Notas iniciais
Player set: Solemn Hypnotic (Ana)

Essa coisa toda sobre “sonhos lúcidos” havia se tornado uma febre mundial. Parecia que todo mundo estava tentando. E fiquei extremamente curiosa quando meu amigo disse que tinha conseguido e a sensação era incrível.

Ok, é simples, pelo que pesquisei. Chega um ponto de seu sonho, na fase R.E.M. se não estou enganada, onde você começa a perceber que o que está acontecendo não pode ser real, que algo está estranho. Então, a sua mente começa a desenvolver a consciência de que é um sonho e você pode controlar tudo o que estiver acontecendo em sua fantasia. Mas meio que você tem de enganar sua mente. Tipo... Você não pode exagerar no que quer que aconteça. Porque, se seu cérebro perceber que é impossível acontecer aquilo que você quis, ele te acorda.

Matéria lida, fui me deitar. E consegui a minha primeira experiência com aquele tipo de sonho.

Meu sonho começou como um dia qualquer. Escola. A diferença que eu estava em um curso de inglês que eu já havia concluído havia muito tempo. Senti um estalo em minha consciência: Um sonho! Mas precisava ter plena consciência que era realmente um sonho lúcido.

Lembrei-me do que Ygor me dissera uma vez. “Se você sentir que está tendo um sonho lúcido, olhe para sua mão e veja se está bem detalhada”. Experimentei isso. E de fato, estava. Cada linha, cada dobra... Parecia cinema em HD!

Manter a calma... Sim, era outra coisa que a matéria mandava! Manter a calma e tentar mudar as coisas aos poucos. Olhei para a mesa que eu estava sentada, era do estilo carteira, mas estava vazia, nada em cima dela. Mentalizei um caderno sobre ela e, puf! Apareceu! Aquilo era tão legal.

Próximo passo, imaginar algo maior. Levantei e fui embora. Na frente do curso, lembrei-me de ter lido que valia de tudo no sonho lúcido, mas que não era para exagerar tanto. No entanto, pessoas alegavam ter conseguido voar. Eu tinha medo de altura, mas sabia que era tudo um sonho, então eu estava completamente segura. Mentalizei levitar.

E mentalizei...

Mentalizei.

- Ok, por que não estou voando?! – Grunhi.

Comecei a dar saltinhos e bater meus braços no ar, como se eu fosse algum pássaro. Mas nada! Nem um centímetro acima do ar!

Tanto faz... Eu podia mudar aquele mundo! Era simplesmente meu!

Respirei profundamente. Era um ar tão puro, tinha um aroma tão agradável! Corri para o outro lado da rua e comecei a imaginar um caminho que me levasse a todos os lugares que eu sonhava em conhecer.

Quando notei, estava pisando no gramado da mansão do meu “mestre”, o escritor em quem mais me inspiro, Stephen King. Ele estava na frente, tomando café e fumando um cigarro. Para minha surpresa, ele me chamou e Tabitha, sua esposa, havia feito biscoitos de chocolate! Nós três ficamos lá conversando. Ele dizia que minhas histórias estavam boas, mas ainda tinha o que aprender.

Em seguida, eu já estava em um show do Aerosmith. Foi tão perfeito! Invadi o camarim deles e consegui uma guitarra autografada da banda, hehe. Os advogados deles queriam me cobrar direitos de uso de imagem por causa de uma de minhas fanfics, mas Tyler disse “não se preocupem com isso” e me deixou ir. Eu sabia que ele era legal!

Até que algo surgiu em minha mente. Ygor me dissera também algo sobre “evocar seu guardião”. É como se cada pessoa, internamente, tivesse algo ou alguém para lhe proteger. Não bem um “anjo da guarda”, mas entendi mais como “a forma do espírito da pessoa”. Eu podia estar errada, eu podia estar certa. Não custava tentar, né?

Fechei meus olhos novamente e comecei a chamar silenciosamente por meu guardião. A excitação percorria minhas veias. Como será que ele era? Será que era um humano, será que era um animal?

Senti que havia alguém atrás de mim. Olhei para trás rapidamente, mas não havia ninguém. Só uma sombra estranha no fim da rua.

- Será que...?

Resolvi correr atrás daquele cara. Quando cheguei ao fim da rua, ele não estava mais lá. Por alguma razão, ele já estava no fim da outra rua. Tentei novamente me aproximar, mas ele já estava na outra rua. O ciclo se repetiu incontáveis vezes. Até que eu me emputeci e desisti.

Já estava ficando sem ideias do que fazer. Mesmo estando em um mundo onde você comanda, tem uma hora que o tédio te assola...

- Vou acordar... – Fechei os olhos.

Quando abri... Eu ainda estava no sonho!

- Err... – O estranho que eu me lembrava de ter ido pra cama, mas não me lembrava de ter acordado. Fora que, nunca que aquelas coisas que eu havia vivenciado teriam acontecido no mundo real! Tentei acordar de novo, e de novo, e de novo...!

Fiquei com medo. Muito medo. Será que eu tinha morrido? O pânico me assombrava. Precisava acordar logo!

Mas eu sabia que desespero não me levaria a nada naquele mundo de ilusão. Talvez... Respirei fundo e vasculhei minha memória atrás de alguma coisa que eu tivesse escutado do Ygor ou lido.

- Morrer! – A resposta veio em um estalo, e um sorriso rasgou meu rosto.

Ygor me contou que, se você tentar se matar no sonho, você vai acordar. Aqueles boatos que se você morrer em um sonho, você morre de verdade, é tudo mentira. Subi em um prédio e... Glup! Aquilo era tão HD que dava medo.

- É um sonho, é um sonho... – Repeti incansavelmente a mim, criando coragem.

Respirei fundo. Eu não sentiria o impacto, eu apenas sentiria o vento em meu rosto e acordaria em minha cama... Aquilo me deu forças para dar um passo à frente e me jogar.

A queda foi assustadora, mesmo caindo de olhos fechados. Meu corpo desmoronava como uma flecha, em direção ao asfalto. Minhas mãos estavam fechadas e meu rosto, em direção ao chão.

Caí em algo fofo. Não estava morta, não acordei... Mas doeu pacas!

Sentei, coçando minha cabeça. Eu estava sentada em um monte de feno, e vestia uma capa branca, um capuz cobrindo meu rosto.

Espera...

- Mas que porra eu tô fazendo no mundo de Assassin’s Creed?! – Bradei, ao ver o cenário da Itália renascentista em minha frente.

Notas finais
Lembrando que este prólogo foi passado em um sonho! Então, esta coisa de falta de lógica na sequência dos lugares é algo para ser ignorado, sim? ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.