo eles se afastando cada vez mais, como se estivessem se preparando para pular.
— Não seremos felizes aqui, temos um lugar próprio para nossa felicidade irmãzinha.
— Sim… — Asriel falou beijando a mão de Chara e os dois se viraram.
— Cuide do que a gente te deu… é o nosso último pedido.
— Adeus. — Os dois por fim se jogaram do prédio, Frisk correu tentando alcança-los a tempo, mas tudo o que viu foram dois corpos esparramados no chão e sangue se espalhando junto com a neve. Começou a gritar batendo no chão do terraço enquanto chorava.
“Como pude ser tão idiota?” Frisk pensava repetidas vezes a mesma frase enquanto se levantava e se preparava para se jogar do mesmo jeito que Asriel e Chara, talvez se fizesse aquilo poderia consertar tudo. Sim, consertar tudo de novo para que dessa vez esses dois sejam felizes, todavia, sim… Era só ela fazer aquilo mais uma vez, as outras duzentas vezes a fizeram ensinar o que deveria fazer de certo dessa vez e para eles também.
Estariam eles cansados daquilo? Por isso terminaram assim? Pensamentos não paravam de circular a mente de Frisk enquanto ela olhava para baixo e via o tumulto dos policiais vendo os dois mortos ali no chão, alguns homens pediam para ela se afastar da borda, mas tudo o que ela começou a ver foi borrão e ouvir: “SE JOGA! SE JOGA! VAMOS COMEÇAR ESSA BRINCADEIRA DE NOVO FRISK! FAÇA CERTO DESSA VEZ!”.
E então ela sentiu seu corpo ir para frente, só que antes dela sentir o chão e então a morte, ela sentiu mãos quentes e o abraço de uma pessoa reconhecível pelo seu cheiro de chá de flores.
— Não faça isso Frisk. Eles querem que você fique nessa rota. – Frisk olhou para cima vendo o loiro de olhos verdes, Flowey.
— Chega de resets... Chega de lembrar-se disso e respeite a decisão de Chara e Asriel, eles estão cansados assim como você. – Frisk bufou com a resposta de Flowey e concordou, mas começou a chorar mais ainda escondendo o rosto no peitoral dele.
Ele era outro que se lembrou do que aconteceu.
Somente ela, Flowey, Chara e Asriel tinham noção do que eles estavam falando.
— Por que… Por que gente? — Frisk perguntou em lágrimas enquanto olhava três túmulos, um estava a Toriel, outro estava Asriel e o outro estava a de Chara. Tinha deixado flores amarelas para os três, sabia que eles tinham uma grande conexão com essas flores.
— … É difícil me acostumar com essa rota que vocês escolheram para mim. — Frisk falou se sentando na grama verde e olhando aqueles três.
— Bem, todo mundo parece estar feliz para a alegria de vocês. O Asgore está na prisão pagando pela morte de Toriel e todos as vendas ilegais e agora eu vivo o chamando de papai… Não é como se ele não gostasse daquilo sabe, E bem… Alphys e Undyne estão querendo adotar uma menininha e elas querem que eu seja a madrinha. — Frisk falou rindo e então continuou.
— O Papyrus e Mettaton estão totalmente na ativa, Mettaton é sempre o show principal do restaurante de espaguete do Papyrus e faz muito sucesso em Snowdin. Flowey apesar de ter desaparecido ele voltou de repente quando soube que eu estava bem… E ele usou todo o dinheiro dos meus trabalhos para pagar oficialmente aos homens que disseram que eu deveria trabalhar por tantos anos. Ainda bem que deu pra juntar tudo. — Frisk falou sorrindo e ela então tirou da bolsa um diploma.
— Eu ia mostrar isso para vocês… tcharam! Me formei em enfermagem e agora vou fazer Doutorado! Não é demais? Queria que vocês três tivessem ido na formatura, foi demais. As luzes, as comidas… Eu sentia como se estivesse vendo aquilo tudo pela primeira vez e fazia bastante tempo mesmo que eu não via algo parecido. Todo mundo foi: o Mettaton, Papyrus, Alphys, Undyne, Gaster, Asgore e Sans… Ah e não posso esquecer do Narrow, ele já estava lá na minha barriga. Se bem que isso vocês já sabem né? — Frisk perguntou rindo e suspirou.
— E antes que perguntem… Sim eu… E não venham reclamar, eu gosto da sensação de carregar uma criança e Sans diz que eu fico mais bonita quando estou, vocês sabem! então… Ah! Vocês já sabem!
— O que eles já sabem? — Sans perguntou vendo Frisk tomar um susto o olhando, ele estava ainda com o jaleco e carregava o Narrow que estavam dormindo.
— Pensou mesmo que ia fugir de mim no meu dia de folga Frisk?
— F-Fugir? Ninguém falou de fugir! — Frisk falou se levantando e ela se surpreendeu quando ele deu um selinho nela.
— HEY DARLING SOUBE QUE VOCÊ IA CONTAR UMA NOTÍCIA ÓTIMA PARA TODO MUNDO ~ — Mettaton falou chegando gritando do lado do Papyrus.
— NYEH NÃO IA CONTAR PARA GENTE?!
— F-Frisk v-você s-sabe que meu e-espírito fangirl não resiste de tirar fotos d-desses momentos! — Alphys falava tirando fotos e Undyne apareceu empolgada dando pulinhos.
— TENHA CORAGEM FRISK!
— Gaster! — Frisk reclamou vendo o mesmo de longe com um sorrisinho bobo nos lábios.
— Fico tão feliz por você minha queridinha!
— Muffet?
— Pensou mesmo que não viriamos te ver Little One? — Grillby perguntou segurando no ombro dela junto com Muffet e ela riu.
— EU TROUXE O NAPSTA TAMBÉM DARLING MAS ELE SUMIU!
— E-Eu estou aqui tocando uma música de fundo. — Napsta falou com sua cabine de DJ e todo mundo estava surpreso vendo ele tocando uma música lenta, e entregou um microfone para Frisk.
— T-Tenho que falar no microfone?!
— É para todos ouvirem Frisk. — Sans falou vendo a multidão de pessoas chegando e ela ficou olhando surpresa.
— Não acredito que vocês fizeram isso tudo mesmo. — Flowey resmungou de longe recebendo um olhar mortal de todos. Mas foi então que Frisk suspirou e sorriu vendo aquela cena. Sim, aquele era o mundo que Asriel e Chara tinham criado para Frisk.
— Eu nunca mais conto nada para o Senhor Gaster. — Frisk falou vendo todo mundo rindo e ele dando de ombros.
— Bem… O que eu tenho a dizer é uma coisa simples, bem… nem tão simples, mas também nem tão… Ah, que mania que eu tenho de enrolar! Bem, acho melhor eu ser direta. — Frisk respirou fundo e olhou para Sans.
— Sans… você vai… — Antes que Frisk pudesse falar ela sentiu Papyrus segurar o microfone e sair falando.
— A FRISK ESTÁ GRÁVIDA DE NOVO SANS! Mas finge que falei nada não, foi só para ajudar ela! Faça assim okay!? — Papyrus falou entregando o microfone e Sans já estava olhando bobo para a barriga dela.
— E-Er… “A Frisk está grávida de novo Sans” você vai ser papai! — A garota falou vendo todo mundo gritando e pulando, então Sans ficou vendo Narrow acordar e bater palminhas vendo a multidão. Sans riu e entregou a criança para Frisk e pegou o microfone.
— Também tenho algo a anunciar para todos que estão aqui… Bom, tinha muita gente me cobrando até os ossos, como se eu fosse endividado. Eu sempre boto tudo na conta.
— Tem que pagar logo a conta Sans!
— Shiu Grillby. Então… Frisk, toc toc. — Sans falou entregando o microfone para ela a vendo olhando confusa.
— Quem é?
— Marry.
— Marry quem?
— Do you wanna marry me? — Sans perguntou se ajoelhando e mostrando o anel para a garota, ela olhou surpresa arregalando os olhos e o pequeno vendo a surpresa da mãe começou a gritar e Frisk pegou o microfone.
— Narrow falou sim, assim como eu Sans. — Frisk falou rindo e sentindo Sans abraçar ela e os dois se beijarem enquanto choravam e todos batiam palmas. A garota viu Sans colocar a aliança no dedo dela e ele beijar Narrow que estava no colo dela, e então beija-la novamente enquanto eles choravam de emoção.
— NYEEEEEEH! EU VOU SER CUNHADO!

Sans começou a puxa-la para eles falarem com as pessoas, e Frisk se virou olhando para atrás vendo uma mulher de cabelos grisalhos ao lado da de cabelos morenos e o rapaz de cabelos grisalhos, os três sorriam e acenavam um adeus para Frisk enquanto se tornavam poeira.
“Obrigada pessoal.”
Frisk pensou saindo andando com seu filho ao lado de Sans, e assim seria para todo sempre.
7° Paciente — Chara Dreemurr/Frisk Dreemurr — Caso Encerrado.
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