Get Away With Murder
5 Bebê Chorão
Notas iniciais
Uma pessoa andava apressada pelos corredores do Sanatório, usava uma blusa branca simples com uma jaqueta preta por cima e uma calça preta com as botas, os cabelos brancos que estavam em um penteado bagunçado era mexido constantemente pelas suas mãos com luvas de couro por conta de seu tamanho nervosismo e estresse. E entrando em uma sala médica sem bater na porta e quase a quebrando a porta fez Sans, Toriel, Asgore, Alphys e as enfermeiras tomarem susto na sala.
— Tirem Frisk daquele lugar! TIRA ELA DE LÁ MÃE!
— Asriel se acalma e… — Asgore pediu segurando o braço dele e Sans fazia algumas anotações e o olhar dele era sério e frio enquanto ele voltava o olhar para Alphys e algumas vezes ou concordava ou discordava.
— Ela então não tomava nenhum medicamento? E a segunda personalidade dela pode ser do tipo antissocial, o que quer dizer que talvez Frisk tenha uma depressão. Mas ainda tenho que observar e com mais detalhes. — Sans falava se levantando e logo olhando Asriel.
— Preciso perguntar umas coisas a família Dreemurr. — Sans falou vendo que as enfermeiras e a Alphys saiu da sala, deixando os três sozinhos.
— A Frisk tem uma alter chamada de Chara, o que vocês sabem sobre isso?
— … Não sabemos de ninguém que está relacionada a Frisk com esse nome Sans. — Toriel respondeu recebendo também a confirmação de Asgore, mas Asriel estava quieto, quieto até demais e com a cabeça baixa.
— Para quem estava gritando feito uma cabra está quieto demais garoto. — Asriel levantou a cabeça com uma expressão raivosa.
— Eu também não sei. — Sans resolveu não questionar muito ao garoto.
— E agora preciso de datas especificas, desde quando Frisk está assim?
— Vão fazer dois anos mês que vem. Dia 15.
— E… não conhecem nenhum parente dela? Da Frisk? — Sans ainda ia falar quando Asgore saiu falando logo interrompendo.
— A abandonaram no Sanatório, ela estava quase morta por ainda ser inverno.
— Sei… Talvez devessemos procurar os parentes dela, tenho que saber se é um problema genético. Bem, por enquanto vou procurar lá em casa as anotações do meu pai e dêem calmante para ela e observem. E tem que ver com que frequencia ela muda de personalidade.
— Já dá para saber qual tipo de dupla personalidade é? — Asriel perguntou já com uma feição calma.
— Pode ser de defesa, por ela ser frágil e ter uma personalidade depressiva ela encontre defesa nessa segunda personalidade que é agressiva, como disse antes ela se adequa no primeiro fator da psicopatia, uma segunda personalidade antissocial. — Asriel não respondeu, apenas teve que concordar e saiu andando dali.
— Asriel não vá na sala estufada ver a Frisk e…
— Eu sei disso. — Asriel fechou a porta com força e Sans bufou, aquele garoto devia ter problemas também.

Mais tarde, Sans estava em sua casa deitado no sofá e pensativo, não gostava do fato de pensar que foi a segunda personalidade que tinha o beijado, e ainda falava que ele beijava mal.
— Será que eu beijo mesmo mal? PAPS!
— QUIÉ? — Papyrus perguntava da cozinha enquanto fazia alguma coisa nova no fogão e olhava um livro ao mesmo tempo. Tomou um susto quando viu Sans aparecer andando na cozinha até a geladeira e pegando ketchup.
— Você acha que eu beijo mal? — Papyrus desligou o fogão e deixou o livro na pia e se virou para Sans que fechava a geladeira e começava a beber o ketchup.
— … Nyeh?
— Você acha que eu beijo mal?
— Quem diria que você chegou na idade para conversar sobre isso Sans, apesar de que deveria ter acontecido isso acho que a uns 13 anos atrás...
— É sério bro.
— E eu vou saber?! Pergunta isso a quem você beijou ou sei lá, pergunta a uma das enfermeiras que você pegava.
— E-Eu não pegava nenhuma enfermeira!
— Claro, claro… E as meias molhadas? POR ISSO QUE EU FALO PRA VOCÊ LAVAR ELAS! Falar nisso, pega aquela meia que ta na sala e SOMhE COM ELA, Quer dizer... — Papyrus falava resmungando e voltando a fazer a comida.
— Você quer eu SONHE com ela?
— NYEH! — Sans gargalhava com os resmungos de Papyrus, pensava que talvez não devesse ligar para aquele beijo. Afinal, quem deve ter feito aquilo foi a segunda personalidade Chara, e não a Frisk.
— Então quem ficou parada me olhando e querendo fazer nada foi a Chara? Pode ser, tem mais sentido. Deve ter pensado: “O que raios eu estou fazendo sendo segurada por um esquelético estranho e com rosto assustador.” — Sans se jogou no sofá e começou a beber mais do Ketchup.
— Me pergunto se ela está bem naquela sala, com certeza não é agradável ficar na sala estufada.
Asriel andava apressado pelos corredores do Sanatório carregando chaves, então ele entrou na ala das salas estufadas, onde ele conseguia ouvir um silêncio sinistro, como se ali não tivessem diversos loucos que se jogavam na parede e gritavam para o que lá fosse. Asriel andou então até a uma porta que tinha escrito o nome: “Frisk”.
— Será que Chara ainda está? — Asriel pensava abrindo a porta e vendo que Frisk estava com um vestido branco largo no corpo e com os cabelos soltos e bagunçados, ela estava com um olhar frio e uma expressão séria.
— Chara? — Asriel perguntou trancando a porta e guardando as chaves. Ele se virou e viu que a garota sorriu e andou até o Asriel o abraçando.
— Eu senti sua falta… Não sabe como. — Chara falava enquanto empurrava agressivamente o Asriel até a parede direito e ficando na frente dele começando a beija-lo e ele correspondeu segurando na cintura dela e a subindo um pouco.
— Eu também senti Chara. Eu ainda sinto… — Asriel respondeu vendo ela segurando a nuca dele e parando as vezes para respirar.
— Você… Você quer algo?
— Eu quero… Eu quero sair! — Chara falava logo pegando a chave da jaqueta de Asriel e saindo correndo em direção a porta, o garoto desesperado tentou pegar a chave dela mas ela conseguiu sair antes e começou a correr pelo corredor enquanto que Asriel corria atrás dela.
— CHARA! — Chara gargalhava enquanto corria para fora do Sanatório e ia em direção ao quintal para passar por uma rachadura da parede e correr em direção a cidade. Asriel segurou o braço dela a puxando e Chara começou a gritar, a sorte é que o local estava vazio e os guardas sempre dormiam demais, e o sono era pesado. Asriel a jogou contra o chão prendendo as mãos dela.
— Você me deixa com…
— VOCÊ É UM DOENTE ASRIEL, ME DEIXA IR!
— CALA A BOCA! — Asriel gritava chorando e começando a beijar a Chara e ficando sentado na cintura, tirou então algemas do casaco e prendeu a mão da garota que se debatia irritada, tentando bater no Asriel.
“You seem to replace your brain with your heart
You take things so hard and then you fall apart
You try to explain, but before you can start
Those cry baby tears come out of the dark”
“Você parece trocar seu cérebro com seu coração
Você leva as coisas na ofensiva e então desmorona
Você tenta explicar, mas antes de começar
Aquelas lágrimas de bebê chorão saem do escuro”
— Para Chara… Eu te amo. — Chara parou por um momento e ficou olhando com raiva para Asriel, estava quieta demais.
— Eu também gosto de você, mas odeio quando você começa a chorar como um completo bebê Chorão.
— Bebê Chorão? Eu não sou isso. — Asriel começou a gargalhava sentindo ainda as lágrimas brotarem de seus olhos enquanto saia de cima de Chara e a pegava pelos ombros sentindo ela se debater.
“They call you cry baby, cry baby, but you don't fucking care
Cry baby, cry baby, so you laugh through your tears”
“Eles te chamam de bebê chorão, bebê chorão, mas você está pouco se fodendo
Bebê chorão, bebê chorão, então você ri através de suas lágrimas”
— Tudo o que eu quero Chara, era que tivesse alguém que fosse igual a mim. Alguém com que pudesse me identificar, que quando eu olhasse no espelho eu visse a pessoa…
— Eu não ligo. — Chara foi jogada nas poltronas da entrada do Sanatório enquanto sentia Asriel beijando ela forçadamente e tocava na cintura dela subindo o vestido branco de paciente.
“Someone's turning the handle to the faucet in your eyes
You're pouring out where everyone can see
Your heart's too big for your body, it's why you won't fit inside
You're pouring out where everyone can see”
“Alguém está girando a manivela da torneira nos seus olhos
Você está derramando onde todos possam ver
Seu coração é grande demais para o seu corpo, é por isso que não cabe aí dentro
Você está derramando onde todos possam ver”
— Não… — Asriel ouviu o choro da garota, sabia que toda vez que Chara chorava era a Frisk que tinha voltado ao corpo. Ela não se debatia, apenas chorava e começava a se debater.
— NÃO!
— CALA A BOCA! — Asriel gritou dando um tapa no rosto de Frisk e ele então começou a desabotoar a calça, a colocou de costas a derrubando no chão frio.
— Você não é a Chara! Traga a Chara!
— Eu não sei como Asriel… — Frisk chorava com o rosto no chão e tentando se levantar, mas Asriel a empurrava. Frisk gritou quando sentiu ele começar a estocar o corpo dela forçando contra ela.
“I look at you and I see myself
I know you better than anyone else
I have the same faucet in my eyes
So your tears are mine”
“Eu olho para você e vejo eu mesma
Eu te conheço melhor do que ninguém
Eu tenho a mesma torneira nos meus olhos
Então suas lágrimas são minhas”
— SE NÃO TRAZER A CHARA VOU CONTINUAR! — Frisk chorava ao mesmo tempo que sentia dor, sentia muita dor com ele a estocando cada vez mais rápido como um animal, ela também sentia ele bater nela na bunda ou arranhar ela.
— Eu… Não sei… Como… por favor, Asriel…
— TRAZ A CHARA! — Frisk ouviu ele soltar um gemido enquanto empurrrava Frisk para a frente a derrubando mais ainda no chão frio. Respirava rápido enquanto olhava para Asriel acabada. Ela então viu ele lambendo os proprios lábios e sorrindo, mas na visão de Frisk ele estava sorrindo de um jeito que ela não conhecia, um jeito que só via quando ele estava irado desse jeito.
— Podemos ficar aqui a noite toda Frisk, você só tem que trazer a Chara.
Frisk ficava quase todas as noites daquele jeito, algumas vezes ela conseguia fugir para Snowdin. E em outras vezes ela não conseguia. Hoje ela não conseguiu. Não conseguir fugir dos braços do monstro que sempre lhe fazia lembrar de flores não a deixou determinada, a deixou amaldiçoada.
— Sabe Temmie, você é minha Chará, diferente da tal Chara.
— Tcharra é Tcharrá? — Temmie perguntou e Sans acabou gargalhando, sabia que ela acabaria falando errado e ele tinha que cortar aquele clima pesado do corredor das salas fechadas. Sans andou até a porta de Frisk. Temmie então colocou a bandeja com comida na entradinha da porta mas Sans pegou antes.
— Eu vou falar com a Kiddo.
— N-nas dotor…
— Não tem problema, já apanhei muito de pacientes. E posso dizer que ela é a mais fraca de todos que já atendi. — Sans falou abrindo a porta com a chave e entrando, Ele viu uma Frisk em um canto dormindo profundamente enquanto estava se abraçando, mas o que o assustou foram as marcas roxas pelo corpo e o rosto que além de estar corado estava com a marca de um tapa na face esquerda. Sans deixou a bandeja cair e ele correu até a garota vendo que ela estava muito quente, febril. Com a agitação do médico Frisk foi abrindo os olhos aos poucos e se virando para Sans que tocava na testa dela.
— … Sans.
— Kiddo! Hey Kiddo o que fizeram com você?
— … Você vai me abandonar? Não me abandona...
— Claramente alguém fez… Fez alguma coisa com você! Vem, vou te levar para a ala médica. — Sans falava a preparando para pega-la no colo e ela empurrou ele o jogando para longe.
— Não me toca!
— Mas kiddo esses ferimentos…
— NÃO ME TOCA! Ah… Não! Desculpa! Por favor não me abandona Sans! Não me deixa sozinha! — Frisk falava engatinhando até ele segurando nas pernas dele e chorando, Sans se abaixou a ajudando se levantar e a pegou nos braços, ela parecia ter uma certa dificuldade em andar por conta das pernas dela estarem bem roxas. Apanhou? Talvez. Um bocado? Diria que muito. Sans não conversava muito com ela, sabia que se começasse a puxar assunto sobre o que aconteceu provavelmente ela teria uma crise depressiva e iria chorar pedindo para ele não abandonar. Resolveu Então tentar anima-la, dentro do quarto dela Sans se aproximou dela com um pequeno saquinho rosa.
— Meu irmão Papyrus mandou um presente para você. — Sans falava andando pelo quarto e tirando do saquinho um potinho com um bolo vermelho com cobertura bem branquinha.
— Isso ai se chama Red Velvet* (vá aos comentários finais ver o que raios é um Red Velvet). Quando eu provei ontem e falei que tava muito salgado ele disse que eu não tenho um paladar bom. Ai ele refez o bolo e mandou te entregar. Você ainda não comeu não é? — Sans perguntou sorrindo de leve e Frisk abriu o pote e ficou olhando o bolo, os olhos marejaram e ela pegou o garfinho da sacola começando a comer. A cada pedaço, uma lágrima escorria pelo rosto.
— Está chorando pelo que aconteceu?
— Eu… Eu estou chorando porque está muito gostoso. Muito mesmo. — Frisk falava deixando o garfinho cair no chão e chorar mais ainda, Sans não tinha muito o que fazer. Afinal, ele não deveria fazer porque aquela era só uma relação de paciente e Doutor, mas ele sentiu uma necessidade muito grande de toca-la e protegê-la. Então ele segurou ela pelos ombros fazendo ela olhar para ele.
— Eu não vou te abandonar Kiddo. Não se preocupe, seremos sempre amigos do peito. Tipo Patati e Patata, Batman e Robin, Temmie e Temmie. — Sans falou abraçando Frisk e ele viu que ela não retribuiu mas ela chorava ainda encostando a cabeça no ombro dele.
— Eu quero morrer...
— Todo mundo está aqui com você Frisk. Sua mãe, seu pai, Temm…
— Eu quero morrer…
— Se você me ajudar, eu poderei fazer você parar de sentir essa dor. Há algo que posso fazer por você Frisk? — Frisk viu Sans solta-la e ela ficou olhando o bolo do Papyrus, em seguida olhou para Sans e fez um pedido.
— Asgore vou fazer isso para que ela fique protegida enquanto descobrem quem fez isso com ela. — Sans falava enquanto estava em pé de frente para Asgore que olhava nervoso para o albino.
— Mas Sans acho que isso é pior! Ela vai estar desconfortável lá, com certeza!
— Asgore você não entende? A Frisk vai estar mais em perigo aqui! Ela confia em mim!
— Sim, ela confia mas a Chara não, e ainda tem o seu irmão que vai estar em perigo e…
— Asgore você não está entendendo a situação, a Frisk aparecia todo dia em Snowdin não por que o alter dela ia, mas porque ela estava sempre fugindo de algo que está acontecendo nesse sanatório!
— EU NÃO PERMITO QUE…
— A FRISK ESTÁ SENDO ESTUPRADA TODO DIA! VOCÊ NÃO ENTENDE A GRAVIDADE DISSO? — Sans nunca gritava, ele normalmente não ficava nervoso, mas parecia que Asgore estava ignorando algo que estava diante dos olhos dele. Asgore bufou irritado.
— Vamos colocar mais guardas.
— Asgore…
— Você não precisa levar ela!
— Asgore, eu vou leva-la. — Sans deu a palavra final se virando e fechando a porta, Sans conseguia ouvir que o homem soltava um grito de raiva.
— Ele não concordou. Quer dizer, isso era obvio não é? — Sans falava soltando um risinho para Frisk que estava com um casaco verde com amarelo e um shortinho com botas e mochila nas costas e com o cabelo preso.
— Mas eu sou seu doutor, sei o que é melhor para você. E digo que o melhor não é você ficar aqui, com certeza. Venha. — Sans falava saindo andando e ele se surpreendeu quando Frisk pegou na mão dele e ele corou na hora.
— K-Kiddo você não sabe andar sozinha? — Frisk saiu puxando Sans correndo, ele sentia de algum modo como se estivesse naqueles filmes ridiculos de romance bobões e que no final o protagonista apaixonado bobamente faz de tudo para ficar com a mocinha. Mas nessa situação, parecia que era a Frisk que interpretava o protagonista apaixonado bobamente.
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